segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Crise nos EUA

03/11/2010 - 16h20

EUA comprarão US$ 600 bi em bônus para impulsionar economia

Da Redação, em São Paulo

  • Operador de mercado trabalha na Bolsa de Nova York; ao fundo, monitor anuncia a decisão do Fed (o BC norte-americano) em manter a taxa básica de juros dos EUA entre 0% e 0,25%
    Operador de mercado trabalha na Bolsa de Nova York; ao fundo, monitor anuncia a decisão do Fed (o BC norte-americano) em manter a taxa básica de juros dos EUA entre 0% e 0,25%

O Federal Reserve, o banco central-americano, anunciou na tarde desta quarta-feira que o governo comprará US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro até o segundo trimestre de 2011 -- serão cerca de US$ 75 bilhões por mês.
O Fed também anunciou que manterá os juros do país entre 0% e 0,25% ao ano e repetiu a promessa de manter a taxa de juros excepcionalmente baixa por um período prolongado.
Apesar de dados recentes da economia dos EUA terem surpreendido positivamente o mercado, já esperava-se que o banco central norte-americano anunciasse nesta quarta-feira a compra de pelo menos US$ 500 bilhões em ativos nos próximos meses.
O objetivo do Fed ao comprar títulos do Tesouro é deixar o sistema financeiro do país com mais dinheiro em caixa e, assim, estimulá-lo a conceder crédito mais barato ao consumidor, que dessa forma estaria mais disposto a gastar.
Com essa estratégia, o governo espera promover o reaquecimento da economia americana, que enfrenta uma das mais altas taxas de desemprego da sua história, de 9,6%.
A medida, porém, é controversa. Para muitos economistas, e alguns membros do próprio Fed, a compra de títulos pode ter um efeito mínimo e reduzir ainda mais a inflação, que está num dos menores patamares desde os anos 1960.
“Quando se tem taxas de juros tão baixas quanto estão hoje, elas não podem diminuir muito, por isso eu não espero resultados avassaladores nessa ação”, disse Paul Volcker, ex-chairman do Fed.
O Fed cortou as taxas de juros para quase zero em dezembro de 2008 e já comprou cerca de US$ 1,7 trilhão em dívida do governo dos EUA e bônus atrelados a hipotecas.

Dólar e bônus americanos

"A expectativa de cerca de US$ 100 bilhões a US$ 200 bilhões (para a compra mensal de bônus do governo) já está embutida na cotação do dólar", escreveram Camilla Sutton e Sacha Tihanyi, estrategistas de câmbio da instituição canadense Scotia Capital, que viam o risco de uma breve alta do dólar caso o anúncio não correspondesse às expectativas.
Na semana passada, Bill Gross, gestor do maior fundo de bônus do mundo na Pacific Investment Management Co. (Pimco), afirmou por meio de um relatório que a retomada das compras de ativos pelo Federal Reserve significa o fim do período de 30 anos de mercado em alta para os bônus.
"O anúncio do Fed provavelmente vai significar o fim do grande período de mercado em alta para bônus e a necessidade para gestores de bônus – e, sim, para gestores de ações-- se ajustarem a um novo ambiente", escreveu.
Para Gross, o programa de compra de bônus do banco central norte-americano "é, de fato, inflacionário e um pouco de esquema Ponzi (pirâmide)". O programa "aumenta os preços dos bônus para criar a ilusão de altos retornos anuais, mas no final acaba em nada e os preços não podem mais subir", acrescentou.

(Com informações do Valor e da Reuters)

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