terça-feira, 31 de março de 2009

E assim começamos!

Olá amigos!

Esse é um canal aberto para quem quer se informar. Saber dos últimos acontecimentos da economia local, regional, nacional e internacional, comentar as notícias e os artigos, postar idéias e descobrir como aplicar os conceitos da teoria econômica no seu dia-a-dia.
O Blog surge para auxiliar no aprendizado das turmas de economia do Campus avançado da Universidade Federal do Ceará no Cariri, mas está aberto a todos que queiram compartilhar conosco desse espaço.

Eu, Suely Chacon, sou a responsável pelo projeto. Participam do Blog como colaboradores o Prof. Dreno Viana e alunos do curso de Administração da UFC Cariri Ives e Luiz Angélico, monitores das disciplinas de economia nos cursos de Adminsitração, Agronomia e Engenharia Civil. Contudo, os verdadeiros protagonistas devem ser os alunos das turmas participantes do Projeto, e todos que se interessarem pelas temáticas aqui levantadas. Contamos com seus comentários!

Sejam todos bem vindos!

domingo, 29 de março de 2009

Bancos enfrentam dificuldades para falar a língua da classe média 'emergente'

Bancos enfrentam dificuldades para falar a língua da classe média 'emergente'
Segundo estudos, cartão de crédito cresce, mas 'fica na gaveta'.Maior parte da classe C tem conta em banco, mas usa pouco os serviços.

Fernando Scheller
Do G1, em São Paulo


A festejada classe média emergente, que segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) representa mais de 50% da população brasileira, ou cerca de 100 milhões de pessoas, ainda não foi devidamente descoberta pelo setor bancário brasileiro.

Pesquisas mostram que os consumidores que nos últimos anos ascenderam à chamada “classe C” já têm alguma relação com o sistema financeiro – seja com conta-corrente ou cartão de crédito –, mas resistem em ampliar o uso desses serviços.


Família Silva: 'núcleo' da classe C (Foto: Daigo Oliva/G1)


De acordo com a FGV, é classificado como classe C a família que tem renda total entre R$ 1,1 mil e R$ 4,8 mil por mês. Estudos relatam, no entanto, que a maior parte dessa nova classe média é composta por famílias que recebem entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por mês.

É justamente neste chamado “núcleo da classe C” que se percebe traços de desconfiança com o setor bancário. Pesquisa da agência McCann Erickson com 2 mil pessoas mostrou que 35% dos entrevistados não compram mais produtos bancários porque acreditam que as instituições querem "roubar mais do que ajudar”.

Entretanto, isso não quer dizer que a classe C esteja fora do setor bancário. Segundo o Instituto Data Popular uma pesquisa nessa faixa de renda com 1,6 mil consumidores na capital e no interior de São Paulo mostrou que 80% deles já têm conta em banco e cerca de 70% possuem um ou mais cartões de crédito.


Excesso de burocracia

Entretanto, o excesso de burocracia e pedidos de comprovação de renda acaba afastando essa população das agências bancárias. Na pesquisa da McCann Erickson, 91% dos entrevistados disseram considerar os bancos burocráticos e cerca de 80% disseram que não querem maior relação com o setor porque “ganham pouco” ou “não têm salário fixo”.

Para o vice-presidente da McCann Erickson, Aloísio Pinto, a necessidade da “classe C” em não destoar do ambiente também distancia essa população dos bancos. ”(O setor) tem uma barreira de postura, não tem a proximidade que o varejo tem, não está falando a língua deles”, ressalta.

Esse distanciamento leva, segundo pesquisas, a um uso muito precário do sistema bancário por essa população. É comum, segundo o levantamento da McCann Erickson, que essas pessoas usem a conta-corrente apenas para sacar o salário no início do mês e guardem o cartão de crédito que fizeram na gaveta.
Quarto das crianças: beliche a prestação (Foto: Daigo Oliva/G1)


'Sem conta'

A diarista Valmira Rosa de Souza Silva, 33 anos, se encaixa no perfil do consumidor emergente que se mantém praticamente à margem do setor bancário. Ela recebe o dinheiro diretamente dos patrões e conta que o marido, o motorista Erivelto, só usa a conta bancária para retirar o dinheiro do salário, no início do mês.

Valmira tem um cartão de crédito Visa, com um limite de R$ 390, que fez nas Casas Bahia, mas conta que nunca usou o meio de pagamento. “Fiz por pressão da minha cunhada, que foi comigo na loja. Estou pensando em cancelar”, explica, dizendo que gasta R$ 3,70 por mês só para manter o cartão ativo.

Pais de quatro filhos, Valmira e Erivelto ganham, juntos, aproximadamente R$ 1,8 mil por mês. Moradores da Vila Remo, na periferia de São Paulo, eles pagam as contas ao receberem os salários. Com o dinheiro na mão, quitam aluguel, água e luz, compram botijões de gás e fazem umas compras de itens básicos “do mês” no supermercado.

Atualmente, o casal arca ainda com as prestações de duas camas tipo beliche adquiridas nas Casas Bahia, onde dormem as crianças. O que resta, conta Valmira, é administrado ao longo do mês para a compra de pequenas necessidades, como ovos, verduras e carne para a “mistura” das refeições.

Valmira e Erivelto ilustram o que os especialistas em classe C classificam como “a confiança do dinheiro na mão”. Para o diretor do Instituto Data Popular, pagar as contas de uma vez é uma forma de investir o dinheiro logo, evitar que ele desapareça. “(A pessoa) investe de alguma maneira. O dinheiro parece uma coisa quente na mão, meio perigosa.”


'Troféu'

Ao ter contato com novas formas de pagamento, como o cartão de crédito, essa população muitas vezes mete os pés pelas mãos ao usá-las – por isso, segundo uma pesquisa da Mastercard, muita gente da classe C, como Valmira, tem o cartão de crédito como “troféu” – ou seja, o usuário emite o cartão, mas não o usa.


Erivelto e Valdete: conta e cartão 'troféus' (Foto: Daigo Oliva/G1)

Por isso, uma ferramenta de consumo consciente desenvolvida pela administradora de cartões – que inclui folhetos e também um site de finanças pessoais – tem como um dos principais ao conselho aos novos usuários: “o cartão de crédito não é dinheiro grátis”.