sábado, 17 de dezembro de 2011

DISCURSO PROFERIDO NA CERIMÔNIA DE COLAÇÃO DE GRAU DOS CONCLUDENTES DE 2011.2 NO CAMPUS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ NO CARIRI


Suely Salgueiro Chacon – Representante do Corpo Docente

Nesse momento em que celebramos um ritual de passagem, inicio agradecendo pela oportunidade de falar aos nossos concludentes, aos seus familiares e a toda a comunidade acadêmica aqui hoje reunida. Embora tenha sido indicada pelos formandos do curso de Administração, sinto-me ligada não somente aos novos Administradores, mas também a cada um dos novos Agrônomos, Biblioteonomistas, Engenheiros Civis, Filósofos e Médicos.  Não apenas porque fui professora de muitos de vocês, mas porque me sinto profundamente ligada ao Campus da UFC no Cariri, e a todo o processo de formação que resulta nesse momento simbólico, quando vocês deixam de ser alunos e se tornam profissionais.

Fazer parte dessa construção coletiva que é a Universidade é um privilégio, especialmente quando estamos aqui, no interior do Brasil, no interior do Ceará, no meio do Sertão. Estamos construindo aqui, nesse espaço, mais do que saberes, estamos construindo uma nova história. Ultrapassamos o discurso e pusemos em prática o que por décadas parecia utopia. A Universidade chega ao interior não apenas para trazer conhecimentos técnicos e científicos, ela chega aqui para incluir, para permitir que todos tenham a chance real de mudar sua vida, sua história, de suas famílias, de suas comunidades. Antes de formar novos profissionais, a nossa Universidade forma pessoas. Pessoas prenhes de sonhos, de confiança, que olham para sua terra e sentem orgulho de fazer parte desse lugar. A auto-estima, por anos destruída sistematicamente pela exclusão desse espaço do processo de desenvolvimento do país, volta a crescer e se fortalecer. Hoje vocês, queridos formandos, são a prova para suas famílias e para toda a sociedade, de que só precisavam de uma pequena chance para mostrar que são capazes de realizar proezas que antes pareciam reservadas apenas para poucos privilegiados que estavam nos grandes centros.

Essa cerimônia de hoje é um marco na vida de vocês, e representa mais que a conclusão de um curso de graduação. É o início de uma nova caminhada na vida de cada um, permeada pela busca da construção de suas identidades, pela consolidação de suas escolhas pessoais, e pela efetiva participação no processo de desenvolvimento do nosso país.

Nesse sentido, esse momento representa para todos nós que fazemos o Campus da UFC no Cariri, mais um passo no caminho que escolhemos trilhar, e que nos permite realizar o que eu considero a verdadeira revolução, que é dá acesso, ao maior números de pessoas possível, à uma educação de qualidade, inclusiva, crítica, empoderadora e transformadora da realidade. Sem armas, sem conflitos, nós estamos destruindo juntos e sistematicamente um muro de opressão e de exclusão que segregou por décadas parte da população desse país, condenando a grande maioria a sobreviver sem qualquer perspectiva de uma vida digna. A conquista de cada um de vocês é a conquista de todos nós, e de cada um dos habitantes dessa região.

Amartya Sen, um dos criadores do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, nos diz que o desenvolvimento só ocorre se as pessoas são livres. E para que essa liberdade efetivamente exista na vida das pessoas, elas precisam ter acesso a condições mínimas, que as permitam escolher. Assim, pouco adianta se dissermos que os índices econômicos de nosso país e nossa região são cada vez melhores, isto não significa desenvolvimento, muito menos inclusão social. Significa apenas crescimento econômico, muitas vezes restrito a poucos. Foi esta a nossa história por muitos anos. Para que haja desenvolvimento é preciso mais que crescimento econômico, é preciso que as pessoas se beneficiem de forma igualitária do resultado desse crescimento, que tenham acesso a uma vida digna, que a natureza seja respeitada e as instituições da sociedade fortalecidas. Mas para que isto aconteça, é necessária uma base forte: o acesso ao conhecimento. O acesso à educação transformadora é essencial. Somente nesses termos podemos falar de desenvolvimento.
Assim, a inclusão gerada pela expansão do ensino superior no Brasil é um passo fundamental nesse processo de desenvolvimento que estamos ainda gestando, e pode gerar transformações profundas na vida de todos nós e de nossos filhos e netos. Conscientes de nosso papel nessa construção, assumimos a responsabilidade e o compromisso de promover nesse espaço de troca de saberes, não apenas a formação profissional, mas também a formação de pessoas. De seres humanos capazes de perceber que sem o devido cuidado com o seu semelhante e com a natureza, não alcançamos o desenvolvimento, ficamos apenas no crescimento econômico excludente.

Cada um dos novos profissionais que hoje se apresentam à sociedade é um agente de transformação, produtor de ideias e ideais que se materializarão no seu trabalho e nas suas escolhas. Muitos de vocês terão oportunidade de escolher: reproduzir a exclusão ou fortalecer a revolução que inclui.

Vocês, caros formandos, iniciam sua cainhada em um cenário promissor. Isto significa muitas oportunidades, mas também mais responsabilidades. Há menos de dez anos, quando o curso de medicina se instalou aqui, não se poderia prever esse cenário positivo. A realidade ainda era de incertezas, de poucas chances, mesmo para quem se graduava. A maioria de vocês teve acesso a diversos benefícios durante o curso, pode participar de atividades de pesquisa, de extensão, de viajar para congressos, de conviver em um espaço físico novo, com equipamentos modernos em laboratórios e salas de aula. Conviveram com professores qualificados e tiveram oportunidades de assistir a inúmeras palestras em eventos nacionais e até internacionais realizados aqui mesmo, no nosso lugar. Embora muitos insistam em enfatizar o que ainda falta, é possível perceber o grande avanço que já produzimos. Hoje, menos de seis anos da instalação do Campus do Cariri, que veio se juntar ao curso de Medicina, esse avanço se retrata na nota cinco no ENADE, alcançada pelo curso de medicina, na seleção de alguns para excelentes cursos de pós-graduação, com bolsa de estudos garantida, e nas várias ofertas de empregos para grande maioria. Vocês podem escolher os seus próximos passos. Tudo isto é fruto de uma conjuntura favorável, que trouxe oportunidades para todos. Cabe a vocês fortalecer e amadurecer esse processo.

Um cenário tão promissor não pode levar a acomodação, deve instigar todos a ousar. Ousar descobrir novas possibilidades para a profissão, ousar defender uma atuação baseada respeito à diversidade e ao meio ambiente, ousar na busca pela sustentabilidade da nossa região e do nosso país, pensando no atendimento das necessidades da nossa geração e das que vem por aí. Ousar admitir que nenhuma ciência é dona da verdade, por isto precisamos aprender todos os dias com os nossos colegas de outras aéreas, ousar olhar o outro como seu semelhante e não como um competidor. Ousar acreditar que somos melhores quando somos capazes de construir juntos uma nova realidade e dizer não à destruição das relações humanas em prol da ilusão do consumo e da acumulação. Ousar ser humano, antes de ser um profissional. Cuidar do Outro em um sentido amplo é a base da ética que vocês devem levar com vocês.

Exerçam suas escolhas com serenidade e intensidade. Serenidade para tomar decisões corretas e intensidade para abraçar os sonhos e ousar. Estejam prontos para surpresas e disponíveis para descobertas. Isto levará você aonde vocês quiserem ir. Repito: não é momento de acomodação, mas de ser protagonista de um novo tempo.

Diante de tantas possibilidades que esse tempo atual disponibiliza para vocês, quero enfatizar mais uma vez que a postura de cada um, as escolhas de cada um, é que irão garantir que alcancemos um patamar real de desenvolvimento. Para isto, não podemos confundir a sociedade com o mercado, ou a felicidade com o consumo e acumulação, nem o reconhecimento profissional com vaidades ou cargos efêmeros.

Parabenizo a cada um de vocês, não apenas pela conclusão do curso, mas por representarem a mudança, por provarem que é possível fazer o sonho acontecer. Cada um de vocês hoje redime um pouco todos os sertanejos que tiveram que ir embora de sua terra, que morreram nas secas, que se humilharam pedindo esmolas, que deixaram de acreditar em sua própria importância como ser humano.

Agradeço a vocês por me permitirem por em prática tudo que escrevi por anos, defendendo a inclusão de todos no processo de desenvolvimento. Vir para cá, no caminho inverso que fizeram meus avós, tios e pais, foi a melhor escolha que fiz na vida, porque me proporcionou a felicidade de conhecer vocês.

Desejo a todos muito sucesso e todas alegrias que cada um de vocês merecem. Sejam sementes da revolução por onde quer que seus caminhos os levem.






sábado, 19 de novembro de 2011

Brasil recebe nota maior para investimentos


19/11/2011 - 09h45

Nota maior do país beneficia empresas brasileiras

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

A melhora na avaliação do risco brasileiro deve premiar com juros menores, a partir de 2012, as empresas de primeira linha que conseguem se financiar no exterior.
Na esteira do "upgrade" brasileiro, feito anteontem pela agência Standard & Poor's, também tiveram suas notas elevadas as estatais Petrobras, Eletrobras, BNDES, Banco do Nordeste e Banco do Brasil, por estarem diretamente relacionadas ao risco de crédito do governo.


Também tiveram "upgrade" as filiais dos bancos Santander, HSBC e Citibank, que, apesar de controlados por instituições de risco baixo, têm a avaliação do Brasil limitando seu "rating" (nota).
Para Paulo Cesar Souza, diretor do Société Générale, as emissões de dívida das empresas brasileiras já vinham se destacando com taxas baixas nas últimas semanas, adiantando o quadro referendado pelo "upgrade".
Na semana passada, o Banco do Brasil captou US$ 550 milhões em cinco anos com taxa inédita de 4% anuais.
O Tesouro Nacional conseguiu vender US$ 1,1 bilhão em títulos com vencimento em 2041 com juros de 4,694%.
Na Europa, a energética italiana Enel fez uma captação de € 2,25 bilhões com juros de 4,625% em quatro anos e de 5,75% para sete anos.
Para o investidor que está exposto à Europa, comprar títulos de empresas brasileiras é uma oportunidade de diversificação geográfica e de risco de crédito. Por isso, as taxas têm recuado.
"O impacto do 'upgrade' é mais psicológico do que efetivo. Ajuda no processo de venda e no preço, mas o mercado acabou incorporando isso antes", disse Souza.
"As taxas competitivas refletem a situação do Brasil, que foi menos afetado pela crise", disse Alberto Kiraly, da Anbima (associação das entidades do mercado).
"A diferença é que o Brasil tem crescimento. Quem compra título quer um papel que possa ir bem ao longo do tempo. É mais fácil com Brasil", disse Ivan Monteiro, do BB.

Consumo para combater a crise


Governo Dilma repete Lula e, contra crise global, aposta no consumo



Banco Central volta atrás em medidas que limitaram empréstimo a pessoas físicas. Com esfriamento do PIB induzido pelo governo somado à crise global, país corria risco de estagnação em 2012, diz economista. No 'mercado', já se prevê que BC terá de reforçar queda do juro. Para seguir cortando, BC pede a senador que desista de impor meta de crescimento à instituição.
Data: 14/11/2011
BRASÍLIA – Com o país crescendo num ritmo que não se via desde 1986, o governo decidiu, em dezembro do ano passado, tomar providências para conter o consumo das pessoas. A intenção era esfriar a economia e conseguir controlar a inflação sem ter de exagerar na dose do remédio tradicional, o juro do Banco Central (BC), algo que afetaria os investimentos das empresas. 

O agravamento da crise global ao longo de 2011, sobretudo nos últimos meses, funcionou, porém, como freio adicional da economia, segurando-a acima do planejado. As empresas estão assustadas e começam a repensar planos por causa de um cenário externo sem mudança à vista. Sem consumo e investimentos, como o país cresceria?

Diante disso, o governo resolve apostar de novo no consumo popular como motor da atividade econômica, voltando atrás em algumas das providências tomadas há onze meses, como a gestão Lula fizera em 2008. E pode ser obrigado a ir além, para evitar uma estagnação prenunciada por maus presságios vindos do exterior.

Nesta segunda-feira (14), o BC publicou circular que muda certas regras que bancos devem seguir, na hora de fazer empréstimos à clientela. As instituições vão precisar ter uma reserva contra calotes menor do que a exigida até agora. Na prática, poderão fazer mais contratos tendo o mesmo dinheiro. Devem aumentar empréstimos a pessoas físicas do tipo CDC e consignado (com base no contracheque) e para compra de carros, a taxas menores.

Nesta segunda-feira (14), o Banco do Brasil já anunciou a redução do juro para os clientes, em função das novas regras. Fez isso porque a decisão do BC foi conhecida na última sexta-feira (11), depois de uma reunião da diretoria do banco. 

Na véspera, a presidenta Dilma Rousseff e o ministro Guido Mantega (Fazenda) haviam mostrado como estão preocupados com a situação internacional, especialmente em função da piora na Europa. Para os dois, a crise será prolongada e vai afetar inclusive países emergentes, ainda que de forma menos acentuada. 

Dilma e Mantega tinham visto de perto o tamanho do abacaxi global, ao participarem na França, no início de novembro, da reunião do G20, o grupo de economias mais desenvolvidas do mundo. Hoje, acredita-se que o ano de 2012 também já possa ser considerado perdido para a União Européia, com estagnação à vista ou mesmo uma recessão.

Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, por causa da combinação de “medidas duras para desacelerar o crescimento interno” e “crise internacional”, o governo precisar mesmo agir. "Se o governo não toma medidas necessárias, nós poderíamos correr o risco de ter um PIB crescendo 2%, 3% este ano e talvez de uma estagnação no ano que vem", afirmou. 

Uma dessas medidas poderia ser o reforço da redução da taxa de juros do Banco Central, algo também defendido, por exemplo, pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Na última quinta-feira (10), Dilma contornou o assunto, ao ser questionada numa rápida entrevista coletiva. “Nessa questão dos juros, quanto menos se falar, melhor. Porque essa é uma questão afeta ao Banco Central (…) Quem responde sobre juros no meu governo é o ministro do Banco Central”, disse.

Naquele mesmo dia, o “ministro” - ou presidente – do BC, Alexandre Tombini, recebera o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), autor de projeto que acrescenta às atribuições legais do banco a busca por crescimento e geração de emprego. O senador queria saber a opinião de Tombini sobre a proposta, aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pronta para ser apreciada em plenário.

Segundo relato de Lindbergh, Tombini teria dito que o juro seguirá caindo, algo que o BC sugere em documentos públicos. Mas que, para isso, seria melhor não votar o projeto. “Acho”, teria dito o banqueiro, “que [o projeto] está criando ruídos no mercado financeiro em relação às expectativas. E a gente está querendo é tranquilizar o mercado financeiro, para continuar baixando a taxa de juros”.

Para o BC, as “expectativas do mercado” têm poder de interferir na realidade, ao influenciar decisões, por exemplo, sobre preços cobrados pelas empresas ou reivindicação salarial dos trabalhadores. A principal expectativa que o BC precisa observar é sobre inflação, cujo controle é sua única missão legal, ao lado da vigilância do sistema financeiro.

Nesta segunda-feira (14), na pesquisa semanal que faz com o “mercado”, o BC constatou que, pela primeira vez em dois meses, o setor prevê para este ano uma inflação (6,48%) abaixo do limite máximo autoimposto pelo governo (6,5%). Para 2012, a projeção (5,56%) caiu pela quarta vez seguida, embora ainda esteja acima do alvo (4,5%) do BC.

Para alguns segmentos do “mercado”, já está claro que o BC será obrigado a cortar mais a taxa de juros. “Ganha convicção no mercado de que o BC deverá impor cortes mais expressivos na SELIC, já neste ano e no próximo ano, e que os efeitos da crise externa terão impactos no país que provocarão a contração das pressões inflacionárias”, disse a corretora de câmbio NGO, em boletim a clientes divulgado sexta (11).

A última reunião do BC este ano para calibrar o juros será no dia 30 de novembro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Entenda o IDH



Brasília e Copenhague, 02/11/2011

Brasil avança no desenvolvimento humano e sobe uma posição no ranking do IDH 2011

RDH 2011 mostra Brasil na 84ª posição entre 187 países; nos últimos 5 anos, o país está entre os 24 que subiram 3 ou mais posições


PNUD/Divulgação
Entenda o IDH
O IDH varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano), e mede as realizações em três dimensões básicas do desenvolvimento humano - uma vida longa e saudável, o conhecimento e um padrão de vida digno. As três variáveis analisadas, dessa forma, são relacionadas à saúde, educação e renda. Desde o ano passado o Relatório de Desenvolvimento Humano deixou de classificar o nível de desenvolvimento de acordo com valores fixos e passou a utilizar uma classificação relativa. A lista de países é dividida em quatro partes semelhantes. Os 25% com maior IDH são os de desenvolvimento humano muito alto, o quartil seguinte representa os de alto desenvolvimento (do qual o Brasil faz parte), o terceiro grupo é o de médio e os 25% piores, os de baixo desenvolvimento humano. 
18 países incluídos este ano
Palau, Cuba, Seychelles, Antígua e Barbuda, Granada, Líbano, São Cristóvão e Névis, Dominica, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Omã, Samoa, Territórios Palestinos Ocupados, Kiribati, Vanuatu, Iraque, Butão, Eritreia. 
Desenvolvimento Humano nos BRICS
Veja comparações do desenvolvimento humano do Brasil com o dos outros países do grupo chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), economias em desenvolvimento que se destacam pelas semelhanças no ritmo de crescimento e pela influência geopolítica que exercem atualmente na arena internacional.

Clique aqui para ver tabelas 
do PNUD

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil avançou de 0,715 em 2010 para 0,718 em 2011, e fez o país subir uma posição no ranking global do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH)deste ano. Com isso, o Brasil saiu da 85ª para a 84ª posição, permanecendo no grupo dos países de alto desenvolvimento humano. O documento foi lançado esta quarta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Copenhague, na Dinamarca.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 apresenta valores e classificações do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para um número recorde de 187 países e territórios reconhecidos pela ONU. Um aumento significativo em relação aos 169 países incluídos no Índice de 2010, quando os indicadores-chaves de muitos dos novos países analisados este ano ainda estavam indisponíveis.

No ranking global do IDH 2010, o Brasil obteve a classificação 73, entre os 169 países. No entanto, é enganoso comparar valores e classificações do RDH 2011 com os de relatórios publicados anteriormente . Isto porque, além da inclusão de 18 novos países e territórios (veja a lista no quadro ao lado), os dados e métodos sofreram ajustes e algumas mudanças.

Intitulado “Sustentabilidade e equidade: Um futuro melhor para todos”, o Relatório de Desenvolvimento Humano 2011 mostra que o Brasil faz parte do seleto grupo de apenas 36 dos 187 países que subiram no ranking entre 2010 e 2011, seguindo os dados recalculados para a nova base deste ano. Os outros 151 permanceram na mesma posição ou caíram. No caso brasileiro, esta evolução do IDH do ano passado para este ano contou com um impulso maior da dimensão saúde – medida pela expectativa de vida –, responsável por 40% da alta. As outras duas dimensões que compõem o IDH, educação e renda, responderam, cada uma, por cerca de 30% desta evolução.

Evolução do Brasil nas séries históricas

A série histórica do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o Brasil revela uma retrospectiva positiva também a médio e a longo prazos. Entre 1980 e 2011, o valor do IDH subiu 31%, saltando de 0,549 para 0,718. Este desempenho foi puxado pelo aumento na expectativa de vida no país (11 anos no período), pela melhora na média de anos de escolaridade (4,6 anos a mais) e pelo crescimento também da renda nacional bruta (RNB) per capita (quase 40% entre 1980 e 2011).

Tendências IDH Brasil

Por causa dos ajustes de dados, das adaptações metodológicas e da inclusão de 18 países no ranking deste ano, as medias anuais de crescimento do IDH só podem ser calculadas com os dados que estão disponíveis na Tabela 2 “Tendências do Desenvolvimento Humano” do Relatório, que traz as séries históricas recalculadas para todos os 187 países. Ela tem como base indicadores, metodologia e dados em séries temporais consistentes e, por isso, mostra as alterações reais dos valores e classificações no decorrer do tempo, refletindo o progresso verdadeiro feito pelos países.

Em uma análise de médio prazo, considerando a evolução de posições do ranking de 2006 a 2011, o Brasil está entre os 24 países com melhor desempenho, ou seja, aqueles que subiram 3 ou mais posições.

Taxa média de crescimento do IDH brasileiro

Com base nos dados da Tabela 2 “Tendências do Desenvolvimento Humano”, verifica-se que a taxa média de crescimento do IDH do Brasil foi de 0,87%, entre 1980 a 2011. Um desempenho superior ao da América Latina (0,73%) e ao dos países de alto desenvolvimento (0,61%), quartil do qual o Brasil faz parte no ranking do IDH 2011.

Avanço semelhante pode ser visto para o Brasil entre 1990 e 2011, quando a taxa de média de crescimento do IDH foi de 0,86%, enquanto a da América Latina foi de 0,76% e a dos países de alto desenvolvimento, de 0,64%.

Num período mais curto de 2000 a 2011, o desempenho foi o seguinte: Brasil avançou 0,69%, América Latina, 0,66%, e os países de alto desenvolvimento, 0,70%.

É importante notar que a taxa de crescimento para países de desenvolvimento humano muito elevado de 2000 a 2011 foi de 0,33%, ou seja, quanto mais desenvolvido o país se torna, menor é sua taxa de crescimento do IDH. Este fenômeno é também conhecido como concavidade de taxas de crescimento.

O IDH é uma medida resumida para avaliar o progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão decente de vida. Como no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010, uma vida longa e saudável é medida pela expectativa de vida; o acesso ao conhecimento é medido por: i) média de anos de educação de adultos, que é o número médio de anos de educação recebidos durante a vida por pessoas a partir de 25 anos; e ii) a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar, que é o número total de anos de escolaridade que uma criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idade permanecerem os mesmos durante a vida da criança; e o padrão de vida é medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita expressa em PPP$ 2005 constante.

A fim de garantir o máximo possível de comparabilidade entre países, o IDH se baseia principalmente em dados internacionais da Divisão de População da ONU, do Instituto de Estatística da UNESCO e do Banco Mundial. Como afirma a introdução, os valores e classificações do IDH no relatório deste ano não são comparáveis aos dos relatórios passados (inclusive ao IDH 2010) por causa de diversas revisões feitas nos indicadores componentes pelas agências encarregadas. Para permitir a avaliação do progresso nos IDHs, o relatório de 2011 inclui IDHs recalculados de 1980 a 2011.

Gráfico IDH Brasil

Indicadores complementares de desenvolvimento humano

Além do IDH calculado para 187 países, o Relatório 2011 traz também três outros indicadores complementares introduzidos em 2010. São eles o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHAD) para 134 países, o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) para 146 países e o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) para 109 países.


  • Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDHAD)

O IDH é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. Como todas as médias, o IDH mascara a desigualdade na distribuição do desenvolvimento humano entre a população no nível de país. O IDH 2010 introduziu o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHAD), que leva em consideração a desigualdade em todas as três dimensões do IDH “descontando” o valor médio de cada dimensão de acordo com seu nível de desigualdade.

Com a introdução do IDHAD, o IDH tradicional pode ser visto como um índice de desenvolvimento humano “potencial” e o IDHAD como um índice do desenvolvimento humano “real”. A “perda” no desenvolvimento humano potencial devido à desigualdade é dada pela diferença entre o IDH e o IDHAD e pode ser expressa por um percentual.

O IDH do Brasil para 2011 é 0,718. No entanto, quando é descontada a desigualdade do valor, o IDH cai para 0,519, uma perda de 27,7% devido à desigualdade na distribuição dos índices de dimensão. O IDHAD, que vem complementar a leitura feita pelo IDH, mostra que o cidadão brasileiro médio teria quase 30% de risco de não conseguir alcançar o desenvolvimento humano potencial que o país tem para lhe oferecer em função dos obstáculos que as desigualdades podem lhe impor.

Nesta área, o Brasil se insere em um contexto semelhante ao da América Latina, onde a desigualdade – em especial de renda – faz parte de um passivo histórico que ainda representa um grande obstáculo para o desenvolvimento humano. Mas o relatório elogia os esforços e avanços da região na tentativa de reduzir estes números, e faz menção às conquistas de Argentina, Brasil, Honduras, México e Peru. O Relatório atribui os avanços, em parte, à melhor cobertura na educação básica e aos programas de transferência de renda.


  • Índice de Desigualdade de Gênero (IDG)

O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) reflete desigualdades com base no gênero em três dimensões – saúde reprodutiva, autonomia e atividade econômica. A saúde reprodutiva é medida pelas taxas de mortalidade materna e de fertilidade entre as adolescentes; a autonomia é medida pela proporção de assentos parlamentares ocupados por cada gênero e a obtenção de educação secundária ou superior por cada gênero; e a atividade econômica é medida pela taxa de participação no mercado de trabalho para cada gênero.

O IDG substitui os anteriores Índice de Desenvolvimento relacionado ao Gênero e Índice de Autonomia de Gênero. Ele mostra a perda no desenvolvimento humano devido à desigualdade entre as conquistas femininas e masculinas nas três dimensões do IDG.

O Brasil tem um valor de IDG de 0,449, que o coloca na posição 80 dentre 146 países no índice de 2011. No Brasil, 9,6% dos assentos parlamentares são ocupados por mulheres e 48,8% das mulheres adultas têm alcançado um nível de educação secundário ou superior, em comparação com 46,3% de suas contrapartes masculinas. Para cada 100.000 nascidos vivos, 58 mulheres morrem de causas relacionadas à gravidez; e a taxa de fertilidade entre as adolescentes é de 75,6 nascimentos por 1000 nascidos vivos. A participação feminina no mercado de trabalho é de 60,1%, em comparação com 81,9% para os homens.


  • Índice de Pobreza Multidimensional (IPM)

O IDH 2010 introduziu o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que identifica privações múltiplas em educação, saúde e padrão de vida nos mesmos domicílios. As dimensões de educação e saúde se baseiam em dois indicadores cada, enquanto a dimensão do padrão de vida se baseia em seis indicadores. Todos os indicadores necessários para elaborar o IPM para um domicílio são obtidos pela mesma pesquisa domiciliar.

Os indicadores são ponderados e os níveis de privação são computados para cada domicílio na pesquisa. Um corte de 33,3%, que equivale a um terço dos indicadores ponderados, é usado para distinguir entre os pobres e os não pobres. Se o nível de privação domiciliar for 33,3% ou maior, esse domicílio (e todos nele) é multidimensionalmente pobre. Os domicílios com um nível de privação maior que ou igual a 20%, mas menor que 33,3%, são vulneráveis ou estão em risco de se tornarem multidimensionalmente pobres.

Os dados da pesquisa para a estimativa do IPM do Brasil se referem a 2006. No Brasil, 2,7% da população sofrem de múltiplas privações, enquanto outros 7,0% estão vulneráveis a múltiplas privações. A amplitude da privação (intensidade) no Brasil, que é o percentual médio de privação vivenciado pelas pessoas na pobreza multidimensional, é de 39,3%. O IPM, que á a parcela da população multidimensionalmente pobre, ajustado pela intensidade das privações, é de 0,011.

O IPM é um indicador complementar de acompanhamento do desenvolvimento humano e tem como objetivo acompanhar a pobreza que vai além da pobreza de renda, medida pelo percentual da população que vive abaixo de PPP US$1,25 por dia. Ela mostra que a pobreza de renda relata apenas uma parte da história. No caso do Brasil, a contagem de pobreza multidimensional é 1,1 ponto percentual menor que a pobreza de renda. Isso implica que indivíduos que vivem abaixo da linha da pobreza de renda talvez tenham acesso a recursos de não renda.

sábado, 15 de outubro de 2011

15/10: Dia do Consumo Consciente



CIDADANIA



15/10: Dia do Consumo Consciente

A forma como cada um de nós consome bens e serviços impacta, diretamente, o meio ambiente e, ainda, afeta o bem-estar da nossa comunidade. Que tal aproveitar o Dia do Consumo Consciente, instituído em 15/10 pelo Ministério do Meio Ambiente, para repensar os seus hábitos de consumo? Aproveite e confira dez dicas supersimples para começar a mudar de postura


Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável - 14/10/2011



Em 1995, a ONU definiu, em relatório oficial da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, que consumo sustentável é o ato de "usar serviços e produtos que respondem às nossas necessidades básicas e trazem a melhoria da qualidade de vida, ao mesmo tempo em que reduzem o uso de recursos naturais e materiais tóxicos, a produção de lixo e as emissões de poluentes" e ainda alertou: "Se continuarmos poluindo, desperdiçando matérias-primas e causando desequilíbrios fatais ao meio ambiente, a partir da forma como consumimos, nossos descendentes não sobreviverão". 

Mais de 15 anos após essa declaração, reflita um pouco a respeito da sua postura enquanto consumidor: você está, realmente, consumindo apenas o necessário ou tem sua parcela de culpa na escassez de recursos naturais e no aumento do lixo e da emissão de poluentes no planeta? 

Neste sábado, 15/10, comemora-se em todo o Brasil o Dia do Consumidor Consciente. A data foi instituída, em 2009, pelo Ministério do Meio Ambiente, com a intenção de conscientizar os brasileiros a respeito dos problemas socioeconômicos, ambientais e políticos que estamos causando no país por conta dos padrões de produção e consumo insustentáveis que adotamos. Então, que tal aproveitar a data para repensar seus hábitos e mudar de postura? Para ajudar, confira abaixo dez dicas de consumo consciente do Instituto Akatu - ONG brasileira, criada em 2011, especializada no tema.


1- PLANEJE SUAS COMPRAS Um terço dos alimentos perecíveis que compramos no supermercado vão direto para o lixo. A atitude, além de gerar um desperdício de R$ 1 milhão de reais ao longo da vida, aumenta a produção de resíduos sólidos. No Brasil, o lixo que produzimos anualmente é suficiente para construir uma muralha de 4 metros de altura ao longo de todas as praias brasileiras. A melhor maneira de evitar tanto desperdício é planejar nossas compras e avaliar, antes de sair de casa, o que realmente precisamos. 
2- RECICLE E REAPROVEITE Cada brasileiro gera, do berço ao túmulo, cerca de 25 toneladas de lixo, mas boa parte desses resíduos não precisa ter a lixeira como destino final: muitas vezes, o que consideramos lixo pode ser reaproveitado ou reciclado. Basta se informar a respeito do assunto e mudar a mentalidade. Além de contribuir para a redução da produção de resíduos, ainda ajudamos a Prefeitura a economizar nos gastos para coleta e tratamento de lixo - e esse dinheiro pode ser aplicado em melhorias para outras áreas, como saúde e educação. 
3- RECUSE SACOLAS PLÁSTICAS Cada brasileiro descarta, por ano, cerca de 75 sacolas plásticas. Se juntarmos todas as sacolinhas que foram jogadas fora pela população do país nos últimos 12 anos, é possível formar uma pilha de 700 km de altura - quase a distância entre São Paulo e Florianópolis. Cada um desses sacos plásticos leva 400 anos para desaparecer e, ainda, atrapalha a decomposição do resto do lixo que está no aterro. Por isso, opte por sacolas retornáveis quando for às compras.
4- ECONOMIZE ÁGUA Ninguém está pedindo para você deixar de usar o recurso, mas sim para usá-lo com consciência. Na hora de escovar os dentes, por exemplo, não custa nada fechar a torneira quando não estiver usando a água. Se todos os brasileiros adotarem essa postura, a água economizada em um mês equivalerá a toda a água que cai das Cataratas do Iguaçu durante um dia e meio. Além de evitar o desperdício do recurso, ainda dá para economizar na conta do fim do mês. 
5- NÃO JOGUE O ÓLEO DE COZINHA NA PIA Ao jogar um litro de óleo de cozinha pelo ralo da pia você está contribuindo para a contaminação de até 25 mil litros de água - sem contar que está correndo o risco de provocar entupimentos no encanamento de casa ou na rede de esgoto. A melhor maneira de se desfazer do óleo de cozinha é colocá-lo em garrafas PET e entregá-las para reciclagem em entidades especializadas. 
6- DÊ UM DESTINO CORRETO AO LIXO ELETRÔNICO Celulares, TVs, CDs, computadores, micro-ondas, câmeras digitais, MP3s e tantos outros artigos eletrônicos podem contaminar o solo e os lençóis freáticos, se descartados no lixo comum. Se os produtos ainda estiverem funcionando, procure doá-los, caso contrário, descarte em pontos de coleta de lixo eletrônico. 
7- COMPRE MADEIRA CERTIFICADA Cerca de 70% da madeira retirada, ilegalmente, da Amazônia fica no Brasil e é utilizada, principalmente, pelos setores moveleiro e da construção civil. A maneira mais eficaz de quebrar esse ciclo é parar de comprar madeira proveniente do desmatamento. Portanto, exija madeira certificada na hora de construir e decorar - de quebra, você ainda contribui para a redução do aquecimento global. 
8- CARNE, SÓ DE ORIGEM LEGAL A pecuária é outra grande responsável pelo desmatamento da Amazônia. Atualmente, a criação de gado é a atividade que mais contribui para o aquecimento global no país, sendo responsável por mais de 60% das emissões brasileiras de gases causadores do efeito estufa. Por isso, dê preferência a supermercados e açougues que informam a origem da carne que comercializam e garantem que ela não é proveniente de áreas desmatadas. 
9- OPTE POR PRODUTOS LOCAIS Produtos fabricados na região em que você mora percorrem uma distância menor até o supermercado e, portanto, são responsáveis por menos emissões de CO2. Além disso, frutas, verduras e legumes chegam ao destino final mais frescos para consumo. 
10- DESLIGUE O COMPUTADOR Se, apenas, 1% dos brasileiros desligar o PC, todos os dias, só na hora do almoço, em um ano evitaremos a emissão de carbono equivalente a 80 mil carros, movidos a gasolina, viajando entre São Paulo e Rio de Janeiro. Não custa nada desligar o aparelho não só na hora do almoço, mas quando você se afastar por mais de 15 minutos para realizar outra atividade, certo?


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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Série de reportagens mostra a atual realidade na Região Nordeste - Parte 2



Edição do dia 13/10/2011
13/10/2011 14h37 - Atualizado em 13/10/2011 14h43

Nordeste oferece vagas de emprego e atrai profissionais de outros estados

Segunda reportagem da série "Isso é Nordeste" mostra que estaleiros, petroquímicas e siderúrgicas começam a se instalar na região. Número de universidades também cresceu e atrai professores e universitários.


Aline OliveiraSão Gonçalo do Amarante, CE

A área do Nordeste brasileiro representa o tamanho de França, Espanha, Alemanha e Suíça juntos. A região, que abrange 19% do território nacional e comporta quase 30% da população brasileira, quase sempre obrigou os moradores a buscar trabalho em outros estados, mas hoje oferece oportunidades de emprego. Os próprios nordestinos que sairam para trabalhar em outros lugares começam a voltar para casa.
"No nosso caso, professores mais jovens, que pegam uma situação no Sul de mercado mais saturado, mais concorrido, é uma oportunidade excelente para começar" - Eduardo da Cunha, professor universitário, gaúcho.
"Meu salário é 50% maior do que o que eu recebia lá nas outras obras no Mato Grosso. Quanto ao salário eu não tenho do que reclamar não" - Elton Gomes Barreto, especialista em perfuração e detonação, matogrossense.
"Do ponto de vista da dimensão cultural e do desenvolvimento econômico da região foi uma grande surpresa, sem dúvida alguma" - Joselina da Silva, socióloga, carioca.
"Cheguei aqui e vi uma região muito desenvolvida, com muito verde e nada de terra rachada" - Júlia Letícia Sciamana, universitária, paulista.
Estaleiros, petroquímicas e siderúrgicas. Esse tipo de indústria, que até então não existia no Nordeste, começa a se instalar na região e os portos ganham outro perfil e se expandem. No Ceará, por exemplo, as contratações vão desde operários da contrução civil até engenheiros altamente qualificados. "Você vai ter oportunidade para trabalhadores menos capacitados e vai ter também oportunidades que vão exigir mão de obra mais qualificada”, afirma o economista Eduardo Sarquiz.
Um dos maiores empreendimentos é a Transnordestina, via férrea que se espalha pelo sertão de Pernambuco, Ceará e vai até o Piauí. Fábio Tanaka trocou o cargo de executivo de uma multinacional em São Paulo para administrar uma indústria de geração de energia em construção no porto do Pecém, no Ceará. "Hoje é um dos principais empreendimentos privados em andamento no país e atrai grandes profissionais. A gente tem uma equipe altamente qualificada, vinda de várias localidades, inclusive de outros países", diz o executivo.
O crescimento econômico está mudando também a o perfil das cidades. Juazeiro do Norte, a 500 quilômetros de Fortaleza, por exemplo, cresceu tanto que os moradores ainda estão se acostumando. "Está como cidade grande, está parecendo capital", conta Maria Jeremias, professora. Agora é de VLT, o chamado veículo leve sobre trilhos, que muita gente vai e vem.
Na Bahia, a população do município de Luis Eduardo Magalhães passou de 18 mil habitantes para 60 mil nos últimos dez anos. "Hoje, nós temos faculdades, temos uma estrutura melhor para os nossos filhos, de lazer, inclusive de cultura", conta a pedagoga Bernardete Clain.
Em todo o Nordeste, em cinco anos, o número de universidades públicas e privadas cresceu 25%, o que atraiu professores e estudantes de outras partes do Brasil. “Estou gostando do lugar, vim para seguir carreira aqui mesmo, gosto de morar no interior, não tem problema, gosto da região para morar e para trabalhar é ótimo", afirma Eduardo Vivian da Cunha, professor universitário.
Universidades públicas também migraram para o interior. Foi assim que Campina Grande, na Paraíba, virou reduto de jovens estudantes que transformaram a cidade em um importante pólo tecnológico. "A educação é o começo de tudo. Você vai agregar valor a essa economia local, vai dar uma perspectiva real a esse aluno, que ele vai encontrar um mercado de trabalho adequado e vai poder contribuir com essa região", analisa a economista Suely Chacon.
Quem foi embora no passado, por falta de qualificação profissional e de emprego, também está voltando para casa. "Eu posso garantir que hoje não tenho inveja de quem está ganhando lá no Sul. Eu ganho aqui 50% melhor do que eu estava ganhando lá, a três mil quilômetros, longe de casa", garante o cearense Aurélio de Matos Carneiro, motorista.
O assistente de encarregado Raimundo Nilmar Pinheiro ficou 19 anos em São Paulo. Foi pedreiro e operário. Agora, coordena uma equipe no porto de Pecem, no Ceará: "Lá fora, a gente já via que o Nordeste cresceu muito, portanto, foi por isso o meu retorno. Meu plano é de crescer no Nordeste e continuar aqui até o fim da minha vida”.

Série de reportagens mostra a atual realidade na Região Nordeste - Parte 1


Edição do dia 12/10/2011
12/10/2011 14h21 - Atualizado em 12/10/2011 14h22

Jornal Hoje estreia série de reportagens sobre o Nordeste

Região que já foi considerada a mais pobre do país, agora se destaca com crescimento econômico acima da média nacional.

A primeira reportagem destaca o espírito empreendedor do nordestino, brasileiros que souberam enxergar uma boa oportunidade e se transformaram em pequenos empresários.
“Há três anos tenho esse carrinho de pipoca, com ele eu consegui comprar o meu terreno e pretendo crescer, fazendo a minha casa e outros e outros sonhos que eu quero” - Selma Costa, pipoqueira de Aracaju.
“Eu comecei vendendo geladinho, ai depois eu comecei a fazer uns doces pra encomenda, o que sobrava a vizinhança comprava, foi crescendo aos poucos, hoje eu tenho o Cantinho da Val que eu forneço salgado frito na hora” - Valdeci da Conceição, comerciante de Salvador.
“Eu sempre morei de aluguel e agora graças a deus eu tenho meu próprio negócio e estou construindo minha casa, graças a deus tá dando certo” - Francisco Roberto Amaral Teixeira, dono de mercadinho em Fortaleza.
“Hoje eu montei meu próprio salão, os meus filhos estão estudando em escolas particulares. Eu mudei de bairro e hoje tenho investido em coisas grandes e maiores pensando em nosso futuro” - Lice Lima, cabeleireira de Bacabal, Maranhão.
De olho no futuro, eles já mudaram o presente. De cada dez brasileiros que ingressaram na nova classe C, três são do Nordeste. A classe média é a principal responsável pelo novo retrato da região. "Eu comecei num quartinho pequenininho e depois fui crescendo, crescendo e hoje em dia eu posso dizer que tenho um grande restaurante", afirma Maria de Jesus Silva Barros, dona de restaurante.
Em sete anos a renda das famílias nordestinas aumentou 50%. "Os programas de transferência têm uma contribuição importante nesse segmento, mas o que é mais importante é a renda do trabalho, são as pessoas terem mais emprego, serem mais empreendedoras", declara Flávio Ataliba, presidente do Ipece.
“A gente é comerciante, toda a família, e através da pequena mercearia que a gente tem hoje, a gente consegue nossos bens”, diz Claudio Vieira Costa, de Bacabal, MA.
Divina não só viu o otimismo e a renda dos vizinhos aumentarem, viu também uma oportunidade para virar uma empreendedora, na periferia de Fortaleza, uma história que começou com três peças íntimas e uma única cliente. "Ela gostou, quis comprar, e levou as três", conta Divina Silva, empresária.

Ter boas idéias e vontade de trabalhar é importante, mas para começar um negócio é preciso também ter dinheiro. Divina conseguiu um crédito no banco. Começou um empréstimo de trezentos reais e soube aplicar tão bem que, três anos depois, a costureira já era uma micro-empresária.

Na empresa de Divina, aumentam as vendas e o número de funcionárias: já são cinco com carteira assinada. No Nordeste, a renda dos funcionários legalizados aumentou 53%.
O que impulsiona parte desses sonhos é o micro-crédito "Se os juros forem altos, nada feito, porque se tiver juros como é que a pessoa ganha para poder vender?”, diz. Este ano, só um banco público ganhou 264 mil novos clientes.

Tanta disposição para o consumo levou o empresário Honório Pinheiro da capital para o sertão. Ele montou quatro supermercados em cidades do interior. "A experiência do interior foi exitosa, há 10 anos nós começamos e foi tão bom que os concorrentes foram todos para lá”, conta.
Uma pesquisa mostra que o consumo de alimentos e bebidas na nova classe C aumentou cinco vezes nos últimos oito anos. O carrinho ficou mais sortido. "Essa história de iogurte, queijinho sem sal para fazer a dieta, a gente não tinha, mas agora tem", diz Maria Lili Alves Marques, 76 anos aposentada.
E tem muito mais. Valdeci da Conceição, de Salvador, conta que já consegui comprar seu carro. O comerciante Claudio Vieira Costa, de Bacabal, no Maranhão, já consegui comprar a moto e o carro. Um veículo na garagem já é realidade para mais da metade da nova classe média nordestina.