quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Nova Classe Média no Brasil - Medidas de longo prazo e acesso à Educação

Governo prepara ações para evitar que a nova classe média volte à pobreza (no jornal O Globo, em 01.05.2011)

BRASÍLIA, SEG, 02-05-2011
Secretaria planeja medidas de crédito e qualificação para classes C e D
Vivian Oswald
BRASÍLIA. “Galinha dos ovos de ouro”, na avaliação do governo, a nova classe média é um dos cinco alvos prioritários da política de longo prazo que está sendo elaborada sob a coordenação do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Wellington Moreira Franco, e de seu braço direito, o economista Ricardo Paes de Barros. O órgão quer estudar detalhadamente o grupo, que já representa praticamente metade da população, para sugerir ações que funcionem como uma espécie de trava que garanta a sua nova posição na sociedade. A ideia é impedir a perda de poder aquisitivo dos que ascenderam às classes C e D na última década e o retorno dessa fatia da população à situação de pobreza.
Ao mesmo tempo, esta política seria a garantia de uma base sólida para o crescimento econômico sustentado. Para atingir este objetivo, a SAE deverá propor ações específicas a partir de ferramentas nas áreas de crédito, habitação, inclusão bancária, qualificação profissional e educação.
- É preciso estudar mais detalhadamente este grupo de brasileiros, criar uma trava nas políticas social e econômica para que não retornem à situação de pobreza. Queremos definir ações para criar esta trava – disse ao GLOBO Moreira Franco, ao apresentar, pela primeira vez, o plano de trabalho da Subsecretaria de Ações Estratégicas, que está a cargo do economista Paes de Barros.
Ministro cita “efeitos político-eleitorais”
A nova classe média já está no radar da oposição, o que ficou claro recentemente em um artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No texto, publicado na revista “Interesse Nacional”, FH defende que as oposições devem deixar de lado o “povão” e priorizar as novas classes médias.
Moreira Franco também analisa a nova classe média para além de seu impacto na economia. Segundo ele, esta parcela da população pode ter, do ponto de vista histórico, o mesmo significado da classe média urbana surgida nas décadas de 40 e 50 do século XX, quando o país deu um salto de qualidade:
- Isso definiu institucionalmente o tamanho e a presença do Estado brasileiro e teve efeitos político-eleitorais. Se houver esta trava, a nova classe média poderá cumprir o mesmo papel. Estamos vivendo uma nova etapa, novo padrão e qualidade de crescimento econômico.
Além da nova classe média, os outros quatro pontos básicos de atuação de sua secretaria são a erradicação da pobreza, o desenvolvimento pleno na primeira infância (até 3 anos), oportunidades para a juventude e a integração social, espacial e simbólica das favelas nas grandes cidades do país. A SAE vai formular políticas específicas para estas áreas e já vem ajudando ministérios, estados e municípios a executarem ações.
É o caso do Ministério do Desenvolvimento Social, que pediu ao órgão um estudo com simulações de novos parâmetros para um Bolsa Família 2. Com os estados de Rondônia, Maranhão e Espírito Santo, além da cidade do Rio de Janeiro, a conversa é sobre unificação de políticas sociais, com foco nas crianças, nos moldes da bem-sucedida experiência chilena do programa “Chile crece contigo”.
Dados da SAE mostram que o Brasil ainda precisa de 15 anos para recuperar o tempo perdido e atingir o mesmo nível de distribuição de renda de outros países com nível de desenvolvimento semelhante, que são mais equânimes.
As políticas específicas voltadas à nova classe média ainda estão sendo elaboradas. Mas já está claro que o conjunto de ferramentas a serem usadas precisa levar em consideração a conjuntura econômica do país. Ou seja, devem ser reguladas “no conta-gotas”, segundo o ministro, de modo que possam se adequar aos cenários doméstico e internacional sem prejudicar o andamento da economia.
O ministro defende a abertura do acesso permanente ao crédito e garante que isso não vai de encontro às medidas que estão sendo tomadas pela equipe econômica para conter as linhas de financiamento e esfriar a economia para combater a inflação.
- Tudo tem que ser dosado, dependendo da conjuntura. Em um cenário de taxa básica de juros Selic crescente, é preciso criar mecanismos que permitam o acesso ao crédito, como uma boa estrutura de linhas de microcrédito. É necessário ter em mente que o aumento do custo do dinheiro tem efeitos sobre o padrão de vida do segmento – disse ele.
Moreira também quer definir uma estratégia que garanta uma maior inclusão bancária e afirma que as instituições financeiras não têm se mostrado flexíveis para absorver este universo de quase 50 milhões de novos consumidores.
- Quando se põe esta quantidade de pessoas no mercado, são milhões de novas operações financeiras. A rede bancária não tem se mostrado flexível. Daí a necessidade de se usarem lotéricas e bancos postais.
A nova classe média, segundo o ministro, tem papel-chave para o desenvolvimento do país, daí a necessidade de se investir em políticas voltadas para este novo universo de consumidores, como a qualificação, para que estas pessoas possam manter seus empregos e garantir produtividade à economia.

Políticas terão foco de longo prazo (no jornal O Globo, em 01.05.2011)

BRASÍLIA, SEG, 02-05-2011
Urbanização de favelas e ações para juventude estão entre medidas
Vivian Oswald
BRASÍLIA. Políticas sociais devem ser unificadas para terem escala e serem melhor gerenciadas. Esse é um dos princípios básicos no plano de longo prazo que está sendo desenhado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, que replica a fórmula do Bolsa Família. Essa recomendação será dada a todas as esferas que buscarem a assessoria do órgão. É o caso do Rio de Janeiro, cujo governo estadual tem mais de 100 programas focando apenas a juventude. Ou a própria União, que tem sete ministérios implementando políticas sociais.
Ações que visam à inclusão e à redução da desigualdade são a especialidade do economista Ricardo Paes de Barros, subscretário de Ações Estratégicas da SAE. E é com esta bagagem que ele afirma que o segredo do sucesso das políticas é ter objetivos e metas claros.
- Não estamos falando de políticas de resultado imediato, mas de trajetórias de longo prazo em que são pensados princípio, meio e fim – diz Paes de Barros.
- Ao recomendar programas de sucesso e realizar projetos-piloto como o que estamos fazendo no Rio, podemos oferecer boas políticas com custos já previstos – complementou o ministro da SAE, Moreira Franco.
Ele se refere à assessoria que a SAE está prestando à capital fluminense, que quer montar um programa inspirado no “Chile cresce contigo”, de proteção integral à infância, com inclusão da família, cobrindo necessidades de educação, saúde e lazer.
- O que se quer é definir um protocolo e um calendário para as crianças, que funcione como a esteira dos Jetsons, onde você põe uma peça de roupa aqui, outra mais adiante, toma o café, tudo a seu tempo – explicou Paes de Barros, que passou três semanas no Chile para estudar de perto o “Cresce contigo”.
A SAE gostaria ainda de levar para outras cidades a experiência de urbanização de favelas do Rio. Para Moreira e Paes de Barros, está comprovado que uma ocupação longa que melhore as condições locais é mais eficiente do que erguer grandes conjuntos habitacionais.
Sobre juventude, Moreira diz que o desafio é enorme. Dados da SAE mostram que 80% dos jovens que trabalham moram em favelas. Enquanto a parcela de jovens que não completou o ensino médio nas cidades é de 32%, esse número cresce para quase 70% entre aqueles que moram em favelas.
- Somos um país profunda e violentamente urbano. A pobreza se mostra de maneira mais brutal nas áreas urbanas. As políticas voltadas aos jovens devem vir acompanhadas de certos valores, que estão presentes na escola, no mérito do trabalho – diz Moreira.

Governo quer estudar nova classe média e evitar riscos de empobrecimento (na Agência Brasil, em 27.07.2011)

BRASÍLIA, QUA, 27-07-2011
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Brasília – No dia 8 de agosto, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) promove em Brasília o seminário Políticas Públicas para uma Nova Classe Média. A presidenta Dilma Rousseff fará a abertura do evento que reunirá especialistas em políticas sociais.
O governo quer aumentar o conhecimento sobre a população que mais ascendeu economicamente na última década no Brasil. “Precisamos saber quem é, e ter números”, explicou o ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, que espera uma definição universal sobre a composição da chamada nova classe média, inclusive das faixas de renda per capita do segmento.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), 39,5 milhões de pessoas entraram na classe C nos últimos dez anos e 18 milhões saíram da pobreza extrema. O Brasil tem atualmente mais de 94 milhões de pessoas consideradas de classe média, mais da metade da população.
O conhecimento sobre a nova classe média pode viabilizar a formatação de novas políticas sociais, que, além da ascensão, viabilize a manutenção da população nos estratos sociais com maior renda e melhor qualidade de vida. “Precisamos formular políticas que não só evitem o retorno e também abram perspectivas de avanço”, destacou o ministro.
Para Moreira Franco, a nova classe tem alto poder de consumo e é o principal motor do mercado interno, fator que pode ser importante para o país em momento de crise econômica internacional.
Na avaliação do ministro, o aumento da classe média tem a ver com a valorização real do salário mínimo e o aumento da oferta de emprego. Conforme Moreira Franco, um dos efeitos do ganho de renda dos emergentes é que as pessoas estão investindo sua renda para melhorar a formação profissional ou a escolarização dos filhos, afirmou lembrando a abertura das escolas particulares na periferia.
Apesar dos avanços, o ministro avalia que educação continua sendo um gargalo nacional e atribui a situação à cultura política no Brasil. “Não há nenhum movimento político reivindicando qualidade do ensino”, lembrou. “Não faz parte da necessidade intrínseca e fundamental, como faz parte da cultura do coreano ou do chinês. Eles se dedicam àquilo, aqui ainda não”.

Nova Classe Média: Para Amaury de Souza, é hora da educação e da qualificação profissional

BRASÍLIA, TER, 05-07-2011
Com a saída de praticamente 50 milhões de brasileiros da pobreza para integrar o mercado de consumo e desfrutar as oportunidades de ascensão social, o principal desafio da nova classe média, a partir de agora, é o da sustentabilidade. É o que sustenta o analista político Amaury de Souza, autor do livro A Classe Média Brasileira: Ambições, Valores e Projetos de Sociedade.  Souza é um dos especialistas que vai participar no próximo dia 8 de agosto do seminário Políticas Públicas para uma Nova Classe Média, promovido pela Secretaria de assuntos Estratégicos da Presidência da República, em Brasília.
Para Amaury de Souza, a incorporação de vastas camadas de novos cidadãos e consumidores na classe C se deve à expansão da economia e do emprego formal, com carteira assinada. No entanto, o momento é de criar alternativas para que esse grupo populacional adquira maior escolaridade e qualificação profissional, o que irá contribuir para a consolidação desta nova posição social.
“Essa nova classe média tem, na média, um nível limitado de escolaridade e poucas qualificações profissionais. Por certo, a geração seguinte, a dos filhos das famílias que ascenderam à classe média, terá condições muito mais favoráveis para uma inserção social segura, a começar por uma escolarização bem mais alta, a par de se beneficiar do patrimônio construído pelos pais”, destacou.
O seminário sobre a nova classe média pretende identificar instrumentos que possam expandir as oportunidades para essa nova classe média com maior segurança social, por meio de um amplo debate. Nesse aspecto, a SAE vai mapear as políticas públicas existentes com vistas a melhorar sua qualidade e eficácia.
Adrienne Moura

Mais de 40% dos alunos das universidades federais são das classes C, D e E

BRASÍLIA, QUA, 03-08-2011
Cerca de 43% dos estudantes das universidades federais são das classes C, D e E. O percentual de alunos de baixa renda é maior nas instituições de ensino das regiões Norte (69%) e Nordeste (52%) e menor no Sul (33%). É o que mostra pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que será lançada hoje (3), sobre o perfil dos estudantes das universidades federais. Para a Andifes, o resultado do estudo, que teve como base 22 mil alunos de cursos presenciais, desmistifica a ideia de que a maioria dos estudantes das federais é de famílias ricas. Os dados mostram, entretanto, que o percentual de alunos das classes mais baixas permaneceu estável em relação a outras pesquisas feitas pela entidade em 1997 e 2003. Segundo o presidente da Andifes, João Luiz Martins, as políticas afirmativas e a expansão das vagas nas federais mudaram consideravelmente o perfil do estudante. A associação avalia que se não houvesse as políticas afirmativas, o atendimento aos alunos de baixa renda nessas instituições teria diminuído no período. Martins destaca que se forem considerados os estudantes com renda familiar até cinco salários mínimos (R$ 2.550), o percentual nesse grupo chega a 67%. Esse é o público que deveria ser atendido – em menor ou maior grau – por políticas de assistência estudantil. A entidade defende um aumento dos recursos para garantir a permanência do aluno de baixa renda na universidade. “Em uma família com renda até cinco salários mínimos, com três ou quatro dependentes, a fixação do estudante na universidade é um problema sério”, diz Martins, que é reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). O estudo identifica que 2,5% dos alunos moram em residência estudantil. Cerca de 15% são beneficiários de programas que custeiam total ou parcialmente a alimentação e um em cada dez recebe bolsa de permanência.
Dificuldade de se manter
Vânia Silva, 26 anos, ex-aluna do curso de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB), contou, ao longo de toda a graduação, com bolsas e outros tipos de auxílio. No primeiro semestre, a ajuda era de R$ 130, insuficiente para os gastos com alimentação, transporte e materiais. Ela participou de projetos de pesquisa e extensão na universidade para aumentar o benefício e conseguiu moradia na Casa do Estudante. Mas viu colegas desistirem do curso porque não tinham condições de se manter. “Para quem quer ter um bom desempenho acadêmico, o auxílio é muito pequeno. Esse dinheiro eu deveria gastar em livros ou em viagens para participar de encontros de pesquisadores, mas usava para custear minhas necessidades básicas”, conta. Hoje, ela é aluna de pós-graduação e a bolsa que recebe continua sendo insuficiente para os objetivos que pretende alcançar. “Já tive trabalhos inscritos até em congressos internacionais, mas com essa verba não dá para bancar uma viagem”, diz. Os reitores destacam que a inclusão dos estudantes das famílias mais pobres não é a mesma em todos os cursos. Áreas mais concorridas como medicina, direito e as engenharias ainda recebem poucos alunos com esse perfil. Cerca de 12% das matrículas nas federais são trancadas pelos alunos e, para a associação, a evasão está relacionada em grande parte à questão financeira. “Em outras parte do mundo, a preocupação do reitor é com a qualidade do ensino e com a pesquisa. Mas aqui, além de se preocupar com um bom ensino, ele também tem que se preocupar com a questão social”, compara Álvaro Prata, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para 2012, a Andifes reivindicou ao Ministério da Educação (MEC) que dobre os recursos destinados à assistência estudantil. A previsão é que a verba seja ampliada dos atuais R$ 413 milhões para R$ 520 milhões, segundo a entidade. “Com a política de cotas e a expansão da UnB para as cidades satélites, houve um aumento muito grande da necessidade de políticas de assistência estudantil. Mas isso é secundário para o governo e a própria administração da universidade. Muitas vezes, eles acham que têm que trabalhar para ter mais sala de aula e laboratório, mas não há o restaurante universitário”, observa a representante do Diretório Central dos Estudantes da UnB, Mel Gallo.
Fonte: Agência Brasil

Economia do Brasil diante da Economia Global

03/08/2011 -

Brasil administra sucesso em meio à "insanidade" global

Financial Times
Joe Leahy
Em São Paulo



Os brasileiros, que antigamente estavam acostumados a crises econômicas, veem-se nos últimos meses na situação invejável de espectadores das imprudências do mundo desenvolvido.
Nas últimas semanas, os programas de entrevistas sobre questões atuais na televisão brasileira estão repletos de discussões sobre os problemas que varrem a Europa e os Estados Unidos, como o impasse em Washington quanto ao teto da dívida dos Estados Unidos, a crise financeira grega e o escândalo do jornal “News of the World” no Reino Unido.
Na semana passada, Dilma Rousseff, a presidente brasileira, pareceu resumir a maneira como os brasileiros veem um mundo externo enlouquecido, ao descrever as crises das dívidas nos Estados Unidos e na Europa como uma “insanidade”. A incapacidade política do mundo desenvolvido de encontrar soluções para os seus problemas, disse ela, representa uma “ameaça” à economia global.
O Brasil, que uma década atrás era um mercado emergente cheio de problemas, é atualmente um retrato de estabilidade política e macroeconômica quando comparado ao seu outrora dominante parceiro do norte e às antigas potências coloniais da Europa.
Atualmente, o Brasil, além de ser o quinto maior credor dos Estados Unidos, com reservas de moeda estrangeira de US$ 327 bilhões em junho último, tem também uma economia que cresce continuamente e um índice de desemprego incomumente baixo.
Mas, neste momento em que o mundo desenvolvido exibe tendências que antigamente eram associadas aos mercados emergentes, o desafio do Brasil é encontrar uma forma de administrar o seu sucesso. O país não pode mostrar-se complacente diante da tarefa difícil de sair da armadilha do nível de renda intermediário na qual a sua economia está presa há décadas.
O ponto de virada para a economia brasileira ocorreu na década de noventa, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso implementou uma série de políticas com o objetivo de estabilizar os preços ao consumidor e a taxa de câmbio.
O seu sucessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deu continuidade a este foco na estabilidade macroeconômica, e ao mesmo tempo ampliou os programas sociais para melhorar o padrão de vida dos indivíduos muito pobres.
Os resultados foram notáveis. O crescimento econômico médio do Brasil tem sido de 4% ao ano nos últimos oito anos, e quase 49 milhões de brasileiros foram alçados às classes média e alta.
O Brasil também se mostrou relativamente responsável ao lidar com desafios recentes. O seu sucesso econômico atraiu uma grande quantidade de dinheiro de mercados desenvolvidos estagnados, o que impulsionou para cima a taxa de câmbio da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar, ameaçando a competitividade da indústria nacional.
O Brasil respondeu a isso com a chamada “guerra cambial” - uma série de medidas de controle de capital e do câmbio com o objetivo de conter a valorização do real. Mas o governo brasileiro tem resistido especialmente às pressões da indústria doméstica para tomar medidas extremas. Em vez disso, o governo tem imposto um sistema complexo de impostos com o objetivo de desencorajar os fluxos de investimentos especulativos, baseados em rendimento de curto prazo.
Na frente fiscal, Dilma Rousseff tem procurado conter uma onda de gastos iniciada durante as eleições federais do ano passado com a redução do tamanho do orçamento proposto para este ano.
O Banco Central também tomou a decisão politicamente difícil de aumentar ainda mais as já elevadas taxas de juros do Brasil em cinco ocasiões neste ano, para o patamar de 12,5%, a fim de conter a alta da inflação. Além disso, o banco tomou medidas com o objetivo de reduzir o rápido crescimento do crédito, que alguns analistas temem que seja insustentável.
No setor político, Dilma Rousseff tem atacado a corrupção no Ministério dos Transportes, demitindo autoridades ligadas a um parceiro de coalizão do seu Partido dos Trabalhadores. Os problemas políticos dela foram interpretados pela população como sendo a “limpeza de primavera” feita por uma nova presidente.
Nada disso significa que o Brasil não tenha os seus próprios problemas. Um mercado de trabalho apertado, um sistema educacional fraco e uma carência de trabalhadores qualificados estão impulsionando os salários para cima, ao mesmo tempo em que uma rede de infraestrutura muito deficiente faz com que aumentem os custos de produção no país.
Os níveis de endividamento domiciliar estão começando a dar a impressão de que são inviáveis para os consumidores que desfrutam das vantagens de um boom do crédito. O Brasil precisa ter cuidado para não soterrar a sua nova classe média sob uma dívida tão grande que, quando a nova crise econômica chegar, esses indivíduos venham a cair de volta na pobreza.
O custo dos negócios continua sendo proibitivo, em parte devido aos impostos elevados e aos custos da mão-de-obra. E, embora os preços das commodities tenham disparado, o volume das exportações não cresceu nesse ritmo. O Brasil tem basicamente utilizado essa explosão dos preços globais das commodities para aumentar o volume das suas importações.
O Brasil pode no momento se sentir orgulhoso, e com toda razão. Mas o país precisa continuar atento para que não plante as sementes da próxima crise durante este atual período de prosperidade.
Tradução: UOL

O Brasil e a crise da dívida dos Estados Unidos

02/08/2011 - 15h41

Economia e bolso do brasileiro poderiam ser afetados se teto da dívida dos EUA não subisse



SÃO PAULO – Depois do impasse que durou mais de um mês, o Senado norteamericano aprovou, nesta terça-feira (2),  a proposta de elevação do limite de endividamento do país, atualmente de US$ 14,3 trilhões.
Com a elevação do teto da dívida, acabam os temores sobre um calote dos Estados Unidos, que deixou muitos analistas financeiros preocupados. De acordo com especialistas, o Brasil poderia ser afetado se o Congresso norte-americano não tivesse aumentado o limite de endividamento do país.
Isto porque, grande parte das reservas internacionais brasileiras estão aplicadas em títulos do governo norteamericano. Com um calote, o Brasil perderia condições de resistência à crise internacional.
“A nossa redução de vulnerabilidade foi alcançada por meio da construção de uma reserva de mais de US$ 300 bilhões e que está muito posicionada nestes papéis norte-americanos”, afirma o sócio-diretor do instituto de pesquisas Fractal.
 

Risco de inflação e desemprego
De acordo com o economista, um calote dos Estados Unidos poderia influenciar no preço das commodities no Brasil, trazendo mais risco de inflação para o País. “Tudo isto acaba trazendo uma pressão inflacionária de grandes proporções para a economia brasileira” diz.
Os preços mais altos também poderiam fazer com que a economia crescesse menos e a oferta de emprego fosse menor. Segundo Grisi, com menos emprego, os ganhos reais de renda verificados nos últimos anos teriam uma redução considerável.
Por fim, para tentar conter o avanço dos preços, o governo teria que promover aumento da taxa de juros, o que ocasionaria o encarecimento do crédito e provocaria mais inadimplência.
 

Menos exportações
O professor de relações internacionais do Ibmec, Creomar de Souza, ressalta que um calote da dívida dos Estados Unidos também poderia prejudicar as empresas que exportam para aquele país.
“Uma moratória do governo norteamericano poderia fazer com que a importação de produtos para aquele país fosse reduzida. Essa retração poderia afetar o faturamento das empresas exportadoras aqui no Brasil e inclusive gerar desemprego”, afirma.
 

Investimentos
Para a professora da FGV (Fundação Getulio Vargas), Myrian Lund, o principal impacto para os brasileiros de um calote dos Estados Unidos seria em relação aos investimentos, especialmente em renda variável.
“A bolsa não depende apenas do desempenho das empresas, mas também de toda a conjuntura internacional. Este problema nos Estados Unidos gera incertezas muito fortes e, nestes momentos, há uma tendência dos investidores procurarem por investimentos mais seguros, o que pode fazer com que a bolsa caia ainda mais”, afirma.
 

Entenda a crise
O Congresso norteamericano tinha até esta terça-feira (2) para ampliar o limite da dívida pública do País, que já chegou ao teto máximo (US$ 14,3 trilhões). Se este aumento não fosse aprovado, o País poderia ficar sem dinheiro para pagar as suas dívidas e daí o risco do calote.
O maior problema é que o congresso estava dividido. Os republicanos (partido de oposição ao governo), que são maioria na Câmara dos Representantes (conhecida como Câmara Baixa), rejeitavam a proposta dos democratas de aumentar os impostos para os mais ricos como forma de obter recursos.
 

O que são os títulos da dívida?
Para conseguir recursos e financiar as atividades do governo federal, o Tesouro dos Estados Unidos emite títulos públicos (conhecidos como Treasuries) no mercado financeiro. Ou seja, a venda destes papéis funciona como um empréstimo para o Governo norteamericano e os “credores” ou investidores são remunerados com o pagamento de juros.
“Os principais interessados nestes títulos são outros governos e grandes investidores”, afirma o professor do Ibmec.

Zona do Euro

03/08/2011 - 07h45

Índice de atividade da zona do euro atinge menor nível desde 2009



SÃO PAULO - O Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro caiu de 53,3 em junho para 51,1 em julho, o menor nível desde setembro de 2009, informou a Markit Economics, que compila o dado.
O número é final, e representa uma revisão para cima em relação aos 50,8 que haviam sido divulgados anteriormente. Há dois anos o índice mantém-se acima da marca de 50, que indica expansão da atividade.
Segundo a Markit, o crescimento da produção desacelerou tanto na indústria de transformação quanto no setor de serviços em julho. "A perda de força foi disseminada entre os países. As taxas atingidas foram as menores desde outubro de 2009 na Alemanha (52,5) e agosto de 2009 na França (53,2), e bem abaixo das marcas vistas no primeiro trimestre do ano", aponta o comunicado de divulgação dos dados. Na Espanha, o PMI composto atingiu 46,1, a mínima em 19 meses.
(Marcílio Souza | Valor)

Crise da Dívida nos Estados Unidos

02/08/2011 - 16h37

Obama assina lei que aumenta teto da dívida e evita calote dos EUA

Do UOL Economia, em São Paulo


O presidente dos EUA, Barack Obama, sancionou a lei que eleva o limite da dívida pública do país--atualmente em US$ 14,3 trilhões. Com a mudança, os EUA poderão honrar seus compromissos financeiros e evitar um potencialmente catastrófico calote pela maior economia do mundo.
O Senado dos Estados Unidos tinha aprovado o projeto de lei pouco antes, na tarde desta terça-feira (2).
A lei é resultado de um acordo entre parlamentares republicanos e democratas, após meses de intenso debate e às vésperas do fim do prazo para o calote --meia-noite desta terça-feira.
O acordo permite elevar o teto da dívida pública norte-americana em pelo menos US$ 2,1 trilhões em três passos --sendo os primeiros US$ 400 bilhões imediatamente, seguidos de US$ 500 bilhões até fevereiro. Ele prevê, ainda, cortes de cerca de US$ 2,4 trilhões em 10 anos, que seriam aprovados pelo Congresso em duas etapas --um corte inicial de US$ 917 bilhões na aprovação do acordo e mais US$ 1,4 trilhão até o final do ano.
O projeto foi aprovado na noite de ontem pela Câmara dos Deputados, de maioria republicana --partido de oposição a Obama. A aprovação pela Câmara era considerada o maior obstáculo para uma solução da crise.
O impasse de meses bloqueou o sistema político dos Estados Unidos, alarmou seus aliados internacionais, sacudiu os mercados financeiros e prejudicou a imagem do país no exterior.

Aprovação na Câmara

O projeto foi aprovado na Câmara por 269 votos a favor e 161 contra, bem acima da maioria necessária.
Democratas ficaram igualmente divididos --95 a favor e 95 contra--, enquanto 174 republicanos foram favoráveis à medida, com 66 se opondo a ela.
Até o último minuto, mercados financeiros mundiais foram abalados pela incerteza sobre se o plano poderia ser aprovado pela Câmara diante das objeções de republicanos do conservador Tea Party e de liberais democratas.
Os mercados inicialmente demonstraram sinais de alívio com a perspectiva de os EUA evitarem o calote. Mas o risco de o país perder sua nota de crédito AAA, mesmo com a aprovação do acordo, contribuiu para conter a breve disparada nas bolsas.
Após a votação, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, afirmou que o resultado final justificava os meses, muitas vezes tortuosos, de negociações. "O processo funciona. Pode não ser agradável, mas funciona", disse a repórteres.

Negociação no fim de semana

Líderes de ambos os partidos trabalharam furiosamente para convencer suas bancadas sobre o acordo obtido com Obama no fim de semana com o objetivo de encerrar um impasse que abalou a fé dos norte-americanos em suas instituições políticas.
O plano exige cortes de gastos ao longo de 10 anos, mas sem a imposição de nenhum novo imposto, a criação de uma comissão parlamentar que recomendará, até o fim de novembro, um pacote mais específico de redução do déficit e eleva o limite de endividamento do país até 2013.
Obama e muitos parlamentares admitiram que o projeto acordado não era perfeito. Mas ressaltaram que ele era necessário para evitar um calote pelo governo.
"Foi um processo longo e confuso e, como todo compromisso, o resultado está longe de ser satisfatório", disse Obama em uma mensagem de vídeo transmitida a seus seguidores por sua campanha de reeleição. "Mas também lançou um importante debate sobre como lidar com os grandes desafios que enfrentamos."
(Com informações da Reuters)

02/08/2011 - 15h20

Entenda a votação do teto da dívida americana


O governo do presidente Barack Obama correu contra o relógio para aprovar até esta terça-feira um plano de corte de gastos e aumento no teto da dívida americana.

Caso não conseguisse aumentar o teto da dívida, o governo poderia ter de dar calote em uma série de pagamentos, com graves consequências possíveis nas bolsas de valores globais, no bolso do contribuinte americano e até no sistema financeiro internacional.

Entenda por que foi crucial a votação de um acordo entre governo e oposição.

Qual é o plano proposto?

O acordo entre o governo democrata e a oposição republicana, anunciado na noite de domingo, prevê uma redução do deficit público americano da ordem de US$ 2,4 trilhão (R$ 3,7 trilhões) ao longo de dez anos.

Por outro lado, o teto da dívida vai ficar mais alto e o governo terá autorização para tomar emprestado o mesmo montante, em dois estágios.

Um comitê do Congresso também será formado para estudar um plano de redução da dívida.

O que é o teto da dívida?

Há um limite legal para tomada de empréstimos por parte do governo americano.

A Casa Branca tem um teto legal para a tomada de empréstimos para o pagamento das contas públicas, como o salário dos militares, os juros de dívidas prévias e o sistema de saúde Medicare. O limite atual é de US$ 14,3 trilhões (R$ 22,3 trilhões).

Esse teto foi alcançado em maio. Por meio de artifícios burocráticos, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, conseguiu empurrar a data de vencimento para 2 de agosto.

Por que o governo Obama não pode emprestar mais?

Porque o limite do teto é estabelecido pelo Congresso, e não pelo presidente.

O teto da dívida foi estabelecido em 1917, para facilitar o financiamento do governo durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Desde então, o teto foi alargado várias vezes e é considerado apenas uma formalidade.

Como o Congresso também limita os gastos do governo e o poder para aumentar a arrecadação de impostos, Obama ficou na difícil situação de gastar mais do que arrecada e sem poder contrair mais empréstimos.

Como se posicionam governo e oposição?

Tanto democratas como republicanos concordavam que diminuir o deficit das contas públicas é fundamental. Vários planos foram apresentados pelos dois lados nas últimas semanas, sem acordo entre as partes.

Em linhas gerais, os republicanos se opõem ao aumento de impostos e pedem um corte dramático nos gastos do governo. Os democratas, por sua vez, defendem taxação de fortunas e a blindagem de programas sociais voltados a idosos e mais pobres dos cortes propostos.

O aumento no teto, no entanto, sofre oposição do grupo ultraconservador republicano Tea Party, que pode emperrar a votação.

O que aconteceria se o plano não fosse aprovado?

Os Estados Unidos poderiam dar um calote em parte de suas dívidas. O secretário do Tesouro diz que este seria um cenário "catastrófico". Obama alertou que o país poderia voltar à recessão.

Segundo economistas, em caso de calote Obama poderia tomar os seguintes caminhos:
1. Interromper os pagamentos de maneira generalizada, o que seria desastroso para o mercado financeiro.

2. Priorizar alguns pagamentos (sobretudo juros da dívida prévia), até o dinheiro se esgotar. O pagamento de cerca de US$ 23 bilhões (R$ 35,8 bilhões) a programas sociais, a vencer no dia 3 de agosto, poderia em teoria atrasar (embora a transferência fosse automática e poderia ser tecnicamente impossível interrompê-la). Não está claro, no entanto, se o governo poderia, legalmente, priorizar o pagamento de algumas dívidas. Além disso, a medida seria um forte golpe no eleitorado democrata.

3. Ignorar o teto da dívida e continuar contraindo empréstimos. Alguns juristas defendem que o presidente teria o poder de fazê-lo. Isso colocaria o país numa crise constitucional, de qualquer forma, e Obama poderia inclusive enfrentar um processo de impeachment.

O que aconteceria se os EUA dessem calote?

Juros dos cartões de crédito, hipotecas e financiamentos de carros poderiam subir repentinamente nos EUA, segundo o professor Julius Hobson, da Universidade George Washington.

Credores de papéis americanos veriam o valor de seus títulos caírem.

Para Jeffery Miron, da Universidade Harvard, credores estrangeiros provavelmente retirariam seus depósitos dos bancos americanos.

Beneficiados por programas sociais também enfrentariam atrasos nos pagamentos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

País está preparado para lidar com instabilidade externa, diz BC

Citando elevação de ratings e reservas, Tombini afirmou que a economia brasileira já "se preparou para um cenário mais complexo”


Denise Motta, iG Minas Gerais | 01/08/2011 16:56


Foto: Agência BrasilAmpliar
Alexandre Tombini
“O Brasil está preparado caso haja deterioração do cenário internacional”, afirmou na tarde desta segunda-feira o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. O dirigente da autoridade monetária brasileira disse que a maioria das medidas e incentivos adotada na crise financeira internacional de 2008 foram revertidas e que o País hoje possui um mercado interno muito mais robusto. Ele também disse que o regime de câmbio flutuante é capaz de absorver choques externos.
Tombini almoçou com empresários mineiros na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), na capital mineira, e a partir de 14h proferiu breve palestra, que durou aproximadamente 30 minutos. O evento foi transmitido para jornalistas por meio de um telão, no andar térreo da sede da Fiemg.
O dirigente do Banco Central afirmou que “a economia brasileira não está se preparando. Ela se preparou para um cenário mais complexo”. Ele citou a elevação do rating do Brasil por agências de classificação de risco da dívida soberana e também números da reserva de dólares, ou seja, o volume de dólares que o País tem em caixa. “Chegamos ao mínimo de US$ 187 bilhões e hoje temos mais de US$ 345 bilhões, até junho de 2011. Isso nos dá capacidade de prover liquidez estrangeira em momento de maior estresse”, destacou.
O presidente do Banco Central saiu da Fiemg sem conversar com jornalistas, mas estaria otimista em relação à medida que aumenta a capacidade de endividamento dos Estados Unidos, de acordo com o presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior. “A expectativa dele (Tombini) é de que o assunto está maduro nos Estados Unidos e que o Congresso americano vai aprovar medidas”, contou o chefe da Fiemg.
Durante a palestra, Tombini traçou breve cenário atual da economia internacional e apontou o que vem sendo feito pelo governo brasileiro. Ele destacou que o cenário internacional de instabilidade tem como raiz atualmente a deterioração da economia norte-americana, com enfraquecimento do dólar como fenômeno global. O dirigente do Banco Central lembrou ainda que o cenário norte-americano é marcado hoje pelo desemprego em patamar elevado, a política fiscal com baixo grau de manobra e discussões sobre o teto de endividamento.
Entre as metas para manter o Brasil equilibrado, Tombini destacou a meta da inflação de 4,5% e a manutenção do crédito, entretanto, com uma agenda de contenção de endividamento das famílias. Para isso, foi elevado para 15% o pagamento mínimo de faturas de cartões de crédito, que anteriormente era de 10%. Em dezembro, lembra o presidente do Banco Central, este percentual subirá para 20%.
Tombini foi abordado por empresários mineiros e ouviu reclamações sobre a alta taxa de juros. O presidente da Fiemg destacou que o País passa por um processo de desindustrialização especialmente com o reforço do mercado asiático. “As pequenas empresas morrem com remédios dados pela economia como um todo”, afirmou o dirigente da Fiemg.
Flávio Roscoe, presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais, questionou Tombini sobre o motivo de as medidas macroprudenciais serem tímidas e “insignificantes”, enquanto o aumento das taxas de juros é drástico. O presidente do Banco Central respondeu que “o volume de reservas internacionais é moderado, tem servido bem aos país, mas não podemos ter uma politica de braços abertos aos fluxos, em um cenário economia internacional imundada de liquidez”.

Crise da Dívida nos Estados Unidos

01/08/2011 - 20h06

Câmara dos EUA aprova aumento da dívida pública para evitar calote

Do UOL Economia, em São Paulo


A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou o projeto que autoriza o governo americano a elevar o teto da dívida pública, evitando um calote. Agora o projeto tem de ser votado no Senado, onde o governo de Barack Obama tem maioria. A votação no Senado deve ocorrer nesta terça.
O projeto na Câmara teve 269 votos a favor e 161 contra.

O novo projeto eleva o teto da dívida, atualmente em US$ 14,3 trilhões, em US$ 2,1 trilhões, permitindo, assim, que o governo tome novos empréstimos e continue financiando sua dívida até, pelo menos, 2013.
O governo começaria a ter dificuldade de honrar parte de sua dívida, sem elevação desse limite para novos empréstimos, a partir desta terça-feir



A elevação do teto da dívida em US$ 2,1 trilhões garante que o limite não deverá aumentar de novo até 2013, para evitar novas lutas bipartidárias no lance final da campanha pelas eleições de 2012 e não prejudicar a recuperação econômica.

O acordo impõe imediatamente um corte do deficit no valor de US$ 1 trilhão.Um novo comitê bipartidário no Congresso se encarregará de apresentar, antes do Dia de Ação de Graças, no final de novembro, um plano complementar que reduza o deficit em US$ 1,5 trilhão adicionais durante os próximos dez anos.Este corte tem como base a economia de mais de US$ 900 bilhões ao longo de uma década em despesas domésticas não imprescindíveis --dividido entre programas civis e de Defesa e que não afetará a Seguridade Social.

LEIA MAIS


Para entender a crise da dívida nos Estados Unidos



ENTENDA A CRISE DA DÍVIDA NOS ESTADOS UNIDOS

Por que os EUA precisam aumentar o limite da dívida?
Os EUA chegaram ao limite de US$ 14,3 trilhões para sua dívida pública, e agoram querem subir para US$ 16 trilhões. Se o valor não aumentar, há risco de um calote nos investidores, e o mundo poderia entrar em recessão
No que é usado o dinheiro da dívida pública?
Esse dinheiro é usado em gastos do governo, como obras, políticas sociais e pagamento de títulos de investidores
O que são os títulos da dívida?
Para obter recursos, o governo vende títulos públicos, o que é uma espécie de empréstimo. O título é um papel e funciona como garantia de que o investidor receberá o dinheiro de volta depois de um período estabelecido em contrato. O dinheiro investido rende juros. Se não for pago, fica configurado o calote
Qual é a importância dos tíulos da dívida dos EUA?
São considerados os mais seguros do mundo. Em caso de calote, haveria uma crise de confiança entre investidores
Quem compra títulos da dívida?
Qualquer pessoa pode comprar os títulos da dívida americana, através de uma corretora. Porém, os principais clientes são países como China e Japão
O Brasil pode ser afetado?
O Brasil tem cerca de US$ 211,4 bilhões (quase dois terços das reservas internacionais) aplicados em papéis do governo americano. Além disso, em caso de calote, os EUA reduziriam importações e investimentos. Uma recessão global reduziria o preço de commodities (como minério de ferro), que o Brasil vende
Qual a divergência entre governo e Congresso dos EUA?
O presidente Barack Obama quer aumentar impostos dos ricos, medida rejeitada pelos republicanos, defensores do corte de gastos sociais para obter recursos.

Fonte: UOL