terça-feira, 22 de junho de 2010

Ceará - Geração de Empregos

Geração de emprego no Ceará chega a 10,60% nos últimos 12 meses

Nos últimos 12 meses foram criados 88.807 novos postos de trabalho no Ceará, com um aumento de 10,60%. No último mês de maio, o crescimento na geração de empregos chegou a 0,68%, alcançando 6.325 novas vagas. O resultado do mês de maio foi o melhor de toda a série histórica do Caged em termos absolutos e relativos. Tal desempenho foi proveniente da expansão do emprego principalmente nos setores de serviços (+ 3.366), da construção civil (+1.688) e comércio )+1.128). Os dados do Cadastro Geral de Empregado e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta segunda-feira (21) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Nos cinco primeiros meses deste ano, houve acréscimo de 23.792 postos (+2,59%). Este resultado foi o melhor de toda a série do Caged em termos absolutos e relativos e o segundo maior saldo do Nordeste. Ainda segundo o Caged, em maio, a Região Metropolitana de Fortaleza registrou geração de 6.639 empregos formais (+0,93%). Mais uma vez, este foi o melhor desempenho de toda série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
“A superação observada este ano é resultado de investimentos públicos e privados, demonstrando um nível elevado de confiança na economia cearense”, destaca o presidente do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho, Francisco de Assis Diniz.

21.06.2010

 

Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado
Casa Civil ( comunicacao@casacivil.ce.gov.br / 3101.6247)



http://www.ceara.gov.br/index.php/component/content/article/1400/1400

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Metade dos municípios brasileiros ainda não tem plano de educação

Metas de médio e longo prazo para o setor são importantes para garantir que prioridades sejam política de Estado e não mudem a cada novo governo, afirmam especialistas

Quase metade dos municípios brasileiros não tem plano municipal de educação. Das 5.565 localidades, 2.427 - ou 44% - não apresentam um conjunto de metas educacionais a serem cumpridas pelo poder público. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada neste ano.

Somente no Estado de São Paulo, 284 dos 645 municípios não têm plano - incluindo a capital, que começa a consolidar o seu agora, e outras grandes cidades como Araçatuba, Bauru, Campinas, Diadema, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São José dos Campos e Sorocaba.

Os planos municipais, estaduais e federal são considerados essenciais para efetivar e acompanhar políticas em todas as áreas da administração pública. Eles podem ser elaborados por consultorias, pelas secretarias ou com a colaboração da sociedade. "Esse número pode ser ainda menor porque existem muitos planos que foram aprovados mas não se traduziram em lei", afirma o presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos.

Segundo especialistas em gestão da educação, o maior entrave causado pela ausência do plano municipal é a descontinuidade dos projetos a médio e longo prazo, já que, sem metas bem definidas, cada troca de governo rompe com o projeto do mandato anterior.

"Políticas educacionais devem deixar de ser de governo para ser de Estado. Educação não pode ser objeto de disputa, de eleição. Isso é criminoso", afirma Branca Jurema Ponce, vice-coordenadora da pós-graduação em Educação da PUC-SP.

A municipalização do ensino infantil, fundamental e médio, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, também é prejudicada pela falta de planejamento, que pode dificultar a concretização de investimentos.

"Além disso, não ter um plano significa evitar parcerias entre a rede municipal e estadual e impedir que a sociedade participe da discussão", afirma Samantha Neves, representante do Movimento Nossa São Paulo, que participou da discussão em São Paulo.

Acompanhamento

O Ministério da Educação tem um Programa Nacional de Capacitação de Conselheiros Municipais de Educação (Pró-Conselho) que estimula a criação de novos planos por meio de conselheiros e qualifica os gestores da educação. Os conselheiros são representantes da sociedade que fiscalizam o desempenho da secretarias de educação.

Maria Luiza Alessio, diretora de Fortalecimento Institucional e Gestão Educacional do MEC, afirma que muitos municípios não têm planos e seguem orientações dos governos estaduais por serem pequenos em termos populacionais.

"Alguns preferem porque é inviável uma cidade com duas escolas desenvolver um plano." Mesmo assim, segundo ela, a necessidade de um plano municipal ainda existe. "O Brasil vive um momento propício para essa discussão", afirma Maria Luiza. "As conferências locais que discutiram o novo Plano Nacional de Educação foram essenciais para isso."

O Plano Nacional de Educação, que tem as metas a serem seguidas pela União, Estados e municípios, foi discutido neste ano na Conferência Nacional de Educação (Conae). O texto final, que deve valer para os próximos dez anos, está sendo elaborado e, segundo o MEC, deve ser encaminhado para votação na Câmara dos Deputados até o fim de julho. O atual PNE vence neste ano.

Segundo Carlos Eduardo Sanches, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a elaboração do PNE é essencial para dar diretrizes aos planos municipais. "Eles se complementam. Muitas das metas do plano nacional não foram atingidas pela ausência de planos municipais e estaduais", explica. "O novo PNE pode impulsionar o debate."

(Mariana Mandelli)

(O Estado de SP, 21/6)

FONTE: Jornal da Ciência

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71640

domingo, 20 de junho de 2010

Festas de São João aquecem economia local

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A Culinária de Quixadá está sentindo os efeitos do São João que, este ano, traz as cores da Copa do Mundo 
ALEX PIMENTEL

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As quadrilhas juninas são responsáveis pelo belo espetáculos nesta época do ano. Mas, além da dança, os nordestinos também não deixam de apreciar as comidas típicas
MELQUÍADES JÚNIOR
No mês de junho, não só o Ceará, mas todo o Nordeste, se movimenta em torno das tradicionais festas juninas

Limoeiro do Norte. Enquanto a fogueira está queimando para celebrar os santos populares Antônio, Pedro e João, a cadeia produtiva dos festejos juninos gira feito a própria ciranda dos brincantes. Em pelo menos três meses do ano, do sapateiro ao sanfoneiro, da costureira à cozinheira, pequenos e médios empreendedores contentam-se com um dos melhores períodos do ano no Nordeste: as festas juninas. A brincadeira tradicional, num contraponto à origem medieval desses festejos, passa de consequência para causa da colheita de bons frutos na economia sazonal.

É com uma costureira de mão cheia, alguns metros de tecido e pelo menos três dias de dedicação que se faz um vestido de chita. O trabalho de profissionais como Maria Sirley e Neilza Oliveira começa cedo para atender à demanda. Para as competições de quadrilhas juninas, tudo começa bem antes da dança, e o figurino, desenhado pelos organizadores, deve ser seguido à risca, e entregue pelo menos até a última noite do ensaio geral, para os últimos retoques na dança - e na roupa.

Quem organiza quadrilha já tem desde cedo o calendário das competições nos diversos municípios do Interior. As mais concorridas são aquelas que classificam para o Ceará Junino, reunindo os melhores grupos. Quem faz e vende bolo de milho, macaxeira, aluá, vatapá, pamonha, pé-de-moleque, grude, bulim, fogosa e "quebra-queixo" também acompanha os dias de festa, pois festa junina que se preze tem quermesse. E um dia alguém incluirá no cardápio de comidas "típicas" os espetos de carne. A venda informal do produto se prolifera, casando com farofa e vinagrete. Churrasqueira já é ponto certo nas barracas.

E pelo menos nos meses de junho e julho não falta trabalho para sanfoneiro - nem os tocadores de triângulo e zabumba. Ainda é o formato regional que faz a festa, literalmente. As noites no arraial das comunidades, sanfoneiros, como Cristalino Brandão, garantem o de "ralar o bucho" e de farrear, porque "ninguém é de ferro", diz o instrumentista, homenageado no último Festival dos Sanfoneiros de Limoeiro.

O forró pé-de-serra, que não mudou nada, "só o repertório", foi na banda Eu e Nóis Aki. "Tocamos o forró original, não é esses de hoje em dia que não tem sentido nenhum", diz José Airton, líder da banda e pai de todos os integrantes: a filha Leila no vocal, o filho Adailson na zambumba e outro Ailton, tocando baixo e cantando. O grupo regional é um dos mais conhecidos da região jaguaribana. Um show custa em média R$ 700,00, e no mês de junho, até o fim do ano, desembestam a tocar, mesmo acreditando que em anos anteriores tocaram mais nas festas juninas.

O grupo de quadrilha Cheiro do Sertão, da comunidade de Quixaba, em Limoeiro, venceu o último Limoeiro Junino e os brincantes dão graças a Deus que os R$ 3 mil de prêmio vai todo para pagar o transporte, que até agosto pode chegar ao custo de R$ 15 mil, valor de 2009. Toda temporada de festival rodam milhares de quilômetros pelos municípios do Estado à procura de vitórias, troféus e, com isso, dinheiro para os gastos. O figurino do grupo, incluindo os arranjos, rende às costureiras e aos calçadistas da cidade cerca de R$ 18 mil. E é apenas uma dentre centenas de quadrilhas espalhadas pelos 184 municípios do Ceará.

O edital da Secretaria da Cultura do Estado (Secult) disponibiliza R$ 900 mil para 58 projetos inseridos no eixo das festas juninas. A maior parte desse dinheiro é revertida para os pequenos empreendedores das cidades: costureiras, sanfoneiros, sapateiros e cozinheiras. Não dançam, mas também colhem os frutos dos festejos juninos.

É na base da rifa, do "sorteia-se entre amigos" e desconhecidos. Construir o capital que impulsiona s festejos juninos não é fácil, mas, quando os grupos de quadrilha correm atrás de dinheiro para cobrir os gastos, geram emprego e renda para centenas de profissionais espalhados no Estado. Segundo o Sebrae, o período junino é o melhor do ano, depois do Natal, para os Arranjos Produtivos Locais (APL) dos setores coureiro-calçadista e confeccionista nas cidades do Interior.

Nas quermesses, as próprias famílias dançam, produzem roupas, comidas e gritam "viva", para Santo Antônio, São Pedro e São João.

Melquíades Júnior
Colaborador

Saiba Mais

Santo Antônio: Nasceu em Portugal, onde era costume as festas terem nomes dos santos. É festejado no dia 13 de junho. Filho de família de posses, abdicou da riqueza e ingressou na ordem dos franciscanos. Como é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar.

São João: Comemorado no dia 24 de junho, é considerado o Santo Protetor. Segundo a Bíblia, sua mãe, Isabel, era prima de Maria, mãe de Jesus. No dia de seu nascimento, 24 de junho, Isabel teria mandado erguer um mastro iluminando-o com fogueira para que sua prima, Maria, vendo aquele sinal, saber que seu bebê havia nascido.

São Pedro: Considerado o santo das viúvas e dos pescadores, ele próprio foi um pescador. São Pedro tem também, segundo a tradição, a chave do Céu. Encarregado de fundar a Igreja Católica. No dia do santo, 29 de junho, quem recebeu seu nome deve acender uma fogueira na porta de casa.

MAIS INFORMAÇÕES 
Secretaria da Cultura do Estado (Secult)
Sebrae: www.sebrae.com.br

DELÍCIAS SERTANEJAS
Comidas típicas incrementam data

Quixadá. Divididos entre a contemplação da tradição sertaneja e a maior paixão profana nacional, o futebol. Os efeitos econômicos nos festejos juninos deste ano são atípicos em todos os cantos do Sertão Central. Enquanto os comerciantes de confecções lamentam a queda nas vendas, superior a 30% - ao invés das estampas e dos enfeites multicores, o verde e o amarelo predominam nas ruas, nos lares e no coração sertanejo -, quem se dedica ao setor de alimentos não tem o que reclamar.

O empresário Gilberto Oliveira, proprietário da Diskpão, aproveita a época para incluir o bolo de milho, de batata, pé-de-moleque, tapioca, a pamonha e o mugunzá na lista de ofertas da sua panificadora. Para atrair e agradar a clientela, ele chega a contratar até bandinha de forró pé-de-serra. Para ele, o segredo está no tempero e na adaptação ao clima de Copa. "Período de vendas tão bom assim, só no Natal", comemora.

Quem festeja também são os sanfoneiros. Francisco Montenegro, o Chico Galvino, como é mais conhecido, diz ser a melhor época do ano para ele e o parceiro cantador Fernando Pereira. O filho, zabumbeiro, Mairton, acompanha o grupo. Podia ser melhor. Eles confessam que os jogos estão atrapalhando um pouco. Mas nos intervalos, entre uma partida e outra, não falta loja e nem terreiro para o toque do fole no arrasta-pé. Vez por outra são atração na Diskpão. A bandinha recebe em média R$ 300,00 por apresentação. Estão satisfeitos.

Agenda lotada

Na cidade vizinha, Quixeramobim, não é diferente. Os irmãos Dedé Paulo e Sebastião Paulo estão com agenda lotada até o fim do mês. Outro mestre da sanfona, Luiz Gonzaga, o Nonô, confirma a boa época. A coincidência com o Rei do Baião não é só no nome. É reconhecido pelo afino com o fole. Por conta do dote artístico recebe até R$ 1 mil por apresentação. Convite não falta para tocar. Segundo ele, o lucro não é maior porque para os amigos não pode faltar. Afinal, amizade não se cobra. Além do talento, para ter sucesso numa época como esta, basta entrar no espírito da Copa. Afinal, só acontece de quatro em quatro anos.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Quixadá, Nascimento Marques, as festas juninas impulsionam a economia regional. Ele atribui o aquecimento ao Pula Fogueira, realizado há 14 anos.

Na última edição, encerrada no último dia 12, foram investidos R$ 280 mil nos quatro dias de festa. Pelos cálculos dele participaram aproximadamente 200 mil pessoas. O número de turistas chegou a três mil. A Praça José de Barros e os hotéis lotaram. Bares e restaurantes tiveram acentuado movimento. Além das quadrilhas juninas, grandes bandas de forró atraíram o público.

Para o prefeito de Quixeramobim, Edmilson Júnior, as duas cidades podem lucrar muito mais se houver sincronia entre as festividades do Pula Fogueira e do Chitão de Santo Antônio, na sua cidade. Atualmente, as quatro noites de festividades em Quixadá coincidem com o encerramento das homenagens ao padroeiro de sua terra natal, realizadas há décadas.

Com a antecipação ou adiamento do festival de quadrilhas em Quixadá, haverá mega aquecimento nas duas cidades, estima. Edmilson Júnior pretende levar a proposta ao prefeito vizinho, Rômulo Carneiro. 

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Quixadá
(88) 3412.3864
Prefeitura de Quixeramobim
(88) 3441.1326

Alex Pimentel
Colaborador


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Regional

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CE: emprego na construção vai bater recorde

17/6/2010

Há 35 mil postos formais de trabalho na construção civil do CE, a perspectiva é superar 37 mil vagas até fim do ano

O setor da construção civil do Estado está indo muito bem, obrigado! Segundo o Sindicato da Construção Civil do Ceará (Sinduscon/ CE), atualmente, o segmento emprega 35 mil pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), e as projeções, até o fim do ano, é de aumentar ainda mais a quantidade de vagas. Todavia, esse crescimento poderia ser bem maior, se não fosse o péssimo desempenho do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) no Estado, especialmente, na faixa das famílias com rendimentos até três salários mínimos.

Para o presidente da entidade, Roberto Sérgio, o problema continua atrelado aos valores dos terrenos nas áreas com saneamento básico, que tem empacado o desenrolar do MCMV no Ceará. Mesmo assim, apesar desse empecilho, a construção civil local tem retomado o rumo do crescimento.

A comprovação disso é a quantidade de empregos formais gerados neste ano, bem próximo do recorde de 1998, quando foram disponibilizados 37 mil postos de trabalho na RMF, conforme Sinduscon/CE.

"Acredito que até o fim do ano, possamos ultrapassar essa marca. É possível, sim. Há muitos licenciamentos ambientais de obras que ainda não saíram, e que devem estar próximos de serem liberados", revelou Roberto, exemplificando que investimentos no Porto das Dunas, previstos para o segundo semestre estão entre as obras que irão colaborar com incremento no número de vagas. "Só nesses apartamentos, próximos ao Beach Park, serão adicionados cerca de 5 mil empregos", disse.

De acordo com o presidente do Sinduscon/CE, os empreendimentos do Governo do Estado também tem colaborado para o desenvolvimento do setor.

Nordeste em alta

Na região nordestina, a taxa de crescimento dos novos empregos do País evoluiu de 15% para 30%, entre 2006 e 2009, segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em igual período, no Sudeste, houve retração de caiu de 69% para 44%.

Em contrapartida, a região continua carente de mão-de-obra qualificada, que não tem acompanhado o boom do setor proporcionado pelo tripé: investimentos em infraestrutura, maior facilidade de crédito e déficit habitacional elevado.

No Brasil, de janeiro a abril deste ano, foram contratadas 193,3 mil pessoas para trabalhar no setor em todo território nacional. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Sinduscon/SP em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo o estudo, o setor registra alta de 15,29% nos últimos 12 meses, o mesmo que 351.480 trabalhadores.

Além disso, a indústria nacional de construção civil atingiu, conforme o levantamento, um novo recorde na série histórica de 2,650 milhões de pessoas com carteira assinada. "Os números estão confirmando a expectativa do SindusCon-SP, de um crescimento recorde, de 9% do produto da construção brasileira em 2010", complementou o presidente da entidade, Sergio Watanabe.

ILO SANTIAGO JR.
ESPECIAL PARA ECONOMIA

FONTE: Diário do Nordeste

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=801056

quarta-feira, 16 de junho de 2010

IBGE: queda de 3% no varejo em abril é a maior da série

A queda de 3% nas vendas do comércio varejista em abril ante março, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a maior redução em um mês desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, em 2000. De acordo com Reinaldo Pereira, técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, a queda recorde representa uma "acomodação" após três meses de expansão e "não significa uma inflexão" na trajetória de crescimento do setor.

"Os dados na série com ajuste sazonal são muito nervosos, por isso é importante olhar o resultado da média móvel trimestral, que registrou aumento em abril", disse. Segundo Pereira, o varejo deverá ser estimulado, nos próximos meses, pelos mesmos fatores que estão garantindo os aumentos nas vendas do setor ante iguais períodos do ano anterior, como aumento na renda do trabalho, redução do desemprego e oferta de crédito. De acordo com ele, o reajuste de 7,7% para os aposentados, confirmado ontem, também deverá contribuir para a continuidade da expansão nas vendas.

Comércio ampliado

As vendas do comércio varejista ampliado, que incluem as atividades de veículos, motos e materiais de construção, registraram queda de 4,7% em abril ante março, segundo o IBGE. Nesta base de comparação, houve queda em veículos e motos (baixa de 11,7%) e material de construção (recuo de 0,9%). Ante abril do ano passado, as vendas do varejo ampliado aumentaram 12,7%, com alta de 18,9% para veículos e motos e de 19,3% em material de construção.

Supermercados

As vendas da atividade de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de maior peso na pesquisa mensal de comércio do IBGE, registrou queda de 0,7% em abril ante março. Apenas o segmento de hiper e supermercados registrou uma queda de 7,4%. Pereira afirma que o resultado desse segmento pode ter sido influenciado pelos recentes aumentos nos preços dos alimentos, mas também pode refletir uma acomodação, após os fortes aumentos registrados anteriormente.

Ante abril do ano passado, as vendas de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo aumentaram 5,6%, mostrando uma forte desaceleração ante os resultados de março (15,4%) e fevereiro (11,6%) na mesma base de comparação.

FONTE: Yahoo Notícias

http://br.noticias.yahoo.com/s/16062010/25/economia-ibge-queda-3-no-varejo.html

Governo vai investir até 110% mais em 2010

16/6/2010

O Governo do Estado pretende investir, até o fim deste ano, um volume recorde, que deve ficar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, informou ontem o governador Cid Gomes. Este montante representará um grande salto, um aumento de até 110%, na comparação ao valor investido em obras e ações no ano passado, quando R$ 1,9 bilhão foram alocados. Ao todo, existem quatro mil obras estaduais em curso, além de outras 1.500 ações. "Investimento é uma rubrica que tem que ser obra ou aquisição de patrimônio, equipamentos e bens materiais. Nós estamos aqui, com todas as secretarias, monitorando isso", informou ontem Cid Gomes antes de iniciar a reunião para avaliação do Mapp (Monitoramento de Ações e Programas Prioritário). Para garantir estes investimentos, o secretário da Fazenda, João Marcos Maia, afirma que o Estado possui recursos em caixa e possibilidade de contratar mais operações de crédito. "O Governo do Estado tem quebrado recordes. O Ceará está investindo em média 25% da sua Receita Corrente Líquida (RCL), e sem gerar desequilíbrio fiscal. Isso é que é importante salientar. Esse volume de investimento não coloca em risco o equilíbrio fiscal do Estado, que tem cumprido rigorosamente os compromissos com o governo federal com o PAF, que é o Programa de Ajuste Fiscal. Dessa maneira, superávit primário, capacidade de endividamento, capacidade de pagamento, os índices estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) quanto a pagamento de servidores, as vinculações de receita com educação, com saúde, ou seja, todos os indicadores fiscais assumidos pelo Governo do Estado do PAF estão absolutamente cumpridos", esclarece.

O secretário afirma que o Estado adquiriu um patamar de eficiência na sua arrecadação que tem dado sustentação ao alto volume de investimento. "E isso que realmente vai propiciar ao governo estadual um maior crescimento econômico, o que já vem acontecendo acima da média nacional. Nós acreditamos que o Ceará dará continuidade nos próximos anos a essa tendência que tem sido absolutamente natural. Com certeza esses recursos estão garantido já, e nós vamos estar executando o nosso orçamento sem o menor receio de que isso desequilibre o Tesouro e o caixa do Tesouro", reforça. (SS)

PARECER DO BID
Scanners fiscalizarão barreiras em breve

Os equipamentos permitirão a visualização mais precisa do conteúdo trazido nos caminhões que entram no Estado

Um outro mecanismo que permitirá um maior controle fiscal, evitando sonegações e engordando os caixas do Estado já deve começar a ser posto em prática. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deverá , hoje, dar o seu relatório final da análise das propostas das empresas envolvidas na licitação para o fornecimento dos scanners que serão instalados nos postos fiscais de fronteira. Estas máquinas permitirão a visualização mais precisa do conteúdo trazido nos caminhões que entram com mercadorias no Estado.

"Essa é a promessa que o banco tem para conosco. Ele vai dar o veredicto pra que possamos comunicar a Procuradoria Geral do Estado e, dessa forma, já dar a ordem de serviço para a empresa que vier vencer o processo", esclareceu o secretário. De acordo com ele, a empresa precisa de um prazo de cinco a seis meses para entregar os equipamentos, portanto, a expectativa é de que eles cheguem entre outubro e novembro.

"Isso coincidirá com a entrega dos postos fiscais que nós estamos construindo. Vamos receber o primeiro posto fiscal agora na fronteira do Piauí, que é o Tianguá, e o nosso equipamento vai ser instalado lá, com todos os demais equipamentos que vão permitir maior eficiência nos controles de fronteira. Entre o final de outubro e começo de novembro este posto estará inaugurado e a pleno vapor", garantiu. "O resto vem no ano que vem, à medida que eu vou dando a ordem de serviço, a empresa vai entregando e montando os equipamentos, que é pra gente aprender a usar o equipamento que o Brasil ainda não domina. O Ceará é o primeiro estado do País que vai usar essa máquina, nem o Governo Federal tem equipamentos de ponta como estes". (SS)

FONTE: Diário do Nordeste

terça-feira, 15 de junho de 2010

Agricultura familiar terá R$ 16 bilhões

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PECNORDESTE abriu ontem, e contou com apresentação de maracatu, destacando a cultura regional 
TUNO VIEIRA

Evento disponibiliza novas tecnologias, instrumentos de gestão e a capacitação a produtores rurais

O financiamento a produtores engajados na agricultura familiar contará com R$ 16 bilhões, dentre os R$ 100 bilhões que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)destina para o setor entre julho deste ano e julho de 2011.

Os números foram apresentados por Francisco Edilson Guimarães, secretário do Desenvolvimento Agrícola do Mapa na abertura do XIV Seminário Nordestino de Pecuária (PECNordeste 2010). "Disponibilizamos recursos para que lavoura, pecuária e floresta se relacionem sem que haja perda da produtividade", declarou o secretário que estava representando o ministro Wagner Rossi.

O PECNordeste 2010 abriu ontem e as novas tecnologias, os instrumentos de gestão e a capacitação dos produtores rurais são o destaque da programação. "O PEC é a oportunidade de um produtor conhecer as diversas possibilidades de uso para o negócio dele", declara José Ramos de Torres Melo Filho, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Feac) e coordenador do PEC 2010. Nessa perspectiva, Evandro Vasconcelos Holanda Júnior, chefe Geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, evidencia o compromisso da instituição com a capacitação e aponta o investimento em tecnologias desenvolvidas para o ramo da agropecuária como o principal foco da instituição no evento. "Com o PEC, começamos a sair de uma pecuária de subsistência para desenvolvermos um trabalho de sustentabilidade e compromisso ambiental", ressalta. Em parceria com instituições de ensino superior, a Embrapa desenvolveu alternativas para os produtores cearenses e brasileiros presentes na feira. "A gente está trazendo alternativas de baixo custo e com possibilidade de uso por todos".

Na montagem do stand da Embrapa, foram gastos R$ 70 mil reais para a apresentação de novas tecnologias. O dinheiro faz parte do financiamento destinado por outra instituição presente, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que destina anualmente R$ 35 mi de recursos não retornáveis ao setor.

Francisco Zuza de Oliveira, presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), que representou o governador Cid Gomes na solenidade de abertura do PEC, relaciona os investimentos do Governo do Estado do Ceará com as demandas de cada investidor/produtor. De acordo com o Zuza, o governo avalia as demandas e financia para apoiar o desenvolvimento, estruturando o projeto dos agricultores.


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Negócios

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mercado prevê crescimento econômico próximo de 7% para 2010


Os economistas do mercado financeiro elevaram na última semana a sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 6,60% para 6,99%, informou o Banco Central nesta segunda-feira (14) por meio do relatório de mercado. O documento é fruto de pesquisa da autoridade monetária com as instituições financeiras.
O aumento na expectativa de expansão econômica deste ano aconteceu após a divulgação do resultado do primeiro trimestre deste ano, quando o Produto Interno Bruto cresceu 9% sobre os três primeiros meses do ano passado, e 2,7% na comparação com o último trimestre de 2009.
Se confirmada, a expansão de 6,99% esperada pelo mercado financeiro para 2010 será a maior desde 1986, quando o país cresceu 7,49%, segundo série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponibilizada pelo BC. Para 2011, a previsão de crescimento econômico do mercado financeiro permaneceu estável em 4,5%.

Inflação

O mercado financeiro também baixou na semana passada, pela segunda vez seguida, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) deste ano. A estimativa dos analistas passou de 5,64% para 5,61%. Para 2011, a previsão do mercado permaneceu estável em 4,80%.
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Para 2010 e 2011, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
A expectativa do mercado, portanto, ainda permanece bem acima da meta central de inflação de 4,5% para este ano. O BC, ao definir os juros básicos da economia, calibra a taxa de juros para que a inflação convirja para o centro da meta definida pelo governo.

Juros

Com as pressões inflacionárias, os analistas do mercado financeiro apostam que os juros continuarão avançando no resto deste ano. Na última semana, subiram 0,75 ponto percentual, para 10,25% ao ano. Segundo a previsão do mercado financeiro, os juros deverão subir para 11% ao ano em julho, e chegar ao fim deste ano em 11,75% ao ano. Para o fim de 2011, a previsão subiu de 11,50% para 11,75% ao ano na semana passada.

Taxa de câmbio

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 permaneceu em R$ 1,80 por dólar. Para o fechamento de 2011, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio subiu de R$ 1,85 para R$ 1,86 por dólar.

Balança comercial

Já a projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2010 permaneceu estável em US$ 15 bilhões na semana passada.
Para 2011, o BC revelou nesta segunda-feira que a previsão dos economistas para o saldo da balança comercial subiu de US$ 5,23 bilhões para US$ 6,23 bilhões de superávit.
No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado para o ingresso de 2010 recuou de US$ 36,5 bilhões para US$ 36 bilhões. Para 2011, a projeção de entrada de investimentos no Brasil ficou estável em US$ 40 bilhões.

Fonte: Portal G1 de Notícias - Economia

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ceará exporta 20,5% a mais

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Principal destino: maioria das mercadorias que deixaram o Estado teve como destino os Estados Unidos 
DIVULGAÇÃO

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CEARÁ PERDE apenas para Bahia e Maranhão no Nordeste. Região somou US$ 6,5 bilhões em cinco meses 
VIVIANE PINHEIRO
Mesmo com a instabilidade no mercado internacional, Ceará exportou mais, de janeiro a maio deste ano

Após apresentar um nível inexpressivo nos primeiros meses de 2009, as exportações cearenses mostram sinais mais sólidos de recuperação, crescendo 20,5% de janeiro a maio deste ano ante igual período do ano passado. Até o último mês, foram US$ 496,3 milhões exportados, enquanto nos cinco meses iniciais de 2009, o montante somou apenas US$ 411,8 milhões.

As importações ficaram, até maio, em US$ 661,8 milhões, 29,7% a mais do que em igual época de 2009, fechando a balança comercial com déficit de US$ 165 milhões.

Reabilitação

De acordo com o superintendente do CIN (Centro Internacional de Negócios) - da Fiec -, Eduardo Bezerra, os números de exportação demonstram que o ano de 2010, para o Ceará, já representa uma reabilitação em relação à grave situação financeira que afetou o comércio internacional em 2009. Levando-se em conta apenas o mês de maio, o Estado registrou US$ 90,6 milhões em exportações, cifra 2,02% inferior ao valor negociado para fora do País em abril. O montante ainda representa a menor marca desde agosto do ano passado, quando foram exportados apenas US$ 81,1 milhões.

Na opinião de Bezerra, os dados estão aquém do esperado. "É preocupante, pela seguinte razão: o Ceará tem um indicador de que o comércio exterior está funcionando bem, o nível mensal de US$ 100 milhões em exportações. Esse é o ponto de equilíbrio. Quando temos US$ 90 milhões, um valor 10% abaixo do ideal, isso significa que a coisa não está bem", frisa. Ele explica que a base do problema não reside em solo cearense, e sim no mercado do exterior. "O que mais caracteriza e influencia as exportações cearenses é a demanda nos países compradores. No caso, a origem não está no parque industrial do Ceará. Países como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha têm enfrentado problemas financeiros, e, no mundo globalizado, as coisas se espalham. Isso acaba nos afetando", assinala.

Bezerra pondera, afirmando que o mercado interno brasileiro é forte o suficiente para absorver aquilo que o Ceará não conseguir negociar para fora. A maior parte das exportações do Estado teve como destino os Estados Unidos: US$ 151,1 milhões, de janeiro a maio, 30% de tudo que foi negociado com o mercado internacional. Reino Unido (8,8%) e Argentina (7,9%) fecham o ranking.

LIDERANÇA BAIANA
Estado em 3º no ranking nordestino

Exportações do Nordeste cresceram, 57% de janeiro a maio, a maior alta entre as regiões do País

No ranking nacional de exportações, o Ceará figura na 12ª colocação, levando-se em conta os cinco meses de 2010. Na região Nordeste, o Estado é superado apenas por Bahia (US$ 3,42 bilhões)e Maranhão (US$ 1,3 bi).

As exportações do Nordeste cresceram 57%, de janeiro a maio de 2010, na comparação com os cinco primeiros meses de 2009. Esse foi o melhor desempenho regional registrado no País. Os embarques nordestinos somaram US$ 6,551 bilhões. No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 72,093, valor 30% maior que o registrado nos cinco primeiros meses de 2009.

O Sudeste continua sendo a região brasileira que mais exporta, contribuindo com 55% do total nacional. Juntos, os quatro estados da região embarcaram US$ 40,280 bilhões. O Rio de Janeiro teve um crescimento de 105% dos embarques internacionais. As exportações fluminenses somaram US$ 7,938 bilhões. Pelo critério de maior aumento, logo depois vem Espírito Santo (60%), com embarques de US$ 3,738 bilhões. Minas Gerais (33%), que exportou US$ 9,807 bilhões e São Paulo (21%) , com vendas internacionais de US$ 18,796 bilhões.

A região Sul apresentou uma elevação de 16% em suas exportações. O principal destaque foi o Paraná, cujos embarques internacionais cresceram 17,85%, valor muito próximo do desempenho do Rio Grande do Sul (17,11%). Por último, aparece Santa Catarina com crescimento de 13%. As exportações de Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina somaram, respectivamente, US$ 5,228 bilhões, US$ 5,650 bilhões e US$ 2,906 bilhões.

As quatro unidades da federação do Centro-Oeste apresentaram acréscimo nas exportações. Mato Grosso do Sul se destacou com acréscimo de 55% nas vendas internacionais em relação ao valor registrado de janeiro a maio de 2009. Já as vendas do Distrito Federal aumentaram 30%, as de Goiás 21% e as do Mato Grosso com 5%.

As exportações do Norte cresceram 3%. Dos sete estados da Região, Pará e Roraima tiveram decréscimo nos embarques, -1,4% e -1,2%, respectivamente. O Acre registrou aumento de 70% das suas vendas ao mercado externo; seguido do Amazonas 40% e Tocantins 38%.


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Negócios

domingo, 6 de junho de 2010

Meio Ambiente considerado na análise de crédito para novos empreendimentos

Risco ambiental é novo critério do BNDES

Os projetos ambientais e de energias renováveis apresentam hoje mais condições para conseguir financiamentos. Um dos critérios utilizados pelos bancos para financiar projetos é o de risco e de impacto ambiental
05/06/2010 14:00




O chefe do Departamento de Políticas e Estudos de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Márcio Macedo da Costa, falou ao O POVO sobre os critérios ambientais exigidos pelos bancos de fomento.
Para o banco, a cobrança por “negócios ecologicamente corretos” dá ganhos na imagem da empresa, além de gerar novas oportunidades de negócios.
O POVO - Por que os bancos de desenvolvimento econômico estão adotando critérios ambientais para os projetos de financiamento?
Márcio da Costa - Pela natureza de suas atribuições, a de promover o desenvolvimento, os bancos incorporam cada vez mais, em suas políticas e orientações estratégicas, instrumentos de avaliação de risco ambiental de crédito e, principalmente, de promoção de atividades sustentáveis. É nossa obrigação constitucional zelar pelo meio ambiente, ainda mais na posição de importantes financiadores de longo prazo.
O POVO - Quais são exatamente esses critérios?
Márcio da Costa - No caso do BNDES, a base tradicional de avaliação são as licenças ambientais. Mas agora estamos indo um pouco além. Estão em discussão os guias de procedimentos socioambientais para dezenas de setores da economia, que poderão orientar o trabalho dos analistas do banco. Espera-se que seja completada uma lacuna ainda existente acerca do conhecimento detalhado sobre o perfil socioambiental de empresas e setores, tecnologias e procedimentos de gestão adotados. É essencial para o BNDES estimular, apoiar e acompanhar a evolução do desempenho socioambiental das empresas e setores apoiados. No caso do setor de frigoríficos, já existe política específica, com critérios ligados às plantas industriais e à cadeia de fornecedores. No caso das termoelétricas a carvão e óleo, há critérios de emissões atmosféricas e resíduos sólidos. Para o setor de açúcar e álcool, o foco por enquanto é a comprovação de que os fornecedores de cana cumprem o zoneamento agroecológico.
O POVO - É mais lucrativo fazer um investimento com pelo ambiental?
Márcio da Costa - Depende. Muitas vezes o investimento ambiental exige valores maiores no momento inicial. Em uma visão de curto prazo, isso pode afetar os retornos. Mas a visão dos bancos de desenvolvimento e de muitas empresas é que hoje a estratégia socioambiental é crucial para a sustentabilidade do próprio negócio. Além disso, há empresas que estão obtendo margens maiores por serem líderes em investimentos ambientais.
O POVO - Por que é mais vantajoso para as empresas ter algum apelo ambiental?
Márcio da Costa - Pela maior capacidade de antecipação das mudanças na legislação, pelos ganhos de imagem e pelas oportunidades de novos negócios.
O POVO - Ações em prol do meio ambiente já começam a ser lucrativos para as empresas e para os bancos de desenvolvimento ou ainda é uma questão de conceito e de uma onda mundial de preservação do meio ambiente?
Márcio da Costa - Ainda há muito o que fazer no setor financeiro, não apenas nos bancos de desenvolvimento, mas nos bancos comerciais também. O mesmo ocorre nas empresas. Implementar sistemas de gestão ambiental é certamente um trabalho árduo, mas que permite a identificação de desperdícios de energia e materiais, tão prejudiciais à lucratividade.
O POVO - De que forma os bancos de desenvolvimentos podem estimular iniciativas de “negócios ecologicamente corretos”?
Márcio da Costa - Estabelecendo políticas socioambientais setoriais, com critérios para o apoio financeiro e com linhas de financiamento adequadas.
O POVO - Há uma regulamentação específica para financiamento de projetos com ações de preservação do meio ambiente, com produção de energias renováveis, por exemplo?
Márcio da Costa - No BNDES, os projetos ambientais e de energias renováveis têm melhores condições de financiamento. (Andreh Jonathas)