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domingo, 3 de abril de 2011

Meio Ambiente na China


Maior poluente do planeta, China quer atrair tecnologias verdes

março 4th, 2011 by priscilla
A China, maior poluente do planeta, lançou um amplo programa de apoio ao desenvolvimento de energias limpas, dos biocombustíveis ao setor eólico — um atrativo para empresas estrangeiras que enfrentam restrições orçamentárias em seus países.
Em um laboratório perto de Tianjin, ao norte do país, especialistas criam bilhões de micro-organismos com o objetivo de produzir enzimas capazes de transformar os dejetos industriais em biocombustíveis não poluentes. O local pertence à Novozymes, empresa dinamarquesa inserida no cada vez mais numeroso grupo de companhias estrangeiras que se beneficiam dos investimentos da China nas tecnologias verdes.”A situação nunca foi tão boa”, declarou à AFP o presidente da Novozymes China, Michael Christiansen.
O governo chinês anunciou uma verba de US$ 750 bilhões para desenvolver energias limpas durante a próxima década. A meta é cobrir 15% das necessidades de consumo com fontes energéticas renováveis até 2020.”A China é vista como um ótimo mercado para comercializar tecnologias em grande escala, assim como para gerar uma vantagem competitiva a longo prazo ao redor de tecnologias limpas”, afirmou o especialista Ben Warren, da empresa de consultoria Ernst & Young.
O gigante asiático ultrapassou este ano os Estados Unidos como mercado mais atrativo para investimentos em energias renováveis, segundo um estudo da Ernst & Young.
Energia eólica
A China também deve assumir a liderança nos investimentos em energia eólica, depois do anúncio de um plano para instalar uma capacidade de produção de 90.000 megawatts até 2015. ”No Ocidente, a situação é difícil para as empresas, porque temos problemas para encontrar financiamento”, explicou o presidente da americana Cleantech Group, Nicholas Parker, cuja empresa é especializada em pesquisa de tecnologias limpas.
“A construção de parques eólicos geralmente é financiada com empréstimos, que desaceleraram com a crise. Na China, este problema não existe”, completou.As tecnologias verdes são favorecidas ainda pelos municípios, que oferecem terrenos gratuitos ou dinheiro para a pesquisa e o desenvolvimento do setor, assim como pelos bancos chineses, que concedem empréstimos a taxa menores que nos Estados Unidos.
Fonte: Folha Online

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

China corre atrás do prejuízo (ambiental)

18/01/2011 16:48:12

China supera os EUA e já é o maior produtor mundial de energia eólica

EcoD
A expressão “negócio da China” tem origem no contato comercial entre Ocidente e Oriente, segundo a mestre em História Rainer Sousa. O termo faz alusão aos negócios vantajosos obtidos no final da Idade Média pelos comerciantes europeus que revendiam as sedas, temperos, ervas, óleos e perfumes orientais no chamado “velho mundo”.

Atualmente, a energia proveniente dos ventos é o grande negócio da China, país que recentemente ultrapassou os Estados Unidos em capacidade instalada, ocupando agora o topo do ranking mundial nessa matriz energética renovável.
No total, os parques eólicos chineses já somam 41.800 megawatts (MW) de potência - em junho eles tinham 33.800 MW, contra 36.300 dos EUA. Só para se ter ideia, o ritmo de instalação de novos parques eólicos na China é seis vezes superior ao dos norte-americanos.
Ao longo de 2010 foram adicionados mais 15.800 MW à capacidade existente – o equivalente a quatro vezes a potência eólica instalada de Portugal. “Era esperado”, afirmou ao jornal português Público Antonio Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren). “Os chineses estão atrasados no consumo de eletricidade, têm de instalar capacidade o mais rapidamente possível e já perceberam que as renováveis são o futuro”, completou.
Opinião semelhante tem o especialista em energias renováveis Carlos Pimenta, que lembra que a população chinesa migra cada vez mais do campo para as cidades, em um processo que implica maior consumo de energia. “O Estado chinês há muito tempo que percebeu que vai precisar de muito mais energia”, ressaltou Pimenta.
Em 2010, o consumo de energia elétrica no país subiu 14,6%, segundo dados divulgados na segunda-feira, 17 de janeiro, pelo Conselho de Eletricidade da China, citados pela agência Xinhua. Cerca de um quarto da eletricidade do gigante asiático (26,5%) é gerada por fontes não-fósseis: hidrelétricas (22,2%), eólicas (3,2%) e nuclear (1,1%).
A China já domina a maior parte do mercado mundial de painéis solares. Na energia eólica, parte dos aerogeradores instalados são produzidos no próprio país, mas ainda são os europeus que lideram o mercado. “É uma questão de tempo”, avaliou Carlos Pimenta, ao observar que, com o atual ritmo de crescimento, os chineses também dominarão tal tecnologia.
Vários acordos comerciais na área das energias renováveis são esperados durante a visita que o presidente chinês, Hu Jintao, inicia nesta terça-feira (18/1) aos Estados Unidos, segundo adiantou a agência Reuters. Ambos os países competem pelo mercado mundial nessa área, além de carregarem o indigesto posto de nações mais poluentes do planeta.
Rompimento de barreira impulsionou setor
Em janeiro de 2010, o EcoD noticiou que a China, até então na quarta colocação do ranking mundial da energia eólica (Global Wind Energy Council - GWEC), atrás dos EUA, Alemanha e Espanha, poderia estar algumas posições a frente, caso não fosse um limite do governo que exigia que 70% das peças das turbinas dos aerogeradores tivessem origem nacional.
A retirada da exigência de parte da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, principal organismo de planejamento chinês, acabou com a barreira protecionista e foi fundamental para impulsionar o setor no país.
Segundo o climatologista Michael McElroy, da Universidade de Harvard, o vento que sopra na China pode suprir toda a demanda energética do país até 2030, caso US$ 4,6 trilhões sejam investidos em um período de 20 anos - este valor corresponde a quase o triplo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Hoje, as duas maiores usinas de energia eólica do mundo estão em construção na China. A maior, na Província de Gansu, terá capacidade de 20 gigawatts e investimentos de R$ 30 bilhões. Em 2020, ela poderá gerar 20 vezes mais energia do que o parque de Roscoe, no Texas (EUA), hoje a maior do planeta. Já a segunda, em Ordos, contará com 12 gigawatts de potência instalada, mas com um diferencial: além da energia eólica, também produzirá a solar e biomassa.
(EcoD)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

ARTIGO - Ecoeconomia

Ecoeconomia: apontamentos pertinentes de um debate, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

julho 2, 2010

“Propor o crescimento econômico de forma exponencial, só pode ser coisa de um idiota, ou de um economista”. (Kenneth Boulding).
Introdução:
A relação entre a ciência econômica e a ecologia tem sido cada vez mais intensa por conta, basicamente, da prerrogativa do crescimento econômico. Essa relação é algo que intimamente não se desvincula facilmente e, em especial, essa necessidade de crescimento econômico, apregoada por alguns, é um dos pontos mais controversos dessa relação entre esses dois modos de pensar.
No entanto, essa relação, ao longo do tempo, não tem sido nada amistosa, separando, em lados opostos e conflituosos, duas maneiras antagônicas de atuar, no que toca, especialmente, à problemática do crescimento da economia versus exploração de recursos naturais. Visto por outro prisma, estamos nos referindo ao conflito entre as Leis da Economia versus as Leis na Natureza.
De um lado, há aqueles que defendem um crescimento a qualquer custo, vendo nisso a saída eficaz e rápida para os graves problemas sócio-econômicos que grande parcela das sociedades de hoje atravessam. De outro lado, há os que clamam pela interrupção imediata (propondo até crescimento zero) do crescimento que tem feito mais estragos, gerando passivos ambientais, que proporcionando benesses, propriamente dita.


O fato – inegável – é que a atividade econômica tem sido extremamente agressiva no que tange a extrair recursos, levar ao processo produtivo e, na hora do consumo final, ainda “soltar” seus resíduos, comprometendo, grosso modo, a capacidade do planeta Terra em lidar com essa situação.
Fora isso, aqueles que pensam que o consumo/produção precisa apresentar moderação, entendem que não há mais espaço físico – nem condições para isso – para taxas de “crescimentos exponenciais” visto que os recursos para tal são, por definição, finitos.
A biosfera é finita, limitada e hermeticamente fechada, diz com razão os que defendem a interrupção desse crescimento econômico sem limites, gerador e potencializador de passivos ambientais.
Conquanto, esse debate, além de interessante, é polêmico, visto tratar-se de abordagens muito conflitantes. Até mesmo porque existe o outro lado da história: há aqueles que entendem que a economia vive se “atualizando” e, certamente, dentro dessa atualização constante, encontrar-se-á, num belo dia, mecanismos para tratar os recursos naturais sobre a ótica da eterna renovação. Nem tudo, dizem aqueles que estão do outro lado desse assunto, é finito e está com os dias contados.
Para aguçarmos ainda mais esse debate, apresentamos neste artigo, em forma de apontamentos, algumas considerações sobre essa questão. Usaremos aqui, todavia, um termo já corrente sobre assunto, definido pela primeira vez por Lester Brown: Ecoeconomia.
Antes, cabe acrescentar uma indagação. Em que consiste tal termo? Trata-se, no bojo, da maneira específica de ver o sistema econômico e toda sua relação pertinente com o meio ambiente. É o ECO (de ecologia) em sua amplitude com o sistema econômico, tratando, especificamente, da maneira de lidar com os recursos naturais; com as energias naturais; com a finitude desses indispensáveis “combustíveis” que tanto faz uma economia crescer.
Vamos aos apontamentos visando englobar esse assunto numa temática mais ampla.
Apontamentos pertinentes
* Pelo menos desde o Neolítico (12.000 anos a.C.) todas as sociedades históricas consomem de forma crescente energias da natureza;
* É necessário conciliar a Economia com o Meio Ambiente, tendo em vista que tudo, absolutamente tudo, vem da natureza. Não é mais possível que os economistas (em especial os acadêmicos) continuem a ignorar essa realidade. A Economia precisa estar em fina sintonia com a Ecologia. Corrobora para esse argumento, o fato de que um dos primeiros formuladores do termo Ecologia, Ernst Haeckel (1834-1919), chegou a chamar a ecologia, em certo momento, de “a economia da natureza”;
* O fato mais grave, no entanto, é que a teoria econômica tradicional propõe o crescimento econômico sem limites, de forma exponencial e ininterrupto, a qualquer custo, e esquece, nesse pormenor, que a biosfera é finita, limitada e não aumentará de tamanho. Nesse sentido, é absolutamente ignorado pela Economia o pressuposto básico que aponta para um crescimento econômico capaz de produzir passivo ambiental. Essa questão é simples: não há espaço para todos; muito menos há recursos disponíveis (renováveis) capaz de oferecer o “Éden”, como querem alguns;
* Gandhi, um dos “Iluminados” que habitou o planeta Terra, a esse respeito, profetizava: “A Terra é suficiente para todos, mas não para os consumistas”;
* Conquanto, de forma estúpida, irracional e pouco inteligente – para dizer o mínimo -, a Economia não é mais entendida como gestão racional da escassez, mas sim como a ciência capaz de crescer exponencialmente, sendo que esse crescimento irá, na opinião dos “agentes econômicos agressores do meio ambiente”, curar todas as enfermidades do mundo;
Dessa forma, o quê temos pela frente?
* De um lado, temos então o “crescimento” das necessidades das pessoas; do outro, a cada ano, vemos que mais e mais habitantes que vão ocupando os mesmos espaços do planeta Terra (lembremos: a Terra não aumentará de tamanho). Descontadas as mortes, temos a cada dia, 200 mil novas almas no mundo. Ao ano, são mais de 70 milhões de novos habitantes no planeta Terra;
* No entanto, dizem os inconseqüentes (em especial os economistas acadêmicos pouco sensíveis aos problemas ambientais) que o mais importante é crescer, aumentando a produção para, assim, atender toda essa gente que está chegando ao planeta Terra.
(Para efeito de ilustração, cabe apontar que em apenas 50 anos, de 1950 a 2000, o PIB mundial saltou de 6 trilhões de dólares para 43 trilhões. Portanto, aumentou sete vezes de tamanho. E a população? Em 1900, havia 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Hoje, dividimos o mesmo espaço no planeta Terra com 6,7 bilhões de pessoas);
* É necessário, definitivamente, pôr fim à idéia do crescimento econômico infinito e exponencial, por dois singelos motivos: 1° Esse crescimento não eliminará todos os males do mundo; 2° Os limites para tal crescimento são dados pelos recursos finitos da natureza;
* Diante dessa realidade inelutável, é possível concluir que a Ciência Econômica, desde seu nascedouro, se encontra anos-luz (*) de distância e totalmente “desconectada” da realidade ambiental, e, além disso, a ciência econômica não percebe os riscos que a insistência num crescimento (quantidade ilimitada) sem respeito à biosfera está provocando;
(*) 1 ano-luz equivale a 10.000 bilhões de quilômetros.
* A Economia que aí está, praticada de forma livre, leve e solta pelas sociedades modernas e industrializadas, ainda não se deu conta que se trata apenas de um subsistema da natureza e que depende dessa natureza para tudo – absolutamente para tudo;
* Vejamos que até mesmo as estrelas são essenciais nessa história da relação entre Economia e Meio Ambiente, pois são as estrelas que convertem o hidrogênio em hélio e, da combinação deles, provém o oxigênio, o carbono, o fósforo e o potássio, sem os quais não haveria os aminoácidos nem as proteínas, elementos indispensáveis à vida;
* No entanto, os “limites” ao crescimento econômico continuam ignorados (em especial pelos acadêmicos não comprometidos com a relação ambiental). Para o crescimento de qualquer economia é necessário matéria e energia. Acontece que o animal-homem não pode criar nem matéria nem energia. A fórmula do professor Einstein, a esse respeito, é precisa: a obtenção de mais energia somente é possível pela obtenção de mais massa. É necessário, portanto, mais matéria e energia para produzir mais matéria e energia;
* É assim que se movimenta, grosso modo, toda e qualquer economia – com massa e energia. Todo o maquinário (bens de capital) são produzidos com minérios e movimentado com combustíveis fósseis;
* Entretanto, infelizmente, o sistema econômico sempre viu a natureza e seus recursos como um mero objeto para ser transformado, explorado e sugado. Nunca, em momento algum, esse sistema que “regula” as atividades da economia, que conduz, por sua vez, a busca por taxas de crescimento econômico imperfeitos, falhos e destruidores, olhou para a natureza como algo a ser cuidado e protegido. A lógica que prevalece é a de sempre: a exploração;
* Diante disso, é possível afirmar que enquanto as leis da Economia continuar ignorando, por completo, as leis da Natureza, o futuro (o nosso futuro) estará, a cada segundo que passa, mais e mais comprometido, expondo, por conseqüência, todos nós em sério risco;
* Lembremos, outra vez: não é a Terra que entrará em extinção, com o desajuste entre a atividade produtiva e o sistema ambiental; somos nós. Quem então está condenado? A Terra? Não, nós – a nossa espécie;
* Urge entendermos, com isso, que é necessário trocar o crescimento (quantidade) por desenvolvimento (qualidade);
* Somente quando o colapso ambiental se fizer evidente para todos, talvez lembraremos, no momento da catástrofe final, das sábias palavras do cacique Seattle:
“Quando a última árvore for abatida, quando o último rio for envenenado, quando o último peixe for capturado, somente então nos daremos conta de que não se pode comer dinheiro”.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário. Articulista do “Portal EcoDebate” e do site “O Economista”. Mestre pela USP em Integração da América Latina, especialista em Política Internacional, com curso pela Universidade de La Habana (Cuba). Autor dos livros “Conversando sobre Economia” e “Pensando como um Economista”.


Contato: prof.marcuseduardo{at}bol.com.br


EcoDebate, 02/07/2010

domingo, 6 de junho de 2010

Meio Ambiente considerado na análise de crédito para novos empreendimentos

Risco ambiental é novo critério do BNDES

Os projetos ambientais e de energias renováveis apresentam hoje mais condições para conseguir financiamentos. Um dos critérios utilizados pelos bancos para financiar projetos é o de risco e de impacto ambiental
05/06/2010 14:00




O chefe do Departamento de Políticas e Estudos de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Márcio Macedo da Costa, falou ao O POVO sobre os critérios ambientais exigidos pelos bancos de fomento.
Para o banco, a cobrança por “negócios ecologicamente corretos” dá ganhos na imagem da empresa, além de gerar novas oportunidades de negócios.
O POVO - Por que os bancos de desenvolvimento econômico estão adotando critérios ambientais para os projetos de financiamento?
Márcio da Costa - Pela natureza de suas atribuições, a de promover o desenvolvimento, os bancos incorporam cada vez mais, em suas políticas e orientações estratégicas, instrumentos de avaliação de risco ambiental de crédito e, principalmente, de promoção de atividades sustentáveis. É nossa obrigação constitucional zelar pelo meio ambiente, ainda mais na posição de importantes financiadores de longo prazo.
O POVO - Quais são exatamente esses critérios?
Márcio da Costa - No caso do BNDES, a base tradicional de avaliação são as licenças ambientais. Mas agora estamos indo um pouco além. Estão em discussão os guias de procedimentos socioambientais para dezenas de setores da economia, que poderão orientar o trabalho dos analistas do banco. Espera-se que seja completada uma lacuna ainda existente acerca do conhecimento detalhado sobre o perfil socioambiental de empresas e setores, tecnologias e procedimentos de gestão adotados. É essencial para o BNDES estimular, apoiar e acompanhar a evolução do desempenho socioambiental das empresas e setores apoiados. No caso do setor de frigoríficos, já existe política específica, com critérios ligados às plantas industriais e à cadeia de fornecedores. No caso das termoelétricas a carvão e óleo, há critérios de emissões atmosféricas e resíduos sólidos. Para o setor de açúcar e álcool, o foco por enquanto é a comprovação de que os fornecedores de cana cumprem o zoneamento agroecológico.
O POVO - É mais lucrativo fazer um investimento com pelo ambiental?
Márcio da Costa - Depende. Muitas vezes o investimento ambiental exige valores maiores no momento inicial. Em uma visão de curto prazo, isso pode afetar os retornos. Mas a visão dos bancos de desenvolvimento e de muitas empresas é que hoje a estratégia socioambiental é crucial para a sustentabilidade do próprio negócio. Além disso, há empresas que estão obtendo margens maiores por serem líderes em investimentos ambientais.
O POVO - Por que é mais vantajoso para as empresas ter algum apelo ambiental?
Márcio da Costa - Pela maior capacidade de antecipação das mudanças na legislação, pelos ganhos de imagem e pelas oportunidades de novos negócios.
O POVO - Ações em prol do meio ambiente já começam a ser lucrativos para as empresas e para os bancos de desenvolvimento ou ainda é uma questão de conceito e de uma onda mundial de preservação do meio ambiente?
Márcio da Costa - Ainda há muito o que fazer no setor financeiro, não apenas nos bancos de desenvolvimento, mas nos bancos comerciais também. O mesmo ocorre nas empresas. Implementar sistemas de gestão ambiental é certamente um trabalho árduo, mas que permite a identificação de desperdícios de energia e materiais, tão prejudiciais à lucratividade.
O POVO - De que forma os bancos de desenvolvimentos podem estimular iniciativas de “negócios ecologicamente corretos”?
Márcio da Costa - Estabelecendo políticas socioambientais setoriais, com critérios para o apoio financeiro e com linhas de financiamento adequadas.
O POVO - Há uma regulamentação específica para financiamento de projetos com ações de preservação do meio ambiente, com produção de energias renováveis, por exemplo?
Márcio da Costa - No BNDES, os projetos ambientais e de energias renováveis têm melhores condições de financiamento. (Andreh Jonathas)




sábado, 1 de maio de 2010

Negócios Sustentáveis


Bancos criam indicadores de negócios sustentáveis

O objetivo é construir e implementar uma agenda comum de sustentabilidade na indústria financeira
Foto: Divulgação
Na próxima quinta-feira, 6 de maio, a FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos se reunirá com representantes do Banco Central, do Ministério do Meio Ambiente, de organizações não governamentais e de diversos bancos para que seja apresentada versão preliminar da matriz de indicadores de sustentabilidade para instituições financeiras, bem como acolhidas sugestões dos diferentes stakeholders que contribuirão para a sua forma final.
O objetivo é construir e implementar uma agenda comum de sustentabilidade na indústria financeira, alinhada aos princípios e diretrizes do Protocolo Verde. Um dos compromissos estabelecidos pelos bancos signatários desse acordo é engajar seus stakeholders nas políticas e práticas de sustentabilidade e estimular a cooperação e integração de esforços. O encontro dá a partida a esse processo.
Assinado em 2009 pelo presidente da FEBRABAN, Fabio Barbosa, e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o Protocolo Verde aborda também o estímulo a práticas de sustentabilidade ambiental por meio de financiamentos e os impactos e custos socioambientais na gestão dos ativos dos bancos.
Os indicadores que serão estabelecidos identificarão o status atual e a evolução da aderência e da implementação de ações pelo setor financeiro, tendo em vista os compromissos assumidos no âmbito do protocolo. A FEBRABAN contratou a Fundação Getúlio Vargas para assessorá-la nesse processo.
Informações da Comunicação Social da FEBRABAN.
Fonte: Tendências e Mercado, 1 de maio de 2010 - 9:31 - Por Redação
Governo incentiva empresas que adotem práticas sustentáveis
Incentivo vale à contratação de empresas fornecedoras de bens e serviços que adotem boas práticas em sua produção
Essas exigências deverão constar do processo de compras públicas e editais das licitações. A decisão sobre a proposta mais vantajosa vai levar em conta os aspectos sustentáveis. Deverão ser escolhidos bens, serviços e produtos que causem menor impacto ambiental e tenham maior eficiência energética, segundo a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação.O governo federal está incentivando a contratação de empresas fornecedoras de bens e serviços que adotem práticas sustentáveis em sua produção. O programa de Contratações Públicas Sustentáveis (CPS), lançado pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, prevê a inclusão gradual de critérios ambientais, sociais e econômicos para contratações públicas e processos licitatórios.
De acordo com a STLI, o objetivo da medida é melhorar a qualidade do gasto público, realizando contratações mais efetivas, além de estimular a adoção de processos produtivos menos poluentes por parte do setor industrial, ajustando o mercado nacional à sustentabilidade.
Apesar de serem mais caros, os produtos sustentáveis representam economia a longo prazo, porque reduzem os gastos do Estado com políticas de reparação de impactos ambientais, diminuem o consumo de energia e de materiais e incentivam o desenvolvimento econômico baseado em práticas socioambientais corretas. Segundo a SLTI, o Estado brasileiro é um grande consumidor de bens e serviços – responde entre 10% e 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
As contratações públicas sustentáveis abrangem a compra de computadores e equipamentos eletrônicos verdes, material de escritório feito de madeira certificada, papel reciclável, alimentos orgânicos e uso de eletricidade produzida por fontes de energia renováveis, entre outras.
Fonte: Tendências e Mercado, 21 de abril de 2010 - 9:06 - Por Agência Brasil

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Empreendedorismo em meio ambiente




INCLUSÃO E SUSTENTABILIDADE

Empreendedoras sociais tocam fábrica de tijolos ecológicos


Projetos da ONG Ação e moradia tem como foco ações para transformar a vida de mulheres em Uberlândia



“Dizem que a mulher é o sexo frágil. Eu não concordo! Trabalho todos os dias com outras 14 mulheres em uma fábrica de tijolos na periferia de Uberlândia, em Minas Gerais. O serviço é pesado, sim, mas quem disse que a gente dá moleza? 

Não fazemos um produto qualquer. Fabricamos tijolos ecológicos, que não agridem o meio ambiente. Ou seja, não usamos lenha pra queimar o tijolo, que seca no tempo. A cada mil tijolos ecológicos produzidos, deixamos de derrubar sete árvores. Já pensou quantas árvores conservamos verdinhas e bonitas em um mês de trabalho?” 

HÁ VÁRIOS CURSOS PARA A COMUNIDADE 
“A fábrica é uma ideia da ONG Ação Moradia, criada no ano 2000 pela catequista Eliana Setti. A ONG tem vários outros projetos para melhorar a vida de mulheres como eu, que têm filhos e precisam ajudar ou até sustentar a família sozinhas. 

A sede da Ação Moradia é grande. Além da fábrica de tijolos, temos uma cozinha para oficinas de culinária, um salão de cabeleireiro, uma horta comunitária, aulas de artesanato e curso de montagem e manutenção de computadores. 

Não sou funcionária da ONG, sou uma empreendedora social. Quer dizer, é como se eu e as minhas colegas que trabalham aqui na fábrica fôssemos todas donas do negócio. 

O lucro depende da nossa produção. O dinheiro que ganhamos com o que vendemos é dividido de acordo com as horas que cada uma trabalhou. Em meio período de trabalho, consigo tirar uns R$ 400 por mês. 

As nossas principais clientes são as construtoras dos conjuntos habitacionais aqui de Uberlândia. Mas quem está construindo sua casinha própria também vem nos procurar. 

O milheiro do tijolo ecológico custa R$ 420, com as medidas 12,5 x 25 x 6,5 cm. É maior que o convencional. O metro quadrado de parede feito com ele sai mais barato do que com tijolos baianos ou blocos de cimento. O tijolo ecológico também pode ficar aparente, e aí não é preciso reboco, massa corrida ou pintura. Fica bem bonito.” 

TEMOS UMA MOEDA DE TROCA SÓ NOSSA 
“Eu conheci a ONG graças a uma amiga. Foi muito bom, porque eu nunca tinha trabalhado. Tenho dois meninos pra criar, só que era difícil conseguir emprego porque estudei apenas até a 8ª série. Faz pouco mais de um ano que estou na Ação Moradia, e agora posso ajudar meu marido lá em casa. O começo foi um pouco difícil, mas recebemos assessorial da ONG para cuidar da fábrica. Tem um técnico contratado que verifica a qualidade da produçãodos tijolos e nos ajuda no dia a dia. A iniciativa tem o patrocínio de fundações internacionais, que compraram as máquinas e nos auxiliam enquanto aprendemos a caminhar com as próprias pernas. Além do dinheiro, recebo cesta básica e “horas-ação”, que é como chamamos o dinheiro que só circula dentro da ONG. Com as “horas-ação” posso comprar os produtos fresquinhos que saem da horta, enfeites que outras meninas fazem na oficina de artesanato ou trocar por serviços no salão de cabeleireiro e ficar bonitona!” 

ATÉ CARREGAMOS E DESCARREGAMOS O CAMINHÃO DO CLIENTE 
“Eu participo de todas as etapas de fabricação do tijolo. É preciso carregar a terra, peneirar, medir a quantidade no balde, colocar o tanto ideal de cimento e bater na máquina. Depois a gente coloca na prensa, pra massa virar tijolo de verdade. Aí eles vão para o barracão e regamos com água três vezes ao dia. Por último, vão para o sol até que o cliente venha retirar. Às vezes somos nós que carregamos e descarregamos o caminhão do comprador. Como eu disse, somos muito fortes!” 

APRENDI A FALAR MELHOR E USO INTERNET 
“Mas o bom da Ação Moradia é que não é só trabalhar. Eu também aprendo muito. Nas horas vagas, participo de cursos sobre meio ambiente, cidadania, economia solidária e informática. Já sei até entrar na internet. Uma coisa que mudou muito foi que eu aprendi a me comunicar. Eu era bem calada, tímida, não sabia conversar. Tinha vergonha de tudo. Agora sou outra pessoa! Aprendi a expressar minhas opiniões. O que mais posso querer? Construir minha casa com os tijolos ecológicos que eu mesma fabriquei. Algumas pessoas, como a Lucimeire (veja texto abaixo), já conseguiram. Eu sei que vou chegar lá!” 

DA REDAÇÃO 
ONG FAZIA MUTIRÕES PARA A CONSTRUÇÃO DE CASAS 
Organização Não Governamental Ação Moradia teve origem em um movimento da Igreja Católica em Uberlândia, a Pastoral da Moradia. O trabalho da ONG é focado na capacitação de mulheres em bairros pobres da cidade para a geração de renda. Os filhos das mulheres que trabalham na Ação também recebem formação em aulas de música, artes, recreação e leitura. Quando foi fundada, em 2000, seu principal objetivoera garantir o direito à habitação para pessoas de baixa renda. Para isso, foram organizados mutirões para construção de casas no bairro Campo Alegre em parceria com a Caixa Econômica Federal, que financiou o material para as famílias, e com a prefeitura, que doou o terreno. 

Lucimeire Ferreira, de 33 anos, participou do mutirão em 2006 e conta como foi: “Eu fabriquei os tijolos todinhos da minha casa. Depois, fui para o canteiro de obras com todo mundo. De manhã, eu cozinhava para umas 50 pessoas que trabalhavam no local. À tarde, colocava a mão na massa. Ajudava a assentar tijolo, a rejuntar, tudo”. Nessa etapa do projeto, 50 famílias foram beneficiadas. A missão da ONG não mudou, mas não há mutirões no momento. Segundo Roberta Jannini, assessora da organização, “leva tempo para que projetos desse tipo sejam aprovados. Precisamos de parceiros para conseguir um terreno e financiar a construção de novas casas”. Hoje, 33 famílias são diretamente beneficiadas pelo trabalho da Ação Moradia, e 160 crianças participam das atividades culturais e recreativas.


Fonte: Planeta Sustentável