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terça-feira, 12 de abril de 2011

Gargalos para a exportação

11/04/2011 12:19:47

Governo quer identificar gargalos enfrentados por pequenos empresários na hora de exportar

Luciene Cruz, da Agência Brasil
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior quer ampliar a participação de micro e pequenas empresas (MPE) no mercado internacional. Atualmente, cerca de 20 mil empresas exportam bens e serviços. Há ainda 10 mil que exportam mercadorias. Essa atuação no comércio exterior somou cerca de R$ 2 bilhões no ano passado.

Para aumentar esse número, o órgão iniciou uma nova pesquisa para identificar os principais problemas enfrentados pelos empresários na hora de exportar bens e serviços. O levantamento, que vai até 30 de junho, pretende orientar as ações do governo na criação de políticas públicas que estimulem o aumento das exportações pelas MPE.
Essa é a segunda vez, que o MDIC tenta conhecer os gargalos às exportações de micro e pequenas empresas. No ano passado, o número insuficiente de respostas ao questionário enviado pelos empresários fez com que os técnicos preferissem não repassar os dados e reiniciar o processo.
Segundo o diretor do Departamento de Política de Comércio e Serviços do MDIC, Maurício do Val, com esse resultado será possível otimizar as ações governamentais. “As ações de políticas públicas serão focadas ao crédito de micro e pequenas empresas”, comentou. Para ele, há situações que merecem atenção especial, entre elas, a dificuldade de exportar devido à falta de comunicação e acesso aos instrumentos de apoio que chegam de forma pouco eficiente e comprometem o interesse de exportação.
Na opinião do diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Carlos Alberto Santos, ainda existe resistência por parte dos pequenos empreendedores que acreditam que a competição internacional é desleal. “Ainda é difícil pequenas empresas atuarem no comércio exterior, não é só câmbio. É preciso estabelecer marca, é um processo a longo prazo, que muitas vezes desestimulam os pequenos empreendedores”, disse.
Além disse, segundo Santos, os micro e pequenos empresários aproveitam o momento favorável à economia interna. “Vivemos um momento interessante na economia. O mercado interno está muito aquecido. Não precisamos mais ir à China brigar por mercado, os chineses vêm até aqui brigar por espaço. Também nos ‘armamos’ para disputar o mercado aqui também”, endossou.
De acordo com o diretor do Departamento de Política de Comércio e Serviços do MDIC, o governo está preparado para atender às necessidades das micro e pequenas empresas com interesse no comércio internacional. “A intenção é que pequenas empresas se interessem e participem de exportações brasileiras e ganhem robustez para crescer no mercado interno e aumentar participação no mercado externo, porque se bem sucedidas logo se tornam empresas de porte médio”, analisou.
Os micro e pequenos empresários que tenham interesse em aumentar a participação ou ingressar no comércio exterior podem procurar as unidades do Sebrae. Mais informações pelo telefone 0800 570 0800. A pesquisa do ministério está disponível no site http://tinyurl.com/gargalos.
(Agência Brasil)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ceará exporta 20,5% a mais

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Principal destino: maioria das mercadorias que deixaram o Estado teve como destino os Estados Unidos 
DIVULGAÇÃO

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CEARÁ PERDE apenas para Bahia e Maranhão no Nordeste. Região somou US$ 6,5 bilhões em cinco meses 
VIVIANE PINHEIRO
Mesmo com a instabilidade no mercado internacional, Ceará exportou mais, de janeiro a maio deste ano

Após apresentar um nível inexpressivo nos primeiros meses de 2009, as exportações cearenses mostram sinais mais sólidos de recuperação, crescendo 20,5% de janeiro a maio deste ano ante igual período do ano passado. Até o último mês, foram US$ 496,3 milhões exportados, enquanto nos cinco meses iniciais de 2009, o montante somou apenas US$ 411,8 milhões.

As importações ficaram, até maio, em US$ 661,8 milhões, 29,7% a mais do que em igual época de 2009, fechando a balança comercial com déficit de US$ 165 milhões.

Reabilitação

De acordo com o superintendente do CIN (Centro Internacional de Negócios) - da Fiec -, Eduardo Bezerra, os números de exportação demonstram que o ano de 2010, para o Ceará, já representa uma reabilitação em relação à grave situação financeira que afetou o comércio internacional em 2009. Levando-se em conta apenas o mês de maio, o Estado registrou US$ 90,6 milhões em exportações, cifra 2,02% inferior ao valor negociado para fora do País em abril. O montante ainda representa a menor marca desde agosto do ano passado, quando foram exportados apenas US$ 81,1 milhões.

Na opinião de Bezerra, os dados estão aquém do esperado. "É preocupante, pela seguinte razão: o Ceará tem um indicador de que o comércio exterior está funcionando bem, o nível mensal de US$ 100 milhões em exportações. Esse é o ponto de equilíbrio. Quando temos US$ 90 milhões, um valor 10% abaixo do ideal, isso significa que a coisa não está bem", frisa. Ele explica que a base do problema não reside em solo cearense, e sim no mercado do exterior. "O que mais caracteriza e influencia as exportações cearenses é a demanda nos países compradores. No caso, a origem não está no parque industrial do Ceará. Países como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha têm enfrentado problemas financeiros, e, no mundo globalizado, as coisas se espalham. Isso acaba nos afetando", assinala.

Bezerra pondera, afirmando que o mercado interno brasileiro é forte o suficiente para absorver aquilo que o Ceará não conseguir negociar para fora. A maior parte das exportações do Estado teve como destino os Estados Unidos: US$ 151,1 milhões, de janeiro a maio, 30% de tudo que foi negociado com o mercado internacional. Reino Unido (8,8%) e Argentina (7,9%) fecham o ranking.

LIDERANÇA BAIANA
Estado em 3º no ranking nordestino

Exportações do Nordeste cresceram, 57% de janeiro a maio, a maior alta entre as regiões do País

No ranking nacional de exportações, o Ceará figura na 12ª colocação, levando-se em conta os cinco meses de 2010. Na região Nordeste, o Estado é superado apenas por Bahia (US$ 3,42 bilhões)e Maranhão (US$ 1,3 bi).

As exportações do Nordeste cresceram 57%, de janeiro a maio de 2010, na comparação com os cinco primeiros meses de 2009. Esse foi o melhor desempenho regional registrado no País. Os embarques nordestinos somaram US$ 6,551 bilhões. No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 72,093, valor 30% maior que o registrado nos cinco primeiros meses de 2009.

O Sudeste continua sendo a região brasileira que mais exporta, contribuindo com 55% do total nacional. Juntos, os quatro estados da região embarcaram US$ 40,280 bilhões. O Rio de Janeiro teve um crescimento de 105% dos embarques internacionais. As exportações fluminenses somaram US$ 7,938 bilhões. Pelo critério de maior aumento, logo depois vem Espírito Santo (60%), com embarques de US$ 3,738 bilhões. Minas Gerais (33%), que exportou US$ 9,807 bilhões e São Paulo (21%) , com vendas internacionais de US$ 18,796 bilhões.

A região Sul apresentou uma elevação de 16% em suas exportações. O principal destaque foi o Paraná, cujos embarques internacionais cresceram 17,85%, valor muito próximo do desempenho do Rio Grande do Sul (17,11%). Por último, aparece Santa Catarina com crescimento de 13%. As exportações de Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina somaram, respectivamente, US$ 5,228 bilhões, US$ 5,650 bilhões e US$ 2,906 bilhões.

As quatro unidades da federação do Centro-Oeste apresentaram acréscimo nas exportações. Mato Grosso do Sul se destacou com acréscimo de 55% nas vendas internacionais em relação ao valor registrado de janeiro a maio de 2009. Já as vendas do Distrito Federal aumentaram 30%, as de Goiás 21% e as do Mato Grosso com 5%.

As exportações do Norte cresceram 3%. Dos sete estados da Região, Pará e Roraima tiveram decréscimo nos embarques, -1,4% e -1,2%, respectivamente. O Acre registrou aumento de 70% das suas vendas ao mercado externo; seguido do Amazonas 40% e Tocantins 38%.


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Negócios

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Política Comercial e Política Fiscal - Estímulos à Exportação


CAPACIDADE DE FINANCIAMENTO (6/5/2010)

Exportadores ganham estímulo para competir

6/5/2010 Clique para Ampliar
Novo Pacote do governo Federal pretende acelerar o retorno de crédito aos exportadores brasileiros 
THIAGO GASPAR

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Para ministro, medidas devem garantir a continuação da melhoria da competitividade da produção brasileira


Brasília O governo anunciou ontem uma série de medidas com o objetivo de garantir crescimento do superávit comercial do Brasil. Com esse pacote, o governo pretende acelerar o retorno de crédito aos exportadores, excluir a receita com exportação do faturamento de micros e pequenas empresas para que estas se mantenham em regime especial de tributação, acabar com o redutor do Imposto de Importação (II) para autopeças, incentivar exportação de bens de consumo e criar o Exim Brasil, banco de fomento ao comércio externo que será comandado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, essas medidas estão sendo tomadas para garantir a continuação da melhoria da competitividade da produção brasileira. Ele disse que essas são medidas adicionais às já tomadas pelo governo com a criação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Segundo ele, essas medidas têm tido muito êxito e estimulado fortemente o investimento. Ele brincou com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que estava sentado ao seu lado para o anúncio das medidas de incentivo à exportação. Mantega disse que Coutinho "não para de pedir mais dinheiro", numa referência aos empréstimos que o Tesouro Nacional fez ao banco para aumentar a capacidade de financiamento.

Mantega disse que algumas medidas terão impacto imediato. Uma delas é a devolução dos créditos de PIS, Cofins e IPI em até 30 dias. Segundo o ministro, após a apuração trimestral, as empresas poderão se habilitar ao crédito. "Haverá um impacto no desembolso de caixa. Mas não é despesa primária". Em relação à medida para micro e pequenas empresas, que exclui as receitas de exportação do faturamento total para efeito de enquadramento no Simples, Mantega disse que levará mais tempo para ser implementada porque o governo enviará ao Congresso um projeto de lei complementar.


Créditos tributários


Mantega anunciou que os exportadores brasileiros receberão a devolução dos créditos tributários em até 30 dias após a solicitação. Segundo ele, serão créditos de PIS, Cofins e IPI. Mantega explicou que, para isso, as empresas precisam ter exportado 30% do faturamento nos últimos dois anos e que as empresas precisam ser exportadoras há pelo menos quatro anos. Também precisam ser tributadas pelo regime de lucro real e adotar a Nota Fiscal Eletrônica. O ministro explicou que o histórico da Receita mostra que apenas 50% dos créditos solicitados são devolvidos. Por isso, o governo decidiu que irá acelerar esta devolução para apenas 50% dos créditos das empresas.

Um outro requisito, segundo Mantega, para que haja essa devolução mais rápida, é que a empresa não tenha tido mais de 15% dos pedidos de devolução indeferidos nos últimos dois anos. Segundo Mantega, algumas empresas "exageram" no pedido de ressarcimento.

Outra medida anunciada pelo ministro foi a exclusão, do faturamento das micro e pequenas empresas, do resultado das exportações para que a empresa possa permanecer no Simples (sistema simplificado de tributação). Mantega disse que a medida visa estimular as empresas de menor porte a ampliarem presença no mercado externo. O limite de isenção para exportações é de R$ 2,4 milhões/ano.


Novo drawback


Mantega anunciou a criação de mais um regime de drawback para as empresas exportadoras. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, o novo drawback dará isenção de tributos para compra de insumos no mercado interno com base na exportação realizada no período anterior. Atualmente, o drawback para o mercado interno dá suspensão dos tributos e a empresa precisa provar que exportou usando o insumo adquirido. Caso contrário, ela precisa recolher os tributos à Receita.

O "drawback isenção" é uma opção adicional para insumos nacionais, mais adequada à produção em série e em setores onde o controle dos insumos é mais complexo e custoso.

Mantega também anunciou que acabará, nos próximos seis meses, o redutor de 40% no sobre autopeças, pago pelas montadoras. O objetivo é reduzir o déficit da balança comercial de autopeças. 


A opinião do especialista
Ações trarão resultado



Eduardo Bezerra*

* Presidente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec)

Devemos dar um crédito ao governo federal com o lançamento desse conjunto de medidas. Ele vem realizando uma política gradativa para descomplicar o processo de exportação no País. Trata-se de um conjunto de ações expressivo e que deve trazer resultados animadores para as vendas externas e, consequentemente, para a economia brasileira. São medidas inteligentes e harmônicas e que vão dar um grande impulso nessa direção, particularmente, no que tange às pequenas e médias empresas. Ele foi bem concebido para beneficiar, sobretudo, empresas desse porte, ao ampliar o benefício do Simples nacional; abrindo linhas de crédito, com juros subsidiados; e dando, ainda, garantias para o exportador, como a implantação de um banco para financiar as operações de comércio exterior, a devolução rápida de créditos tributários sobre as operações e a criação de um fundo garantidor para viabilizar as vendas externas. No caso do Ceará, que concentra, na grande maioria, empresas nesse segmento, esse conjunto de ações deve fazer do Estado um grande beneficiado. O Ceará não tem grandes empresas exportadoras. Existem apenas cinco empresas locais que exportam acima de US$ 50 milhões, classificando-se como grandes empresas. A maior parte, sem sombra de dúvidas, se concentra naquelas que exportam até US$ 10 milhões, que são as micros e pequenas; ou ainda na faixa, cuja vendas externas totalizam acima de US$ 10 milhões, mas que ficam abaixo de US$ 50 milhões, caracterizando-se como médias empresas. Levando-se em conta que são os negócios desse porte é que são os grandes responsáveis pela geração de emprego no Brasil, além dos desdobramentos econômicos, teremos uma repercussão social muito grande em todo o País.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Negócios - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=780643

terça-feira, 27 de abril de 2010

Exportação de mel brasileiro cresce 92% em março

EUA responderam por 58,2% do total de US$ 6,92 mi; Ceará e Piauí foram respectivamente 3º e 4º maiores exportadores

Em março, o Brasil exportou 2,4 mil toneladas de mel, com receita de US$ 6,92 milhões. Isso representa em relação ao mês anterior um aumento de 92% na quantidade e de 96% no valor. O preço médio pago pelo produto foi recorde, US$ 2,87/kg, aumento de 2,1% em relação ao mês anterior e de 19,6% no comparativo com março do ano passado.

Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações, respondendo por mais da metade (58,2%) da receita total, ao preço de US$ 2,82/kg.

A Alemanha foi o segundo mercado, com receita de US$ 1,4 milhão, significando 21,2% do valor total exportado, ao preço de US$ 2,98/kg. O Reino Unido absorveu 13,6% das exportações, com total de US$ 941 mil, pagando 2,83/kg.

Para a Coordenação Nacional de Apicultura do Sebrae, o crescimento contínuo das exportações verificado desde o fim de 2009 deve-se provavelmente aos baixos estoques internacionais. Pelo terceiro ano consecutivo, a produção Argentina será negativamente afetada pela seca que já atinge 90% desse país. E em 2009, os EUA colheram a sua pior safra de mel da história, inferior a 55 mil toneladas.

Com relação ao mercado brasileiro, o estado que mais exportou foi São Paulo, com US$ 1,6 milhão. Rio Grande do Sul veio em seguida, com US$ 1,19 milhão. O terceiro lugar ficou com Ceará, com receita de US$ 1,17 milhão, seguido pelo Piauí, com US$ 1 milhão.

Apenas seis empresas responderam por 63% do valor das exportações no 1º trimestre deste ano: duas de São Paulo; uma do Rio Grande do Sul; uma de Santa Catarina; uma do Ceará e uma do Piauí.

Outras seis empresas responderam por 24% da receita, por meio dos seguintes estados: duas de São Paulo; uma do Ceará; uma do Rio Grande do Norte; uma do Paraná e uma do Piauí. Sete exportaram 12% da receita total e quatro empresas responderam por apenas 1% do mel exportado.

Essa pequena concentração de empresas exportadoras de mel é característica do setor, tanto no Brasil quanto no exterior. Entre os fatores que contribuem para essa realidade estão o baixo número de empresas compradoras e, principalmente, a desorganização do setor.

Segundo avaliação do Sebrae, o Brasil possui tudo para ser um grande produtor, consumidor e exportador de mel. Mas, para isso, é preciso estruturar a governança, com cooperativas, associações, empresas e mercado forte.

De acordo com a Central de Cooperativas Apícolas do Semi-Árido Brasileiro (Casa Apis), o setor precisa se organizar para entrar no mercado internacional. Para exportar mel, segundo a cooperativa, os produtores precisam ter qualidade, ficando atentos a questão dos controles sanitários e alfandegários, e volume.

Com informações da Agência Sebrae de Notícias.

FONTE: Tendências e Mercado

http://www.tendenciasemercado.com.br/negocios/exportacao-de-mel-brasileiro-cresce-92-em-marco/

quarta-feira, 24 de março de 2010

Brasil é o único país latino-americano em conferência sobre algodão na Alemanha

País é o maior exportador da matéria-prima para a Alemanha. Conferência em Bremen debate o mercado de algodão no momento de crise.

O momento no mercado de algodão é de recessão: os efeitos são sentidos no comércio e na indústria têxtil. É nesse clima que começou nesta quarta-feira (24/03), a trigésima Conferência Internacional de Algodão, em Bremen, na Alemanha. Representantes de 40 países se reúnem num momento propício para fazer um balanço: esta é a primeira edição da conferência desde o começo da crise financeira.

Realizado pela primeira vez em 1957, o fórum tinha então um caráter meramente científico e era usado para discutir novas técnicas para a avaliação e processamento da valiosa matéria-prima. Mas, com o passar dos anos, o encontro bienal se transformou em evento-chave para os importadores e exportadores de algodão, assim como para os produtores e consumidores da fibra que deriva do produto.

Presença brasileira

O Brasil é o único país da América Latina a participar da conferência: com uma produção de 500 milhões de toneladas em 2009, o país é atualmente o exportador mais importante da região.

Jan Wellmann, diretor da Bolsa de Algodão de Bremen, fundada em 1872, explica a ausência dos outros países latino-americanos, como, por exemplo, o Peru, onde a colheita de algodão é milenar e o solo é um dos poucos que permite o cultivo da planta o ano todo.

"O Peru já não tem importância neste âmbito", explica Wellmann. "O que é produzido nos países latino-americanos é consumido por seus respectivos mercados internos. O Brasil se distanciou de seus vizinhos no começo deste milênio."

Na análise de Wellmann, o Paraguai é um exportador digno de ser mencionado, no entanto, a produção deste país é muito menor do que a brasileira, assinala. "A Argentina consome quase toda a matéria-prima que produz e importa algodão do Brasil. Por isso o interesse segue em torno do gigante da América do Sul", acrescenta Wellmann.

Fazenda de  algodão em Ituverava (MG)Bildunterschrift: Fazenda de algodão em Ituverava (MG)

Alemanha e os gigantes

"Infelizmente, o futuro próximo da Alemanha como processador de algodão não parece nada promissor", sustenta Wellmann. Segundo ele, o processamento de algodão no país tem caído de maneira contínua, como no resto da Europa.

"As instâncias que se encarregam disso no nosso continente têm sido substituídas por outras diretamente nos países que cultivam o algodão, a Índia e a China, que são grandes produtores e consumidores de algodão", analisa.

Assuntos do dia

Os avanços tecnológicos também estão em pauta na conferência, além de assuntos que preocupam a opinião pública. "Sobre o tópico algodão orgânico e transgênico se discute muito atualmente, em parte devido ao escândalo em torno do algodão indiano que recebeu uma falsa certificação", comenta Wellmann.

A planta transgênica, naturalmente, também terá lugar na discussão: "Setenta por cento do algodão produzido no mundo é fruto de engenharia genética, em alguns países a proporção de algodão transgênico chega a 90%. Mas isso é estigmatizado na Europa, onde essa matéria-prima é descrita como 'contaminada geneticamente'", conta o diretor da Bolsa de Algodão de Bremen.

Segundo Wellmann, é tarefa dos participantes usarem a ciência para responder questões sobre benefícios e efeitos prejudiciais do algodão transgênico. "O mesmo ocorre com o debate em torno da quantidade de água usada para produzir uma camiseta e a polêmica dos subsídios", explica Wellmann, que ressalta o esforço da instituição para fugir de assuntos estritamente científicos e se aproximar da discussão pública.

Algodão subsidiado

A questão dos subsídios agrícolas será analisada mais de perto, já que o assunto é importante para os 80 países produtores de algodão no mundo. "Este é um problema para os países mais pobres porque o algodão produzido nestes lugares não pode competir no mercado com os produtores subsidiados, como acontece nos Estados Unidos e na Austrália", ressalta Wellmann.

Na safra 2008/2009, o governo norte-americano concedeu 3 bilhões de dólares em subsídios aos seus 25 mil produtores de algodão. Sem o recurso, os fazendeiros não conseguiriam oferecer preços competitivos no mercado internacional.

Contra essa política, o Brasil reclamou em 2004 na Organização Mundial do Comércio e ganhou a briga, mas pouco aconteceu até agora. Os EUA mudaram alguns detalhes, mas os subsídios continuam.

Brasil pressiona EUA

Em represália, e com a aprovação da OMC, o governo brasileiro decidiu elevar, a partir de abril próximo, as taxas de importação sobre mais de 100 produtos dos Estados Unidos.

Gary Adams, do Conselho Nacional do Algodão dos EUA, se defende: "O preço atual do algodão é 50% mais alto do que um ano atrás. Os Estados Unidos reduziram drasticamente a produção, enquanto Brasil, Índia e China produzem muito mais. Por isso, o passo que o Brasil está dando é, do nosso ponto de vista, infeliz".

Roberto Azevedo, embaixador brasileiro na OMC que acompanhou o debate entre os dois países, salienta: "Eles disseram publicamente que ficaram surpresos com a medida. Mas eu posso dizer que nós também ficamos surpresos. Precisamos fazer isso porque não nos foram apresentadas alternativas aceitáveis", finaliza.

Segundo a ONG Oxfam, o fim das subvenções ao algodão norte-americano significaria um aumento de até 14% no preço mundial do algodão, o que beneficiaria, acima de tudo, os produtores na África.

Autores: E. Romero-Castillo/ A. Kriesch / N. Pontes

Revisão: Roselaine Wandscheer


http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5384539,00.html?maca=bra-uol-eco-1394-xml-uol

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Exportação do Brasil aos árabes ganha peso

As exportações do Brasil ao mundo árabe renderam US$ 9,4 bilhões em 2009. Houve uma redução de 4,36% em relação ao ano anterior. A queda, porém, foi menor do que a registrada nas vendas externas brasileiras como um todo (-22%), o que fez com que a participação do Oriente Médio e do Norte da África como destinos das mercadorias nacionais aumentasse de 4,96% em 2008 para 6,14% no ano passado.

Os dados foram divulgados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “Em termos relativos, as relações comerciais do Brasil com os países árabes foi muito importante em 2009 por causa do decréscimo no comércio mundial”, disse o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin, em entrevista coletiva realizada na sede da entidade, em São Paulo.

Além da crise financeira mundial, que prejudicou o comércio internacional como um todo, Schahin destacou que a valorização do real frente ao dólar também prejudicou as exportações brasileiras. “O câmbio flutuante é assim, às vezes ele nos ajuda, às vezes ele nos atrapalha em relação às exportações”, declarou.

Se a crise desacelerou o comércio mundial, acabou por influenciar um forte superávit na balança comercial do Brasil com os países árabes. As importações brasileiras de mercadorias do mundo árabe somaram US$ 5,22 bilhões no ano passado, uma redução 50,19% em comparação com 2008, resultando num saldo de US$ 4,18 bilhões.

“[A balança] resultou num saldo muito importante”, afirmou Schahin. “A tendência é termos pequenos superávits nos próximos anos”, acrescentou. Os principais itens importados pelo Brasil do mundo árabe são petróleo e derivados. A diminuição da demanda e a queda do preço da commodity jogaram para baixo o volume e o valor das importações.

Agronegócio

Na seara das exportações, o presidente da Câmara Árabe destacou o desempenho do agronegócio. “O Brasil é bastante competitivo nas exportações do agronegócio ao mundo árabe”, disse.

As carnes, tanto de frango como bovina, foram os principais itens da pauta, embora tenha ocorrido uma redução de 1,93% na receita dos embarques de 2008 para 2009. Ele acredita, no entanto, que as vendas de carnes devem retomar o crescimento já este ano, pois “há grande demanda no mundo árabe”

Em segundo lugar na pauta ficou o açúcar, com um crescimento de 44,75%. Schahin destacou que as exportações brasileiras de açúcar foram beneficiadas pela queda de produção na Índia, que, além de não exportar em 2009, teve que importar para abastecer seu mercado interno. “Eu acredito que este ano ainda vamos ter crescimento das exportações de açúcar”, declarou.

Ele destacou ainda outros produtos agropecuários como soja, milho e lácteos, que começaram a ganhar maior espaço nos negócios com o mundo árabe e devem crescer ainda mais nos próximos anos.

Manufaturados

Depois das carnes e do açúcar, os dois outros itens mais exportados em 2009 foram minério de ferro e aeronaves. Para Schahin, o grande desafio é ampliar as vendas de produtos manufaturados. No caso da Embraer, ele disse que espera recuperação dos negócios com o mundo árabe a partir de 2011. “O mundo árabe é um mercado bastante importante para a empresa”, disse.

Na mesma linha, ele acredita que haverá também recuperação da exportação de outros veículos e autopeças a partir de 2011. Alguma retomada, porém, deve ocorrer já este ano. De 2008 para 2009, as vendas desse setor ao mundo árabe caíram pela metade.

Os principais destinos dos produtos brasileiros no mundo árabe em 2009 foram Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Argélia. (Alexandre Rocha - Agência de Notícias Brasil-Árabe - www.anba.com.br)

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http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notasemp10/emp200120103.htm

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

China quer superar EUA e se tornar a maior parceira comercial da América Latina

Sonia Osorio Miami, 17 nov (EFE).- China se vislumbra como a grande alternativa para as exportações da América Latina perante a fraqueza do consumo dos EUA com números sem precedentes na troca comercial entre a região e o país asiático nos próximos anos, segundo banqueiros chineses.

Apesar das barreiras culturais, idiomáticas e a distância, as oportunidades de negócios são "brilhantes", afirmaram os representantes de três dos quatro principais bancos da China na 43ª Assembleia Anual da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban) que se celebrou em Miami (EUA.).

"É um futuro muito brilhante. Acho que China será o principal parceiro da América Latina em um futuro muito próximo. Se observamos a média da taxa de crescimento entre China e América Latina, o volume será de perto de 40% cada ano", disse Feng Lui, primeiro vice-presidente do Banco da China em Nova York.

A ávida demanda de matérias-primas procedentes da América Latina e as vigorosas vendas de produtos chineses na região, elevou a troca comercial de US$8,4 bilhões em 1995 a US$140 bilhões no ano passado.

Um número que segundo Lui localiza o gigante asiático como o segundo parceiro comercial da América Latina.

A China é o principal mercado para as exportações do Brasil e Chile e o segundo para as vendas do Peru.

Do Brasil, o Banco da China observa o resto dos países para sua tomada de decisões de negócios a futuro.

"Temos um plano ambicioso de abrir novas filiais na região. Brasil é uma prova de fogo" para os negócios da entidade na América Latina, comentou Lui.

A China atualmente é o maior cliente do Brasil e o país exportou US$20 bilhões em bens em 2008 à nação asiática e importou US$16,4 bilhões, segundo dados da ONU.

Mas o primeiro vice-presidente do Banco da China cotou que há obstáculos que se devem superar como a atual estrutura do comércio baseada só em matérias-primas e produtos terminados, porque poderia estar influenciada pelo fluxo da economia mundial.

Os outros dois assuntos são problemas culturais como a diferença de idioma, inclusive de religião. "Ambos necessitam tempo para adaptar-se".

Yung-Chang Ho, diretor-executivo para a área da China e Ásia do Banco Wachovia, que foi o moderador do fórum, destacou que a nação asiática necessita petróleo, soja, cobre e outros minerais provenientes da região para poder seguir com seu crescimento econômico.

"A demanda obrigou a afiançar seus vínculos com a região. O investimento na região chegou a US$24 bilhões", indicou.

Acrescentou que a "China representa uma alternativa para a América Latina em seu comércio com os Estados Unidos. Realmente é uma situação de ganho para ambos".

Shiqin Li, chefe representante do Banco Agrícola da China em Nova York, explicou que a troca comercial "tem um futuro muito brilhante" e isso está baseado, em parte, em que os Governos da China e América Latina têm uma política comum: encorajar o consumo interno e os investimentos em infraestruturas.

"Para o futuro vemos um crescente comércio entre América Latina e China, é uma tendência muito boa. Passamos de exportar aos países da Europa Ocidental e Estados Unidos à África e América Latina", previu.

Li informou que este ano o negócio de exportações à América Latina sofreu uma substancial queda de cerca de 34% pela recessão, mas registraram um aumento de importações da ordem de 64% e disse: "Vemos isso como um bom sinal".

Da mesma forma que Lui, a direção comentou que gostaria de trabalhar com a região em comunicação e em participação em mais eventos internacionais para um entendimento entre as duas culturas.

Também que "nossos reguladores podem ter maior informação para convencer-lhes que aceitem o risco dos senhores como nós aceitamos os seus".

Explicou que é necessária uma aproximação nas comunicações porque o tema dos idiomas incide no clima de negócios: China tem poucas pessoas que falem espanhol ou português e o mesmo sucede com os latino-americanos com o chinês.

Assegurou que China e a indústria bancária dessa nação têm políticas muito abertas.

"Temos as portas abertas para nossos amigos da América Latina", asseverou.

John Weinshank, vice-presidente do Banco de Construção da China da filial de Nova York, manifestou que a América Latina tem recursos naturais e os chineses os necessitam para poder manter seu motor de crescimento.

Enquanto os países latino-americanos aumentam seus ingressos e "como essas duas tendências não se reverterão em um futuro próximo, me sinto muito encorajado sobre a troca comercial".

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2009/11/18/china-quer-superar-eua-como-maior-parceiro-comercial-da-america-latina.jhtm