quarta-feira, 4 de novembro de 2009

04/11/2009 - 18h13 Real está 20% acima de seu "nível de neutralidade", diz secretário da Reuters, em Nova York

A moeda brasileira está cerca de 20% de seu "nível de neutralidade", o que nem estimula, nem atrapalha o crescimento econômico do país, disse o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, nesta quarta-feira.

Os comentários acompanham as preocupações de investidores de que o Brasil adote mais medidas para evitar a valorização do real após a aplicação no mês passado do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), imposto de 2% sobre a entrada de recursos do exterior.

O nível de neutralidade de moeda do real varia de R$ 2,10 a R$ 2,12 por dólar, disse Barbosa a jornalistas em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasileiro-Americana, em Nova York.

Ele enfatizou que o nível do real varia de acordo com os preços de commodities e não é alvo do governo, que se mantém comprometido com um regime de taxa de câmbio flutuante.

A taxa de câmbio da moeda estava a cerca de R$ 1,72 o dólar nesta quarta-feira, próximo ao seu nível mais alto em 14 meses, apesar do IOF.

O ministro da Fazenda Guido Mantega disse no mês passado que o governo estuda tomar medidas adicionais para conter a rápida valorização do real.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u647649.shtml

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dólar baixo está "matando" a indústria brasileira, diz Abimaq

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto, disse nesta quarta-feira que o dólar cotado em torno de R$ 1,75 está "matando a indústria brasileira". Para ele, a manutenção de taxa de câmbio em patamar mais elevado deveria ser uma ação "patriótica", para evitar que a indústria não escorregue no caminho da retomada, após a crise global.

"O dólar, do jeito que está, é tóxico. Dos males, pode-se considerar que a taxa de juros elevada nos deixa aleijados, mas o dólar atual mata", afirmou, em evento com representantes de diversos setores da indústria, no Rio.

Aubert Neto sugeriu que haja um certo controle em relação ao dinheiro que entra no país. Defendendo a manutenção do câmbio livre, destacou que poderiam ser criados mecanismos para evitar a entrada de capital especulativo, como a criação de um regime de quarentena, no qual se criaria uma penalidade para quem movimentasse dinheiro antes de um tempo pré-determinado.

"O que leva o dólar a estar lá embaixo é especulação pura, 90% é especulação. É dinheiro que se pega no Japão a custo zero e é aplicado aqui a 8,75%, sem risco nenhum. Aí, quem aplicou vai embora amanhã, enquanto quem quer construir uma fábrica e gerar emprego, será tributado em 30%", observou.

Para o presidente da Abimaq, o Brasil vive "a grande chance" para que o investimento deslanche e o país tenha um forte desenvolvimento nos próximos anos. A ascensão econômica brasileira estaria condicionada, na opinião do executivo, à redução da carga tributária e da taxa de juros, entre outras medidas.

Com essa espécie de dever de casa feito, lembra Aubert Neto, o país retomaria, em 2011, o nível de investimento recorde observado no ano passado --o equivalente a 19% do PIB (Produto Interno Bruto). Uma taxa de investimento de 22%, patamar que a Abimaq considera o mínimo desejado, só seria alcançada em, pelo menos, cinco anos.

Indústria pós-crise

Luiz Aubert Neto avaliou que, para a indústria, a crise ainda não passou, embora o setor tenha saído do "fundo do poço". Segundo ele, alguns segmento ainda estão na UTI.

Para 2009, a projeção aponta para uma queda em torno de 20% no faturamento global das associadas da Abimaq, que representam 40% do total da indústria.

"Em 2008, havíamos crescido 23%. Para este ano, estávamos estimando uma retração de 30%, mas as condições melhoraram um pouco. No ano que vem, vamos retomar o crescimento, mas ainda longe de 2008", afirmou.


Fonte: Folha Online

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u637949.shtml

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Lula anuncia crédito de R$ 225 milhões para cooperativas de reciclagem

Luminária feitas a partir de bagaço de cana em projeto da Pastoral do Povo de Rua

São Paulo, 2 nov (EFE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje uma linha de crédito de R$ 225 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que será destinada a cooperativas de reciclagem.

Em seu programa de rádio "Café com o Presidente", Lula disse que o crédito estará disponível durante os próximos dois anos e terá como principal objetivo financiar a construção de locais adequados para o processo de reciclagem.

Lula fez um pedido para que os prefeitos formem cooperativas de reciclagem e não entreguem esse trabalho a grandes companhias.

"Se um prefeito resolve acabar com o emprego de 200 ou 300 pessoas que estão na reciclagem para colocar um empresário (no lugar), o que vai acontecer é que em vez de dar salário a 300 estará enriquecendo apenas um", afirmou.

Lula visitou esta semana, em São Paulo, o Congresso de Catadores de Materiais Recicláveis e prometeu ao setor o acesso a carros elétricos que auxiliem seus trabalhos nas ruas, além da regulamentação do ofício através de uma lei específica.

"Essas pessoas estão fazendo um bem extraordinário para a sociedade", destacou Lula.

Ao comentar sua visita ao Salão Internacional do Transporte (Fenatran) também nesta semana, em São Paulo, Lula disse que o país renovará sua frota de caminhões, com veículos "menos poluentes e mais rentáveis".

Um dos estímulos para a renovação da frota de caminhões foi a redução de impostos, de 13,5% para 4,5%, além do aumento do número de parcelas para o financiamento da compra de veículos novos, que passou de 84 para 96 meses.

Esse tipo de medidas, segundo Lula, contribuiu para "reativar o setor automotivo" e para que empresas como a multinacional alemã Mercedes Benz contratasse em outubro 1.300 empregados para sua filial no Brasil, após ter demitido 1.200 funcionários durante o agravamento da crise.

Fonte: UOL Noticias
http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/11/02/ult1808u148678.jhtm

Recuperação do mercado de trabalho nos EUA será prioridade para Obama

Washington, 2 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que a recuperação do mercado de trabalho será o princípio que guiará os esforços de seu Governo para recuperar a economia do país.

Em reunião com sua equipe de assessores para a recuperação econômica, Obama disse que a economia começou a dar sinais de retomada e lembrou que, no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) americano subiu 3,5%.

No entanto, segundo o presidente americano, "ainda não estamos onde deveríamos".

"Dada a gravidade das perdas de emprego e a necessidade de recuperar muitos postos de trabalho, vamos precisar de medidas inovadoras e ousadas de nossa parte, do Congresso e do setor privado", acrescentou Obama.

Para o presidente dos EUA, a recuperação do mercado de trabalho também exigirá a adoção de "novos modelos" para o crescimento futuro.

"Se aplicarmos bom senso e reanimarmos os setores da economia baseados na inovação, no dinamismo e na iniciativa, não há razão pela qual não só possamos criar empregos, mas também o tipo de crescimento sustentado que todos querem", destacou.

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2009/11/02/recuperacao-do-mercado-de-trabalho-nos-eua-sera-prioridade-para-obama.jhtm

domingo, 1 de novembro de 2009

Embraer negocia montagem de aviões médios na China

FÁBIO AMATO
da Agência Folha, em São José dos Campos
RAUL JUSTE LORES
da Folha de S. Paulo, em Pequim

A Embraer está negociando com a China a montagem de aviões maiores naquele país. O objetivo é convencer o governo chinês a concluir a compra de 45 jatos brasileiros, discutida já há mais de três anos, além de garantir a sobrevida da fábrica que a empresa mantém na cidade chinesa de Harbin.

O acordo seria um dos temas da reunião bilateral entre Brasil e China que aconteceria em novembro e que acabou cancelada. O cancelamento adiou os planos da Embraer de garantir presença em território chinês. A empresa espera dar continuidade às negociações no fim do mês, quando uma autoridade chinesa deve visitar o Brasil.

A Embraer monta em Harbin, desde 2003, seus jatos ERJ-145, com capacidade para 50 passageiros. A fábrica surgiu de uma parceria com a estatal chinesa Avic II para atender a encomendas do modelo feitas por empresas aéreas da China.

Desde 2006, a Embraer não registra novas vendas do ERJ-145 para a China. A última encomenda, de 50 unidades do jato, foi feita pela empresa Hainan. Neste ano, porém, a Hainan reduziu os pedidos pela metade -e surgiram rumores de que a fábrica de Harbin pode ser fechada em 2011, quando terminam as entregas.

Para impedir que isso aconteça, a Embraer decidiu oferecer ao governo chinês a montagem no país também dos jatos da família 190, os maiores produzidos pela empresa, com capacidade para até 122 pessoas.

Seriam montadas na China, a princípio, as 45 unidades negociadas há três anos com a chinesa KunPeng. A saída permitiria à brasileira manter presença no disputado mercado chinês. Em previsão divulgada em 2008, a Embraer estimou que, nos próximos 20 anos, a China demandará 875 jatos entre 30 e 120 assentos, o que equivale a 13% do mercado mundial.

Executivos da Embraer mostram preocupação quanto ao futuro da fábrica de Harbin. Em maio, quando o presidente Lula esteve em Pequim, ele conversou com o presidente chinês, Hu Jintao, para tentar destravar a venda dos 45 aviões da Embraer à KunPeng, mas não teve sucesso.

Outro desafio para o produto da empresa brasileira é que a China acaba de lançar um jato de tamanho médio, o primeiro de uma estatal chinesa sem associação com estrangeiros. O ARJ-21 tem dois modelos, com 105 e 90 assentos, que concorrem diretamente com as aeronaves da Embraer.

A pesquisa para a produção do ARJ-21 levou dez anos. Ele começou a ser fabricado no ano passado por uma estatal em Xangai. Já há 210 encomendas para o avião chinês.
"Para estimular a produção local, é claro que a China vai dificultar a entrada de modelos similares médios, o que afeta a Embraer", disse o especialista em aviação comercial Lao Xin, da consultoria KRC.

"Como a China vai levar muito tempo para produzir seus próprios aviões grandes, Boeing e Airbus, que já têm fábricas na China, não são afetadas", diz. A Embraer disse que não comentaria o assunto.

O mercado de aviação chinês é o que mais cresce no mundo. Segundo o consultor Lao Xin, a China irá adquirir mais 3.000 aviões na próxima década.


Fonte: Folha Online - Dinheiro

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u646021.shtml

sábado, 31 de outubro de 2009

UE está cada vez mais próxima do Tratado de Lisboa

30/10/2009 - 21h31
Bruxelas, 30 out (EFE)


Os governantes dos países da União Europeia (UE) aceitaram hoje durante cúpula em Bruxelas ceder às reivindicações do presidente tcheco, Vaclav Klaus, para que ratificasse o Tratado de Lisboa, em um dos passos finais para que o documento finalmente entre em vigor.

Único país que ainda não assinou o tratado dentre os 27 da UE, a República Tcheca ficará isenta da aplicação da Carta Europeia de Direitos Fundamentais, como já tinha sido decidido, por motivos diferentes em cada caso, para Reino Unido e Polônia.

A isenção se dará por meio da peculiar engenharia jurídica comunitária: um protocolo que não será incluído no Tratado de Lisboa - para não reabrir as ratificações já fechadas -, mas em um próximo pacto, pelo qual Croácia ou Islândia devem aderir à UE.

Klaus exigia esta derrogação para neutralizar qualquer hipotética reivindicação dos descendentes da minoria alemã que foi expulsa de território tcheco ao final da Segunda Guerra Mundial.

Hoje, os membros do bloco europeu lembraram nas conclusões da cúpula que os temores de Klaus são infundados porque a Carta não se aplica em tal caso, já que se dirige a "instituições, órgãos e organismos da União" e não aos indivíduos.

Além disso, não é possível criar competências para a UE que não estejam previamente incluídas nos tratados.

Na entrevista coletiva final da cúpula encerrada hoje, o presidente rotativo da UE, o sueco Fredrik Reinfeldt, se mostrou confiante devido à "reação que chega de Praga", de que o presidente tcheco não continuará a obstruir a ratificação.

Com isso, o tratado só ficaria pendente da resposta do Tribunal Constitucional tcheco a um recurso contra a ratificação apresentado por senadores correligionários de Klaus.

O tribunal deve se pronunciar na próxima terça-feira e, em princípio, dará sinal verde ao documento, como ocorreu em todos os países onde os respectivos Judiciários tiveram que analisar a compatibilidade do texto com as leis nacionais.

Reinfeldt prometeu hoje que, assim que isso ocorrer, a Presidência rotativa sueca iniciará rapidamente o processo de consultas rumo à designação dos novos cargos criado pelo Tratado de Lisboa.

Previsivelmente em uma nova cúpula que será realizada em meados de novembro, os 27 países da UE terão que escolher o primeiro presidente estável do bloco, o sucessor do espanhol Javier Solana como alto representante para a Política Externa - com mais poderes - e os membros da nova Comissão Europeia (órgão executivo da UE).

Os primeiros debates realizados sobre o tema na cúpula desta semana revelaram que a candidatura do ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair à Presidência europeia perdeu força, já que seu próprio grupo, o socialista, prefere ficar com o posto de alto representante.

Com a ratificação definitiva do Tratado de Lisboa na República Tcheca ao longo de novembro, o documento pode entrar em vigor já em 1º de dezembro.

Em seguida, o Parlamento Europeu realizaria as audiências e s votações de confirmação da nova Comissão Europeia - incluindo o alto representante, quem também será vice-presidente do órgão -, antes do final do ano.

Entretanto, o Tratado de Lisboa não esclarece qual o tipo de relação e quais tarefas ficarão a cargo do novo presidente estável e do presidente rotativo do Conselho Europeu.

Fonte: UOL Noticias
http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/10/30/ult1808u148600.jhtm

Obama mostra cautela com dados positivos da economia dos EUA

Foto: AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se mostrou neste sábado (31) satisfeito com o crescimento da economia no último trimestre, mas advertiu que o futuro do país ainda é incerto e que o desemprego persistirá.

A Casa Branca anunciou na quinta-feira passada que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,5% nos últimos três meses, depois de quatro trimestres consecutivos de retração que conduziram os EUA à recessão.

Em seu discurso pelo rádio e pela internet de todo sábado, Obama disse que, embora seja boa, a notícia não é motivo de celebração e apenas mostra que o país está no caminho certo.

Obama afirmou que, a partir de sexta-feira, o governo começou a receber informações de que as medidas aplicadas para superar a crise surtiram efeito e já criaram mais de um milhão de empregos.

No momento, segundo números do Departamento do Trabalho, o índice de desemprego é de 9,8%, o mais alto em mais de uma década.

O presidente disse que o crescimento econômico não substitui o aumento das fontes de trabalho.

"E é provável que vejamos uma maior perda de trabalhos nos próximos dias, o que é inquietante para nossa economia e desolador para homens e mulheres que não têm emprego", comentou.

Para Obama, o crescimento econômico é imprescindível para que se recupere o mercado de trabalho e, por isso, "o relatório do PIB é um bom sintoma". O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, advertiu que a recessão continua viva e é grave, apesar das boas notícias.

Obama lembrou as medidas já tomadas para conseguir a recuperação econômica, entre elas investimentos em pequenas empresas e apoio financeiro a bancos e outras instituições como forma de deter a corrente de execuções hipotecárias que desencadeou a crise.

"Evoluímos, mas quero insistir que ainda há muito a progredir. As notícias positivas não significam que não haja dias difíceis no futuro, serão necessários anos para sairmos da crise que hoje enfrentamos", disse.


Fonte: G1 Economia e Negócios

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1362054-9356,00-OBAMA+MOSTRA+CAUTELA+COM+DADOS+POSITIVOS+DA+ECONOMIA+DOS+EUA.html

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

30/10/2009 - 12h47 FMI destaca retorno do crescimento nos EUA, mas sem cantar vitória

ROCCA DI PAPA, Itália, 30 Out 2009 (AFP) - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, destacou nesta sexta-feira o retorno do crescimento nos Estados Unidos, mas advertiu que não se deve cantar vitória, já que a crise só terminará quando cair o desemprego.

"É uma boa notícia, mas penso que não podemos cantar vitória antes da queda do desemprego. Evidentemente devemos comemorar estas boas notícias, mas não devemos concluir que devemos voltar ao 'business as usual'" (agir como de costume)", declarou em uma entrevista coletiva perto de Roma, por ocasião de um congresso sobre o trabalho.

Segundo o diretor-geral do FMI, "a crise só terminará quando o desemprego diminuir e isto levará muitos meses. O crescimento volta, mas a defasagem entre a recuperação do crescimento e a queda do desemprego levará entre 10 e 12 meses".

"Os próximos 12 meses verão uma alta do desemprego, não penso em consequência que se possa dizer que a crise acabou", completou.

"Devemos continuar absolutamente com (as políticas de) apoio à economia", concluiu.

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2009/10/30/fmi-destaca-retorno-do-crescimento-nos-eua-mas-sem-cantar-vitoria.jhtm

30/10/2009 - 13h20 Planos sociais do governo têm combatido assistencialismo, diz ministro

BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, voltou a defender as políticas sociais adotadas no país durante o 4º Seminário sobre Desenvolvimento Econômico que termina hoje no Itamaraty, em Brasília.

Segundo ele, o governo tem combatido, assim, o assistencialismo ao primar pelo atendimento à população de baixar renda como um direito das pessoas com maior vulnerabilidade social.

"Em países como a Áustria, nos países escandinavos, quem ganha menos de um certo nível recebe uma complementação de renda", afirmou, lembrando que não houve críticas a esses programas de proteção social, pois representam, segundo ele, a busca pela igualdade e pela inclusão.

Para Patrus Ananias, à medida que as pessoas e as famílias melhoram as condições de vida os programas sociais irão sendo aperfeiçoados e ampliados.

"Sempre com o objetivo de assegurar uma sociedade que garanta um patamar comum de direito e oportunidades iguais para todos. Não se trata apenas de reduzir a pobreza extrema, que no primeiro momento foi importante." O ministro defendeu ainda que uma criança desde o momento da concepção tenha toda a cobertura social, incluindo mãe e família, como alimento, educação, acompanhamento médico-hospitalar e creche. "O Brasil tem uma dívida social alta. A pobreza vem de longe com herança da escrivadão, da colonização, da brutal concentração de terra e de renda. O que nós estamos fazendo é buscar um equilíbrio que, a meu ver, deve ser muito mais avançado." Patrus Ananias acredita ainda que programas como o Bolsa Família deva continuar, pois sempre existirão pessoas em situações temporárias ou definitivas que precisarão da cobertura do poder público e do Estado. "Aqueles que podem mais dão uma contribuição maior pelo bem comum. Aqueles que não podem vão se preparando para na medida do possível dar a contribuição." (Agência Brasil)

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/valor/2009/10/30/planos-sociais-do-governo-tem-combatido-assistencialismo-diz-ministro.jhtm

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

No dia em que Lula vai a Caracas, comissão do Senado aprova entrada da Venezuela no Mercosul

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
29/10/2009 - 14h30


A Venezuela ficou mais perto de ser admitida no Mercosul nesta quinta-feira (29), dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Caracas para encontros com o presidente Hugo Chávez. A CRE (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional) aprovou o protocolo de adesão assinado em Caracas em julho de 2006 e encaminhado pelo Executivo ao Congresso no início de 2007. A matéria ainda precisa ser votada no plenário do Senado, o que deverá ocorrer na próxima semana.

A questão da entrada da Venezuela no bloco econômico fará parte das conversas entre Lula e Chávez, de acordo com informação do porta-voz da Presidência da República. Na quarta-feira, Marcelo Baumbach disse ainda que o presidente brasileiro estava "confiante" na aprovação do protocolo tanto na CRE como no plenário.

A primeira etapa foi superada nesta quinta, com a aprovação do protocolo por 12 votos a 5. Os senadores acataram um voto em separado apresentado pelo líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), depois que o relatório do tucano Tasso Jereissati (CE), contrário à adesão, foi rejeitado.

O parecer de Jereissati dizia que o presidente Chávez "tem demonstrado pouca consideração a acordos e contratos" e que, por isso, o governo brasileiro poderia enfrentar situações "difíceis e complicadas" no futuro. O texto foi rejeitado com 11 votos 'não', três votos 'sim' e uma abstenção.

No início desta semana, contudo, o senador admitiu que poderia mudar sua posição, caso o governo Hugo Chávez se comprometesse a respeitar a democracia. A possibilidade de acordo foi levantada durante audiência pública em que o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, criticou as restrições à liberdade em seu país, mas defendeu a entrada da Venezuela no bloco, com ressalvas.

À essa altura, governistas já se mobilizavam pela aprovação do protocolo. O voto paralelo de Jucá tinha o apoio de vários integrantes da base, mas alguns ainda se manifestavam contrários à aprovação, como Fernando Collor (PTB-AL). Um dos maiores críticos à adesão da Venezuela, o senador não compareceu à reunião desta quinta.

Em seu parecer, Jucá argumentou que um veto à entrada da Venezuela no Mercosul "representaria um ato de hostilidade do Estado brasileiro contra um país amigo". Afirmou ainda que um veto iria contra a Constituição brasileira, no que se refere à construção do espaço latino-americano de integração e "acarretaria graves consequências para os interesses comerciais, industriais, políticos e estratégicos" do Brasil no bloco econômico.

Jucá ressaltou ainda os prejuízos econômicos da rejeição do protocolo. Segundo o relatório, não aprovar a adesão venezuelana corresponderia a incentivar o sexto maior cliente mundial do Brasil a procurar outros parceiros. "As primeiras vítimas serão nossas exportações, hoje da ordem de US$ 5 bilhões (...) além dos nossos contratos, hoje da ordem de US$ 15 bilhões", afirma o texto.

A mensagem do governo sobre o protocolo também destaca os números que a Venezuela acrescentaria ao Mercado Comum do Sul, que passaria a constituir um bloco com mais de 250 milhões de habitantes, área de 12,7 milhões de km2, PIB (produto interno bruto) superior a US$ 1 trilhão - montante equivalente a cerca de 76% do PIB da América do Sul - e comércio global superior a US$ 300 bilhões.

Jereissati ainda defendeu a não entrada da Venezuela no Mercosul, dizendo que aquele país tem ficado contra os interesses do Brasil em assuntos da região, como durante a crise do gás com a Bolívia. Ressaltou ainda a violação da democracia no país vizinho, com prisão de jornalistas, como fato que contribuiria para a não aceitação.

No início desta semana, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reiterou sua posição contrária à adesão venezuelana, por considerar que ela quebra a cláusula democrática do Mercosul.

Estabelecida por meio do protocolo de Ushuaia, assinado em 1998, a cláusula estabelece "a plena vigência das instituições democráticas" como condição "essencial" para o desenvolvimento do processo de integração entre os Estados parte.

O protocolo de Ushuaia foi citado em voto paralelo apresentado pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) que condicionava a aprovação à adequação venezuelana aos princípios do Mercosul. "Ficamos entre aquela música da novela recente que diz 'você não vale nada, mas eu gosto de você' ou a música do Chico Buarque que diz 'apesar de você, amanhã há de ser outro dia'. Por isso eu voto pela aprovação, mas com ressalvas", defendeu.

Contudo, seu relatório foi rejeitado, assim como o de Jereissati, para aprovação do parecer de Romero Jucá. Na Câmara dos Deputados, o protocolo foi aprovado em dezembro do ano passado, tendo como único partido contrário o PSDB. Outros dois países do Mercosul já aprovaram a entrada da Venezuela no bloco: Uruguai e Argentina. O Paraguai ainda analisa a questão.

Se for aceita por todos os integrantes do bloco, a Venezuela terá de adotar a tarifa externa comum sobre os produtos comercializados. Também terá de aceitar as condições de negociações com países de fora do Mercosul.

Viagem negada

A reunião da CRE começou com um debate acirrado sobre requerimento apresentado pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) para que um grupo de parlamentares fizesse uma viagem a Caracas. Na viagem, seriam averiguadas denúncias de violações aos direitos humanos.

"Uma coisa é discutir o ingresso da Venezuela no Mercosul, outra coisa é saber se tem preso político, gerar toda uma mídia interna em torno disso. Entraremos na briga", afirmou Jucá.

Jereissati manifestou-se a favor da viagem, dizendo que não era possível considerar "irrelevante" uma viagem para "ver o que acontece na Venezuela".

O peemedebista Pedro Simon (RS) disse que a visita deveria ser feita depois da aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul, uma vez que a viagem "não traria novidades". "Eu acredito que quase tudo o que o prefeito de Caracas disse aqui é verdade".

O requerimento foi rejeitado com placar de 10 votos a 8.

O que está em jogo com a entrada da Venezuela

Setores contrários à entrada da Venezuela no Mercosul afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos e que a adesão de seu país pode ser prejudicial ao bloco.

De acordo com analistas consultados pela BBC Brasil, o estilo "personalista" de Chávez pode ser motivo de temor em alguns países da região

No entanto, o argumento dos defensores do ingresso da Venezuela no Mercosul é o de que não se pode impedir a entrada do povo venezuelano no bloco devido à atual circunstância política e que deixar o governo Chávez isolado seria pior.

"O problema não é a Venezuela, todo mundo quer que a Venezuela faça parte do Mercosul. O problema é o governo Chávez", diz Georges Landau, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri)

Fonte: UOL Noticias.

Ingresso da Venezuela no Mercosul deve ser analisado economicamente, diz Miguel Jorge

Defensor da adesão da Venezuela ao Mercosul, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nessa quarta-feira (28) Agência Brasil que a participação dos venezuelanos no bloco tem de ser analisada sob o ponto de vista econômico e não o político. Segundo ele, o Brasil tem um superavit comercial em favor dos brasileiros - com a Venezuela de US$ 5 bilhões.

"Conversei com vários senadores, inclusive da oposição, e pedi que eles tratassem do assunto com os empresários. É muito importante que essa adesão ocorra", afirmou Miguel Jorge, que recentemente levou uma missão de empresários Venezuela, ao Peru e Panamá.

De acordo com o ministro, o comércio bilateral entre o Brasil e a Venezuela envolve aproximadamente US$ 6 bilhões. Mas, para Miguel Jorge, é necessário facilitar ainda mais as negociações a partir da inclusão dos venezuelanos no bloco e, automaticamente, o fim de alguns impostos de produtos incluídos na lista do Mercosul.

A votação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul está marcada para quinta-feira (29) pela manhã na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Parlamentares da oposição defendem que a adesão seja aprovada apenas com garantias de que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, irá obedecer todas as cláusulas democráticas impostas aos integrantes do bloco.

Se um país é aceito como membro efetivo, automaticamente o governo deve seguir todas as normas e regras que estão no Mercosul, disse Miguel Jorge.

Na quinta, durante a discussão sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará a caminho de um encontro com Chávez. Os dois se reunirão, inicialmente, em Caracas e depois na cidade de El Tigre, na Região Oriental venezuelana. Eles vão participar da primeira colheita de soja plantada com o apoio de tecnologia brasileira.


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Internacional
http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=274241&modulo=965

Imagem: Jane de Araújo
http://neccint.files.wordpress.com/2009/09/bandeira_mercosul12.jpg

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Jorge nega que restrição a importações argentinas seja represália

Brasília, 28 out (EFE)

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, confirmou hoje que o Governo brasileiro decidiu exigir licenças não automáticas sobre alguns produtos importados da Argentina, mas negou que se trate de uma represália por medidas semelhantes adotadas pelo país vizinho.

O ministro, em declarações a jornalistas, confirmou que o Brasil começou a exigir desde a semana passada, nas alfândegas, licenças não automáticas sobre a importação de um grupo de produtos argentinos, que não especificou.

"A expectativa é de que as importações argentinas demorem agora um pouco mais (com as licenças não automáticas)", afirmou o ministro, ao ser perguntado sobre as reivindicações do país vizinho pelos caminhões que estão retidos na fronteira.

Até então, as importações vindas do principal parceiro econômico do Brasil no Mercosul entravam no país como se tivessem licenças automáticas e, por isso, a documentação não era exigida nas alfândegas.

A medida é semelhante a uma que a Argentina impõe há pouco mais de um ano sobre vários produtos brasileiros, dos quais exige uma licença não automática de importação antes de entrar no país.

Jorge não esclareceu se as restrições impostas desde a semana passada são aplicadas sobre o mesmo grupo de produtos e não especificou quais artigos argentinos serão afetados pelo estabelecimento das licenças não automáticas de importação, que o Governo brasileiro demora entre 30 e 60 dias a conceder.

Segundo fontes argentinas, a decisão brasileira afeta produtos como alho, vinho, farinha de trigo, azeitonas, azeites e comida para animais.

A restrição brasileira entrou em vigor sem ter sido anunciada publicamente, o que surpreendeu vários exportadores argentinos e o próprio Governo do país vizinho, que convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Mauro Vieira, para explicar a medida.

"Esse tipo de medida nunca é anunciada previamente", disse Jorge.

O ministro esclareceu que a decisão não viola nenhuma regra da Organização Mundial do Comércio (OMC); afirmou que o Brasil apenas pretende fazer uma análise mais profunda do comércio bilateral e negou que se trate de uma represália.

"Não se trata de represália. Não se pode falar de represália", assegurou o ministro, que, no entanto, disse esperar que o Governo argentino reflita agora sobre suas restrições.


http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2009/10/28/jorge-nega-que-restricao-a-importacoes-argentinas-seja-represalia.jhtm

Entrada de dólares supera saída em US$ 12 bi mesmo com IOF sobre estrangeiros

28/10/2009 - 12h56

da Folha Online

O fluxo cambial do país (saldo entre entradas e saídas de dólares) está positivo em US$ 12,84 bilhões no mês de outubro (até o dia 23), informou nesta quarta-feira o Banco Central. No acumulado de janeiro até o dia 23 deste mês, o fluxo é positivo em US$ 21,099 bilhões.

Este mês recebeu grande fluxo de divisas do exterior, entre outros motivos, pelo lançamento de ações do banco Santander no mercado brasileiro. Com a operação, o banco levantou R$ 14 bilhões e atraiu muitos investidores estrangeiros para o mercado brasileiro.

O próprio BC já alertou que o investimento estrangeiro em ações de empresas brasileiras atingiu em outubro o maior valor registrado desde 1947, início da série histórica. A uma semana do fim do mês, o BC já registrou transações superiores a US$ 13 bilhões --mais de 40% do dinheiro direcionado para esse mercado em 2009.

Em 2008, o fluxo cambial estava negativo em US$ 3,177 bilhões, considerando o mesmo período de outubro (16 dias úteis). E considerando o período de janeiro a outubro desse ano, o resultado estava positivo em US$ 14,011 bilhões.

Pela conta comercial (operações de comércio exterior), o saldo está positivo em US$ 820 milhões neste mês de outubro. Pelo lado financeiro, o resultado é positivo em US$ 12,022 bilhões.

Trata-se do primeiro registro após a decisão do governo de cobrar 2% de IOF do capital externo que entra no país para investir em ações ou títulos, medida vigente desde o último dia 17.

No acumulado de janeiro a outubro, a conta comercial acumula saldo positivo de US$ 8,929 bilhões, enquanto a conta financeira tem saldo também positivo, de US$ 12,022 bilhões.

Fonte: UOL economia, 28 de outubro de 2009.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dólar fecha em alta de 1,51% a R$ 1,739


Cautela ditou os movimentos de mercados nos negócios de ontem, num cenário em que os agentes financeiros se questionam sobre a solidez da recuperação da economia americana, numa semana repleta de indicadores e balanços importantes.

Nas últimas operações, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,739, em um acréscimo de 1,51% sobre a cotação final de ontem. Os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,739 e R$ 1,703.

Realização

"Houve um ajuste ontem, acompanhando até mesmo a realização da Bolsa de Valores. E o mercado também está respeitando um certo nível de preços. Houve aquela medida para taxar o capital estrangeiro, mas o próprio governo sabe que teria um efeito apenas pontual, e já sinalizou que pode baixar outras medidas se a taxa cair muito", comenta Ideaki Iha, da mesa de operações da corretora Fair. Ele avalia que os motivos para baixa do dólar continuam: ainda há a expectativa de um fluxo de recursos importante para o país. Iha ressalta que os preços, no entanto, oscilaram muito rapidamente, a reboque da enorme liquidez no mercado internacional depois que os governos das maiores economias despejaram trilhões de dólares no sistema financeiro. "Ainda há um enorme ponto de interrogação . Os bancos americanos lucraram não com operações, mas com arbitragem, em cima de dinheiro dado a custo baixo pelo governo", acrescenta.


Fonte: Caderno Negócios - Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=684081

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O declínio do poder do dólar

Juros baixos e deficit em expansão nos EUA são obstáculos para indústrias estrangeiras

foto-ilustração de Tony Cenicola/The New York Times






Por NELSON D. SCHWARTZ
Paris

Um dos efeitos mais carregados de presságios na atual crise global é que muitos bancos centrais estão repensando o status do dólar como divisa de reserva, segundo especialistas. Isso, somado a fatores como os juros historicamente baixos e a disparada do deficit público federal dos EUA, agrava o declínio da moeda americana.
Em longo prazo, um dólar fraco pode reduzir o antigo deficit comercial dos EUA, ajudando a diminuir a disparidade entre exportações e importações, uma vez que os produtos norte-americanos se tornam mais acessíveis no exterior.

Mas, para quem tenta exportar para os EUA -sejam ternos italianos, vinhos franceses, eletrônicos japoneses ou carne argentina-, isso dificulta os negócios, já que seus produtos se tornam mais caros para os norte-americanos. A queda do dólar é um fator central na recente elevação do petróleo para acima dos US$ 75 por barril, o que significa gasolina mais cara.

Mas há outro lado positivo, ao menos para os norte-americanos: um dólar fraco pode se revelar benéfico para a economia dos EUA ao ajudar indústrias que há muito tempo sofrem, reconstruindo uma base industrial forte e estimulando as exportações, mesmo que isso dificulte a vida de parceiros comerciais de todo o mundo, especialmente da Europa.

"Desde que ele não quebre, um declínio gradual e ordeiro é saudável", disse C. Fred Bergsten, diretor do Instituto Peterson para a Economia Internacional. "O dólar subiu 40% entre 1995 e 2002, então esse é um reequilíbrio necessário."

Mesmo assim, esta tem sido a queda mais rápida do dólar em seis anos; nas últimas semanas, o euro chegou a quase US$ 1,50, contra o US$ 1,25 que valia em março. A libra também avançou, de US$ 1,41 em abril para US$ 1,64 há poucos dias.

A discussão política nos Estados Unidos sobre a trajetória do dólar é acompanhada por um acirrado debate entre economistas.

"A fraqueza do dólar é um grande problema para os empregos e o nível de vida dos norte-americanos", disse David Malpass, economista de Wall Street e grande crítico do declínio da moeda. "Conforme o dólar se desvaloriza, temos menos capital e poder de compra em comparação ao resto do mundo, e há um crescente risco de taxas de juros e inflação mais altas."

Já Bergsten argumenta que o dólar está apenas voltando a ter uma cotação justa diante de outras moedas, se a intenção dos EUA for continuar reduzindo seu deficit comercial.

Com a recente desvalorização, afirmou, o dólar está adequadamente cotado frente ao euro, mas ainda precisa perder 10% diante de moedas asiáticas como o iene para que as empresas norte-americanas concorram em pé de igualdade.

E, apesar de todas as flutuações em relação às principais moedas, o dólar não se mexeu recentemente frente ao yuan chinês, que é administrado por Pequim de modo a permitir que os exportadores chineses aproveitem uma moeda fraca e conquistem mercados globais.

O secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, tem reiterado que o governo é a favor de um dólar forte, mas que os mercados cambiais estão focados na improvável perspectiva de medidas concretas, como uma alta dos juros.

"O governo de Barack Obama pode dizer que quer um dólar forte", disse Neil Mellor, estrategista cambial da BNY Mellon Global Markets, no Reino Unido. "Mas todo o mundo sabe que ele não tem os meios para sustentar isso. O Federal Reserve [Banco Central dos EUA] não pode elevar as taxas [de juros], e a Casa Branca tão logo não pode cortar o deficit orçamentário."

Se o dólar continuar caindo e o euro continuar subindo, isso pode aumentar as tensões comerciais com a Europa, especialmente com grandes exportadores, como a Alemanha, que já foram duramente afetados pela crise global.

"A força do euro está vindo absolutamente na hora errada", disse Jens Nagel, diretor do departamento internacional da Associação dos Exportadores Alemães. "Os EUA são o nosso maior parceiro comercial depois da União Europeia, e isso é um grande golpe para a recuperação das empresas automobilísticas e dos exportadores industriais."
Mellor prevê que o euro chegará a US$ 1,60 até o começo de 2010.

Com a recuperação da economia global e a retomada da produção industrial, as empresas estão priorizando suas fábricas mais competitivas, como as dos EUA, disse Pierre Dufour, vice-presidente-executivo da francesa Air Liquide, fornecedora de gases industriais para siderúrgicas, fábricas de semicondutores e outros gigantes industriais mundiais.

"Isso tem dois lados, como sempre", disse Carl Martin Welcker, dono de uma fábrica alemã de máquinas operatrizes, a Schütte, cujos equipamentos produzem 80% das velas de ignição do mundo. "Por um lado, torna nossas máquinas significativamente mais caras; por outro, estamos vendo companhias internacionais levando sua produção de volta para os EUA, o que ajuda nossas vendas por lá."


Ajuda do governo dos EUA alimentou alta recente em Wall Street

Por GRAHAM BOWLEY

Ao mesmo tempo em que a economia dos EUA continua a enfrentar dificuldades, boa parte de Wall Street está ganhando muito dinheiro -e mais uma vez antevendo bônus polpudos.

Muitos se perguntam como isso pode ser. Como é possível que alguns bancos já estejam prosperando tão pouco tempo após um colapso financeiro, enquanto multidões de americanos temem perder seus empregos e suas casas?

As pessoas talvez se surpreendam ao descobrir que uma das forças mais poderosas que está alimentando a retomada em Wall Street não é formada pelos bancos, mas por Washington. Muitas das medidas tomadas pelos políticos no ano passado para estabilizar o sistema financeiro -a redução dos juros a quase zero, o reforço dos grandes bancos com injeções de dinheiro dos contribuintes, a avalização de bilhões de dólares das dívidas das instituições financeiras- ajudaram a preparar o cenário para esta nova era de riqueza em Wall Street.

Gigantes como Goldman Sachs e JPMorgan Chase estão fazendo fortunas em setores em alta como o comércio de ações e títulos, em lugar de enriquecer concedendo crédito às pessoas. Cada um deles anunciou lucros superiores a US$ 3 bilhões no terceiro trimestre. Além disso, estão lucrando ao assumir mais riscos que concorrentes mais fracos -benefício resultante da concorrência reduzida. Assim, ao mesmo tempo em que os grandes bancos rejeitam propostas de regulamentação maior, Wall Street tem Washington a agradecer, em parte, por sua bonança mais recente.

"Tudo isso é facilitado pelo Fed (Banco Central dos EUA) e pelo governo, que querem que as instituições financeiras voltem a conceder empréstimos", disse Gary Richardson, pesquisador do Birô de Pesquisas Econômicas dos EUA. "Acabamos de mostrar a elas que desembolsaremos trilhões de dólares para protegê-las. Isso me preocupa muito."

Nem todos os bancos estão se saindo tão bem assim. O Citigroup e o Bank of America, cuja sorte está ligada aos altos e baixos dos consumidores comuns, estão lutando para dar uma virada.

Mas o declínio de algumas instituições, ao lado da queda de concorrentes antes fortes como o Lehman Brothers, concentrou o poderio financeiro dos EUA em menos mãos. Agora, os fortes têm poder maior para arrancar mais lucro dos mercados financeiros e para cobrar taxas mais altas.

"Eles podem cobrar mais por seus serviços, porque as empresas precisam de bancos comerciais e bancos de investimento, e há poucos para ajudá-las", disse Douglas Elliott, do Brookings Institution, organização de Washington que analisa políticas públicas.

Agora, o setor conta com novas ferramentas, graças ao governo. Com os juros tão baixos, os bancos podem emprestar dinheiro barato e aplicá-lo de maneiras lucrativas, quer seja para conceder empréstimos a empresas a juros mais altos, quer seja para especular nos mercados. As negociações de renda fixa -uma área que inclui títulos e divisas- vêm sendo especialmente lucrativas.

"Os resultados fortes das negociações lideraram", disse Howard Chen, analista de bancos no Credit Suisse, descrevendo os lucros mais recentes.

Para prevenir um colapso financeiro catastrófico que teria afetado toda a economia, o governo injetou bilhões de dólares nos bancos. Desde então, algumas instituições grandes, como o Goldman e o Morgan, já restituíram ao governo o dinheiro que receberam no pacote de socorro. Mas a maior parte do setor dos bancos ainda goza de outras formas de apoio do governo, e isso vem ajudando a elevar seus lucros.
O Goldman Sachs e seu rival Morgan Stanley foram autorizados a converter-se em holdings bancários à moda antiga. Essa mudança lhes deu acesso a financiamentos baratos do Fed, até então fora de seu alcance.

Esses dois bancos e outros, como o JPMorgan, também foram autorizados a emitir dezenas de bilhões de dólares em obrigações garantidas pela Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC), que segura depósitos bancários. Com a garantia, os bancos puderam contrair os empréstimos em condições vantajosas. É verdade que os bancos também estão se beneficiando da estabilização da economia. "A confiança voltou", disse Shubh Saumya, especialista em serviços financeiros no Boston Consulting Group. "Os banqueiros estão reavendo alguns dos ativos que eles desvalorizaram no ano passado, no meio da crise."

Uma razão importante dos lucros notáveis obtidos pelo Goldman Sachs neste ano é a disposição de seus negociantes em assumir riscos grandes -eles disponibilizaram mais dinheiro, enquanto outros bancos atingidos em 2008 frearam esse tipo de ação.

Executivos dizem que há abismos estratégicos abrindo-se entre bancos de Wall Street, que estão assumindo mais riscos, e outros que estão optando por trilhar um caminho mais seguro.

Mesmo assim, o sucesso recente se limita em grande medida às grandes firmas de Wall Street que trabalham com títulos de crédito. Recentemente, o Citigroup e o Bank of America anunciaram perdas com inadimplências de cartões de crédito e hipotecas -sinal das dificuldades que ainda acometem a população e o setor produtivo dos EUA.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo - New York Times. São Paulo, segunda-feira, 26 de outubro de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2610200901.htm