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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Crise contemporânea do Capitalismo


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Origens da crise e perspectivas futuras

Por Carlos da Silva Costa
Quatro anos após o início da maior crise financeira desde a Grande Depressão, a estabilidade financeira mundial ainda está por ser garantida e muitos desafios políticos continuam a ser enfrentados. De fato:
- A recuperação mundial não está avançando a um ritmo equilibrado;
- Persistem grandes desequilíbrios no mundo;
- Surgiram amplas preocupações quanto à sustentabilidade da dívida pública;
- Vínculos entre os balanços patrimoniais frágeis, de governos e bancos, produziram novas tensões nos mercados financeiros, afetando particularmente a área do euro.
O que aconteceu? As causas da crise financeira mundial são, agora, bem compreendidas.
A partir de meados dos anos 1990, teve início uma década de crescimento econômico sustentado e baixa inflação - um período que tornou-se conhecido como a "Grande Moderação". A globalização favoreceu condições macroeconômicas benignas, criando a ilusão de um novo paradigma na economia. Baixa inflação nos preços ao consumidor aliviou a pressão sobre os bancos centrais - especialmente o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) - no sentido de apertar a política monetária e frear o crescimento do crédito.
Retrospectivamente, fica claro que teria sido mais do que justificado adotar uma "visão prudente"
Ao invés de se traduzir em inflação nos preços ao consumidor, a expansão do crédito decorrente de ampla liquidez e juros baixos resultaram em rápida alta nos preços dos ativos. Em particular, os juros muito baixos nos EUA promoveram rápida expansão do crédito ao consumidor e do financiamento habitacional, alimentando uma bolha imobiliária generalizada.
Falhas de regulamentação e fiscalização ampliaram esses desdobramentos. Na verdade, diversos fatores relevantes explicam a magnitude da bolha financeira e as instabilidades subsequentes:
- Ampla desregulamentação financeira;
- Componentes pró-cíclicos em arcabouços regulatórios;
- E, por fim, a falta de transparência nos mercados.
A acumulação de desequilíbrios na economia americana espelhou o acúmulo de grandes desequilíbrios no mundo. Superávits em conta corrente em países emergentes, principalmente na China, foram investidos em títulos do governo dos EUA e em outros ativos de baixo risco, ampliando mais a liquidez e deprimindo os rendimentos. Isso tem incentivado os investidores a buscar rendimentos mais altos em ativos de maior risco.
Na Europa, o mais significativo foi o surgimento da União Econômica e Monetária (UME), cuja perspectiva de criação fomentou uma rápida convergência das taxas de juro para os níveis vigentes na Alemanha, a partir de meados dos anos 1990.
Os paises aspirantes a membros da zona do euro - especialmente aqueles com piores históricos de estabilidade - beneficiaram-se, inicialmente, de um ciclo virtuoso entre convergência nominal e a perspectiva de participação. Os esforços de consolidação fiscal e inflação mais baixa elevaram a probabilidade de participação na zona do euro (atendendo os critérios de Maastricht). A maior probabilidade de adesão facilitou a estabilidade do câmbio, a convergência dos juros para os níveis mais baixos e a melhoria dos balanços orçamentários.
Resta ver se o novo arcabouço de vigilância vai garantir o bom funcionamento da região
As ordens de grandeza foram notáveis: os juros de longo prazo em Portugal caíram de mais de 12%, em abril de 1995, para cerca de 4% em dezembro de 1998, às vésperas de o país adotar o euro. As despesas com juros caíram para menos da metade, passando de 5,6% do PIB em 1995 para 2,4% em 2005. Evoluções similares ocorreram em outros países, como Itália, Irlanda, Espanha e, com algum atraso, a Grécia.
O alívio nas restrições de liquidez resultou em grande aquecimento no crédito ao setor privado e em menor poupança. O consumo de bens duráveis pelas famílias e os investimentos em habitação dispararam e a alavancagem das empresas aumentou significativamente. Grandes déficits em conta corrente surgiram como contrapartida ao crescimento dos gastos privados.
Esse "novo mundo" de juros baixos e financiamento abundante parecia oferecer um almoço grátis aos países convergentes. Mas surgiram vários desequilíbrios, que assumiram diferentes formas:
- Em países como Portugal ou Grécia, os desequilíbrios fiscais tornaram-se um grande problema. A poupança decorrente de juros mais baixos e de receitas resultantes do crescimento acelerado foi usada para financiar políticas expansionistas. Quando a convergência dos juros foi concluída e o impacto inicial do euro sobre o crescimento desapareceu, ficou evidente a fragilidade das políticas fiscais. Além disso, gargalos estruturais decorrentes de falta de competição e o peso excessivo do setor público contribuíram para a expansão excessiva dos bens não comercializáveis, prejudicando a competitividade e agravando desequilíbrios externos.
- Em países como a Espanha e a Irlanda, as políticas fiscais foram mais prudentes. Mas surgiu uma bolha no mercado imobiliário. Na Irlanda, o setor financeiro inchou.
À medida que a crise financeira começou a manifestar-se, em meados de 2007, e depois progrediu até transformar-se em recessão mundial, a reação das autoridades econômicas em todo o mundo foi disponibilizar enorme volumes de liquidez pelos bancos centrais, paralelamente a uma enorme expansão fiscal, além de os governos terem assumido ou garantido as dívidas dos bancos. O objetivo era atenuar o impacto da crise sobre a produção e o emprego e evitar uma crise generalizada que poderia assemelhar-se à de 1929. A consequência foi uma deterioração no balanço patrimonial do setor público.
As preocupações com a sustentabilidade, especialmente n os países onde a margem de manobra era mais limitada, nos levaram à terceira fase da crise, onde estamos agora: a crise da dívida soberana, que até agora afetou principalmente as economias periféricas da área do euro.
Como explicar o que aconteceu? Como déficits em conta corrente elevados persistiram em alguns países da área do euro sem questionamentos?
Em primeiro lugar, não se pode ignorar que a zona do euro teve um grande impacto sobre a formação de expectativas. Muitos economistas e autoridades afirmavam que os desequilíbrios em conta corrente eram o resultado esperado de uma integração mais profunda entre os países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico. Em uma união monetária, um déficit em conta corrente que reflita o balanço financeiro do setor privado não seria motivo de preocupação. A monitoração do risco de crédito asseguraria adequada determinação do preço de riscos e não haveria desequilíbrio macroeconômico.
Essa visão encontrou apoio em previsões na teoria ortodoxa. Em um modelo neoclássico de crescimento, a queda de juros causada pela redução do prêmio de risco em um país resulta em maior consumo e estimula o investimento. A perturbação inicial também causa o aumento dos preços de bens não comercializáveis (apreciação do câmbio real) e aumento dos salários reais.
O crescimento potencial elevado não se concretizou, pois o boom de investimentos concentrou-se, em grande parte, em investimentos não produtivos (construção civil) e logo foi revertido.
Com efeito, uma explicação alternativa para o ajuste dos países convergentes à UME pode ser obtida com base em um modelo macroeconômico intertemporal clássico. Esse modelo ilustra a importância dos efeitos de substituição intertemporal no consumo que dominou a UME nos primeiros anos. Também nesse modelo, o processo de ajuste, que acaba sendo deflagrado pelo acumulo de dívida externa, é lento e benigno.
De uma perspectiva de política econômica, os pressupostos subjacentes à abordagem benigna revelaram-se irrealistas e ilusórios. Com efeito, o arcabouço conceitual não contempla realidades fundamentais da vida - como complexos mecanismos de formação de expectativas, a possibilidade de inadimplência, a ausência de fricções nos mercados de produtos e de mão de obra ou comportamento fiscal imprudente.
Expectativas otimistas sobre perspectivas de crescimento futuro e miopia, fracas instituições nacionais e fricções reais e financeiras deveriam ter se constituído para intervenção na política econômica visando atenuar o padrão de "expansão acelerada seguida de colapso brusco" decorrente da integração monetária.
Os amortecedores, que levariam ao menor endividamento do setor público e de maior solidez de capital no setor bancário, teriam colocado as economias convergentes em posição mais sólida para enfrentar a crise financeira. Além disso, uma abordagem mais ambiciosa e coerente a uma reforma estrutural teria deixado essas economias melhor equipadas para enfrentar os desafios da globalização e do envelhecimento populacional. Deveríamos inferir que somente a política interna e falhas institucionais devem ser responsabilizadas pela atual situação na Europa?
A resposta é negativa. Embora políticas internas inadequadas e irresponsáveis expliquem onde estamos, é preciso reconhecer que uma arquitetura incompleta para a zona do euro é fundamental para explicar a situação atual.
O modelo de governança econômica da zona do euro repousa em quatro princípios fundamentais:
- Soberania fiscal: os Estados membros mantêm responsabilidade por sua política fiscal, sujeita a regras e procedimentos comuns;
- Inadimplência desconsiderada: a possibilidade de reestruturação controlada de dívida soberana não foi considerada no modelo;
- Socorro desconsiderado: não foi estabelecido nenhum mecanismo de gestão de crises;
- Saída desconsiderada: não é contemplada a possibilidade de um membro abandonar o euro.
Os responsáveis pela elaboração do Tratado de Maastricht estavam conscientes de que não poderíamos depender das forças de mercado para assegurar disciplina e a correção de desequilíbrios. Episódios históricos mostraram que os mercados financeiros tendem a ser lentos e frouxos na penalização de prodigalidade em tempos normais, e podem, repentinamente, virar e deflagrar movimentos exagerados durante crises.
A fim de conter o risco moral e prevenir turbulências, o Pacto de Estabilidade e Crescimento foi acordado como um complemento à arquitetura de Maastricht. O Pacto estabelece regras e procedimentos orçamentários para reforçar a disciplina fiscal em nível nacional. Com o Pacto, pretendeu-se evitar erros graves de política fiscal mediante monitoração e pressão dos Estados-membros, bem como por meio de ameaças de sanções.
No entanto, a implementação do Pacto foi frouxa nos primeiros anos da UME. Tensões surgiram no início de 2000, e em novembro de 2003, quando ações deveriam ter sido tomadas contra a França e a Alemanha, o Conselho Ecofin decidiu não agir, prevalecendo sobre a Comissão Europeia. Essa indisposição para aplicar as regras foi um "pecado mortal": um recado foi enviado aos membros da área do euro, dizendo que o Pacto "não era para valer".
De modo mais geral, eu diria que a débil governança econômica na área do euro teve três consequências importantes:
- Primeiro, políticas fiscais domésticas inadequadas foram toleradas, resultando em situações orçamentárias insustentáveis em alguns países e tensões na condução da política monetária única;
- Segundo, atenção insuficiente a perdas de competitividade e ao acúmulo de desequilíbrios em conta corrente na zona euro;
- Terceiro, e provavelmente mais importante, a correlação entre a capacidade do setor financeiro e dos Estados soberanos de obterem financiamento foi, em larga medida, ignorada.
Por um lado, o mercado para captação de recursos financeiros estava extremamente integrado, na área do euro (isto é, o mercado financeiro de curto prazo e o mercado de dívida soberana); por outro lado, o controle proprietário de bancos e a concessão de crédito pelos bancos continuaram a ser operados em ´âmbito nacional. O fato de o sistema bancário e os Estados soberanos compartilharem as mesmas fronteiras implicava que sua capacidade de tomar empréstimos apoiava-se no mesmo conjunto de fundamentos. Essa interdependência acabou por ser uma importante fonte de risco macrossistêmico na área do euro.
A crise da dívida soberana trouxe para o primeiro plano as falhas na governança econômica da área do euro e expôs a vulnerabilidade dos Estados da área do euro a mudanças na percepção de riscos soberanos nos mercados.
Com efeito, quando um país tem a sua moeda em livre flutuação, uma perda de confiança do mercado traduz-se em uma onda de vendas de títulos, que dispara rendimentos mais elevados e desvalorização cambial, deixando praticamente não afetadas as ofertas monetária e de crédito ao setor privado. Além disso, o banco central nacional funciona como um emprestador de última instância.
Por isso, os investidores não podem precipitar uma crise de liquidez capaz de impor ao país uma posição inadimplente.
Em contraste, para um país pertencente a uma união monetária, uma perda de confiança e a resultante onda de vendas de seus títulos implica não apenas rendimentos mais elevados, mas uma escassez de liquidez, o que pode facilmente transformar-se em problemas de solvência.
A administração de crises pela UE não foi eficaz no sentido de restaurar a confiança do mercado. Embora medidas rápidas e resolutas tenham sido tomadas para fortalecer a arquitetura financeira da UE, a União tem ficado correndo "atrás da curva" no enfrentamento da crise da dívida soberana. Como resultado, o BCE tem sido confrontado com a inevitabilidade de desempenhar um papel corretivo, testando os limites de sua missão.
O que precisamos fazer? Conforme mencionado, as raízes da crise, tanto da crise financeira mundial como de suas ramificações na área do euro, são agora compreendidas.
A questão a considerar, agora, é o que fazer. Medidas devem ser tomadas em nível nacional como no nível da UE. Para serem bem sucedidas, as medidas precisam ser coerentes, tanto no que diz respeito a sua arquitetura como ao momento inaugural de sua vigência.
Em nível nacional, é claro que a prioridade máxima deve ser a restauração da sustentabilidade da dívida pública, aumentando a poupança doméstica e melhorando crescimento potencial nos países impactados pela crise. Essas são as condições para estabilizar a dívida externa e colocá-la numa trajetória descendente. Esses objetivos estão no cerne do programa de assistência financeira recentemente aprovado para Portugal.
Um novo modelo de governança econômica é necessário para assegurar disciplina fiscal, evitar perdas sustentadas de competitividade e estimular a estabilidade financeira. Para esse fim, em outubro de 2010 o Conselho Europeu aprovou as propostas apresentadas por uma força-tarefa especial, coordenada pelo presidente Van Rumpuy, para um novo modelo de governança econômica, que envolverá:
- Um Pacto de Estabilidade e Crescimento reformado, visando melhorar a supervisão das políticas fiscais e aplicar as medidas coercitivas com maior coerência e antecipação;
- Novas disposições destinadas a reforçar arcabouços orçamentários nacionais; e
- Um novo mecanismo de vigilância de desequilíbrios macroeconômicos.
O pacote legislativo que estabelecerá o novo modelo de governança econômica está sendo negociado entre o Conselho e o Parlamento Europeu.
O "Euro Pact +", acordado em março pelos Estados membros da zona do euro e por outros seis países da UE, visa reforçar a coordenação de políticas econômicas. O Pacto concentra-se nas áreas abrangidas por competências nacionais que são fundamentais para melhorar a competitividade e evitar desequilíbrios potencialmente perturbadores.
Resta ver se o novo arcabouço de vigilância que será adotado será suficiente para assegurar o bom funcionamento da área do euro. O BCE enfatizou a importância de assegurar maior automatização na vigilância e em procedimentos de sanções e de incrementar os custos políticos e reputacionais associados a descumprimento.
Os procedimentos de vigilância econômicos e orçamentários reforçados serão complementados por um referencial de regulamentação e supervisão em nível de UE. Cumprindo as recomendações do Grupo de Larosière, foi criado o Sistema Europeu de Supervisão Financeira, compreendendo 1) novas Autoridades Supervisoras Europeias (as denominadas AES, em inglês) para o setores bancário, segurador e para mercados de valores mobiliários e 2) a Diretoria Europeia para Risco Sistêmico (ESRB, em inglês) para cuidar de questões macroprudenciais.
Além disso, um referencial para o gerenciamento de crises inter-nacionais no setor bancário da UE está sendo considerado e um Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, em inglês) - uma linha permanente de prestação de socorro financeiro aos Estados membros da área do euro sujeitos a rigorosas condicionalidades - deverão entrar em vigência operacional no início de 2013. A ESM disporá de uma capacidade efetiva para emprestar €500 bilhões, a ser revista regularmente.
O detalhamento concreto do ESM está sendo negociado, ainda que suas características gerais já tenham sido anunciadas pelo Conselho Europeu. Restam algumas incógnitas, em especial no que diz respeito à amplitude do envolvimento do setor privado: se o ESM deverá agir mais como ferramenta preventiva ou de socorro, e quando podem ocorrer intervenções em mercados primários de dívida. O principal desafio é como evitar que problemas de liquidez temporária se transformem em problemas de solvência e, ao mesmo tempo, minimizar o risco moral implícito em qualquer socorro antecipadamente assegurado.
Outras inovações institucionais foram propostas, entre as quais a eventual criação de eurotítulos, que não foi recebida com entusiasmo por muitos membros da UE. Mas o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e alguns Estados membros demonstraram algum interesse e eu acredito que o debate sobre essa questão está longe de terminado.
Estes são, sem dúvida, tempos desafiadores. A crise mostrou a necessidade de melhor cooperação internacional, melhor governança, supervisão fortalecida dos mercados e maior transparência. Isso é relevante não apenas para governos, mas também para bancos centrais e autoridades supervisoras.
Como bem salientado no relatório de De Larosière, "As autoridades monetárias em todo o mundo e suas autoridades encarregadas de regulamentação e fiscalização financeira podem e devem atuar melhor, no futuro, para reduzir as chances de que eventos como esses se repitam".
(Tradução de Sergio Blum e Sabino Ahumada)
Carlos da Silva Costa, doutor em Economia pela Universidade de Paris, é presidente do Banco de Portugal desde junho de 2010.
Este é o sexto e último de uma série de artigos feitos por renomados economistas brasileiros e estrangeiros convidados pelo Valor para discutir a crise financeira internacional e avaliar seus possíveis desdobramentos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Redução de déficits europeus vai demorar até 20 anos, prevê FMI

MILÂO - A redução do déficit orçamentário na Europa será "extremamente dolorosa" e vai demorar até 20 anos, afirmou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, em uma entrevista ao diário italiano La Repubblica. "O ajuste é mais fácil para países que podem desvalorizar sua moeda. Nos países que não têm essa opção, é legítimo dizer que a redução será extremamente dolorosa", disse Blanchard.

A autoridade do FMI afirmou que o processo vai exigir esforços combinados durante 10 ou 20 anos. No curto prazo, alertou Blanchard, os países terão taxas de crescimento baixas e "sacrifícios sobre salários serão inevitáveis, com o objetivo de recuperar a competitividade".

Falando em termos mais gerais, Blanchard afirmou que os governo da Europa e dos EUA terão de impor cortes nos gastos e aumentos de impostos para colocar as finanças públicas de volta nos eixos, após a crise econômica global.

A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI seguem pressionando a Grécia a controlar sua crescente dívida, enquanto sindicatos gregos preparam greves contra medidas de austeridade. Sob pressão dos 15 parceiros da zona do euro, o governo grego prometeu reduzir seu déficit para 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por meio de cortes dos gastos públicos. As informações são da Dow Jones.


Fonte: O Estado de S. Paulo - Economia

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

No aniversário do programa de estímulo, Obama diz que medida evitou depressão


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o programa de estímulo de seu país, que hoje completa um ano, evitou uma possível depressão econômica.

Em 17 de fevereiro de 2009, Obama assinou no Colorado a lei que autorizou o Governo a usar US$ 787 bilhões para incentivar a atividade econômica.


Diante dos milhões de desempregados, o líder reconheceu que a situação econômica atual "ainda não é de recuperação", mas para a Casa Branca o cenário seria pior sem os estímulos.


Obama enfatizou que o plano criou e evitou a destruição de 2 milhões de empregos no primeiro ano de funcionamento e salvará outros 1,5 milhão de vagas em 2010. "Uma segunda depressão não aconteceu graças ao plano de estímulo", disse Obama, em uma referência à Grande Depressão dos anos 1930.

Atualmente, o desemprego afeta 9,7% da população e o governo prevê que chegue a 10%, em média, neste ano.

Obama pediu ao Congresso que aprove "o mais rápido possível" medidas adicionais para incentivar as contratações e criticou os legisladores republicanos por atacar o programa por motivos políticos. Apenas três republicanos, todos no Senado, votaram a favor do programa, que seu partido criticou e definiu como um desperdício de dinheiro.

John Boehner, seu líder na câmara baixa, afirmou que as "comemorações" pelo plano demonstram que a administração "está isolada da realidade". "O povo americano assumiu uma quantidade recorde de dívida para financiar o estímulo de US$ 1 trilhão dos democratas de Washington e um ano depois a taxa de desemprego da nação está perto de 10%", asseverou Boehner.

Obama também destacou em sua declaração que um terço dos fundos do programa foram utilizados para a redução de impostos de 95% dos americanos. Com isso, tentou refutar a impressão refletida nas pesquisas que a sua administração aumentou tributos. Outro terço do dinheiro do plano é destinado a ajudar os desempregados e assistir aos Estados.

Obama disse que os fundos evitaram o despedido de milhares de funcionários no ano passado, mas reconheceu que em 2010 os governos estaduais poderiam ser obrigados a reduzir seus planos por sua precária situação econômica, o que preocupa a Casa Branca.

O último terço do dinheiro será usado para estabelecer bases econômicas mais robustas, que potencializem as energias alternativas, disse o presidente.

Até agora o governo usou US$ 300 bilhões do programa e pretende fazer novas aplicações, chegando a US$ 551 bilhões até o fim de setembro. Entre os projetos que receberão financiamento em 2010 estão ferrovias de alta velocidade, rede elétrica e a área pesquisa da saúde.


Fonte: Folha OnLine - Dinheiro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Classes A e B são as que mais cresceram na crise, mostra FGV


O conjunto das classes A e B foi o mais atingido pela crise econômica inicialmente, mas também foi o que mais cresceu no ano passado, terminando o ano com renda 2,0% superior a dezembro de 2008. A avaliação é de estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS-FGV), que considerou as seis principais regiões metropolitanas do país. A classe C terminou o ano com redução de 0,4% na renda ante dezembro de 2008. A classe D teve alta de 1,4% e a classe E registrou queda de 1,5% no período.

O economista-chefe do CPS, Marcelo Neri, vê tendência ao crescimento e melhor distribuição de renda este ano. "Existe uma certa tendência à expansão, porque acho que os empresários superestimaram a crise antes", afirmou. A avaliação considera ainda que a base do ano passado é baixa, o que ajuda a ter resultados estatísticos melhores este ano. Além disso, em anos eleitorais, como o atual, é comum que a renda aumente e a distribuição melhore.

Perda de vagas
 
Por outro lado, Neri considerou preocupante a perda de 415 mil empregos no Brasil em dezembro registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Segundo ele, o resultado deve ter tido efeitos negativos na renda em janeiro deste ano, assim como a queda de emprego em dezembro de 2008 fez a crise atingir os bolsos dos brasileiros em janeiro de 2009. "O começo do ano é mais delicado por causa da perda de emprego em dezembro", disse.

Em janeiro do ano passado, todas as classes de renda pioraram significativamente em relação a dezembro nas seis principais regiões metropolitanas. O conjunto das classes A e B caiu 2,7% e a classe C diminuiu 2,2%. As classes mais baixas aumentaram: a classe D subiu 3,0% e a classe E, 6,7%. As classes A e B representaram, no ano passado, quase 16% da população brasileira.

Depois de janeiro, porém, o ano foi de recuperação e terminou relativamente bem em relação a outros países. "A crise no Brasil não foi tsunami nem marolinha, foi uma ressaca pesada em janeiro com recomposição depois", disse Neri. Ele avalia que a crise econômica no Brasil já acabou. 


Fonte: Portal G1 de Notícias - Economia e Negócios

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Espanha assume presidência da UE anunciando nova estratégia econômica

MADRI, 8 Jan 2010 (AFP) - A Espanha assumiu oficialmente nesta sexta-feira a presidência rotativa da União Europeia (UE), e já anunciou que prepara uma "Estratégia Europa 2020" - um plano para tirar o continente da crise nesta nova década, que exigirá mais coordenação entre as políticas dos países membros do bloco. "Definir e aprovar uma estratégia para 2020 (é) a grande questão destes seis meses, (e) a presidência já trabalha nesse principal objetivo", anunciou o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, falando em Madri depois de um encontro com os presidentes permanentes da UE, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que inaugurou a presidência semestral espanhola. Van Rompuy convocou uma cúpula informal para o dia 11 de fevereiro para abordar questões econômicas, em particular dois temas: a crise econômica e as metas para conter o aquecimento global, indicou nesta sexta-feira o presidente do Conselho. Com esta nova estratégia, o objetivo é "garantir uma plena recuperação da União Europeia depois desta crise", segundo Van Rompuy. O novo plano substituirá a Estratégia de Lisboa, aprovada em 2000, uma iniciativa na qual o bloco europeu estabelecia o objetivo de se tornar a economia mais competitiva do mundo em 2010, com uma economia baseada no conhecimento - o que não se tornou realidade. Agora, enquanto o mundo sai pouco a pouco da crise, a UE quer "superar os objetivos a curto prazo relacionados à crise", além de "trabalhar em cima de mudanças estruturais para criar postos de trabalho". "Precisamos de mais crescimento econômico para financiar nosso modelo social e preservar o modo de vida europeu", afirmou o presidente permanente da UE. Neste semestre de preparação da nova estratégia, que Van Rompuy pretende aprovar em junho, haverá "um debate profundo de ideias, mobilizador para a sociedade, as empresas, os sindicatos, as universidades, as pequenas e médias empresas", disse por sua vez Zapatero. A meta é construir uma "economia social de mercado competitiva e sustentável", indicou Barroso, e para isso será necessário "mais pesquisa e desenvolvimento (...), (superar as) limitações do crescimento econômico", entre outros. A Espanha, que ainda está em recessão - enquanto a maioria dos grandes países europeus já conseguiram sair e recuperam aos poucos o crescimento -, quer impulsionar, durante sua presidência, "uma política unida, especialmente na questão econômica", disse Zapatero nesta sexta-feira: um verdadeiro "governo econômico" europeu com mais compromisso e trabalho comum de seus membros para cumprir acordos comuns como a Estratégia 2020. Este discurso, no entanto, pode provocar certa reticência por parte do Reino Unido e de outros países mais liberais, como a Alemanha, ao mesmo tempo em que conta com o apoio de membros como a França.

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/01/08/espanha-assume-presidencia-da-ue-anunciando-nova-estrategia-economica.jhtm

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

OIT: mundo perdeu 20 milhões de empregos

Genebra, Suíça. Desde o início da crise financeira, em outubro de 2008, 20 milhões de postos de trabalho foram fechados. E, apesar de superado o período crítico da crise, outras 5 milhões de pessoas correm o risco de perder o emprego em 51 países. Os dados são do estudo O Trabalho no Mundo 2009 - Crise Mundial do Emprego e Perspectivas, divulgado ontem, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O levantamento revela, ainda, que 43 milhões de pessoas podem abandonar o mercado de trabalho por um longo período, principalmente os trabalhadores com baixa qualificação, jovens, mulheres e idosos. Essas pessoas podem cair no desemprego de longa duração ou abandonar por completo o mercado de trabalho. Segundo experiência de crises passadas, o risco é particularmente grave no caso de trabalhadores pouco qualificados, os imigrantes e trabalhadores com idade avançada, afirma a OIT.

O estudo lista um grupo de países que têm adotado medidas eficazes para preservar os postos de trabalho durante a crise e que seguem o Pacto Mundial para o Emprego, sendo um deles o Brasil. O pacto foi um instrumento adotado, em junho, por governos, sindicatos e empregadores, com a coordenação da OIT, para enfrentar a crise econômica.

A OIT critica a demora da reforma do sistema financeiro e diz ter receio de que a falta de regulamentação signifique o ressurgimento de práticas que provocaram a crise.


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Internacional
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=702741

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Governo não vai salvar a Dubai World

Dubai elaborou planos ambiciosos para o setor imobiliário, mas a crise global afetou todos os setores do País


O governo de Dubai não vai garantir a dívida da Dubai World e os credores serão afetados no curto prazo pela reestruturação do conglomerado, disse, ontem, o diretor-geral do departamento de Finanças do emirado. Abdulrahman al-Saleh acrescentou que a reação do mercado ao anúncio, feito semana passada, sobre os problemas de dívida do Dubai World foi exagerada e não é condizente com a realidade.

"Eu acho que os bancos não estão em uma posição em que necessitem mais liquidez extra do banco central", disse ele à TV Dubai. "Os credores precisam tomar parte da responsabilidade pela decisão de emprestar às empresas. Eles acham que o Dubai World é parte do governo, o que não é correto", completou.

Moratória

Os principais países afetados pela recente crise econômica mundial passaram por um novo susto com o anúncio, na semana passada, de que a Dubai World, o braço de investimentos do emirado de Dubai - um dos sete que compõem os EAU -, vai adiar por seis meses o pagamento de suas dívidas.

As dívidas da empresa totalizam US$ 59 bilhões; o adiamento solicitado deixa o pagamento para maio de 2010. O pedido de prazo também se aplica para as dívidas da Nakheel, uma companhia do setor imobiliário e subsidiária da Dubai World.

No últimos anos, Dubai elaborou planos ambiciosos para o setor imobiliário na expectativa de se tornar um polo turístico no Oriente Médio. A crise global, no entanto, afetou todos os setores de Dubai, onde depois de seis anos de rápido crescimento, a economia despencou desde meados de 2008 e o mercado imobiliário nos Emirados foi fortemente atingido, com queda nos preços dos imóveis.

No último domingo, o banco central dos EAU (Emirados Árabes Unidos) ofereceu ajuda emergencial aos bancos, acrescentando que continuará monitorando a situação. Sem mais detalhes, em nota a instituição informa que a autoridade monetária do país dará suporte aos bancos e que o sistema bancário dos EAU está mais sólido e líquido hoje do que há um ano. O FMI disse ter recebido bem a decisão do BC dos EAU.

Reestruturação

A Dubai World anunciou na madrugada de terça-feira (horário local) a reestruturação de algumas de suas companhias, entre elas o gigante imobiliário Nakheel, com a possibilidade de incluir a venda de patrimônio. Segundo o conglomerado, a reestruturação envolverá cerca de US$ 26 bilhões em dívidas, das quais US$ 6 bilhões relacionadas a sukuks (títulos islâmicos) da Nakheel.

Mercado

As Bolsas americanas fecharam com ganhos ontem, influenciadas por bons dados macroeconômicos no país, mas passaram quase todo o pregão próximo da estabilidade devido aos temores ainda remanescentes da moratória da dívida da Dubai World.


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Negócios
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=699457

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dubai pede prazo para pagamento de dívida de US$ 59 bilhões

da BBC Brasil

A empresa de investimentos estatal de Dubai, a Dubai World, pediu nesta quinta-feira aos seus credores um prazo de seis meses para pagar as dívidas relacionadas ao rápido desenvolvimento do emirado.

As dívidas da empresa totalizam U$59 bilhões --uma dívida que a companhia pretende pagar até maio de 2010. O pedido de prazo também se aplica para as dívidas da Nakheel, uma companhia do setor imobiliário e subsidiária da Dubai World.

A empresa ainda indicou o grupo de contabilidade Deloitte LLP para ajudar na reestruturação financeira da Dubai World, fortemente afetada pela crise econômica global.

A crise afetou todos os setores de Dubai, onde depois de seis anos de rápido crescimento, a economia despencou desde meados de 2008 e o mercado imobiliário foi fortemente atingido, com queda nos preços dos imóveis.

Dubai é um dos sete emirados semiautônomos que formam os Emirados Árabes Unidos.

Segundo analistas, o governo está pagando o preço por um modelo econômico exibicionista, centrado no capital estrangeiro e em projetos gigantescos de construção.

Alguns especialistas especulam que o emirado pode ser voltar a Abu Dhabi, que tem uma economia mais conservadora, para pedir ajuda financeira.

O anúncio da Dubai World foi feito na véspera do festival muçulmano Eid al-Adha, que implica no fechamento temporário de diversas empresas e agências do governo até 6 de dezembro.


Fonte: Folha Online - BBC Brasil

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u657749.shtml

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

30/10/2009 - 12h47 FMI destaca retorno do crescimento nos EUA, mas sem cantar vitória

ROCCA DI PAPA, Itália, 30 Out 2009 (AFP) - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, destacou nesta sexta-feira o retorno do crescimento nos Estados Unidos, mas advertiu que não se deve cantar vitória, já que a crise só terminará quando cair o desemprego.

"É uma boa notícia, mas penso que não podemos cantar vitória antes da queda do desemprego. Evidentemente devemos comemorar estas boas notícias, mas não devemos concluir que devemos voltar ao 'business as usual'" (agir como de costume)", declarou em uma entrevista coletiva perto de Roma, por ocasião de um congresso sobre o trabalho.

Segundo o diretor-geral do FMI, "a crise só terminará quando o desemprego diminuir e isto levará muitos meses. O crescimento volta, mas a defasagem entre a recuperação do crescimento e a queda do desemprego levará entre 10 e 12 meses".

"Os próximos 12 meses verão uma alta do desemprego, não penso em consequência que se possa dizer que a crise acabou", completou.

"Devemos continuar absolutamente com (as políticas de) apoio à economia", concluiu.

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2009/10/30/fmi-destaca-retorno-do-crescimento-nos-eua-mas-sem-cantar-vitoria.jhtm

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Crescimento chinês volta a acelerar e PIB avança 7,9% no 2º tri

Um trabalhador da construção cruza uma rua no distrito de negócios de Shenzhen na China

PEQUIM - A economia chinesa cresceu 7,9% no segundo trimestre de 2009, uma alta de 1,8 ponto percentual em relação ao anterior. O Produto Interno Bruto (PIB) do país 6,1% no primeiro trimestre de 2009 , 6,8% nos últimos 3 meses de 2008, e 9% no terceiro trimestre daquele ano.

Segundo dados apresentados nesta quinta-feira, 16, pelo Birô Nacional de Estatísticas (BNE) chinês em entrevista coletiva, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado na primeira metade do ano chegou a 13,98 trilhões de iuans (US$ 2,04 trilhões), o que representa um aumento de 7,1% em relação ao mesmo período de 2008.

O comércio exterior chinês, um dos pilares da economia do país asiático, caiu 23,5% no primeiro semestre do ano em comparação com o mesmo intervalo de tempo do ano passado, para US$ 946,1 bilhões, por causa da crise econômica global.

Segundo o porta-voz do BNE, Li Xiaochao, as exportações sofreram uma diminuição de 21,8%, até US$ 521,5 bilhões, enquanto as importações tiveram queda de 25,4%, para US$ 424,6 bilhões.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) chinês perdeu 1,1% ao longo do semestre. Só em junho, a queda foi de 1,7%.

O que garantiu a retomada do crescimento chinês, segundo o governo, foi a expansão da demanda doméstica, com o aumento das vendas das propriedades e de automóveis.

O porta-voz do BNE acrescentou que a demanda externa permanece fraca e que o lucro das empresas em algumas indústrias e companhias estão caindo. Li advertiu também para a situação do emprego, que ainda enfrenta fortes pressões. Ele disse, entretanto, que o governo vê alguns sinais "ativos" ou desdobramentos positivos na criação de novos empregos durante o primeiro semestre.

Li afirmou ainda que a China utilizará a crise financeira global como uma chance para reestruturar sua economia. Li observou que o aumento nos preços das commodities internacionais tem impacto nos preços locais na China e que o governo monitora de perto a movimentação interna dos preços.

Segundo Li, tanto a inflação quanto a deflação podem afetar negativamente o saudável desenvolvimento da economia chinesa. O governo monitora também o aumento no crédito, disse Li, acrescentando que algumas indústrias operam com capacidade excedente. Analistas estão preocupados com a possibilidade de a expansão da liquidez em meio a recuperação econômica do país possa trazer aumento das pressões inflacionárias e criar bolhas no mercado acionário e imobiliário.

A renda per capita da população urbana chinesa cresceu 9,8% durante o semestre e chegou aos 8.856 iuans (US$ 1.296), enquanto a da população rural, que representa mais de 60% do país, aumentou 8,1%, até os 2.733 iuans (US$ 400).


Fonte: Estadão
http://www.estadao.com.br/noticias/economia,crescimento-chines-volta-a-acelerar-e-pib-avanca-79-no-2-tri,403559,0.htm
Imagem: Bobby Yip/ Reuters

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Fed diz que fim de recessão pode estar perto


Washington, 15 jul (EFE).- A recessão que começou nos Estados Unidos em dezembro de 2007 pode estar perto do fim, mas a recuperação, provavelmente, será muito lenta e as dificuldades para encontrar emprego podem durar anos, disse hoje o Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

A entidade divulgou hoje um resumo do que foi discutido nos dias 23 e 24 de junho, durante a reunião de seu Comitê de Mercado Aberto.

"A maioria dos participantes (na reunião) considerou que a economia ainda está bastante frágil e é vulnerável a futuros transtornos adversos", informaram as atas.

"Embora as condições do mercado financeiro tenham melhorado, o crédito continua sendo restrito em muitos setores", acrescentou.

Os responsáveis pela política monetária dos Estados Unidos debateram intensamente sobre a compra de mais bônus do Tesouro como parte de seu plano para manter baixos os juros a longo prazo.

Desde o fim do ano passado a autoridade monetária mantém a taxa básica de juros, de curto prazo, entre 0% e 0,25%.

O Comitê chegou à conclusão de que o melhor era manter sem mudanças o programa de compra de bônus do Tesouro e dívida hipotecária.

"Embora uma expansão destas compras possa dar um apoio adicional à economia, os efeitos de compras mais amplas de ativos, especialmente de títulos do Tesouro, sobre a economia e as expectativas de inflação são incertos", segundo as minutas.

Os presidentes do Fed se preocupavam com que o gasto dos consumidores pudesse voltar a cair assim que se dissipassem os benefícios temporários dos cortes de impostos incluídos no pacote de US$ 787 bilhões aprovado pelo Congresso e promulgado pelo presidente Barack Obama em fevereiro.


Fonte: Yahoo! Notícias
http://br.noticias.yahoo.com/s/15072009/40/mundo-fed-diz-recessao-perto.html
Imagem: RTP - Rádio e Televisão de Portugal
http://www.rtp.pt/homepage/

sábado, 11 de julho de 2009

Obama nega que EUA precisem de novo pacote de estímulo econômico

Presidente pediu que povo tenha paciência com plano de recuperação.
Segundo ele, plano deve trazer resultados em 2 anos, não em 4 meses.


O presidente norte-americano, Barack Obama, rejeitou a ideia de que o país precise de um segundo pacote de estímulo econômico para sair da recessão e pediu que a população tenha paciência com o plano de recuperação. O presidente fez a declaração em seu programa semanal por rádio e internet.

Obama tem enfrentado fortes pressões políticas da oposição. Os republicanos já dizem que o plano de estímulo de US$ 787 bilhões (R$ 1,5 trilhão) fracassou.

"Precisamos deixar que o plano atue do jeito que deve, entendendo que, em qualquer recessão, o desemprego tende a diminuir mais devagar de que outros índices da atividade econômica", disse Obama, criticando os republicanos por fazerem oposição sem oferecer alternativas para o país. "O plano não foi desenhado para quatro meses. Ele foi desenvolvido para trabalhar durante dois anos."

Desde que o estímulo foi aprovado, a economia norte-americana perdeu mais de 2 milhões de empregos, e o desemprego atualmente é mais alto de que a Casa Branca previa que atingiria mesmo sem o pacote econômico.

A mensagem do presidente havia sido gravada anteriormente, já que ele se encontra em visita oficial a Gana, onde defendeu a relevância internacional do continente africano.


Fonte: Portal G1 de Notícias
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1226307-9356,00.html
Crédito da foto: Cancro - Área de Projecto
http://cancro-ap.blogspot.com/

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mantega espera crescimento de 3% a 4% para o País no último trimestre do ano




Ministro diz que BRICs devem comandar crescimento mundial, e admite que o Brasil pode ter sofrido recessão técnica


SÃO PAULO - A economia brasileira deverá apresentar crescimento entre 3% e 4% no último trimestre do ano frente ao mesmo período de 2008, foi o que declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante uma palestra no Fórum Nacional, nesta segunda-feira (18).

"A partir de março, já há sinais de recuperação no Brasil, estamos detectando alguns sinais de melhoria na economia brasileira", afirmou o ministro que, durante seu discurso, destacou sinais de recuperação na economia internacional e, principalmente, no Brasil, como a elevação no preço das commodities e dos níveis de crédito, a queda nas taxas de juros e o retorno da captação externa.

O ministro ressaltou ainda que o alto patamar das reservas internacionais, a posição de credor líquido em dólares e a inflação controlada deram condições ao governo de tomar medidas para amenizar os impactos da crise, como a redução dos depósitos compulsórios dos bancos, o corte da taxa de juros e a redução de impostos para o setor produtivo.

De acordo com Mantega, os países que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) terão oportunidade de comandar o crescimento mundial nos próximos anos. "A crise financeira vai acelerar mudanças que já estavam em curso na economia mundial", afirmou o ministro.

Recessão técnica

Ao falar sobre a economia brasileira, o ministro admitiu que ela pode ter sofrido uma recessão técnica no primeiro trimestre do ano. "Provavelmente houve recessão técnica, ainda não temos o dado oficial, só poderemos saber no dia 9 de junho. (...) Se houve ou se não houve, que importância tem? Sabemos que o último trimestre do ano passado foi fraco e o primeiro trimestre também foi fraco, mas o segundo trimestre já está retomando", declarou.

Fonte: http://dinheiro.br.msn.com/financaspessoais/noticia.aspx?cp-documentid=19853418
Crédito da foto: Jornal do ABC Paulista - http://dinheiro.br.msn.com/financaspessoais/noticia.aspx?cp-documentid=19853418


sexta-feira, 24 de abril de 2009

BC já emprestou US$ 23 bi das reservas a empresas, diz Meirelles

O Banco Central já emprestou US$ 23 bilhões das reservas internacionais do país a empresas durante a atual crise, informou nesta sexta-feira o presidente da instituição, Henrique Meirelles.

Ele acrescentou que, desse montante, US$ 10 bilhões já foram pagos. Segundo os dados mais recentes do BC, as reservas internacionais brasileiras somavam US$ 201,3 bilhões em 22 de abril.

Meirelles informou, ainda, que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) cogita estender linhas de crédito para outros países, além da Argentina.

O presidente do BC reafirmou que é "intrigante" o fato de os economistas baixarem seguidamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país e não reduzirem na mesma proporção a previsão de inflação.

O BC consulta semanalmente cerca de cem instituições financeiras que atuam no país para saber o que elas prevêem para os principais indicadores econômicos.

Há sete semanas, os analistas ouvidos previam que o PIB brasileiro cresceria 1,5% neste ano; hoje, a projeção é de retração de 0,49%. Para a inflação, a estimativa para 2009 caiu de 4,66% para 4,23% no mesmo período.

Meirelles disse, ainda, que o Brasil sairá mais forte da crise.

(Com informações da Reuters)

Fonte: http://economia.uol.com.br/ultnot/2009/04/24/ult4294u2511.jhtm

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Reunião do G20 anuncia novas medidas


Líderes das maiores economias do mundo decidiram destinar US$ 1 trilhão para combater crise.

Os líderes das maiores economias do mundo, reunidos na cúpula do G20, em Londres, chegaram nesta quinta-feira a um acordo sobre medidas para combater a crise financeira mundial.

No encontro, ficou decidido que serão destinados mais de US$ 1 trilhão para combater os efeitos da crise, sendo US$ 750 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e US$ 250 bilhões para impulsionar o comércio global.

Além da injeção de recursos financeiros, os líderes também concordaram com outros pontos, como a imposição de sanções a paraísos fiscais, a necessidade de concluir a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial e de denunciar países que adotem medidas protecionistas.

O que os líderes reunidos na cúpula do G20 decidiram?

Os líderes dos países do G20 decidiram triplicar para US$ 750 bilhões o volume de recursos disponível para o FMI, órgão que ajuda países em dificuldade. Esse montante inclui US$ 250 bilhões em SDR (Special Drawing Rights, ou Direitos Especiais de Saque).

Também serão destinados US$ 250 bilhões para ajudar a conter os efeitos da contração no comércio mundial e combater o protecionismo.

Os líderes concordaram ainda com novas medidas duras para regular as instituições financeiras, incluindo sanções contra paraísos fiscais que soneguem informações.

Qual será o efeito real das medidas anunciadas?

Há algum dinheiro novo, mas não tanto quanto parece. A maior parte dos US$ 250 bilhões para estimular o comércio mundial virá de programas já existentes, e apenas US$ 50 bilhões deverão ser destinados a países pobres.

A reforma do sistema financeiro será importante, mas somente para a próxima crise.

As medidas vão restaurar a economia mundial?

Sozinho o novo acordo terá apenas um efeito limitado sobre a crise econômica mundial. Somente parte do dinheiro destinado ao FMI será emprestado, e terá de ser pago com juros.

O mais importante é saber como os países continuarão a incentivar suas economias por meio de estímulos fiscais. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que era o anfitrião da cúpula do G20, disse que "estamos no meio de uma expansão fiscal que verá, até o final do próximo ano, uma injeção de US$ 5 trilhões em nossas economias".

Além disso, ainda é preciso consertar o sistema bancário, especialmente nos Estados Unidos.

O que ficou de fora das medidas definidas na cúpula de Londres?

Houve pouca discussão sobre questões como as cotações em baixa do dólar e da libra, que preocupam alguns países.

A discussão da proposta feita pela China de uma nova moeda internacional foi adiada.

Também não foi mencionada a questão dos desequilíbrios globais, por exemplo, a necessidade da China de gastar mais e dos Estados Unidos de economizarem mais, que alguns analistas acreditam estar na origem da atual crise global.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1071156-9356,00-ENTENDA+AS+MEDIDAS+ANUNCIADAS+NA+CUPULA+DO+G.html
Imagem: http://g1.globo.com/Noticias/0,,GF69645-9356,00-VEJA+FOTOS+DA+CUPULA+DO+G+EM+LONDRES.html

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A transição para a sustentabilidade


Jeffrey D. Sachs

© Project Syndicate, 2008. www.project-syndicate.org




A crise económica global vai acompanhar-nos durante
uma geração, e não apenas durante um ano ou dois anos,
porque na realidade é uma transição para a sustentabilidade.


...
A crise económica global vai acompanhar-nos durante uma geração, e não apenas durante um ano ou dois anos, porque na realidade é uma transição para a sustentabilidade. Nos últimos anos, a escassez das matérias-primas primárias e os danos das alterações climáticas contribuíram para a destabilização da economia mundial que resultou na actual crise. A subida dos preços dos alimentos e dos combustíveis e os grandes desastres naturais ajudaram a minar os mercados financeiros, o poder de compra das famílias e mesmo a estabilidade política.
...
Assim, para ultrapassar esta crise os países desenvolvidos e em desenvolvimento devem assumir políticas de construção de infra-estruturas ajustadas ao século XXI. Estas incluem redes eléctricas eficientes alimentadas por energias renováveis, redes de fibra e sem fios que transmitam a ligação telefónica e a banda larga de Internet, sistemas de água, irrigação e saneamento que usem e reciclem de forma eficiente a água potável, sistemas de transportes urbanos e inter-urbanos; auto-estradas mais seguras; e redes de protecção de áreas naturais que conservem a biodiversidade e os habitat de espécies ameaçadas.
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Estes investimentos são necessários no curto prazo para anular a queda dos gastos de consumo a nível mundial, que está na base da recessão global. Mais importante, são necessários no longo prazo porque um mundo cheio com 6,8 mil milhões de pessoas (e continua a aumentar) não pode, simplesmente, sustentar o crescimento económico a não ser que adopte tecnologias sustentáveis que economizem os escassos recursos naturais.
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Na prática, a crise global significa que os investimentos sustentáveis estão a ser reduzidos, em vez de aumentados no mundo em desenvolvimento. À medida que se perde o acesso a empréstimos bancários internacionais, a emissão de obrigações e ao investimento directo estrangeiro, os projectos de infra-estruturas previstos estão a ser adiados, ameaçando a estabilidade política e económica de dezenas de países em desenvolvimento.
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De facto, em todas as partes do mundo há importantes investimentos em infra-estruturas que estão atrasados. Chegou a hora de fazer um esforço global concertado para realizar esses projectos. Não é algo fácil de fazer. A maioria dos investimentos em infra-estruturas requerem a liderança do sector público para criar parcerias com o sector privado. Normalmente, o sector público realiza acordos com as empresas privadas não só para construir as infra-estruturas mas também para as explorar como um monopólio regulado ou em regime de concessão.
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Em geral, falta aos governos capacidade técnica para desenvolver estes projectos, criando as condições para o favoritismo e a corrupção na concessão de contratos importantes. É provável que estas acusações sejam lançadas contra os governos mesmo quando não são verdadeiras. No entanto, com demasiada frequência elas são verdadeiras. Assim, o atraso destes projectos está a provocar estragos na economia mundial. As maiores cidades do mundo são uma combinação de trânsito e poluição. A atmosfera está cheia de gases que provocam o efeito de estufa devido a intensa utilização de combustíveis fosseis. A escassez de água está a afectar praticamente todos os centros económicos importantes, desde a América do Norte à Europa, Índia e China.
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Os governos deviam, assim, reforçar os seus ministérios de infra-estruturas (incluindo energia, estradas, água e saneamento, e tecnologias de informação e comunicação), bem como os seus bancos nacionais, de forma a que estes possam desenvolver projectos e programas de infra-estruturas de longo prazo. A capacidade de contrariar a crise de forma construtiva através da criação de parcerias público-privadas vai determinar o sucesso dos países e das regiões. É interessante que os Estados Unidos estejam, pela primeira vez, a ponderar criar um Banco Nacional de Infra-Estruturas.
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Ainda assim, os conselheiros económicos norte-americanos e europeus acreditam que um intenso e curto estímulo é suficiente para repor o crescimento económico. Estão equivocados. O que será necessário é uma revisão da economia mundial no sentido da sustentabilidade.
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Além disso, os decisores políticos dos países ricos acreditam que podem continuar a negligenciar o mundo em desenvolvimento ou deixá-los abandonados à sua sorte nos mercados globais. Isto é também uma receita para o fracasso e, mesmo, para futuros conflitos.Os países desenvolvidos têm que fazer muito mais para ajudar os países pobres na sua transição para a sustentabilidade. Apesar de até agora a maior parte da legislação de "estímulo" ser de curto prazo e virada para dentro, o aumento do financiamento para estruturas sustentáveis em países pobres deveria dar um poderoso impulso às economias dos países ricos.
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Os países desenvolvidos deveriam canalizar poupanças para os países em desenvolvimento de forma a financiar investimentos sustentáveis. Isto pode ser feito directamente ou numa base bilateral. Por exemplo, através de empréstimos de longo prazo das agências de crédito à exportação dos países desenvolvidos. Pode ainda ser feito de forma multilateral, aumentando os fluxos de investimento em infra-estruturas do Banco Mundial e dos bancos de desenvolvimento (incluindo o Banco de Desenvolvimento Inter-Americano, o Banco de Investimento Europeu, o Banco de Desenvolvimento Africano e Banco de Desenvolvimento Asiático). Ambos os canais podem ser usados.
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Os países desenvolvidos também não reconhecem que um aumento do financiamento em infra-estruturas sustentáveis no mundo em desenvolvimento - especialmente de transmissão e geração de energia sustentável - é impossível chegar a um acordo global sobre as alterações climáticas no final deste ano (ou em qualquer altura).
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Os países ricos de alguma forma esperam que os países pobres restrinjam os uso de combustíveis fósseis sem ajudas significativas ao financiamento de novas e sustentáveis fontes de energia. Em quase todas as propostas dos países ricos sobre metas, limites, compromissos e licenças de dióxido de carbono, dificilmente existe uma palavra para ajudar os países pobres a financiarem a transição para tecnologias sustentáveis.
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A cimeira do G20 em Londres oferece a esperança de que é possível um verdadeiro esforço global para reparar a queda da economia mundial. Este é o tempo e o lugar para lançar um impulso mundial no sentido da sustentabilidade. Se falharmos neste objectivo, a crise colocará o mundo em perigo durante muitos anos.

FONTE: