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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A solução China para a crise econômica

VINICIUS TORRES FREIRE

A China pode comprar a Grécia


Reservas chinesas poderiam "resolver" crise; mas China teria de mandar no mundo e poupar menos

E SE A CHINA comprar a Grécia? O que aconteceria se a China incorporasse a Grécia como sua província mais ocidental?
A dívida grega desapareceria no mar de haveres chineses. Assim desapareceria um fator imediato do tumulto mundial. No limite, a megapoupança chinesa poderia resolver grande parte dos problemas financeiros do mundo.
Parece piada, se a coisa é posta nesses termos. Mas não se trata mais de piada, e os termos não são muito diferentes do absurdo.
Rumor ou não, ontem "os mercados" se acalmaram depois de ouvir que a Itália foi pedir um dinheiro à China, segundo o "Financial Times".
A Itália está no bico do corvo. Paga juros cada vez mais altos para rolar sua dívida. Ontem, teve um dia de cão pegando dinheiro caro com seus credores. Os credores cobram juros maiores porque, acham, subiu o risco de a Itália dar calote (o país deve muito e "ganha pouco": seu PIB cresce pouco).
Caso aparecesse um credor rico e disposto a não esfolar a Itália, os italianos respirariam melhor. Aumentaria a procura pelos títulos da dívida italiana, que subiriam de preço, o que significa queda de juros.
Os chineses já deram uma ajuda a Portugal, à Espanha e à Grécia, comprando títulos da dívida desses países (isto é, tornou-se credora deles). Foi um auxílio muito marginal, mas colocou água na fervura de alguns dias de crise.
Mas volte-se à fábula greco-chinesa. Para melhorar a história, note-se que não vale a pena comprar a Grécia. A dívida grega equivale a 160% do PIB (PIB: a renda da atividade econômica de um ano). O país está em recessão faz três anos, deve encolher 5% em 2011 e paga juros de 20% ao ano para dívidas de dez anos de prazo. Mau negócio.
Melhor seria comprar a dívida grega, que paga juros altos. Mesmo se os chineses cortassem os juros gregos a um quinto do que são hoje, ganhariam o dobro do que recebem aplicando em dívida dos EUA.
A Grécia pode calotear, decerto. Mas, "na margem", "aos pouquinhos", vale a pela colocar parte do dinheiro em aplicação de risco. Se a China aplicasse uns trocados das suas reservas de trilhões de dólares em Grécia, Portugal, Espanha e Itália, o mundo mudaria.
Para continuar a levar a hipótese ao absurdo, mas não muito: para investir na Europa, a China teria de desinvestir nos EUA. Os juros talvez subissem um pouco nos EUA.
Mas o mundo ficaria mais estável. Mais importante, a fábula greco-chinesa indica um problema central da economia: o excesso de poupança chinesa e o consumo excessivo do mundo rico ocidental: o "grande desequilíbrio".
Os EUA (e parte da Europa) viveram uns 20 anos à base de bolhas financeiras, que sustentaram o endividamento de famílias que ganham mal ou que têm trabalhos cada vez piores (quando têm), na média, pois muito emprego migrou para regiões mais produtivas (como China e vizinhos) e a desigualdade aumentou nos EUA.
Um começo de solução da crise é a China assumir parte do planeta, poupar menos e permitir que seu povo consuma mais. Que a finança do Ocidente seja domada. Que o Ocidente rico consuma menos e/ou redistribua melhor sua renda interna. Mas tudo isso é política pesada: não acontecerá tão cedo, se acontecer.

vinit@uol.com.br 


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me1309201108.htm

sábado, 23 de abril de 2011

Crescimento e diferenças na China

  • 23/04/2011

    Com o crescimento da diferença de renda na China, tumbas são alvo

    The New York Times
    Sharon La Franiere
    Em Chegdu (China)

    Homem limpa tumba de mármore que possui três níveis no cemitério Changsongsi, na China
    Homem limpa tumba de mármore que possui três níveis no cemitério Changsongsi, na China
Desde quando Deng Xiaoping sinalizou em 1978 que não era ruim ficar rico, grande parte da China pareceu voltar-se para essa meta. Mas alguns governos estaduais gostariam que aqueles que tiveram sucesso não ficassem acima dos outros, ao menos no que diz respeito às últimas homenagens.

Desde o mês passado, os cemitérios desta megalópole montanhosa no Centro-sul da China, os enterros modestos estão em voga. As tumbas rebuscadas estão fora.

Os lotes para cinzas são limitados a 1,5 metro quadrado e as lápides não podem ter mais que 1 metro, apesar de não estar claro se este limite será fiscalizado.

Aqueles que vendem lotes de tamanho superior foram advertidos de multas severas, até 300 vezes o preço do lote.

“Pessoas comuns que passam e vêem essas tumbas luxuosas podem não conseguir segurar suas emoções”, disse Zheng Wenzhong, quando visitou o local de descanso relativamente modesto de um parente no cemitério do Templo da Lamparina Acesa.

Isso é aparentemente o que muitas autoridades temem. Após um quarto de século no qual a distância entre ricos e pobres aumentou gradativamente, os excessos dos abastados são cada vez uma preocupação do governo chinês.

A desigualdade de renda na China, pelo padrão chamado coeficiente Gini, agora está comparável à de alguns países da América Latina e África, de acordo com o Banco Mundial. Justin Yfu Lin, economista chefe do banco, no ano passado identificou a disparidade crescente como um dos maiores problemas econômicos da China.

Li Shi, professor de economia na Universidade Normal de Pequim, disse que em 1988 a renda média dos 10% mais afluentes era cerca de 12 vezes a dos 10 % mais pobres. Em 2007, os 10% superiores recebiam 23 vezes mais aos 10% da base.

As soluções de longo prazo da China para a discrepância incluem reformas de mercado, programas mais fortes de seguridade social, impostos reduzidos para famílias de baixa renda e controles mais rígidos para a renda ilícita. Mas enquanto Pequim não implementa suas políticas, os governos locais estão buscando formas de disfarçar a diferença.

Uma regra divulgada no mês passado no site da Administração para Indústria e Comércio de Pequim, por exemplo, proibiu propagandas promovendo tendências “insalubres”, que incluem: “hedonismo, feudalismo e realeza, adoração de coisas estrangeiras, aristocracia suprema e gostos vulgares”.

Segundo Li, as medidas regulando propagandas de luxo ou tumbas podem “aliviar, até certo ponto, o ódio geral contra os ricos”, mas essencialmente não são mais do que fracas substitutas. Ainda assim, Chen Changwen, diretor do departamento de sociologia da Universidade de Sichuan, disse que via o mérito em evitar o conflito social.

“É claro que não podemos mudar o fato de haver disparidade entre ricos e pobres, mas ao menos podemos diminuir o impacto dela sobre a sociedade e a propaganda”, disse ele. “Muitas pessoas não conseguem suportar as formas extravagantes desta primeira geração de ricos. Realmente irrita o público.”

Tumbas ostentadoras são particularmente repugnantes, disse ele, porque para muitos chineses qualquer lápide está além de seus meios. Em uma demonstração da frustração ampla, há uma expressão para designar uma pessoa que luta para pagar os custos de um funeral: “Escravo de enterro”.

“Há muitos exemplos de como os ricos podem pagar para enterrar seus mortos, mas o homem comum não consegue. Isso deixa muitas pessoas muito revoltadas”, disse Zheng Fengtian, professor de desenvolvimento rural na Universidade Renmin de Pequim.

Um exemplo espetacular ocorreu no mês passado em Wenling, cidade costeira de cerca de cinco milhões de pessoas ao sul de Xangai. Cinco irmãos usaram as terras de uma escola de ensino médio para dar adeus a sua mãe, com pompas de um funeral de Estado.

Milhares de pessoas assistiram a cerimônia que tinha nove limusines enfeitadas com flores, uma banda uniformizada e salvas de tiros com 16 armas. Um dos irmãos disse ao repórter que a mãe queria ser enterrada com “estilo”.

Em agosto último, porém, Wenling aprovou uma lei contra a “extravagância e desperdício” nos funerais. A lei limita o número de carros e de coroas de flores e proíbe procissões por escolas e hospitais. O diretor da escola, o vice-diretor e o diretor de práticas fúnebres da cidade foram demitidos, de acordo com a mídia, e a família foi multada em US$ 450 (em torno de R$ 750).

Na província de Hunan, no Sul, as autoridades começaram a investigar no ano passado um cemitério privado com 67 degraus levando a uma “pagoda”, construída pela família de um ex-funcionário do governo, após a mídia ter comparado a tumba com um sepulcro imperial. E em 2009, as autoridades determinaram a derrubada de um mausoléu em uma aldeia perto de Chongping, no centro da China, após um jornal local comparar seu tamanho com o de uma quadra de basquete.

Os preços crescentes lançaram uma luz pouco enobrecedora na indústria de enterros na China. Zheng, professor da Universidade Renmin, disse que os governos locais em parte eram culpados pela inflação porque eles limitavam a competição.

A maior parte dos cemitérios é controlada diretamente pelo governo, disse ele; o resto depende de licenças do governo, que é proprietário da terra. A Secretaria Estadual de Assuntos Civis disse no ano passado que o governo local administrava 1.209 cemitérios, 853 unidades de administração funerais e cerca de 7.000 funcionários.

“Eles controlam tudo, seja rejeitando novos projetos ou aprovando muito, muito poucos”, disse Zheng.

No papel, os enterros baratos são a política nacional desde ao menos 1997, quando o Decreto 225 determinou que a terra de cemitério fosse conservada e que “arranjos funéreos simples” fossem promovidos.

O maior cemitério de Chengdu, o Pinheiro da Longevidade, aparentemente não recebeu esse memorando.

Na “seção artística”, sobre morros de árvores da paz em flor, fileiras e fileiras de túmulos enormes são enfeitadas com garanhões de pedra, livros gigantes abertos e mesas e bancos de granito.

Em recente manhã, Zhou Dongmei, diretora de vendas, cuidadosamente afastou os dois visitantes para longe dessa seção para as séries de lotes com lápides simples e menores que são vendidos por uma fração do custo. “Esse é o único tipo de lote que vendemos agora”, disse ela, acrescentando: “É um processo para as pessoas aceitarem isso.”

De fato, a maior parte dos moradores de Chengdu entrevistados expressou dúvidas quanto aos limites dos túmulos. No cemitério do Templo da Lamparina Acesa, Kuang Lan, 42, disse: “Minha opinião pessoal é que se você tem dinheiro para fazer um tumulo maior, então faça. Se não, faça um menor.”

Mas Yang Bin, 48, que ganha em torno de US$ 150 por mês esculpindo lápides no cemitério de Zhenwu Shan, criticou os excesso dos “capitalistas” que “estão em toda parte agora”.

“Os chineses são assim”, disse ele, após descer o forte declive do cemitério com seus finos sapatos de pano preto. “Quando têm dinheiro, querem se mostrar. Se não têm, têm que trabalhar”.
Tradução: Deborah Weinberg

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Relações internacionais - Brasil e China

11/04/2011 - 03h50

Dilma tenta inaugurar nova etapa em relação com China


A presidente Dilma Rousseff chegou a Pequim nesta segunda-feira para uma visita de seis dias em que tentará inaugurar uma nova etapa na relação do Brasil com a China.

"A China é uma grande compradora de commodities. Nos interessa que continue sendo uma grande compradora, mas nos interessa também abrir uma nova etapa nessa relação em que a gente seja parceiro na área de ciência e tecnologia e na área de pesquisa", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Fernando Pimentel.

"O objetivo da visita da presidente Dilma é inaugurar essa nova etapa. Não queremos perder a China como parceiro, mas queremos qualificar mais nossa relação com a China", acrescentou Pimentel, após participar, ao lado da presidente, de um encontro com o CEO da Huawei, Ren Zhengfei.

Pimentel anunciou ainda que a empresa chinesa de equipamentos de telecomunicações e computação vai investir cerca de US$ 300 milhões no Brasil na construção de um centro de pesquisa e tecnologia e também doar US$ 50 milhões em equipamentos para universidades brasileiras.

"Começamos com pé direito", comemorou Pimentel.

A busca por mais e "melhores" investimentos chineses ocorre no momento em que a China desponta como um dos principais investidores do mundo, o quinto maior, segundo o governo chinês.

No ano passado, investiu US$ 59 bilhões no exterior, segundo o Ministério do Comércio. A maior parte teve como alvo obter acesso a commodities na área de petróleo e mineração, mas há, segundo analistas, potencial para uma maior diversificação.

Reciprocidade
Em Pequim, Dilma Rousseff terá uma reunião com o presidente Hu Jintao para discutir o "aprofundamento da parceria estratégica sino-brasileira". Nas palavras de Dilma Rousseff à agência estatal chinesa Xinhua, em entrevista ainda no Brasil, essa relação deve ser baseada na "reciprocidade".

O grande desafio de Dilma Rousseff nesta primeira viagem à China como presidente é criar bases para uma maior diversificação da pauta de exportações brasileiras, garantir melhor tratamento a empresas na China, como a Embraer, e também atração de investimentos em setores que não apenas o de extração de recursos naturais.

"Esta é uma relação que, eu acredito, será muito bem desenvolvida entre os dois países porque há algumas áreas em que a China pode ser crucial para o Brasil e outras em que o Brasil pode ser crucial para a China (...) baseada em um conceito que eu considero muito importante em uma relação entre iguais: a reciprocidade", disse Dilma Rousseff à Xinhua.

Desvantagem
Os números que embasam a defesa do discurso da reciprocidade são bem claros. A China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil em 2009. Mas as características dessa pauta comercial deixam o Brasil, na opinião de muitos setores, em posição de desvantagem.

Cerca de 95% das exportações brasileiras para a China são de matérias-primas. A via contrária, da China para o Brasil, é dominada quase em sua totalidade por produtos industrializados.

Além de principal parceiro comercial, o país se tornou também o principal investidor estrangeiro no Brasil em 2010. E também a área de investimentos diretos reflete a sede chinesa por commodities que sustentem seu crescimento.

Segundo o Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais, 85% dos investimentos no Brasil estão nos ramos de mineração e petróleo.

Além disso, empresas brasileiras como a Embraer enfrentam grandes dificuldades em suas operações na China. Há expectativa de que um acordo seja anunciado nesta visita para encomenda de jatos da Embraer por uma empresa chinesa, o que poderia representar um avanço na solução de uma questão polêmica que se arrasta há anos.

Cooperação
Em entrevista à BBC Brasil, o diretor do Centro de Pesquisa Econômica da Universidade de Pequim, Yang Yao, disse que o Brasil deveria buscar mais cooperação da China em busca de competitividade.

"O que o Brasil realmente precisa é de investir o que ganha com recursos naturais em ampliar sua capacidade industrial", disse Yang Yao.

"E a China pode oferecer algum tipo de ajuda nesta área aumentando seus investimentos no país. O Brasil deveria encorajar mais investimentos da China para incentivar sua manufatura e infraestrutura", recomendou.

Agenda
Na China, Dilma Rousseff deve assinar uma série de acordos bilaterais em áreas como ciência e tecnologia, defesa, agricultura, energia e educação. No campo empresarial, serão firmados acordos nos setores de energia, telecomunicações e eletrônica.

Além da visita oficial à China, sua terceira viagem ao exterior desde que tomou posse, Dilma Rousseff participa, na cidade de Sanya, da cúpula dos países que integram o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e que passa agora a incluir a África do Sul).

De lá, vai para a cidade de Boao para participar do Fórum de Boao para a Ásia, um encontro de empresários da região.

O roteiro prevê ainda uma visita à cidade de Xi'an, na província de Shanxi, onde a presidente visitará o centro de pesquisa de uma empresa chinesa, ZTE, com interesses no Brasil.

Dilma Rousseff embarca de volta à Brasília no sábado.

domingo, 3 de abril de 2011

Meio Ambiente na China


Maior poluente do planeta, China quer atrair tecnologias verdes

março 4th, 2011 by priscilla
A China, maior poluente do planeta, lançou um amplo programa de apoio ao desenvolvimento de energias limpas, dos biocombustíveis ao setor eólico — um atrativo para empresas estrangeiras que enfrentam restrições orçamentárias em seus países.
Em um laboratório perto de Tianjin, ao norte do país, especialistas criam bilhões de micro-organismos com o objetivo de produzir enzimas capazes de transformar os dejetos industriais em biocombustíveis não poluentes. O local pertence à Novozymes, empresa dinamarquesa inserida no cada vez mais numeroso grupo de companhias estrangeiras que se beneficiam dos investimentos da China nas tecnologias verdes.”A situação nunca foi tão boa”, declarou à AFP o presidente da Novozymes China, Michael Christiansen.
O governo chinês anunciou uma verba de US$ 750 bilhões para desenvolver energias limpas durante a próxima década. A meta é cobrir 15% das necessidades de consumo com fontes energéticas renováveis até 2020.”A China é vista como um ótimo mercado para comercializar tecnologias em grande escala, assim como para gerar uma vantagem competitiva a longo prazo ao redor de tecnologias limpas”, afirmou o especialista Ben Warren, da empresa de consultoria Ernst & Young.
O gigante asiático ultrapassou este ano os Estados Unidos como mercado mais atrativo para investimentos em energias renováveis, segundo um estudo da Ernst & Young.
Energia eólica
A China também deve assumir a liderança nos investimentos em energia eólica, depois do anúncio de um plano para instalar uma capacidade de produção de 90.000 megawatts até 2015. ”No Ocidente, a situação é difícil para as empresas, porque temos problemas para encontrar financiamento”, explicou o presidente da americana Cleantech Group, Nicholas Parker, cuja empresa é especializada em pesquisa de tecnologias limpas.
“A construção de parques eólicos geralmente é financiada com empréstimos, que desaceleraram com a crise. Na China, este problema não existe”, completou.As tecnologias verdes são favorecidas ainda pelos municípios, que oferecem terrenos gratuitos ou dinheiro para a pesquisa e o desenvolvimento do setor, assim como pelos bancos chineses, que concedem empréstimos a taxa menores que nos Estados Unidos.
Fonte: Folha Online

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Economia Internacional


14/02/2011 - 01h08

PIB da China superou o do Japão que cresceu 3,9% em 2010




Tóquio, 14 fev (EFE).- O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão cresceu 3,9% em termos nominais durante 2010, ano em que a China o superou como segunda economia mundial, anunciou nesta segunda-feira o Governo japonês.

O Executivo japonês já tinha descontado no dia 20 de janeiro, quando se divulgou o crescimento de 10,3% da China (US$ 6 trilhões em termos nominais), que o país vizinho o tinha relegado ao posto de terceira potência mundial após 42 anos como segunda economia do planeta.

O valor do PIB nominal do Japão nos 12 meses de 2010 foi de 479,223 trilhões de ienes (US$ 5,74 trilhões).

Entre outubro e dezembro, o PIB japonês caiu 1,1% em taxa anualizada, pela primeira vez desde o período julho-setembro de 2009, e se contraiu 0,3% com relação ao trimestre anterior, informou o Governo japonês.

Essa queda se deve especialmente ao retrocesso de 0,7% no consumo privado, uma variável que representa 60% do PIB japonês e que se viu afetada pelo fim das ajudas à compra de produtos ecológicos e a alta dos preços do tabaco nesse trimestre.

Além disso, no trimestre outubro-dezembro de 2010, penúltimo do ano fiscal japonês, o investimento público retrocedeu 5,8%, embora a despesa de capital tenha aumentado 0,9%, ambos com relação ao trimestre imediatamente anterior.

O fim do reinado do Japão como segunda economia mundial acontece em um momento no qual este país tenta pôr freio à grande dívida pública, à persistente deflação e ao risco que representa para o motor exportador um iene forte.

O Banco do Japão (BOJ, banco central japonês) prevê que o Japão cresça 2,1% durante este ano fiscal, que termina em março de 2011, e o faça em 1,8% no seguinte exercício.

Apesar dos maus dados registrados entre outubro e dezembro de 2010, espera-se que entre janeiro e março deste ano a economia japonesa volte a gerar riqueza, especialmente graças à recuperação das exportações.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Relações perigosas - China e Estados Unidos


China fecha acordo para comprar US$ 45 bilhões em produtos dos EUA

Por Thais Romanelli*
Os Estados Unidos e a China firmaram nesta quarta-feira 19, um acordo de exportação no valor de 45 bilhões de dólares em produtos norte-americanos, incluindo um contrato de 19 bilhões de dólares para venda de 200 jatos da Boeing para o país asiático. O anúncio ocorreu durante a visita do presidente chinês, Hu Jintao, ao presidente norte-americano, Barack Obama, na Casa Branca.
De acordo com a Boeing,  a China comprará 185 aviões do modelo 737, em um pedido estimado em 15 bilhões de dólares a preço de lista, além de 15 Boeing 777, que custam cerca de quatro bilhões de dólares. Desta forma, o país se tornará o maior comprador da Boeing até 2030. Ainda de acordo com o fabricante, a entrega das aeronaves deverá ocorrer até 2013.
Além dos jatos, a China vai comprar produtos na área agrícola, de telecomunicações e tecnologia, firmando acordos com empresas como a Honeywell, Navistar e General Electric, com quem cinco contratos foram firmados. Segundo a Casa Branca, estima-se que com medidas como a joint venture com a estatal de energia China Huadian para desenvolver geradores de energia a gás 4,5 mil empregos nos EUA serão criados. O acordo, que deve criar receitas de 500 milhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos, gerará um milhão de dólares em exportações.
A GE assinou ainda um acordo de intenções com o Ministério de Transportes da China em que está previsto o fornecimento de 350 milhões de dólares em equipamentos para as ferrovias do país.
Já com a Shenhua Group, o presidente chinês se comprometeu a comprar tecnologia da empresa para desenvolver a gaseificação de carvão na China. Com isso, estima-se que a GE tenha um lucro de 150 milhões de dólares em cinco anos.
Após a assinatura dos acordos, ambos os presidentes comemoraram as cooperações. Para Obama, a visita de Hu – primeira desde 2006 – estabelecerá as bases para os próximos 30 anos de cooperação bilateral. “Nós seremos mais prósperos e mais seguros se trabalharmos juntos”, disse.
Já o presidente chinês, disse que o relacionamento entre os dois países deveria ter como base o “respeito mútuo”, mas deu credibilidade aos “resultados frutíferos” que poderão ser colhidos. “Conquistamos um novo progresso”, completou.
Agora, com os acordos e os investimentos chineses nos EUA a expectativa é que o governo e as empresas norte-americanas aliviem a pressão que vem fazendo sobre a China em relação a sua política cambial, uma das principais divergências entre os dois países.
Guerra cambial
A visita de Hu Jintao ocorre em um momento tenso entre os EUA e a China. Desde o ano passado, os dois países vivem uma guerra cambial. Os EUA  acusam a China de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada em relação ao dólar, o que prejudica as exportações norte-americanas.
Com isso, o déficit na balança comercial dos EUA com a China é grande, atingindo importações de 344,1 bilhões de dólares e exportações de 81,8 bilhões de dólares.
Diante deste cenário, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse antes do encontro entre os dois presidentes em entrevista à rede de TV ABC, que os EUA vão defender a todo custo seus próprios interesses econômicos.
Para ela, ainda não há como afirmar se os chineses são amigos ou inimigos. “A razão pela qual estamos estendendo o tapete vermelho e recebendo o presidente Hu Jintao em visita de Estado é que achamos que teremos uma resposta melhor para essa pergunta se seguirmos adiante”, disse.
Direitos humanos
Após a reunião entre os presidentes, Hu e Obama concederam uma coletiva de imprensa na Casa Branca. Durante o evento, o norte-americano afirmou que seu colega deve enfrentar questões relacionadas com os direitos humanos na China.
“A história mostra que as sociedades são mais harmoniosas, as nações são mais bem-sucedidas e o mundo é mais justo quando os direitos e responsabilidades de todas as nações e de todas as pessoas são acolhidos. Inclusive os direitos universais de cada ser humano”, disse Obama, que garantiu que os EUA continuarão defendendo a liberdade de expressão e de religião para o povo chinês.
“Na medida em que os EUA reconhecem o Tibete como parte integrante da República Popular da China, os EUA sugerem o diálogo entra a China e o Dalai Lama para resolver as divergências e preservar a identidade religiosa do povo tibetano”, acrescentou.
Hu, por sua vez, destacou que os EUA e a China devem respeitar as suas soberanias visando ampliar a discussão sobre os direitos humanos. Para o presidente chinês, realmente ainda há “muito por fazer” no país em termos de direitos humanos, baseando-se no princípio de “respeito mútuo e na não interferência” nos seus assuntos internos.
Durante a visita de Hu Jintao, ativistas reuniram-se do lado de fora da Casa Branca fazendo um apelo à Obama para que ele interviesse na prisão do o Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo.
*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

China corre atrás do prejuízo (ambiental)

18/01/2011 16:48:12

China supera os EUA e já é o maior produtor mundial de energia eólica

EcoD
A expressão “negócio da China” tem origem no contato comercial entre Ocidente e Oriente, segundo a mestre em História Rainer Sousa. O termo faz alusão aos negócios vantajosos obtidos no final da Idade Média pelos comerciantes europeus que revendiam as sedas, temperos, ervas, óleos e perfumes orientais no chamado “velho mundo”.

Atualmente, a energia proveniente dos ventos é o grande negócio da China, país que recentemente ultrapassou os Estados Unidos em capacidade instalada, ocupando agora o topo do ranking mundial nessa matriz energética renovável.
No total, os parques eólicos chineses já somam 41.800 megawatts (MW) de potência - em junho eles tinham 33.800 MW, contra 36.300 dos EUA. Só para se ter ideia, o ritmo de instalação de novos parques eólicos na China é seis vezes superior ao dos norte-americanos.
Ao longo de 2010 foram adicionados mais 15.800 MW à capacidade existente – o equivalente a quatro vezes a potência eólica instalada de Portugal. “Era esperado”, afirmou ao jornal português Público Antonio Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren). “Os chineses estão atrasados no consumo de eletricidade, têm de instalar capacidade o mais rapidamente possível e já perceberam que as renováveis são o futuro”, completou.
Opinião semelhante tem o especialista em energias renováveis Carlos Pimenta, que lembra que a população chinesa migra cada vez mais do campo para as cidades, em um processo que implica maior consumo de energia. “O Estado chinês há muito tempo que percebeu que vai precisar de muito mais energia”, ressaltou Pimenta.
Em 2010, o consumo de energia elétrica no país subiu 14,6%, segundo dados divulgados na segunda-feira, 17 de janeiro, pelo Conselho de Eletricidade da China, citados pela agência Xinhua. Cerca de um quarto da eletricidade do gigante asiático (26,5%) é gerada por fontes não-fósseis: hidrelétricas (22,2%), eólicas (3,2%) e nuclear (1,1%).
A China já domina a maior parte do mercado mundial de painéis solares. Na energia eólica, parte dos aerogeradores instalados são produzidos no próprio país, mas ainda são os europeus que lideram o mercado. “É uma questão de tempo”, avaliou Carlos Pimenta, ao observar que, com o atual ritmo de crescimento, os chineses também dominarão tal tecnologia.
Vários acordos comerciais na área das energias renováveis são esperados durante a visita que o presidente chinês, Hu Jintao, inicia nesta terça-feira (18/1) aos Estados Unidos, segundo adiantou a agência Reuters. Ambos os países competem pelo mercado mundial nessa área, além de carregarem o indigesto posto de nações mais poluentes do planeta.
Rompimento de barreira impulsionou setor
Em janeiro de 2010, o EcoD noticiou que a China, até então na quarta colocação do ranking mundial da energia eólica (Global Wind Energy Council - GWEC), atrás dos EUA, Alemanha e Espanha, poderia estar algumas posições a frente, caso não fosse um limite do governo que exigia que 70% das peças das turbinas dos aerogeradores tivessem origem nacional.
A retirada da exigência de parte da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, principal organismo de planejamento chinês, acabou com a barreira protecionista e foi fundamental para impulsionar o setor no país.
Segundo o climatologista Michael McElroy, da Universidade de Harvard, o vento que sopra na China pode suprir toda a demanda energética do país até 2030, caso US$ 4,6 trilhões sejam investidos em um período de 20 anos - este valor corresponde a quase o triplo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Hoje, as duas maiores usinas de energia eólica do mundo estão em construção na China. A maior, na Província de Gansu, terá capacidade de 20 gigawatts e investimentos de R$ 30 bilhões. Em 2020, ela poderá gerar 20 vezes mais energia do que o parque de Roscoe, no Texas (EUA), hoje a maior do planeta. Já a segunda, em Ordos, contará com 12 gigawatts de potência instalada, mas com um diferencial: além da energia eólica, também produzirá a solar e biomassa.
(EcoD)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Economia Mundial - América Latina x China

22/11/2010 -

Economia da América Latina tropeça com a China

Financial Times
John Paul Rathbone, editor de América Latina





  • Economia dos países da América Latina está fortemente atrelada ao que acontece hoje na China
    Economia dos países da América Latina está fortemente atrelada ao que acontece hoje na China
Será que está na hora de revisitar a ideia de que os mercados emergentes se dissociam? Talvez, pelo menos na América Latina.
A velha máxima dos investimentos dizia que quando os EUA pegavam uma gripe, a América Latina era derrubada por uma pneumonia. O fato de a região ter saído praticamente incólume da crise financeira mostra que isso não é mais verdade – mas só porque a América Latina se associou à China, por meio dos crescentes laços de comércio e commodities com a Ásia.
Durante a semana passada, por exemplo, não foi a economia norte-americana cambaleante que fez com que os mercados latino-americanos tropeçassem.
Em vez disso, foi a perspectiva de aumento das taxas de juros chinesas, combinadas com as preocupações com a eurozona, que fizeram com que as ações latino-americanas caíssem em oito sessões seguidas. O rendimento dos títulos aumentou e as moedas caíram à medida que os investidores tiravam dinheiro da região.
Poucos acreditam, entretanto, que isso significa o início de uma grande derrocada da América Latina.
Mesmo que o crescimento econômico da China desacelere, a demanda mundial por commodities continua forte e a política monetária extremamente flexível dos EUA parece que será duradoura.
O Fundo Monetário Internacional estima que a economia de US$ 5 trilhões da América Latina crescerá 6% em 2010, e mais de 4% por ano até 2015.
“Ainda achamos que o cenário de longo prazo para a América Latina parece benigno”, diz John Lomax, chefe de estratégias para o mergado global emergente do HSBC. “A queda recente se deu apenas devido ao reposicionamento dos investidores.”
Com certeza, a correção recente soprou parte das bolhas dessa subida astronômica. Este ano, os mercados de ações do Chile, Peru e Colômbia cresceram cerca de 40% cada um, em dólares, e o do México cresceu 18%. O único retardatário foi o suposto “queridinho” do mercado, o Brasil, que subiu apenas 3%.
Os títulos também se recuperaram e os empréstimos cresceram rapidamente. As corporações venderam um recorde de US$ 40 bilhões de títulos este ano, de acordo com a Dealogic, e estruturas cada vez mais exóticas se tornaram comuns, como vários títulos estrangeiros denominados em moeda brasileira.
Ao mesmo tempo, o aumento das taxas de juros locais atraíram o capital internacional flutuante, fortalecendo as moedas em níveis que ameaçam a competitividade das companhias da região.
Desde o início de 2009, o peso chileno e o real subiram mais de 30% em relação ao dólar. Esses ganhos fizeram com que Brasília impusesse uma taxa de 6% sobre os compradores estrangeiros de títulos. “Uma das maiores preocupações dos investidores em ações nos mercados emergentes é que o Brasil estenda essa taxa também para as aplicações em Bolsa”, diz Lomax.
Na quarta-feira, Agustin Carstens, chefe do banco central mexicano, foi o último a alertar sobre os efeitos de bolha causados pela “facilitação quantitativa” dos EUA. De acordo com o Banco Mundial, o fluxo de capital na América Latina está 15% mais alto este ano do que em 2007, no pico da explosão do crédito.
Esses fluxos de capital “carregam consigo o risco de prejudicar o crescimento a longo prazo, através da supervalorização da moeda, ou de produzir excessos financeiros em casa”, diz Augusto de la Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe.
Se a última correção reduzir um pouco o entusiasmo, isso pode até ser uma coisa boa. Além disso, o susto chinês pode oferecer pontos de reentrada atraentes para os investidores. A questão, entretanto, é aonde e em quê?
“O problema é que depois de um ano bom, nada mais parece tão barato”, diz Kieran Curtis, gerente de fundos de mercados emergentes na Aviva investidores. As ações continuam acima de sua média dos últimos cinco anos levando em conta a relação entre preço e rendimento, de acordo com a Capital Economics. Mas, com exceção da Colômbia e Peru, estes números ainda estão abaixo dos picos do mercado.
O Brasil parece atraente, com a Bovespa operando rendimentos 12 vezes maiores em 2010. Entretanto, apostar na Bovespa é apostar em commodities, uma vez que os grupos de recursos naturais compõem metade do índice. Enquanto isso, outros setores, como o de bens básicos de consumo, parecem bem cotados. “Nós preferimos o México”, diz Lomax.
Em relação às moedas, “o câmbio da América Latina continua indo bem, desde que a política monetária continue flexível no Ocidente”, diz Maarten-Jan Bakkum, gerente de fundos do ING Investment Management.
Entretanto, o real brasileiro está 32% acima de sua média comercial dos últimos 15 anos, o que sugere que ganhos futuros são improváveis. O peso mexicano, por outro lado, está 7% abaixo de sua média de longo prazo, o sol peruano está alinhado e o Chile está apenas 7% acima.
“O problema são os controles de capital, mas acho que isso é improvável no Peru, Colômbia e Chile, embora o Brasil possa fazer mais”, diz Bakkum.
Por fim, há a renda fixa. Os céticos apontam que os títulos emergentes estão sendo comercializados, em conjunto, a apenas 250 pontos base acima dos do tesouro norte-americano, perto de sua baixa recorde de 2007.
Mas as baixas taxas de juros do ocidente tornam difícil vislumbrar uma liquidação de títulos, uma vez que, por exemplo, títulos de investimento em peso mexicano de longo prazo rendem 7,5%.
“O problema para todos os investidores em títulos é que ninguém mais sabe o que deve ser aceito como padrão. Pode ser que não sejam mais os títulos do tesouro norte-americano, mas se os rendimentos de dez anos aumentarem um ponto percentual em uma semana, isso levará à reavaliação das outras posições”, diz Curtis.
“Ainda assim, se os títulos de dez anos dos EUA ficarem onde estão agora, abaixo dos 3%, será provavelmente uma boa oportunidade de compra.”
Tradução: Eloise De Vylder