quarta-feira, 23 de março de 2011

Demanda aquecida gera alta real de 9,8% na arrecadação de tributos


A arrecadação de tributos federais atingiu R$ 64,1 bilhões em fevereiro, valor recorde para o mês, com alta real de 9,8% em relação a fevereiro de 2010. O resultado, superior ao projetado pelo governo e consequência de uma demanda aquecida, levou a Receita Federal a ampliar de 12% para 15% a estimativa de alta nominal do recolhimento de impostos e contribuições em 2011.

O bom desempenho decorreu da maior lucratividade das empresas, do recolhimento de tributos incidentes sobre a produção industrial e a comercialização de bens e serviços, e da expansão da massa salarial, que impacta a contribuição previdenciária.

Em fevereiro, os maiores valores e variações, deflacionados pelo IPCA na comparação com igual mês de 2010, foram da contribuição previdenciária (R$ 19,2 bilhões, alta de 7,9%), da Cofins (R$ 14,7 bilhões, 8,9%), do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre Lucro Líquido -IRPJ/CSLL (R$ 9,3 bilhões, 12%), do Imposto de Importação e IPI-Vinculado (R$ 2,8 bilhões, 28,4%) e do Imposto sobre Produtos Industrializados-IPI (R$ 2,4 bilhões, 23,72%). Em relação a janeiro, o desempenho geral da receita tributária de fevereiro ficou 30% menor, um recuo tradicional nessa base de comparação.

Com a performance do último mês, a arrecadação acumulada no primeiro bimestre soma R$ 155,9 bilhões, 13% maior em relação a igual período do ano passado. Esse resultado está bem acima dos R$ 106 bilhões previstos pela Receita para o período, sendo esse um dos fatores que levaram o Fisco a ajustar para cima a taxa de variação nominal prevista para o ano.

Do total apurado nos dois primeiros meses, R$ 33,4 bilhões decorreram do IRPJ e da CSLL. A cifra obtida com os dois tributos, 21% superior ao verificado em igual período de 2010, tem relação direta com a lucratividade das empresas. Para a Receita, esse é um sinal da plena recuperação dos negócios após o período da crise global, mas os resultados de março ajudarão a compor um quadro mais claro do efeito dos balanços das pessoas jurídicas na arrecadação.

Para o ano, a estimativa é de uma receita tributária anual de R$ 859,2 bilhões, que inclui R$ 240 bilhões da contribuição previdenciária. Essa projeção é líquida de restituições e considera o impacto da renúncia tributária de R$ 1,6 bilhão decorrente da correção em 4,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPJ).

Ao informar a revisão para cima na projeção para 2011, o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, observou, contudo, que as medidas prudenciais adotadas pelo Banco Central (BC) em dezembro, a elevação dos juros e o programa de corte de gasto público de R$ 50,1 bilhões devem influenciar a arrecadação a partir deste mês.

Ainda assim, ressaltou Barreto, a receita com tributos tende a mostrar expansão. "As medidas macroprudenciais indicam crescimento menos veloz da economia. Com isso, é de se esperar crescimento menor da arrecadação, mas não haverá decréscimo." Ainda que considerando o efeito da desaceleração, ele adiantou que o resultado de março será superior ao de 2010.

A arrecadação deve ajudar o setor público nas metas de superávit fiscal. Em audiência pública ontem no Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que as "informações preliminares indicam que o resultado primário é um número razoável" para fevereiro. "Não tenho o número aqui, mas a indicação que a área técnica me passa é que o número é bem razoável para o mês."

O Fisco prepara a medida legal de correção em 4,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física para este mês (vigora em abril).

fonte: OnLine Valor


http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/401353/demanda-aquecida-gera-alta-real-de-98-na-arrecadacao-de-tributos?utm_source=newsletter&utm_medium=manha_23032011&utm_campaign=informativo

sábado, 19 de março de 2011

Relações Internacionais e Indicadores de Sustentabilidade

A Ocde e os indicadores de sustentabilidade 

Para alimentar o sonho de um mundo melhor, a OCDE, com o apoio do Banco da Itália e do Centro de Pesquisa da Comissão Europeia (CCI), reuniu em Roma um exército de especialistas sobre o tema “Podemos medir a felicidade? O que estas medidas significam para a ação pública?” para verificar em que medida o bem- estar pode afetar os modelos econômicos e a ação governamental. A felicidade não é uma ideia nova, no entanto, continua difícil de se medir. Esse foi, também, um dos objetivos atribuídos pela OCDE, no âmbito do fórum mundial, em Istambul, em junho de 2007. 

Visita de Barak Obama ao Brasil

Divulgação

19/03/2011 - 09h08
Brasil e EUA assinam acordos no Itamaraty antes da chegada de Dilma e Obama
Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília
Brasil e Estados Unidos assinaram dez acordos, incluindo as áreas esportiva, energética, aeroespacial e educacional neste sábado (19), pouco antes de o presidente americano, Barack Obama, encontrar-se com sua colega brasileira, Dilma Rousseff. O mandatário chegou a Brasília por volta das 7h30, para uma viagem que inclui Chile e El Salvador.
No Palácio Itamaraty, os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e Edison Lobão (Energia) e o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, assinaram acordos junto do embaixador americano Thomas Shannon. Dilma e Obama, mais tarde, vão ratificar os acertos entre os dois países.
Um dos acordos cria a  Comissão Brasil-Estados Unidos para Relações Econômicas e Comerciais para promover "a remoção de obstáculos desnecessários ao comércio bilateral e ao investimento". A padronização de medidas fitossanitárias e visitas mútuas anuais estão entre as políticas acertadas pelos países.
Outro acordo sacramenta a disposição americana de investir na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Os EUA, que desejam receber o evento futebolístico em 2026 e que investem pesadamente em esportes olímpicos, vão junto do Brasil promover parcerias público-privadas e programas de ensino de inglês, entre outras medidas.
Os países assinaram ainda um acordo para facilitar o tráfego aéreo para empresas brasileiras e americanas. O acordo visa reduzir custos operacionais e desburocratizar as viagens, permitindo que aviões sobrevoem o espaço aéreo dos dois países sem obrigação de pousar.  O acordo de transportes aéreos, na prática, incentivará mais empresas americanas a voar para o Brasil e mais companhias brasileiras a fazerem rotas para os EUA.
Acertos nas áreas aeroespacial e cooperação técnica na área trabalhista também foram assinados pelos ministros, antes dos presidentes. Os dois países deverão desenvolver programas aeroespaciais conjuntamente, por meio da AEB (Agência Espacial Brasileira) e da Nasa.
Obama desembarcou ao lado da família: a primeira-dama Michelle e as filhas Malia e Sasha. Ele está em seu hotel, perto do Palácio do Planalto, onde se encontrará com Dilma para a primeira etapa de sua viagem à América Latina.

terça-feira, 15 de março de 2011

Acordos entre Blocos

Mercosul e UE iniciam nova rodada comercial
Símbolo do euro, em frente à sede do Banco Central Europeu

BRUXELAS — A União Europeia e o Mercosul iniciam nesta segunda-feira, em Bruxelas, sua quarta rodada de negociações para liberalizar o comércio com ambições iniciais não muito elevadas.
Os europeus decidiram adiar por ora 'sine die' a apresentação das primeiras ofertas comerciais, apesar de, a princípio, ter fixado esta nova rodada, que dura até a próxima sexta-feira, como momento propício visando a encerrar as negociações durante o primeiro semestre de 2011.
"Neste momento, não podemos dar nenhuma indicação sobre quando serão intercambiadas as primeiras ofertas para um Tratado de Livre Comércio com o Mercosul", indicaram fontes da Comissão Europeia, que negocia em nome dos 27 países da UE, recordando que a próxima rodada acontecerá no Paraguai, entre 2 e 6 de maio.
Consultadas pela AFP, fontes ligadas ao Mercosul não ocultaram que a decisão, não justificada oficialmente, surpreendeu os negociadores sul-americanos.
As normas da concorrência, os instrumentos de defesa comercial ou os serviços serão, em compensação, alguns dos temas abordados esta semana pelos chefes negociadores da UE e do Mercosul.
Bruxelas e o Mercosul decidiram em 2010 retomar as negociações depois de uma suspensão de seis anos, apesar da recusa de alguns países europeus, encabeçados pela França, receosos de ver comprometidos seus interesses agrícolas diante de um bloco que representa seu principal competidor no setor.
A Eurocâmara aprovou na semana passada um duro relatório que exige da Comissão que "deixe de fazer concessões que possam repercutir negativamente na agricultura comunitária" e pediu um estudo sobre "o impacto do acordo com o Mercosul".

Desenvolvimento Regional na União Européia

Data: 14/12/2010

Estudo demonstra a política de desenvolvimento regional da União Européia


Estudo realizado por René du Raymond Sacramento, orientado pela Profa. Dra. Ana Lucia Gonçalves da Silva, propõe que a política regional da União Européia (UE) visa a redução de desigualdades regionais por meio da transferência de recursos das regiões mais ricas da UE para as mais atrasadas ou em declínio econômico, além de financiar algumas políticas que beneficiam indistintamente qualquer região da comunidade européia.

O instrumento jurídico e econômico responsável por este remanejamento, para os autores, seria a regulamentação dos Fundos Estruturais da União Européia, ocorrido em 1993. O trabalho completo pode ser identificado em:

Fonte: IGDNews


Plano de Negócios Ambientais Amigáveis com o Clima.


Mercado de Bens e Serviços Ambientais na América Latina

fevereiro 7th, 2011 by priscilla

Uma parceria entre o Instituto IDEIAS, o governo do estado do Espírito Santo, o Sebrae-ES, ogoverno Federal e a CEPAL, vem garantindo a realização de um trabalho pioneiro que tem como objetivo impulsionar um novo e emergente mercado – o mercado ambiental, focado na produção de bens e na prestação de serviços ambientais.
Esta parceria teve início em 2009 quando foram assinados diversos acordos de cooperação entre as instituições que garantiram apoio ao Projeto inovador a ser desenvolvido no estado do Espírito Santo, o Plano de Negócios Ambientais Amigáveis com o Clima.
Em setembro passado, a Diretora Presidente do Instituto IDEIAS, Tereza Romero escreveu com a Consultora do Instituto, Cecília Hasner, um artigo para a Revista Pontes sobre o promissor Mercado de bens e serviços ambientais na América Latina.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Distribuição de Renda

09/03/2011 - 07h11

Renda feminina cresce mais do que masculina no Nordeste

CLAUDIA ROLLI
VERENA FORNETTI
DE SÃO PAULO

A renda das mulheres cresceu mais do que a dos homens em três regiões metropolitanas do Nordeste pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) em 2010.

Em Fortaleza, Recife e Salvador, enquanto o rendimento feminino por hora avançou de 1,8% a 12,7%, o masculino variou de -0,2% a 9,7%.

Nas outras regiões do país, a renda feminina também avançou, mas em São Paulo e em Porto Alegre o incremento foi menor do que o obtido pelos homens. Em Belo Horizonte e no Distrito Federal, a variação foi semelhante.

A renda feminina foi puxada, principalmente, pelo comércio e pelos serviços domésticos --o Distrito Federal e em Recife, a indústria também se destacou. Para os homens, a construção civil esteve entre os setores com maior alta na remuneração.

Lúcia Garcia, supervisora da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese, afirma que a combinação aumento do salário mínimo com crescimento acelerado da economia em 2010 explica a vantagem feminina nas três capitais nordestinas.

Garcia pondera que, no Nordeste, as mulheres estão concentradas em postos de trabalho que pagam o mínimo. Portanto, a variação no rendimento base --que teve aumento real de 6,02% no ano passado-- é mais determinante para elas, já que os homens ocupam postos de trabalho mais variados e com remuneração mais alta.

Em Fortaleza, o rendimento médio das mulheres, descontada a inflação, passou de R$ 3,91 por hora em 2009 para R$ 3,98 em 2010 (o dos homens foi de R$ 5,07 para R$ 5,06). Em Salvador, avançou de R$ 5,19 para R$ 5,54 (R$ 6,29 para R$ 6,50 no caso dos homens).

E, em Recife, foi de R$ 3,70 para R$ 4,17 (R$ 4,52 para R$ 4,96 para os homens). Entre as sete regiões pesquisadas, o Distrito Federal é a que tem a maior remuneração por hora para mulheres: R$ 9,99 em 2010 (contra R$ 12,46 dos homens).

O fato de os salários no Nordeste serem mais baixos acentua a importância da alta real do salário mínimo.

O professor José Dari Krein, da Unicamp, concorda: "as categorias com menores rendimentos foram mais beneficiadas com a política valorização do salário mínimo, o que beneficia as mulheres que recebem menos do que os homens e estão segmentadas em ocupações com menor rendimento."

Krein destaca ainda que o comércio é um setor que emprega muitas mulheres. "No Nordeste o impacto do salário mínimo foi mais expressivo, dada a existência de menor remuneração média", diz.
Editoria de Arte/Folhapress

AINDA DISTANTE

Entretanto, apesar do avanço, as mulheres ganham, por hora, 79% do que ganham os homens em Fortaleza. O percentual é de 84% em Recife e de 85% em Salvador. Na média das sete regiões metropolitanas pesquisadas, o rendimento das mulheres corresponde a 76% da renda dos homens.

Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, a melhora na renda das mulheres pode ser explicada, em parte, porque o emprego feminino passa por uma "transição". "Elas deixam de ocupar serviços domésticos e informais para vagas com mais proteção, como no setor industrial, onde a qualidade do emprego é maior."

O professor Pedro Paulo Carbone, diretor-executivo do Ibmec Brasília, ressalta que, no Distrito Federal, a escassez de mão de obra masculina em alguns setores estimula a busca de trabalho feminino, e consequentemente, melhora o patamar de renda das mulheres.

"Nos arredores de Brasília, por exemplo, a indústria da construção civil está em franca expansão. Como em alguns casos já não encontra trabalhadores, parte para a contratação de mulheres em algumas funções. Com isso, as oportunidades melhoram para a mão de obra feminina."

Carbone afirma também que é necessário incrementar políticas públicas para diminuir a desigualdade salarial entre homens e mulheres. "A diferença nos salários de homens e mulheres é reflexo de um preconceito global, que atinge do baixo ao alto escalão de várias empresas em vários países. A exceção é a Suécia e países escandinavos", diz.

Segundo Carbone, companhias de grande porte têm incluído, em seus indicadores de responsabilidade social, a contratação de mulheres para diminuir as diferenças salariais no mercado de trabalho. "Mas essa é uma ação que só deve trazer resultados a longo prazo."

segunda-feira, 7 de março de 2011

Câmbio

Não é o câmbio
Posted By Delfim Netto On 8 de fevereiro de 2011 @ 17:33 In Economia - Carta Capital
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O capital entra e o BC continua sustentando altíssima taxa de juro real. É preciso enfrentar os erros passados da política monetária. Por Delfim Netto. Foto: AFP
































Não é admissível retardar mais a correção dos erros antigos da política monetária. De tão evidentes eles já não produzem sequer uma discussão séria entre os economistas. A continuidade dos erros passados da política monetária gera os efeitos que estão corroendo a estrutura industrial construída pelos brasileiros ao longo de tantos anos de crescimento econômico. O grande vilão é o real sobrevalorizado, mas o problema não é o câmbio.

O Brasil é uma das poucas nações emergentes que tinham uma indústria com sofisticação superior àquela correspondente ao seu nível de renda. Num certo sentido, era parte do mundo industrializado, distanciando-se dos demais países com mesmo nível de renda e condições semelhantes.

A industrialização permitiu criar esse mercado interno que ajudou a desenvolver o Brasil. A indústria produziu os milhões de empregos que acolheram a mão de obra que foi sendo retirada do setor agrícola com o aumento da produtividade que empolgou o setor, a partir da revolução liderada pela Embrapa. Seu empenho nas pesquisas atraiu as empresas do setor industrial, ampliando os investimentos na inovação tecnológica nos processos de produção e os incentivos para a renovação dos equipamentos. Foi um instrumento decisivo na aceleração do crescimento econômico brasileiro. Parecia que nenhum fator importante comprometeria a higidez do setor industrial, apesar de que algumas vozes já vinham alertando para os prejuízos causados pelo avanço das importações. Economistas perdem muito tempo discutindo se há desindustrialização, se ela é produto da “doença holandesa”, se o câmbio está sobrevalorizado ou não e qual o alcance da sobrevalorização do real.
Não é preciso ser economista para entender uma coisa simples: cinco anos atrás, quando não se falava de desindustrialização, as condições importantes para o trabalho das indústrias eram as mesmas que são hoje. Qual é a única grande diferença entre o que tínhamos naqueles anos e o que temos hoje? É um câmbio extremamente valorizado por uma política monetária que mantém a taxa de juros brasileira no maior nível do mundo. O Brasil continua sendo aquele pernil com farofa à disposição do sistema financeiro internacional, mesmo fora da época das festas.

Todas aquelas discussões não levaram a nada: só agora os mais sabichões começam a entender que a questão-chave que o Brasil tem de resolver não é um problema de câmbio; o que resolve é construir uma política monetária que, num prazo suportável, leve a taxa de juros interna ao nível da taxa de juros externa. Não resolve tentar combater apenas os movimentos de capitais, porque eles encontram sempre mecanismos de ilidir qualquer tipo de controle.

Nossa taxa de câmbio é extremamente valorizada, o que é um grave problema para o equilíbrio do comércio exterior brasileiro. As importações de produtos industriais tornam-se cada vez mais atraentes, impondo uma competição desigual em nosso mercado com os produtos fabricados no Brasil. A produção nacional perde totalmente os estímulos para investir nos setores de exportação, pois nossos preços deixam de ser competitivos nos mercados externos, graças ao real sobrevalorizado.

A única especulação que pode funcionar a nosso favor é aquela que se elimina. A única arbitragem que leva ao equilíbrio é aquela que termina. No Brasil, desafortunadamente, a arbitragem não termina nunca, porque o capital entra e o BC continua sustentando altíssima taxa de juro real. E a sustenta até com alguns argumentos razoáveis para controlar a inflação.

O que é preciso, portanto, é uma coisa muito mais profunda: enfrentar os erros passados da política monetária. Erros que transformaram o Brasil num país que (dizem os mercadistas entusiasmados, sem esconder a ironia) exige a maior taxa de juros do mundo para ter, mesmo assim, uma taxa de inflação de 4,5%! Estamos diante de um fenômeno muito sério, muito grave.

É preciso que mais pessoas- conheçam os fatos e se conscientizem que é importante cobrar do governo. Ele está agindo, mas, se esse processo teratológico continuar por mais tempo, não vamos “desindustrializar”, como diz esta suave palavra da moda, e sim permitir que se destrua a estrutura industrial sofisticada que nós viemos construindo desde praticamente a metade do século XX.

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sábado, 5 de março de 2011

Logística no Ceará

INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA (27/2/2011)

Diversificar e integrar matriz de transportes é desafio no CE

27/2/2011 
Muito já foi feito, mas ainda outros projetos têm de sair do papel para aprimorar a cadeia produtiva estadual

O Ceará passa por uma fase peculiar de sua história. Neste momento, grandes empreendimentos estruturantes são articulados para que sejam instalados no Estado. Sonhos de pelo menos quatro décadas, como a siderúrgica, assim como a refinaria, termelétricas, dentre outros projetos, começam, aos poucos, a tomar forma. Sem falar do maior evento futebolístico do planeta, a Copa do Mundo de 2014, da qual Fortaleza é uma das cidades-sede. Mas tudo isso necessariamente não pode prescindir de uma infraestrutura de transportes eficiente, integrada com o planejamento territorial da região, em sintonia com o meio ambiente e que acomode ainda todos os modais necessários ao ir e vir de pessoas e de mercadorias.

Muito já foi feito, mas ainda mais projetos precisam sair do papel para que haja o aprimoramento da cadeia. O Estado precisa investir bastante para a melhoria da infraestrutura rodoviária, degradada e sufocada; da malha ferroviária, pobre em capilaridade e integração com os demais modais; dos aeródromos, no limite da operação com o crescimento da demanda, impulsionada pelo aumento da renda; e da portuária, que apesar dos avanços, ainda requer mais aportes.

Investimento de R$ 19 bi

Mais de R$ 19 bilhões precisam ser investidos para a recuperação e inovação da malha logística estadual. O valor mensurado consta no Plano CNT de Transporte e Logística 2011, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte, e inclui, da mesma forma, projetos para o melhoramento da mobilidade urbana na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a exemplo do Metrô de Fortaleza, malha viária e os Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs).

Quase R$ 10 bilhões devem ser necessários somente para intervenções relacionadas à melhoria dos meios de escoamento da produção. Este número está presente no relatório de 2009 do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), último a ser divulgado. O Plano é fundamental por trazer à tona o planejamento de longo prazo para o setor, tão esquecido desde o início da década de 90. Concebido a partir de 2006 pelo governo federal, foi com ele que começou efetivamente a se pensar em mudanças na atual matriz de transportes, dominada pelo modal rodoviário, visando um maior equilíbrio, a exemplo de outros países desenvolvidos. Uma das principais metas é justamente dar destaque ao meio ferroviário e aquaviário.

Mudança de perfil

Portanto, no caso do Ceará, a Ferrovia Transnordestina terá papel fundamental para uma modificação nas relações de transporte em voga. A sua implantação deverá auxiliar o modal a alcançar, até 2025, a participação de 35% dentre todas as matrizes de transporte, superando inclusive a rodoviária, que teria cerca de 30% de inserção. Os meios aquaviários atingirão 29% nesse ano, conforme o intento. Bem diferente da realidade encontrada no País. Conforme dados de 2005 inseridos no PNLT, a participação do transporte rodoviário é de quase 60%, contra 25% do ferroviário e 13% do aquaviário, um contrassenso, tendo em visa as dimensões continentais do Brasil, seus extensos rios e litoral.

Mas até que se chegue a esses índices, várias intervenções em estradas, portos, aeroportos e ferrovias serão necessárias, que já estão elencadas na pauta de execuções do governo, nas instâncias federal, estadual e municipal, ou que precisam ainda ser postas como prioridade, pois são demandadas pela própria sociedade, incluindo especialmente o setor produtivo.

De acordo com o professor João Bosco Furtado Arruda, do Departamento de Engenharia de Transportes e do Mestrado em Logística e Pesquisa Operacional da Universidade Federal do Ceará (UFC), a elaboração do PNLT no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um passo contrário ao dado por governos anteriores, que desativaram importantes instrumentos de planejamento e execução de políticas para o setor de transportes, como a Empresa Brasileira dos Transportes Urbanos (EBTU) e a Empresa de Portos do Brasil S.A (Portobrás), deixando que o mercado tomasse as decisões necessárias para a resolução dos gargalos na infraestrutura brasileira.

Retomada do planejamento

"O PNLT constitui um resgate do planejamento estatal, em bases científicas, realizado na segunda gestão do Governo Lula, que busca otimizar a alocação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no que tange ao setor logístico nacional. Ele sugere correções na matriz modal brasileira, aproximando-a da racionalidade encontrada nas matrizes dos países desenvolvidos de dimensões continentais como o nosso", explica Arruda, que ainda é líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Infraestruturas de Transporte e Logística da Energia (GLEN/UFC). Assim, em breve, a pretensão é que o modal mais poluente, menos produtivo e adequado para longos percursos e grandes volumes, que é o rodoviário, dê lugar a matrizes mais econômicas e que gerem maior competitividade dos produtos nacionais, tanto no mercado interno como externo. 

DIEGO BORGES
REPÓRTER

Mudanças no Câmbio

Governo prepara mudanças no câmbio


05/03/2011 - 10:14 
Agência Estado


Preocupado com a nova rodada de valorização do real, que nesta sexta-feira (04) atingiu o maior valor desde agosto de 2008, o governo prepara novas medidas na área cambial, informou ao Estado uma fonte do Ministério da Fazenda.
O ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, discutiram o assunto nos últimos dias e novas iniciativas já estão praticamente prontas pela área técnica do governo.
Segundo a mesma fonte, há grande chance de ela sair logo depois do Carnaval. “Será uma medida forte”, disse.
Medidas que já foram tomadas
Para enfrentar a valorização da moeda brasileira, o governo já elevou duas vezes o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em renda fixa (hoje está em 6%), alterou normas de forma a limitar a aposta dos bancos na alta do real, voltou a colocar swaps cambiais reversos (instrumentos equivalentes a compras de dólares no mercado futuro) e também criou o leilão a termo de câmbio, que é uma operação feita em um dia com entrega em data futura.
Entre as medidas possíveis de serem utilizadas para enfrentar a “guerra cambial”, evitar a valorização do real e garantir a competitividade do setor exportador brasileiro está a compra de moeda estrangeira por meio do Fundo Soberano do Brasil (FSB).
O governo tem autorização para operar com o FSB, mas ainda não acionou as compras.
Elevação brusca da alíquota do IOF
Outra possibilidade que já foi mencionada por fontes do governo seria a adoção de medidas de controle cambial, como uma elevação brusca da alíquota do IOF no ingresso de capitais no País até a opção de maior rejeição pelo mercado externo, que é a imposição de uma quarentena para o ingresso de capitais. Existe uma preocupação do governo de deixar claro que ele não pretende criar qualquer dificuldade à saída de capitais estrangeiros.
Nesta sexta (04), o dólar fechou negociado abaixo de R$ 1,65, o mais recente piso informal que vinha sendo defendido de forma bem sucedida pelo governo.
A cotação de fechamento no balcão foi de R$ 1,644, queda de 0,42% sobre a cotação de anteontem. Na semana, a queda acumulada é de 1,14%. Vale lembrar que o Banco Central atuou fortemente nesta semana para conter a escalada do real, usando as três modalidades de intervenção (compras à vista, swaps reversos e leilões no mercado à termo).