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terça-feira, 5 de abril de 2011

Melhora na nota de risco do Brasil

Coutinho diz que governo está atento ao câmbio após melhora na avaliação de risco do Brasil

05/04/2011 - 9h43
Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil


São Paulo – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje (5) que o anúncio de uma melhor avaliação do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch Ratings é “mais um reconhecimento da excelência do país”. Ontem (4), a Fitch Ratings elevou a nota de avaliação do país de BBB- para BBB.
Coutinho disse também que o governo tem ferramentas para manter o nível do câmbio mesmo após a nova avaliação. Com a elevação da nota do país, a expectativa é de entrada de mais dólares no mercado nacional. Isso tende a reduzir a cotação da moeda norte-americana, prejudicando os exportadores brasileiros.
“Já existe [uma enxurrada de dólares entrando no país] e o governo tem instrumentos para mitigá-la”, afirmou ele, durante evento em São Paulo.
Edição: Juliana Andrade


Elevar classificação de risco do Brasil é reconhecimento da consistência da política econômica, diz Tombini

04/04/2011 - 16h45
Luciene Cruz
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, avaliou que a melhora da classificação brasileira (rating), pela agência de classificação de risco Fitch, anunciada hoje (4), representa “reconhecimento da consistência da política econômica ao longo dos anos e da melhora de seus fundamentos, alcançada por meio das políticas de metas de inflação, câmbio flutuante, acúmulo de reservas internacionais, responsabilidade fiscal e solidez do sistema financeiro”.
Por meio de nota, ele avaliou que “esses bons fundamentos da economia brasileira proporcionam melhores condições para o crescimento sustentável e concorrem para a contínua queda no custo de financiamento do investimento que o país demanda e continuará a demandar nos próximos anos”.
Tombini também destacou que a reclassificação não impede o trabalho para novos avanços. “As boas notícias, contudo, não diminuem a determinação do Banco Central em continuar trabalhando para que os avanços obtidos até agora continuem a ocorrer em um ambiente econômico de estabilidade monetária e solidez financeira”, finalizou.
Edição: Lana Cristina

Melhor classificação de risco da economia brasileira pode atrair mais dólares para o país, diz Mantega

04/04/2011 - 14h06
Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil


Brasília – A decisão da agência de classificação de risco Fitch Ratings de melhorar a classificação do Brasil pode elevar a entrada de dólares no Brasil, o que não deixa de ser um problema, na opinião do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, quanto mais sólida a economia brasileira, mas o país tende a atrair investimentos externos e, consequentemente, dólares.
“Mas é melhor ter esse problema de excesso de dólares do que o problema que tínhamos no passado de falta de dólares”, disse Mantega. O ministro não descartou novas medidas para conter o excesso de dólares destinados pelos investidores estrangeiros ao Brasil, devido à solidez econômica do país e às taxas de juros.

“Esse upgrade [elevação de nível] da Fitch para o Risco Brasil, de BBB- para BBB, é o reconhecimento de que a economia brasileira está mais sólida, não apresenta riscos e está sendo bem avaliada, inclusive pelas empresas de rating”, disse. A classificação de risco feita por agências, como a Fitch Ratings, indica que, quanto melhor, mais elevado, é o rating, mais seguro é para o investidor aplicar em determinadas empresas ou país.

Edição: Nádia Franco

segunda-feira, 7 de março de 2011

Câmbio

Não é o câmbio
Posted By Delfim Netto On 8 de fevereiro de 2011 @ 17:33 In Economia - Carta Capital
[1]
O capital entra e o BC continua sustentando altíssima taxa de juro real. É preciso enfrentar os erros passados da política monetária. Por Delfim Netto. Foto: AFP
































Não é admissível retardar mais a correção dos erros antigos da política monetária. De tão evidentes eles já não produzem sequer uma discussão séria entre os economistas. A continuidade dos erros passados da política monetária gera os efeitos que estão corroendo a estrutura industrial construída pelos brasileiros ao longo de tantos anos de crescimento econômico. O grande vilão é o real sobrevalorizado, mas o problema não é o câmbio.

O Brasil é uma das poucas nações emergentes que tinham uma indústria com sofisticação superior àquela correspondente ao seu nível de renda. Num certo sentido, era parte do mundo industrializado, distanciando-se dos demais países com mesmo nível de renda e condições semelhantes.

A industrialização permitiu criar esse mercado interno que ajudou a desenvolver o Brasil. A indústria produziu os milhões de empregos que acolheram a mão de obra que foi sendo retirada do setor agrícola com o aumento da produtividade que empolgou o setor, a partir da revolução liderada pela Embrapa. Seu empenho nas pesquisas atraiu as empresas do setor industrial, ampliando os investimentos na inovação tecnológica nos processos de produção e os incentivos para a renovação dos equipamentos. Foi um instrumento decisivo na aceleração do crescimento econômico brasileiro. Parecia que nenhum fator importante comprometeria a higidez do setor industrial, apesar de que algumas vozes já vinham alertando para os prejuízos causados pelo avanço das importações. Economistas perdem muito tempo discutindo se há desindustrialização, se ela é produto da “doença holandesa”, se o câmbio está sobrevalorizado ou não e qual o alcance da sobrevalorização do real.
Não é preciso ser economista para entender uma coisa simples: cinco anos atrás, quando não se falava de desindustrialização, as condições importantes para o trabalho das indústrias eram as mesmas que são hoje. Qual é a única grande diferença entre o que tínhamos naqueles anos e o que temos hoje? É um câmbio extremamente valorizado por uma política monetária que mantém a taxa de juros brasileira no maior nível do mundo. O Brasil continua sendo aquele pernil com farofa à disposição do sistema financeiro internacional, mesmo fora da época das festas.

Todas aquelas discussões não levaram a nada: só agora os mais sabichões começam a entender que a questão-chave que o Brasil tem de resolver não é um problema de câmbio; o que resolve é construir uma política monetária que, num prazo suportável, leve a taxa de juros interna ao nível da taxa de juros externa. Não resolve tentar combater apenas os movimentos de capitais, porque eles encontram sempre mecanismos de ilidir qualquer tipo de controle.

Nossa taxa de câmbio é extremamente valorizada, o que é um grave problema para o equilíbrio do comércio exterior brasileiro. As importações de produtos industriais tornam-se cada vez mais atraentes, impondo uma competição desigual em nosso mercado com os produtos fabricados no Brasil. A produção nacional perde totalmente os estímulos para investir nos setores de exportação, pois nossos preços deixam de ser competitivos nos mercados externos, graças ao real sobrevalorizado.

A única especulação que pode funcionar a nosso favor é aquela que se elimina. A única arbitragem que leva ao equilíbrio é aquela que termina. No Brasil, desafortunadamente, a arbitragem não termina nunca, porque o capital entra e o BC continua sustentando altíssima taxa de juro real. E a sustenta até com alguns argumentos razoáveis para controlar a inflação.

O que é preciso, portanto, é uma coisa muito mais profunda: enfrentar os erros passados da política monetária. Erros que transformaram o Brasil num país que (dizem os mercadistas entusiasmados, sem esconder a ironia) exige a maior taxa de juros do mundo para ter, mesmo assim, uma taxa de inflação de 4,5%! Estamos diante de um fenômeno muito sério, muito grave.

É preciso que mais pessoas- conheçam os fatos e se conscientizem que é importante cobrar do governo. Ele está agindo, mas, se esse processo teratológico continuar por mais tempo, não vamos “desindustrializar”, como diz esta suave palavra da moda, e sim permitir que se destrua a estrutura industrial sofisticada que nós viemos construindo desde praticamente a metade do século XX.

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sábado, 5 de março de 2011

Mudanças no Câmbio

Governo prepara mudanças no câmbio


05/03/2011 - 10:14 
Agência Estado


Preocupado com a nova rodada de valorização do real, que nesta sexta-feira (04) atingiu o maior valor desde agosto de 2008, o governo prepara novas medidas na área cambial, informou ao Estado uma fonte do Ministério da Fazenda.
O ministro Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, discutiram o assunto nos últimos dias e novas iniciativas já estão praticamente prontas pela área técnica do governo.
Segundo a mesma fonte, há grande chance de ela sair logo depois do Carnaval. “Será uma medida forte”, disse.
Medidas que já foram tomadas
Para enfrentar a valorização da moeda brasileira, o governo já elevou duas vezes o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em renda fixa (hoje está em 6%), alterou normas de forma a limitar a aposta dos bancos na alta do real, voltou a colocar swaps cambiais reversos (instrumentos equivalentes a compras de dólares no mercado futuro) e também criou o leilão a termo de câmbio, que é uma operação feita em um dia com entrega em data futura.
Entre as medidas possíveis de serem utilizadas para enfrentar a “guerra cambial”, evitar a valorização do real e garantir a competitividade do setor exportador brasileiro está a compra de moeda estrangeira por meio do Fundo Soberano do Brasil (FSB).
O governo tem autorização para operar com o FSB, mas ainda não acionou as compras.
Elevação brusca da alíquota do IOF
Outra possibilidade que já foi mencionada por fontes do governo seria a adoção de medidas de controle cambial, como uma elevação brusca da alíquota do IOF no ingresso de capitais no País até a opção de maior rejeição pelo mercado externo, que é a imposição de uma quarentena para o ingresso de capitais. Existe uma preocupação do governo de deixar claro que ele não pretende criar qualquer dificuldade à saída de capitais estrangeiros.
Nesta sexta (04), o dólar fechou negociado abaixo de R$ 1,65, o mais recente piso informal que vinha sendo defendido de forma bem sucedida pelo governo.
A cotação de fechamento no balcão foi de R$ 1,644, queda de 0,42% sobre a cotação de anteontem. Na semana, a queda acumulada é de 1,14%. Vale lembrar que o Banco Central atuou fortemente nesta semana para conter a escalada do real, usando as três modalidades de intervenção (compras à vista, swaps reversos e leilões no mercado à termo).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ainda os efeitos da crise financeira mundial: desvalorização da moeda americana

PAÍSES FORÇAM VALORIZAÇÃO (11/10/2010)

Não há trégua na guerra cambial



11/10/2010 
Governo brasileiro está tomando providências, adquirindo o excesso de liquidez externo através da compra de divisas

Washington. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, poderá reclamar da guerra cambial por longo tempo. Não há sinal de trégua, depois de muito falatório na assembleia do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo chinês continua rejeitando as pressões para deixar o yuan valorizar-se. O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, continuará emitindo dinheiro. Mais dólares vão fluir para o Brasil e outros mercados emergentes, forçando a valorização de suas moedas.

Esses países poderão adotar controles unilaterais, como impostos sobre o capital estrangeiro, mas nenhuma barreira será eficiente por muito tempo. A experiência é clara quanto a isso. O tema será discutido mais uma vez na reunião de cúpula do Grupo dos 20 (G-20), em novembro, e dificilmente haverá resultado prático. Nenhum país pode resolver sozinho o problema do câmbio. Só pode haver solução global, repetiram durante uma semana o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e uma porção de técnicos e ministros, incluído Mantega. Mas isso foi tudo. Não houve acordo sobre como agir ou dividir o peso do ajuste. O Comitê Monetário e Financeiro, principal órgão político do Fundo, limitou-se a dividir a responsabilidade entre países deficitários e superavitários.

Déficit é risco

O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que o governo está atento ao aumento do déficit em conta corrente em diversos países ao redor do globo, o que, segundo ele, representa um risco global. "A evolução do déficit (global) é algo que estamos observando com toda a atenção", afirmou.

Atuação

"(O governo) está trabalhando para manter a sua economia equilibrada"
Henrique Meirelles
Presidente do Banco Central

EFEITOS NO MUNDO

Crise só deve ser superada em 5 anos

Washington. O mundo deve demorar de três a cinco anos para superar completamente a crise econômica iniciada em 2008, com a quebra de instituições americanas de crédito imobiliário. A estimativa foi apresentada ontem por Mohamed El-Erian, diretor-executivo da administradora de fundos de investimento Pimco, em uma palestra paralela à programação da Assembleia Geral do FMI e do Banco Mundial. "O mundo venceu a guerra, mas não alcançou a paz", afirmou El-Erian.

Ao avaliar a situação atual, El-Eiran esquivou-se de mencionar diretamente os dilemas mundiais acentuados, em certa medida, pelo seu próprio ramo de negócio. Esse é o caso da reorientação dos fluxos de capitais das economias centrais para alguns emergentes, como o Brasil e a China. O efeito menos benéfico desse movimento de capital se dá na valorização excessiva das moedas, contornado por meio de intervenções fiscais e, sobretudo, monetárias. Trata-se da raiz da "guerra cambial", termo cunhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. El-Erian preferiu se restringir ao risco da "inércia" dos países desenvolvidos e dos resultados desapontadores de suas políticas de recuperação para a economia mundial. Em seu ponto de vista, trata-se da ameaça mais significativa do momento, provocada "pelo não reconhecimento de problemas persistentes".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Disputa cambial pode levar economia a uma guerra protecionista

Para especialistas, economia mundial pode reeditar crise de 1930 caso não vença o que o ministro Mantega chamou de guerra cambial

Klinger Portella, iG São Paulo | 07/10/2010 05:52

       O alerta partiu do Brasil – ecoado por discursos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles – e tomou conta da agenda econômica global. A crescente onda de desvalorização de moedas promovida por alguns países, tendo o objetivo de estimular suas exportações, pode se transformar em algo que as autoridades brasileiras chamaram de “guerra cambial”. Mas a coisa pode ser ainda mais profunda. Caso as disputas cambiais não sejam resolvidas, dizem especialistas, o mundo pode se ver diante de uma guerra protecionista, nos moldes da que acentuou a Grande Depressão econômica da década de 1930.

Foto: Agência Brasil
Guido Mantega diz que mundo vive "guerra cambial" e vai discutir tema em encontro do G20 nesta quinta
       
       “Quem está valorizando sua moeda frente ao dólar não quer abrir mão do poder que adquiriu”, diz o professor doutor de economia da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda. “O custo do não acordo cambial será uma guerra comercial, com os países tendendo a erguer barreiras comerciais”, completa.
       Os passos da guerra já começaram. No fim de setembro, uma comissão da Casa dos Representantes dos Estados Unidos – o equivalente à nossa Câmara dos Deputados – aprovou um projeto de lei que prevê que as indústrias norte-americanas que provarem ter sido prejudicadas pelas importações chinesas poderão exigir a taxação desses bens.
       O cenário de alerta tem mobilizado as principais autoridades econômicas do mundo. Nesta quinta-feira, líderes do chamado G20 (grupo das 20 maiores economias do planeta) reúnem-se em Washington (EUA) para discutir a questão cambial. O ministro da Fazenda Guido Mantega estará entre os debatedores. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, recentemente, que levará o tema à próxima Cúpula do G20, que será realizada em novembro, na Coreia do Sul. 

As moedas frente ao dólar

Confira a variação das principais moedas desde o estouro da crise mundial


Fonte: Banco Central / (*) em 5 de outubro

A guerra

        Na mesa de discussão, os interesses são os mais distintos. Como grande “capitão” da guerra cambial aparece a China, “sentada” em reservas próximas de US$ 1 trilhão. Tal colchão de segurança permite aos chineses manter o yuan valorizado, derrubando seus concorrentes mundiais. Evidentemente, os chineses não querem perder esse poder.
       Já entre os chamados países desenvolvidos – que ainda estão cambaleando por conta da crise mundial –, a onda de desvalorização da moeda é uma alternativa para a retomada da economia. Em tempos de demanda interna fraca (já que as famílias, em especial na Europa e nos Estados Unidos, estão desalavancando seus orçamentos), a alternativa é baixar os juros – e, com isso, valorizar a moeda - e blindar a indústria local com estímulos às exportações.

        “A segurança cada vez maior de que o mundo está deixando a crise para trás diminui o apelo do dólar como ‘porto seguro’. Paralelamente, a expectativa de que o viés da política monetária americana permanecerá expansionista por período prolongado reduz a atratividade do dólar como investimento”, diz o diretor da área de macroeconomia da LCA Consultores, Celso Campos de Toledo Neto, em relatório. “Neste contexto, moedas de países emergentes e de exportadores de commodities de forma geral ganham tração”, completa.
       O Brasil insere-se aí. Alçado como bola da vez do pós-crise - pelo bom momento econômico e pelo alto retorno proporcionado em investimentos em papéis do Tesouro por conta das altas taxas de juros -, o País tende a receber um fluxo crescente de investimentos estrangeiros, que forçam a valorização do real frente ao dólar. Segundo projeções do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), a entrada de capital estrangeiro nos mercados emergentes deve crescer 42% neste ano, chegando a US$ 825 bilhões. Para 2011, o número deve subir para US$ 833,4 bilhões.

Refém
       Na avaliação de especialistas consultados pelo iG, o Brasil está na condição de refém da disputa cambial. “Essa vinda de capital é inevitável porque o mundo está premiando os países que estão crescendo mais, beneficiando os emergentes”, diz a economista sênior para a América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), Zeina Latif. “O Brasil não pode abrir mão dessa fonte de financiamento porque não tem uma taxa de poupança doméstica que dê conta das necessidades de financiamento.”
       Os especialistas dizem que medidas como a ampliação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciada pelo ministro Guido Mantega no início da semana, têm impactos limitados na taxa de câmbio. “O que podemos fazer para segurar o câmbio é muito pouco. O real está se valorizando por algumas falhas estruturais da economia brasileira. É como alguém que está engordando e coloca a culpa na cozinha”, afirma Roberto Luis Troster, doutor em economia e ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
       Em relatório, Mauricio Oreng, economista do Itaú Unibanco, diz que existem outras armas no arsenal, que poderão ser usadas de acordo com o contexto. Entre elas, Oreng cita aumentar as intervenções no câmbio pelo Banco Central e/ou pelo Fundo Soberano, tanto no mercado à vista quanto no Swap; limitar as posições vendidas em dólar dos bancos; impor quarentena sobre o capital estrangeiro; e subir ainda mais o IOF, possivelmente focando também nas entradas de recursos para bolsa e derivativos.
       Pesa, ainda, na conta brasileira o diferencial de juros, que atrai ainda mais o capital estrangeiro. “É preciso adaptar a política cambial brasileira a essa guerra cambial mundial e ao fluxo enorme de capitais que vem para o Brasil. O País evoluiu muito na macroeconomia, mas mantém estranhamente os juros muito altos”, completa Antonio Correa de Lacerda, da PUC-SP. 

Virada do jogo
       Para Zeina Latif, do RBS, o Brasil deve se adaptar ao cenário de moeda valorizada, que não deve mudar no médio prazo. Ela defende a adoção de medidas que deem competitividade para as empresas, como, por exemplo, a reforma tributária e a redução da burocracia. “Não dá para lutar contra o dólar, mas temos que reforçar a competitividade das empresas”, diz.
       O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, afirma que o real valorizado abre novas oportunidades para o Brasil. “Deveríamos aproveitar o momento de real forte e juros baixo no mundo para aumentar a produtividade da economia brasileira.”
       “Precisamos melhorar portos, aeroportos, as indústrias. Este era o momento de o Brasil aproveitar para avançar e não para criar uma barreira contra a valorização do real”, completa.

Fonte: http://economia.ig.com.br/disputa+cambial+pode+levar+economia+a+uma+guerra+protecionista/n1237792967957.html

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Retomada da economia não anima exportador

Para O diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) , José Augusto de Castro, houve melhora nas exportações em setembro, mas ainda longe do resultado de 2008. (Foto: José Leomar)

Rio de Janeiro. A recuperação da indústria voltada à exportação segue ainda abaixo da retomada geral do setor industrial do País. Levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), revela que os resultados mais recentes do Índice de Confiança da Indústria (ICI) não são tão otimistas quando concentrado apenas neste segmento.

Em um universo de 66 exportadoras pesquisadas - com mais de 50% de seu faturamento em vendas externas -, o ICI foi de 86,9 pontos em setembro, o menor nível para o mês em oito anos. Por esta tabela, resultados abaixo de 100 pontos indicam pessimismo. O câmbio é apontado como o principal motivo para as expectativas adversas da indústria exportadora. O diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ressalta que, na comparação com meses anteriores, houve melhora na confiança do exportador em setembro. Mas acredita que o desempenho este ano ainda está longe do apresentado em 2008.

A previsão mais recente da AEB para 2009 é que o volume de exportações brasileiras atinja US$ 153 bilhões, saldo 22,3% inferior ao apurado em 2008, quando as vendas externas brasileiras bateram US$ 197 bilhões. A AEB tende a revisar para cima a estimativa. "Mas mesmo com a revisão, não chegará, nem de longe, perto do desempenho que tivemos no ano passado", acrescentou.

O coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, avalia que a retomada da economia brasileira continua atrelada ao consumo interno, cuja demanda se recupera de forma mais rápida. "A demanda externa está se recuperando, mas ainda de forma muito lenta e gradual", afirmou. O ICI dos exportadores, calculado em escala de 0 a 200 pontos, também foi menor do que o da indústria da transformação como um todo, que alcançou 109,5 pontos.

"O mês de setembro apresentou uma grande melhora em relação a agosto, quando a confiança dos exportadores foi de 71,1 pontos. Mas ainda está abaixo do registrado em 2008", disse Campelo. No levantamento da fundação, é possível perceber que o ICI no primeiro semestre de 2008 entre as companhias exportadoras ficou acima de 100 pontos (o que significa otimismo), em todos os meses daquele período. No primeiro semestre de 2009, o ICI das exportadoras atingiu níveis entre 40 e 60 pontos.

O principal problema observado por Castro para a rentabilidade dos exportadores é o câmbio. Para a AEB, um "patamar de equilíbrio" para o dólar seria em torno de R$ 2,20. Nesse nível, a moeda norte-americana seria suficiente para angariar lucro nas exportações e, ao mesmo tempo, não elevaria tanto os custos dos empresários com a compra de insumos importados.Porém, o cenário atual não aponta para um patamar acima de R$ 2 para o dólar.


Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Negócios. Fortaleza, 23 de outubro de 2009.http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=682934

Câmbio: medidas em estudo

Mantega: "Derretimento do dólar é um problema mundial"
Ministro disse que está aberto a ouvir propostas dos empresários e se diz confiante na taxação do IOF na entrada de capital

Brasília. Sob pressão de parte do empresariado nacional que pede a reversão da taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital externo no País, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acenou ontem com medidas complementares e adicionais para conter a forte valorização do real frente ao dólar.

Mantega disse que está aberto para ouvir as propostas dos empresários, mas adiantou que o governo considera mais "complicada" a adoção da tributação do IOF no momento de saída do capital do País. A proposta é defendida pelo presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, que levou ontem a ideia ao ministro da fazenda. Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Mantega confirmou ainda que o Fundo Soberano do Brasil (FSB) poderá comprar os dólares que entrarem no Brasil para a operação de capitalização da Petrobras.

Em entrevista, após a reunião, ele previu que as reservas internacionais brasileiras poderão subir para US$ 500 bilhões com os recursos gerados pela exploração do petróleo do pré-sal. O ministro não precisou em que prazo isso ocorreria. Atualmente, as reservas estão em US$ 232 bilhões.

Apesar das críticas de que a taxação do capital externo vai provocar a "exportação" do mercado de capitais brasileiro, o ministro se disse confiante no sucesso da medida e fez até mesmo uma aposta: "o processo de abertura de capital das empresas com as operações de IPO (oferta inicial de ações) não será interrompido. Quando participam desse tipo de operação, disse ele, os investidores não estão preocupados com o ganho imediato, e sim com a rentabilidade que a ação da empresa vendedora pode garantir. O que vai diminuir, segundo ele, é o fluxo de capital de curto prazo para o País".

Depois da audiência, o ministro foi questionado se o governo, diante das críticas, poderia recuar da decisão de taxar a entrada de capital. Ele respondeu: "Acabamos de lançar a medida. Temos que observar sua repercussão que eu acredito que será positiva. Mas isso não impede que possamos pensar em medidas complementares e adicionais", afirmou.

Fundo

O ministro assegurou ainda que o governo está preparado para absorver os dólares de acionistas minoritários que vão entrar no País para a capitalizar a Petrobras. Ao ser questionado pelo relator do projeto de lei que trata da capitalização, deputado João Maia (PR-RN), sobre a possibilidade de entrarem US$ 25 bilhões nessa operação, Mantega disse que o governo vai comprar todos os dólares que ingressarem para não que não haja pressão na taxa de câmbio.

O ministro informou que a compra dos dólares poderá ser feita pelo FSB, ou BC.

"Eles (os dólares) nem entram no mercado. Vamos absorver. Ou vão para as reservas ou para o FSB, que os senhores já autorizaram", disse. A lei que criou o fundo permite a compra de dólares. Mas falta ainda regulamentação.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Negócios. Fortaleza, 22 de outubro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=682370