Mostrando postagens com marcador Sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sustentabilidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de junho de 2011

5 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente 2011 - Mitos sobre sustentabilidade nas empresas

Confira como algumas ideias equivocadas sobre sustentabilidade podem atrapalhar o negócio da empresa



Você sem dúvida já deve ter ouvido frases como: “Isto é um custo e não podemos bancar agora” ou “Precisamos de muito pessoal”, ou ainda “Não há dinheiro na Sustentabilidade”. Estes tipos de mitos, acabam minando muitas iniciativas empresarias por conta de equívocos em relação a sustentabilidade.

Uma pesquisa com dezenas de empresas da Fortune 1000 mostra a relutância em levar a cabo iniciativas de sustentabilidade ambiental, por causa de mitos como estes relacionados a custos ou benefícios. 

Para quebrar de vez ideias em descompasso com o desenvolvimento das empresas, veja oito mitos mais comuns e procure fugir deles.


1. É um custo e não podemos bancar agora


A sustentabilidade deve ser considerada não apenas porque é a coisa certa a fazer, mas também porque faz sentido para os negócios. Se uma iniciativa não pode ser justificada a partir de um marketing estratégico, financeiro, operacional, ou recrutamento de empregados / perspectiva de retenção, não faça isso. Mas descobriu-se que em quase todos os cantos de uma organização há uma razão fundamental de negócios para ser mais sustentável. 

Como Richard Goode, diretor de sustentabilidade da Alcatel-Lucent, disse recentemente: "Nos bons tempos, a sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo, em tempos de vacas magras, é uma estratégia defensiva e em tempos realmente difíceis, ele pode determinar sua sobrevivência". A CEO da Xerox, Ann Mulcahey, compartilha dessa opinião dizendo que ser "um bom cidadão corporativo" salvou a empresa da falência. Consulte o Mito 3 para ver como as companhias têm feito investimentos em sua sustentabilidade. 

2. Precisamos de muito pessoal

Um dos mitos é que os esforços relacionados com a sustentabilidade exigem uma grande equipe centralizada de condução e apoio. Na verdade, o oposto é verdadeiro. Na maioria das empresas líderes pesquisadas, a equipe de sustentabilidade oscila entre um e quatro funcionários, mesmo em grandes companhias como a AT&T. 
O papel desses grupos é trabalhar com as diversas funções em toda a organização e com os altos executivos, para desenvolver uma estratégia, formulação de objetivos, coordenação de atividades e relatório sobre o progresso. Muitos dos líderes de sustentabilidade entrevistados afirmam que, no mundo ideal, essa equipe não seria nem necessária, pois a sustentabilidade seria integrada a todos os aspectos das operações da empresa e produtos. Mas, enquanto os negócios buscam esse estado ideal, uma equipe pequena e centralizada continuará a ser necessária.

3. Não há dinheiro na sustentabilidade
A sustentabilidade oferece oportunidades inovadoras para empresas de linha superior e inferior. Novas empresas e marcas criadas são inteiramente focalizadas no verde, como a Seventh Generation, GreenWorks, da Clorox, e a Renew mobile phones, da Motorola. 
Estas marcas não apenas apresentam milhões em receitas, como também reforçam a imagem de marca de suas empresas-mãe. A P&G até mesmo afirmou que deve gerar US$ 50 bilhões (sim, com um B), no acumulado de vendas de "produtos de inovação sustentável" em um período de cinco anos, que termina em 2012. 
Além disso, muitas empresas descobriram que podem revender os produtos usados e os materiais que antes eram considerados resíduos. Quando a Verizon focou na criação de operações mais sustentáveis, gerou US$ 27 milhões, classificando e vendendo materiais recicláveis a partir do seu fluxo de resíduos, ao mesmo tempo, poupando mais de um milhão de dólares em custos de remoção dos resíduos.

Abaixo estão outros exemplos: 
• Johnson & Johnson realizou 80 projetos de sustentabilidade desde 2005 e atingiu US$ 187 milhões em poupança, com um ROI de cerca de 19%, e subindo. 
• CocaCola afirma que gerou 20% de lucro sobre seus investimentos em iniciativas de economia de energia. 
• Diversey, líder global de B2B, fornecedora de limpeza comercial e soluções de higiene, afirma que, para cada US$ 1 investido em 2008, eles esperam recuperar US$ 2 dólares em 5 anos.

4. É só para as grandes empresas
A partir da experiência no trabalho com sustentabilidade, em grandes e pequenas empresas, é possível dizer sem hesitação que o tamanho da empresa faz pouca diferença. Empresas líderes de sustentabilidade estudadas são tão pequenas quanto a Numi Organic Tea (com receitas próximas de US$ 15 milhões), e tão grandes como a Hewlett-Packard (com receita de US$ 110 bilhões). Entre outras coisas, as pequenas empresas têm a vantagem de sua competitividade depender muitas vezes de serem enxutas, talentosas, e ágeis, o que a sustentabilidade potencializa.
Ahmed Rahim, CEO da Numi Organic Tea diz que todas as facetas das operações da empresa, as opções em seus produtos, e todos os seus funcionários têm em mente a sustentabilidade em suas decisões de trabalho e vida pessoal. A Numi se orgulha de usar materiais 100% biodegradáveis ou recicláveis em suas embalagens, e ganhou o prêmio WRAP (Waste Reduction Award Program) em quatro dos últimos cinco anos, no estado da Califórnia. Na verdade, ela foi reconhecida como uma das cinco maiores empresas do estado para as iniciativas em redução de resíduos. A sustentabilidade é integrada em cada decisão tomada na Numi.
Bonnie Nixon, Diretor de Sustentabilidade Ambiental da HP, diz que o tamanho de sua empresa tem pouco a ver com ela ser líder na sustentabilidade. Já nos seus primeiros dias, os fundadores da Hewlett Packard estavam na vanguarda, fazendo e pensando de forma sustentável, e a idéia ficou com a organização durante várias décadas.
As empresas maiores têm uma vantagem quando se trata de influenciar sua cadeia de abastecimento (Walmart e P&G são exemplos), e ao influenciar a política em nível governamental, mas as empresas menores podem ser tão eficazes, se não mais, em quase todo o resto.
5. É principalmente para empresas B2C
Surpreende ouvir de equipes de gestão que, por serem de uma empresa B2B, ser sustentável não importa muito, uma vez que seus clientes não são "consumidores". Primeiro, há oportunidades para impactar diretamente sobre os custos, conforme discutido acima. Danny Wong, diretor de sustentabilidade na Avery Dennison (predominantemente uma empresa B2B), afirma que a poupança de energia por si só justifica os investimentos em sustentabilidade, que foram "uma agradável surpresa".
Mas, além disso, quem toma decisões de compra em companhias? Ouve-se de um número crescente de grandes empresas B2B que seus clientes e potenciais clientes estão perguntando sobre seus esforços de sustentabilidade de RFPs. Uma empresa de software B2B vai tão longe a ponto de explicitamente colocar em seus critérios de aquisição que será dada preferência a organizações sustentáveis.
Uma grande fabricante de telecomunicações afirma que, em 2007, havia 50 RFPs (de cerca de 400), solicitando informações sobre as iniciativas de sustentabilidade da empresa. Em 2008 esse número era de 125 e, em 2009, está em vias de ser de mais de 200! Muitos clientes preocupam-se de quem compram, sejam eles consumidores ou corporações multi-bilhonárias.
6. Se fizermos afirmações sobre a sustentabilidade, seremos acusados de greenwashing
Enquanto existem algumas empresas que podem ser acusadas justamente de greenwashing, para muitas outras o medo de ser manchada desta maneira é muito exagerado. 
Estas empresas estão se empenhando para melhorar o seu impacto de carbono, sem muito alarde. As empresas que estabelecem metas significativas, e as alcançam, têm todo o direito de contar seus sucessos.

Mas a transparência torna-se um elemento importante neste processo, não só por suas realizações, mas também para as falhas. Não há nada melhor para a construção da credibilidade de seu sucesso como admitir suas falhas. E como o item seguinte ilustra, em parceria com as ONGs podem ajudar a construir a credibilidade sobre algumas das reivindicações.
7. ONGs são nossos adversários
Muitas empresas pensam em ONGs como adversárias, e ficam muito felizes se não forem abordadas por elas. Contudo, esta é uma oportunidade perdida para beneficiar da sua experiência em abastecimento, tratamento de água e uma série de outras questões. Organizações como a WWF e a Conservation International servem como parceiros para promover os esforços de muitas empresas líderes de sustentabilidade.
Bonnie Nixon disse que a HP percebeu há muitos anos que tratá-las como adversários foi contraproducente e, agora, faz parcerias com diversas ONGs. 
Suzanne Apple, Vice Presidente e diretora de gestão da WWF, diz que acolhe com satisfação a oportunidade de trabalhar com as empresas de forma "ganha-ganha", citando a Coca-Cola como um exemplo no qual a WWF ajuda a empresa a satisfazer as suas necessidades hídricas enquanto conserva a água doce mundialmente.

8. Não precisamos nos preocupar com a cadeia de abastecimento, porque não produzimos bens
Algumas empresas afirmam que, porque eles não produzem bens, não compram muito, e, portanto, não têm uma pegada de carbono significativa. Ou que seus produtos não consomem muita energia, assim o seu impacto ambiental é mínimo.
O Walmart é um excelente exemplo de uma empresa que não faz as coisas, ainda está desenvolvendo um índice para suas dezenas de milhares de fornecedores que medirá o impacto de carbono a partir de coisas que vendem para a empresa.
De acordo com Matt Kistler, Vice Presidente Sênior de Sustentabilidade no Walmart, 88% da área ambiental da empresa é voltada para sua cadeia de fornecimento, e apenas 12% está sob seu controle direto. Portanto, se a empresa vai atingir o seu objetivo de neutralidade de carbono, necessitará enfrentar a maioria das suas reduções em sua cadeia de abastecimento.
Observando uma grande empresa de softwares, descobriu-se que ele gasta bilhões de dólares em seus fornecedores, em tudo, desde computadores ao material de escritório para utilitários. Esta companhia pretende ser um líder em sustentabilidade, no entanto, tem ignorado a cadeia de abastecimento, porque acha que não é significativo para os seus objetivos de sustentabilidade. Com seu poder de compra, eles têm uma tremenda oportunidade para influenciar a cadeia de abastecimento e reduzir o seu impacto (indireto) do ambiente.

Estes são apenas alguns dos muitos mitos vistos no trabalho com grandes e pequenas empresas. Tal como acontece com estes oito, há uma abundância de evidências para dissipar os mitos para fora lá, mas a lição final é simples: as empresas que optam por fechar os olhos para os benefícios de se tornar mais sustentáveis estão se colocando numa posição de desvantagem competitiva imediata e possivelmente definir como objetivos para a regulação no longo prazo. 

Portal HSM
Fonte: Com informação do site Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)
23/03/2011


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Conceito de “compras sustentáveis” será inserido na Lei de Licitações


As compras e os serviços contratados pelo governo também deverão se submeter a critérios de sustentabilidade ambiental. Esse conceito poderá ser introduzido na Lei de Licitações (Lei nº 8.666/93) por projeto de lei (PLS 5/11) do senador Magno Malta (PR-ES). A proposta aguarda a indicação de relator na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).

O primeiro acréscimo sugerido prioriza os requisitos de sustentabilidade ambiental na escolha da proposta considerada mais vantajosa para a administração pública. Em seguida, inclui-se como critério de desempate produtos produzidos ou serviços prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no país e em projetos e programas de proteção ao meio ambiente.


Por fim, o projeto recomenda que as compras públicas levem em conta, sempre que possível, a compatibilidade do bem a ser adquirido com as exigências relativas à conservação do meio ambiente. Depois de passar pelo crivo da CMA, a proposta seguirá para votação, em Decisão Terminativa. É aquela tomada por uma comissão, com valor de uma decisão do Senado. Quando tramita terminativamente, o projeto não vai a Plenário: dependendo do tipo de matéria e do resultado da votação, ele é enviado diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhado à sanção, promulgado ou arquivado. Ele somente será votado pelo Plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado à Mesa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a interposição de recurso para a apreciação da matéria no Plenário do Senado é de cinco dias úteis, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).


Segundo ressaltou Magno Malta, o projeto procura colocar a Lei de Licitações em sintonia com o artigo 225 da Constituição, que impõe “ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo [o meio ambiente] e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
“Ao valer-se de critérios sustentáveis em suas aquisições e contratações, a administração pública, como grande consumidora de bens e serviços, sinalizará ao segmento fornecedor a necessidade de ajuste de seus processos produtivos aos padrões de proteção ambiental, sob pena de ser excluído do mercado de compras estatais”, argumenta Magno Malta na justificação do projeto.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Comércio Internacional e Sustentabilidade

21/02/2011 17:59
Ipea divulga novo Comunicado sobre sustentabilidade

Comunicado nº 79, sobre comércio internacional e a sustentabilidade socioambiental, foi lançado em Brasília

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou nesta terça-feira, 22, às 10 horas, o Comunicado do Ipea n° 79: Comércio Internacional e a Sustentabilidade Socioambiental no Brasil, parte da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro. O Comunicado foi apresentado no auditório do Ipea em Brasília (SBS, Quadra 1, Bloco J, Edifício BNDES, subsolo), com transmissão ao vivo pelo Portal Ipea na internet.
O Comunicado faz parte de um conjunto amplo de estudos sobre o que tem sido chamado, no Ipea, de Eixos do Desenvolvimento Brasileiro: Inserção internacional soberana; Macroeconomia para o desenvolvimento; Fortalecimento do Estado, das instituições e da Democracia; Infraestrutura econômica, social e urbana; Estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; Proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e Sustentabilidade ambiental.
O Comunicado do Ipea nº 79 aborda a pauta de exportação brasileira, o comércio internacional com enfoque nos países periféricos, os possíveis efeitos da inserção do Brasil como fornecedor de matéria-prima, os diversos grupos de produtos exportados com enfoque na intensidade tecnológica, e também trata dos produtos conforme a intensidade energética de sua produção. A pesquisa analisa a exportação de commodities pelo Brasil e aponta fragilidades e soluções para o respeito às legislações ambientais no que tange a produção e exportação dos produtos brasileiros.
A série Sustentabilidade Ambiental no Brasil: Biodiversidade, economia e bem-estar humano faz uma análise de diversos setores relacionados ao meio ambiente. E busca servir como uma sistematização e reflexão sobre os desafios e oportunidades do tema “meio ambiente”, de forma a fornecer ao Brasil o conhecimento crítico necessário à tomada de posição frente aos desafios da sustentabilidade ambiental.
Comunicados
O livro Sustentabilidade Ambiental no Brasil: Biodiversidade, economia e bem-estar humano, cujos capítulos deram origem aos comunicados da série, contém outros 14 capítulos sobre temas relacionados ao meio ambiente no Brasil.        
Dentro da série, ainda serão divulgados comunicados sobre políticas públicas de meio ambiente, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), direito ambiental, emprego verde e sustentabilidade na construção civil.


sábado, 10 de julho de 2010

O perigo de crescer economicamente sem cuidar das outras dimensões da Sustentabilidade

Pequim, 09/07/2010
Crescimento chinês é insustentável no longo prazo


Relatório afirma que padrão de crescimento das últimas décadas terá de se tornar mais 'verde' para que país mantenha ganhos sociais


Leia também
China deve alcançar Objetivos do Milênio

Desigual, China tem IDH de Europa e África

IDH da China é o que mais cresce no mundo
da PrimaPagina


Impulsionada por um crescimento anual de quase 10% desde a década de 80, a China foi o país que mais ganhos obteve no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), tornou-se a terceira maior economia do mundo e tirou quase meio bilhão de pessoas da pobreza. No entanto, esse processo significou aumento da poluição num nível que torna insustentável o desenvolvimento chinês no longo prazo, avalia um relatório do PNUD sobre o país.

“O crescimento econômico sustentado foi instrumento fundamental no rápido ganho de desenvolvimento humano da Chia, e terá de continuar para atender as necessidades de emprego, serviços sociais e infraestrutura social. No entanto, o modelo de crescimento econômico baseado no uso intensivo de energia e de outros recursos e uma alta dependência de combustíveis fósseis teve seu preço em termos de degradação e poluição. No longo prazo, ele é insustentável”, avalia a edição de 2009/2010 doRelatório de Desenvolvimento Humano da China, encomendado pelo PNUD e coordenado pela universidade chinesa de Renmin.

Desde 1979, com a introdução de reformas, o sistema regidamente planificado e centralizado deu lugar a uma economia de mercado dinâmica que atrai a atenção do mundo. Nas últimas três décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) da China tem crescido a uma média de 9,8% ao ano. Entre 1991 e 2004, a proporção de pobres caiu de 65,2% para 10,4% da população. “Os chineses estão agora mais ricos, mais bem educados e mais saudáveis do que nunca”, observa o estudo.

Ao mesmo tempo, a rápida expansão gerou desigualdades sociais e degradou o meio ambiente. “A emissão total de gases-estufa da China cresceu rapidamente com a industrialização e a urbanização ao longo das últimas décadas. Desde 1970 a 2007, o volume total subiu sete vezes. Em 2007, as emissões de CO2 da China ultrapassaram as dos Estados Unidos e são hoje as maiores do mundo”, aponta o texto.

Os chineses lançam 6 bilhões de toneladas de gases-estufa ao ano, contra 1 bilhão no início dos anos 70. Isso está em parte ligado ao fato de o país ser muito grande e ter uma população numerosa. As emissões per capita são menores que as dos países desenvolvidos — mas cresceram 381% no período, bem mais que as do planeta como um todo (17%), segundo dados da Agência Internacional de Energia citados no relatório. O problema pode se agravar, pois, ao longo das próximas duas décadas, 350 milhões de pessoas devem migrar das zonas rurais chinesas para áreas urbanas.

A indústria do país é setor que mais contribui para a emissão (84% do total). O setor de energia e aquecimento, em especial, impulsiona o problema — é responsável por 49,5% da poluição, seguido por manufatura e construção (31,2%). Já o transporte (6,8%) e o consumo residencial (4,2%) têm pequena participação.

O relatório salienta que há grande disparidade entre as indústrias da China. De um lado, empresas modernas —especialmente as estatais— adotam tecnologia avançada, com baixo consumo de energia por unidade de produção. Em contraste, um grande número de pequenas e médias empresas ainda usam equipamentos ultrapassados e tecnologias que desperdiçam energia e produzem níveis elevados de emissões.

Um exemplo disso é a usina termelétrica de Zhejiang, considerada a maior e mais eficiente do mundo, com quatro geradores de 1 mil megawatts e um nível de consumo de carvão de 282,6 gramas por quilowatt-hora. Ao mesmo tempo, um grande número de geradores ultrapassados opera no país abaixo de 200 mil quilowatts — para cada quilowatt-hora de eletricidade gerado, estes aparelhos lançam entre 250 e 350 gramas a mais de CO2 na atmosfera do que os mais modelos mais avançados.

A simultaneidade entre rápido avanço no IDH e degradação ambiental não significam que os dois fenômenos necessariamente andam juntos, diz o relatório. Os autores identificam dois padrões gerais nos países desenvolvidos: Um, dos países europeus e do Japão, onde as emissões per capita são relativamente pequenas, e outro de Austrália, Canadá e Estados Unidos, onde são altas.

O estudo menciona também o caso mexicano e o brasileiro. Entre 1980 e 2006, Brasil e México avançaram no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), enquanto o crescimento per capita de emissões de CO2 nos dois países foi considerado pequeno (de 3,4 toneladas para 4,2 e de 1,6 para 1,9, respectivamente). “Essas experiências confirmam que modelos de desenvolvimento humano sustentáveis são possíveis.”

O texto destaca que a China tem dados vários passos em relação a uma economia mais verde. Em dezembro de 2009, durante a Cúpula da ONU em Copenhague, o país se comprometeu a reduzir suas emissões de CO2 per capita entre 40% e 45% até 2020. Para isso, o relatório afirma que as empresas chinesas devem investir na redução das emissões, adotar tecnologias mais limpas e promover melhorias para alcançar maior eficiência.
Além disso, o governo central deve ser responsável pela criação de metas nacionais e pelo desenvolvimento de marcos regulatórios. O texto ainda sugere a introdução de um imposto sobre o carbono no país.

http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=3513&lay=mam

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dimensão Econômica da Sustentabilidade

Investimentos "sustentáveis" movimentam US$ 20 trilhões




 bancos e bolsas de valores t� aplicado crit�ios socioambientais na an�ise dos investimentos
Bancos e bolsas de valores têm aplicado critérios socioambientais na análise dos investimentos/Foto: rednuht

Os fundos de investimentos que atendem aos Princípios para o Investimento Responsável (PRI, na sigla em inglês), iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular critérios de sustentabilidade entre instituições financeiras, já movimentam US$ 20 trilhões em recursos em todo o mundo.
“Há um movimento forte, entre bancos e bolsas de valores, de aplicar critérios socioambientais na análise dos investimentos. Isso crescerá nos próximos anos”, afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo o secretário-adjunto da Federação Mundial de Bolsas, Peter Clifford. Ele participou de uma reunião do órgão sediada na BM&FBovespa, em São Paulo.
Um dos focos do encontro, que reuniu representantes de 30 bolsas diferentes, foi como o mercado pode incorporar os critérios de sustentabilidade na negociação de ações.
“O vazamento de petróleo no Golfo do México derrubou o valor das ações da BP. Isso é um exemplo de que o mercado responde imediatamente aos impactos ambientais”, exemplificou Clifford.
Recentemente, três bolsas de valores aderiram aos Princípios do Investimento Responsável da ONU: São Paulo, Johannesburgo e Istambul.
Segundo o professor de economia do Instituto de Ensino e Pesquisa Insper, José Luiz Rossi, as companhias que adotam as chamadas práticas sustentáveis contam com melhor avaliação para investimento em relação a concorrentes que não o fazem.
De acordo com o especialista, empresas que fabricam produtos sustentáveis ou empreendem ações de caráter ambiental e social tendem a ser cada vez mais valorizadas pelos consumidores, aumentando a demanda pelas suas mercadorias, melhorando seus resultados e, consequentemente o retorno aos acionistas.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Negócios Sustentáveis


Workshop debate valor da sustentabilidade nos negócios


Mônica Nunes/Débora Spitzcovsky - 04/05/2010
O workshop “Aumentando a rentabilidade e a competitividade via sustentabilidade”, promovido pelo Grupo Sustentax, debaterá, no dia 19 de maio, como a introdução do conceito de sustentabilidade nas estratégias de uma empresa pode contribuir positivamente para os negócios, a curto e longo prazo. 

Desenvolvido, principalmente, para o público que atua no segmento econômico, o workshop abordará temas como: 
– “O comportamento dos consumidores brasileiros diante dos problemas ambientais e sociais”; 
– “Novas expectativas dos consumidores abrindo espaço para a diferenciação competitiva”; 
– “Como incorporar, de forma pragmática, a sustentabilidade nos negócios da empresa?”; 
– “Diferença entre produtos ecológicos, orgânicos, verdes e sustentáveis”; 
– “O que não pode faltar em um produto sustentável?”; 
– “Importância da rotulagem socioambiental no comércio internacional” e 
– “Cuidados a serem tomados na comunicação com o consumidor para gerar efetiva diferenciação competitiva”. 

Os interessados em participar do workshop podem se inscrever pelo telefone (11) 3062-5031, até a próxima sexta-feira, dia 7 de maio. As vagas são limitadas. 

Workshop “Aumentando a rentabilidade e a competitividade via sustentabilidade” 
Data: 19 de maio 
Horário: das 8h30 às 11h45 
Endereço: Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 2344, 9º andar 
Inscrições e informações pelo telefone (11) 3062-5031 

Leia também: 
Iniciativas empresariais sustentáveis em livro 
A Revolução Decisiva 
O Verde Que Vale Ouro

*Grupo Sustentax

Fonte: Planeta Sustentável

quinta-feira, 18 de março de 2010

Investimentos e Sustentabilidade


15/03/2010 - 16h32

De olho no lucro, pequeno investidor ignora apelo à sustentabilidade das empresas

Anne Dias


Na hora de montar sua carteira de ações, o investidor minoritário, aquele que tem até R$ 200 mil para aplicar em ações, só pensa em uma coisa: lucro. Eles estão errados? Claro que não. Mas a BM&FBovespa tenta provar que é preciso colocar outra peso nesta balança: a sustentabilidade.
Para isso, a Bolsa mantém há quase cinco anos o ISE, o Índice de Sustentabilidade Empresarial, que lista um total de até 40 empresas reconhecidamente engajadas com ações sustentáveis. O índice considera que essas empresas geram valor para o acionista no longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais.
Essa demanda veio se fortalecendo ao longo do tempo no mercado internacional, e hoje é amplamente atendida por vários instrumentos financeiros. Por aqui, porém, o investimento não tem se mostrado tão atrativo quanto poderia. 
“Por enquanto, poucos minoritários pensam em comprar ações de uma empresa sustentável. No máximo, eles querem saber se ela está no Novo Mercado”, diz o economista Clodoir Vieira, da corretora Souza Barros.
Vieira diz que há baixa procura por esse tipo de ação porque muitos desses investidores ainda são céticos. “Muita gente prefere ações da Sousa Cruz, por exemplo, porque quer empresas que cresçam, não importa como”, afirma.
O mesmo não acontece com os grandes investidores, como os fundos de pensão. Eles estão de olho, por exemplo, em como a companhia trata o meio ambiente. A Previ, fundo de previdência privada que pertence aos funcionários do Banco do Brasil, é um exemplo. “As ações de uma empresa que toma uma multa porque poluiu um rio podem 'desabar'. Se não estiver atento, um fundo grande como a Previ, que investe milhões de reais, pode perder muito dinheiro de uma hora para outra”, diz Vieira.
Para o diretor da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), Luiz Maia, investir em empresas com preocupação socioambiental tem mais uma vantagem. “Elas oferecem menos risco [econômico] do que uma empresa que não respeita o ambiente.”
Apesar da baixa procura, a direção da Bolsa acredita que uma hora este jogo vira. “Hoje os grandes investidores e os estrangeiros estão mais preocupados com a questão da sustentabilidade das empresas. Mas isso ainda vai chegar à pessoa física”, afirma a diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa, Sonia Favaretto.
E, para isso, o melhor caminho talvez não seja o lucro. “O apelo para a adesão dos minoritários não precisa mais ser a lucratividade, porque as empresas sustentáveis já dão lucro. A atração tem de ser pelo tratamento que elas dão ao ambiente”, afirma Carolina Murphy, pesquisadora da Columbia University (EUA), onde fez mestrado em Desenvolvimento Econômico e Político.

Valorização

Mesmo em meio ao turbilhão da crise financeira mudial, a rentabilidade do ISE em 2009 foi de 66,4% em relação ao ano anterior. Já o Ibovespa subiu 82,6% no período. Desde que foi criado, no final de 2005, até julho de 2009, o índice havia acumulado valorização de 53,9%. No mesmo período, o Ibovespa registrou ganhos de 71,6%.

Perfil

De acordo com a Bolsa, o ISE é voltado para dois tipos de investidores. O primeiro é o pragmático, aquele que compra ações de empresas listadas em índices de sustentabilidade porque acredita que elas têm mais chances de permanecerem produtivas pelas próximas décadas e que sofrerão menos passivos judiciais.
O segundo é o engajado, que, por comprometimento pessoal, decide privilegiar as empresas que atuam com respeito a valores éticos, ambientais e sociais e  não quer se envolver com empresas que poluem ou que têm problemas com direitos humanos.

Mudanças no ISE

A BM&Bovespa anunciou na sexta-feira (12) mudanças na metodologia para a definição da próxima carteira teórica do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).
O ISE é formado atualmente por um grupo de 34 empresas que tem como meta a responsabilidade social e preocupação com o ambiente. A carteira de ações é revista todos os anos. A que está em vigor até 30 de novembro reúne 43 ações. Os recursos não podem ser alavancados (investir em mercado futuro, com possibilidade de aumentar o retorno, com mais risco).
Entre as principais alterações, o convite para se candidatar ao índice passará a ser feito para as companhias detentoras das 200 ações mais líquidas da bolsa, não mais para as 150 mais negociadas, como anteriormente. Fora isso, o questionário que será enviado para as companhias contará com um grupo de questões envolvendo iniciativas relacionadas a mudanças climáticas.
Já a quarta mudança prevê que o conselho do ISE - composto por diversas entidades, incluindo a Bolsa - poderá dar, em casos extraordinários, uma explicação ao mercado sobre a retirada de alguma companhia da carteira.
Isso ajudará a evitar especulações, como ocorreu na saída da Petrobras do índice em 2008. Sem uma posição do conselho, a exclusão da estatal foi relacionada pelos agentes aos níveis de partículas de enxofre considerados elevados na produção de diesel.
A divulgação da nova carteira está prevista para 25 de novembro.
(Com informações do Valor Online)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uma economia do tipo “pega-fabrica-descarta” esgota os recursos naturais

Liza Jansen, da IPS
Para deter a perda da diversidade biológica e dos recursos naturais é preciso realizar mudanças profundas em nosso sistema econômico e na comunicação de questões científicas, segundo a ecologista holandesa Louise Vet. Vivemos em uma economia linear de “pega, fabrica e descarta” que esgota os recursos naturais e destroi os ecossistemas, disse Vet, professora de Ecologia Evolutiva na Holanda. Mas o choque entre os interesses econômicos e ecológicos pode ser conciliado pela chamada “economia circular”, propõe.

Vet, que é diretora do Instituto de Ecologia da Holanda, conversou com a IPS sobre as soluções concretas que a economia circular oferece para evitar maiores perdas ecológicas e permitir obter benefícios comerciais.

IPS: A senhora é uma pesquisadora profissional em questões ecológicas, mas também procura acertar um bom casamento entre economia e ecologia. Como consegue?
Louise Vet: Fazer as coisas de outro modo é, antes de tudo, um desafio empresarial. Muitas pessoas agora pensam e tratam de inovar em beneficio do planeta, da economia e das pessoas ao mesmo tempo, conhecido como triplo resultado. Os políticos têm a tendência de ouvir mais os empresários do que os ambientalistas, e por isso fazemos as coisas com esse setor. Por exemplo, quando há uns dois anos foi formado um novo governo na Holanda, cerca de 80 empresários de multinacionais começaram a destacar a importância da sustentabilidade na hora de decidir a integração do novo gabinete. A notícia apareceu na primeira página do jornal holandês mais importante, o NRC, com as assinaturas de todos eles. Antes, consideravam que a sustentabilidade era uma temática da esquerda, mas como a apresentamos como um desafio à inovação com possibilidade de lucro, e não como um problema, a direita começou a se interessar. Eu e meus companheiros temos almoços regulares com políticos holandeses e falamos sobre desmatamento e programas de pesca para introduzir esses temas em suas agendas.

IPS: Qual o maior obstáculo para alcançar esse acordo?
LV: Damos muito pouca atenção aos objetivos de longo prazo, algo difícil para a indústria atual. Um dos principais obstáculos é a forma como nossa economia valoriza as coisas. Tributamos o trabalho, não os recursos. Se mudarmos nosso sistema financeiro, o que penso que deveríamos fazer, outras coisas serão valorizadas. Há uma grande quantidade de recursos em nosso planeta que são limitados e que, portanto, é preciso aumentar seu preço. Tentamos obter um tipo de cálculo econômico financeiro diferente, por exemplo, cobrar por cada molécula de carbono utilizada. Quanto mais raro for, mais caro será, e os impostos serão maiores. Isso mudará o sistema financeiro por completo e, assim, os benefícios serão diferentes.

IPS: Quanto tempo mais é necessário?
LV: Espero que os países ocidentais possam reunir dinheiro para salvar as selvas que são tão importantes para nosso planeta. Uma árvore se valoriza sozinha pela quantidade de madeira que proporciona. Mas, quando é avaliada por seus serviços ao ecossistema, é enormemente importante para todos os habitantes do planeta. O corte tem consequências de longo prazo sobre os serviços do ecossistema. A árvore absorve dióxido de carbono, filtra o ar, tem importância em matéria de micro fauna e flora e para a diversidade. Uma árvore tem muito mais valor do que uma simples peça de madeira para uma mesa e uma cadeira.

IPS: Há pouco, a senhora convidou todo o mundo a fazer suas necessidades em seu centro de pesquisa. Por quê?
LV: Um de nossos recursos mais limitados é o fósforo, que está em todos as células de nosso DNA, em todos os organismos vivos, plantas ou bactérias. Usamos o fósforo em nossos fertilizantes artificiais para facilitar a agricultura e alimentar a população mundial. Perturbamos o círculo do fósforo no mundo, apesar de termos apenas 80 anos antes que se acabe e sua disponibilidade fique limitada a poucos lugares. Quando isso ocorrer, não teremos mais fertilizantes artificiais, o que será um desastre para a produção de alimentos. No futuro, o fósforo será como a água potável. Na Holanda, o esgoto corre por um sistema de tubulação que cobre todo o país. Os desperdícios lamacentos contêm grandes concentrações de fósforo, mas não o aproveitamos. Tentamos construir um novo modelo para recuperar o fósforo da urina e dos excrementos, fechando o ciclo de nutrientes. Temos privadas a vácuo, onde é usada água de origem subterrânea, não a potável. Os excrementos vão para tanques de fermentação e após produzirem energia a partir da “água negra”, como a chamamos, o resto fica ali com todos os seus minerais. Depois vai para as algas que tomam os valiosos nutrientes como o fósforo. Após serem colhidas, voltam ao solo como fertilizantes. Seremos o primeiro laboratório desse tipo.

IPS: A senhora diz que “vivemos em uma economia equivocada”. A que se refere?
LV: Temos um sistema econômico de pega-fabrica-descarta, sem pensar no que usamos do planeta e o que fazemos depois com isso. Essa economia linear é que está mal. Não valorizamos o suficiente nossos próprios recursos. A energia não é o verdadeiro problema – podemos resolvê-lo. São os recursos. Estamos em uma nave espacial, temos poucas coisas no planeta e, se as destruirmos, será virtualmente impossível viver aqui. Temos de ter uma economia circular para, no mínimo, manter a atual quantidade de recursos limitados, em lugar de reduzi-los ainda mais.

(IPS/Envolverde)



Fonte: Mercado Ético

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Produção agrícola tem potencial para crescer sem desmatar


Henrique Andrade Camargo, do Mercado Ético
17/07/2009 - 18:20:48


Segundo o coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente do WWF Brasil, Cássio Franco Moreira, o país tem áreas suficientes para a expansão agrícola sem que seja necessário derrubar uma única árvore. Ele explica que, somente com a recuperação das pastagens degradadas, estimadas em 60 milhões de hectares - 30% dos 200 milhões de hectares destinados a essa atividade - seria possível quase que dobrar a área destinada à agricultura.

“Se somarmos a esses 30% todo o desmatamento permitido pelo código florestal, a área destinada à agricultura poderia aumentar em 200%”, diz Moreira. “Mas claro que isso não é desejável, já que existe uma área degradada que pode ser recuperada”, completa. A estimativa leva em conta a última safra do país, cuja produção estendeu-se por 70 milhões de hectares do território nacional.

Mas Antonio Penteado Mendonça, advogado especialista em planejamento regional para ocupação do solo, a preservação da floresta e recuperação de áreas não utilizadas só ocorrerá se forem desenvolvidas políticas de longo-prazo para a agricultura e para a ocupação do solo. Moreira completa: “É preciso pagar pelos serviços ambientais, caso contrário, o desmatamento continuará.”

Moreira acredita também que o produtor não percebe como a preservação da Natureza é boa para ele. “A mudança climática vai prejudicá-lo com a o desequilíbrio dos ciclos da chuva. Além disso, quanto mais biodiversidade em sua propriedade, maior será o equilíbrio de pragas”, explica. “A floresta em pé é boa para o produtor e para toda a população”, afirma ele.

Biocombustíveis

Um dos elementos mais temidos e que teoricamente podem pressionar o crescimento da fronteira agrícola no país são os biocombustíveis. Receia-se que áreas até então destinadas à produção de alimento passem a produzir cana, soja ou milho para as fabricantes de etanol e biodiesel.

Moreira afirma que essas informações são muito desencontradas e que não é possível saber ao certo se há algum sentido nelas. Certo mesmo é que o aumento da demanda aumentará a pressão em áreas de floresta nativa. “Mas se o objetivo é a produção de biocombustível com a melhor relação fixação/emissão de gases de efeito estufa, essa expansão deve ser feita em áreas já abertas”, defende.

Ele também desmistifica a questão de se produzir soja para o biodiesel. “O que é destinado desse produto para o combustível não ameaça em nada o abastecimento alimentar. O principal fim da soja brasileira é a demanda por proteína, que aumenta cada vez mais”, conta. “A produção de cana-de-açúcar continuará crescendo e vai manter seu status de principal fonte de biocombustível do país”, conclui.

Fonte: Mercado Ético - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/producao-agricola-tem-potencial-para-crescer-sem-desmatar/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

sábado, 20 de junho de 2009

“O crescimento não nos torna mais ricos, e sim mais pobres”

19/06/2009 - 16:04:17

O economista e cientista político alemão Elmar Altvater teme que na crise sejam escolhidas pelos governos, mas também por movimentos sociais, estratégias de salvação do capitalismo


Ainda repercutindo o debate levantado na IHU On-Line número 295, sobre a necessidade de pensarmos em uma economia mais compatível com a sustentabilidade do planeta, entrevistamos nesta semana, por e-mail, o economista alemão Elmar Altvater. Para ele, “na mais grave crise econômica da forma de produção capitalista desde sua origem, coloca-se de maneira dramática a alternativa entre a salvação do capitalismo e a passagem a uma forma de economia ecológica, ou seja, sustentável”. Ele aponta que “a sustentabilidade ecológica só é possível numa sociedade democrática e de distribuição equitativa de recursos”. No entanto, continua ele, esta sociedade “também é minada pela crise financeira e econômica”.


Elmar Altvater é professor de Ciência Política na Universidade Livre de Berlim. É autor de diversos livros e artigos nos quais estuda a evolução do capitalismo, a teoria do Estado, a política de desenvolvimento, a crise do endividamento e as relações entre economia e ecologia. Entre suas obras publicadas em português, citamos O preço da riqueza. Pilhagem ambiental e a nova (des)ordem mundial (São Paulo: Unesp, 1995).


Confira a entrevista.


IHU On-Line - Nesse momento de crise global da economia capitalista, quais são as possibilidades e os limites de se pensar uma economia que leve em conta a sustentabilidade da terra?

Elmar Altvater - Na mais grave crise econômica da forma de produção capitalista desde sua origem, coloca-se de maneira dramática a alternativa entre a salvação do capitalismo e a passagem a uma forma de economia ecológica, ou seja, sustentável. É de se temer que na crise sejam escolhidas pelos governos, mas também por movimentos sociais, estratégias de salvação do capitalismo. Na Alemanha, com uma absurda subvenção ao sucateamento de automóveis (”Prêmio pelo desmantelamento” [Abwrackprämie]), a manutenção da sociedade automobilística é prorrogada em direção ao futuro, quando, já devido ao “Peakoil” (pico do petróleo) e ao ameaçador colapso climático, ela não tem mais futuro e deve ser abandonada. Em outras nações podem ser encontrados exemplos semelhantes, que explicitam uma só coisa: precisamente na situação de crise é difícil forjar coalizões políticas para uma alternativa duradoura.


IHU On-Line - Pensando em uma economia mais ecológica, quais seriam seus princípios e qual seria sua função na sociedade?


Elmar Altvater - A longo prazo, a economia deve ser ecológica, ou seja, deve levar em conta as condições naturais de todas as transformações de matéria e energia. Caso contrário, a economia capitalista destruirá suas próprias bases. Isto já está acontecendo, porque o rasto ecológico é muito maior do que deveria ser, em vista dos limitados recursos e da capacidade produtiva do Planeta Terra. O princípio ecológico da sustentabilidade deve orientar-se segundo o fluxo de energia e a capacidade de absorção das esferas terrestres para materiais nocivos. Expresso fisicamente, o aumento de entropia deve ser mantido em zero.


IHU On-Line - É possível calcular o custo dos desgastes ambientais provocados pela economia clássica?


Elmar Altvater - Há muitos esforços para calcular os custos dos prejuízos ambientais. O resultado é geralmente assustador. Entrementes, se pode partir do fato de que os custos do acréscimo do produto social são 100 mais do que 100. Em outras palavras: o crescimento não nos torna mais ricos, mas sim mais pobres. Esta é possivelmente a razão para o aumento da pobreza no mundo, embora, nos objetivos de desenvolvimento do milênio, esteja planejada uma redução da pobreza em 50%. Em todo o caso, cálculos monetários dos prejuízos ambientais são mais do que problemáticos. Porque se pressupõe que a natureza possa ser expressa em valores monetários. Isso, por sua vez, exige propriamente um mercado no qual são constituídos preços, e no mercado só podem ser negociadas mercadorias, nas quais existem direitos de propriedade. Uma condição para o cálculo monetário é, por conseguinte: a natureza deve ser transformada em valor, para poder ser calculada monetariamente. Porém, qual é o valor de um peixe-boi, qual é a perda em valores monetários quando uma espécie é extinta? Quem calcularia os custos da perda do Dodô, uma ave de locomoção terrestre que, por ter sido tão lenta, foi abatida no século 18 até seu último exemplar? A avaliação monetária de danos ecológicos não tem nenhum sentido; no melhor dos casos, ela teria um valor pedagógico, de alarme.


IHU On-Line - Que relações podemos estabelecer entre o modo de vida urbano e o consumo desenfreado e não sustentável?


Elmar Altvater - Cidades já existem desde a revolução neolítica na história da humanidade. Elas são os lugares da comunicação, da formação, da ciência, mas também da dominação concentrada e da exploração da terra. Na modernidade, as cidades são expressão do deslocamento da vida econômica da sociedade e da natureza. Pressuposto para isto é a mobilidade moderna com o automóvel, cujo combustível é extraído de portadores fósseis de energia. As cidades modernas são construídas para os automóveis, com autoestradas urbanas e parques de estacionamento, shoppings, os artefatos da superação de distâncias entre locais de moradia, trabalho, recreação, tempo livre etc. Isto só pode ser modificado se for estabelecido outro conceito não-fóssil de mobilidade.


IHU On-Line - Como o senhor relaciona a questão da criação de necessidades, o consumo, o desperdício e o caos climático, considerando a contrariedade e o paradoxo disso com o momento de crise em que vivemos?


Elmar Altvater - Por causa da crise econômica, muitas pessoas são ou serão compelidas à condição de pobreza e já nem tem mais muitas possibilidades para um consumo intensivo de recursos. Por outro lado, o consumo de baixo custo do supermercado é muito intensivo de recursos, pelo menos nas nações industrializadas. Por isso, a pobreza não irá reduzir duradouramente o consumo de recursos. Isto aponta para o fato de que a sustentabilidade ecológica só é possível numa sociedade democrática e de distribuição equitativa de recursos. Mas esta também é minada pela crise financeira e econômica. As medidas econômicas para o estado de necessidade foram todas tomadas, nas nações industrializadas, ao largo dos legítimos órgãos de uma sociedade democrática.


IHU On-Line - Pensando numa sociedade ideal, quais poderiam ser apontadas como “justas” e “reais” necessidades humanas, que favorecessem a qualidade de vida e as condições ambientais? Uma mudança na economia seria aqui necessária?


Elmar Altvater - A pergunta sobre a “vida boa” já foi levantada por Aristóteles. Sua resposta foi: uma vida sem aspirar por aquisição de capital, portanto, sem lucro e juros. Esta resposta também hoje ainda é correta e ela aponta, de maneira diversa do que na época de Aristóteles, por que então, na velha Grécia do 4º século antes de Cristo, ainda não existia nenhum capitalismo, para a necessidade de uma superação do capitalismo e para uma revolução social e ecológica. Uma revolução política pode - como já muitas vezes na história (também são exemplos a revolução francesa e a russa) - ocorrer muito rapidamente como assunção do poder, mas uma revolução social e ecológica necessita muito tempo. Porque o sistema energético e uma forma de produção não podem ser modificados de hoje para amanhã, porém somente em décadas. Não obstante isso, trata-se de uma revolução e ela deve iniciar agora, se quisermos evitar o colapso climático.


IHU On-Line - O senhor acredita que a sociedade está hoje mais consciente em relação ao caos climático, a ponto de mudar seus hábitos e provocar mudanças nas grandes corporações? Não é o capital que ainda tem mais poder?


Elmar Altvater - A consciência da necessidade de frear a mudança climática está amplamente difundida. Mas os interesses econômicos no modo capitalista da agricultura e da indústria são muito fortes. Os consórcios transnacionais subscreveram em parte o compacto global do secretário geral da ONU, se obrigam voluntariamente à “corporate social responsiblity”, porém buscam apenas o princípio do lucro. Eles só podem realizá-lo se a economia cresce e para isso eles necessitam de apoio político. É tarefa dos movimentos sociais defenderem-se contra a dominação dos consórcios multinacionais, formularem seus próprios projetos, intervirem em favor de energias renováveis e formas solidárias de promoção da economia. A crise atual do capitalismo também é, por isso, uma possibilidade de dar passos em frente nessa direção.


Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-crescimento-nao-nos-torna-mais-ricos-e-sim-mais-pobres/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Sertanejo e o Caminho das Águas

Olá pessoal!
Para quem me pediu para conhecer meu livro, aí vai a indicação da página do BNB. Lá vocês podem fazer o download do livro completo.

Título: O Sertanejo e o Caminho das Águas: políticas públicas, modernidade e sustentabilidade no semi-árido.
Coleção: Série BNB Teses e Dissertações Vol. 08.
Autora: Suely Salgueiro Chacon
Ano: 2007.

Capa do Livro
A NOTÍCIA ABAIXO, DA ÉPOCA DO LANÇAMENTO, TRAZ UM PEQUENO RESUMO DO LIVRO:
12 de julho de 2007. Fortaleza, Ceará
Suely Chacon
O BANCO DO NORDESTE LANÇA LIVRO DE SUELY CHACON, QUE FALA SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS E GESTÃO DE ÁGUAS NO SERTÃO DO CEARÁ

Nessa quinta-feira, 19/07, às 11:15hs, no Banco do Nordeste – Passaré, será lançado o livro O Sertanejo e o Caminho das Águas, da Profa. Suely Chacon.

O lançamento do livro faz parte das comemorações do aniversário de 55 anos do Banco do Nordeste, e acontecerá durante o Fórum BNB de Desenvolvimento e o XII Encontro Regional de Economia da ANPEC.

O livro é o 8º volume da Série BNB de Teses e Dissertações, e traz a íntegra da tese de Doutorado da autora, defendida no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. O livro conta ainda com o Prefácio escrito pelo Prof. Dr. Marcel Bursztyn, da UnB, que atualmente é Pesquisador Sênior da Universidade de Harvard, em Massachusetts - Estados Unidos.

O Sertanejo e o Caminho das Águas aborda uma temática atual, a gestão pública das águas, e alerta para a desmobilização crescente do Semi-árido. O conflito em relação ao acesso à água se sobressai, porém foi constatado que este é a representação de um conflito maior e mais complexo, que fica oculto e se refere à própria identidade do sertanejo. Ser ou não sertanejo é um conflito que se desenvolve historicamente e que, ao mesmo tempo, é influenciado e influencia as políticas públicas traçadas para o Sertão. Na medida em que estas políticas não respeitam o lugar e as pessoas, também não conseguem se traduzir em melhorias para vida neste lugar. E ainda contribuem para a desmobilização desta sociedade. O cenário apresentado pelo livro indica uma tendência de esvaziamento do Sertão. Com base nesse diagnóstico a autora aponta possíveis saídas que partem da valorização das riquezas locais.A Profa. Suely Chacon, que trabalha com os temas relativos às políticas públicas e à gestão ambiental há mais de 15 anos, é Economista, Mestre em Economia e Doutora em Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A VALORIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, DA HISTÓRIA E DA CULTURA EM BARBALHA


O "pau sustentável" da festa de Santo Antonio em Barbalha - CE


Carregamento do pau da bandeira de Santo antonio é tradição em Barbalh (Foto: Antonio Vicelmo)


Olá amigos!

Esse post é especial. É uma homenagem a todo o povo de Barbalha, que preserva com fervor umas das mais importantes tradições na época das festas juninas no nosso Cariri.

Quero parabenizar o prefeito Zé Leite e seus acessores pelo cuidado com a cultura, a hisória e o meio ambiente. Dentre outras iniciativas, a nova administração convenceu o povo de Barbalha sobre a necessidade de se ter o cuidado devido com meio ambiente. O prefeito propôs o "pau sustentável", e agora os fiéis que mantem a tradição também se preocupam com a preservação da mata nativa. As notícias abaixo falam desse novo tempo em Barbalha.

E, em particular, quero homenagear todos os queridos alunos que vem todos os dias de Barbalha para assistirem as aulas em Juazeiro do Norte. E que não perdem a oportunidade de falarem dessa festa!

Abraço a todos e bom final de semana!
Suely


FESTA DE STO. ANTÔNIO
Copaíba será mastro para pau da bandeira

O ritual para corte e carregamento do pau da bandeira de Santo Antônio começa hoje, às 7 horas, na Igreja Matriz


Barbalha. Será cortado hoje o pau que servirá de mastro para a bandeira de Santo Antônio, padroeiro de Barbalha. Pela primeira vez, será utilizada uma copaíba, ou pau d’óleo, conhecido no sertão como “pau dóia”, uma árvore nativa que fornece um óleo com poder medicinal. Tradicionalmente, era utilizada uma aroeira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a copaíba não está na relação das espécies em extinção ou proibidas de corte.

Ao contrário dos anos anteriores, não houve polêmica em torno do corte do pau da bandeira. As negociações para a escolha da árvore começaram no mês de fevereiro entre a Prefeitura de Barbalha, o Ministério Público Federal e o Instituto Chico Mendes, que assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), regulamentando a utilização da árvore.

Entre as exigências colocadas pelos órgãos ambientais está a reserva de uma área para reflorestamento. O pau da bandeira de 32 capelas de Barbalha será itinerante, isto é, um único pau será utilizado como mastro da bandeira das festas religiosas do município. Outra exigência é o acompanhamento do Instituto Chico Mendes na escolha e no corte do pau.

Este ano, a única dificuldade é o acesso ao sítio São Joaquim, de onde será retirada a copaíba. O “Capitão do Pau”, Rildo Teles, que comanda o corte e o carregamento do mastro, adverte que, em consequência das chuvas, a estrada não oferece condições de tráfego para carros pequenos.

O ritual começa hoje, às 7 horas, com os cortadores do pau, rezando um “Pai Nosso” em frente à Igreja Matriz de Santo Antônio. Em seguida, eles serão transportados de caminhão para o sítio São Joaquim, no sopé da serra do Araripe, a sete quilômetros da cidade. Ali, à beira de um dos riachos, começa a festa popular. Cortadores e curiosos se confraternizam na sombra das árvores, em torno de churrascos e bebidas. O corte do mastro é antecedido de uma oração. Depois de cortada, a árvore é transportada para fora da mata e colocada na “cama”, local onde o tronco permanece secando até o dia da abertura da festa, dia 31 de maio.

A árvore é levada nos ombros dos devotos de Santo Antônio, do sítio São Joaquim até a Igreja Matriz, onde é erguida sob os aplausos da multidão.

Aberta oficialmente, a festa prossegue até o dia 13, data oficial de comemoração do padroeiro, com novenas, quermesses e shows com artistas regionais e nacionais. Durante as festividades em Barbalha, ocorrerá, simultaneamente, o II Congresso Cearense de Folclore e I Seminário sobre Cultura, Religiosidade e Festas Populares, abordando o tema “Festa Popular no Âmbito Privilegiado da Tradição”.

Programação

Os dois eventos cumprem programação no período de 27 a 31 de maio. A proposta é trazer para o centro das discussões o escritor paraibano Ariano Suassuna. As inscrições serão gratuitas, mas quem não estiver inscrito também poderá fazer parte do evento, mas não receberá certificado de participação ao final.

Está prevista a participação de representantes da área em todos Estados do Brasil, bem como do Ministério da Cultura e da Comissão Nacional de Folclore, que integram também as discussões em torno da organização dos eventos em Barbalha. As inscrições para apresentação de pesquisas nos grupos de trabalho do II Congresso Cearense de Folclore podem ser feitas pelo e-mail comissaocearensedefolclore@bol.com.br.


FIQUE POR DENTRO

Árvore tem diversas aplicações medicinaisA copaíba (Copaifera sp), ou copaibeira, é uma árvore de grande porte da família Leguminosae encontrada em todo o Brasil. Os habitantes da floresta a procuram como local de tocaia para pequenos animais silvestres que se alimentam de seus frutos. A árvore, também chamada de pau d´óleo, é facilmente encontrada na mata devido ao forte aroma de sua casca. Os índios a utilizavam, principalmente, como cicatrizante no umbigo de recém-nascidos para evitar o ´mal-dos-sete-dias´. Os guerreiros, quando voltavam de suas lutas, untavam o corpo com o óleo da copaíba e se deitavam sobre esteiras suspensas e aquecidas para curar eventuais ferimentos. Tudo indica que o uso deste óleo veio da observação do comportamento de certos animais que, quando feridos, esfregavam-se nos troncos das copaibeiras. Conforme a tradição e uso pelos povos ribeirinhos da Amazônia, o óleo de copaiba é eficiente em queimaduras, feridas, micoses, urticárias, cicatrização, furúnculos, inflamações, má digestão, intestino preso. Age sobre as vias respiratórias e urinárias e é um poderoso antisséptico.



Mais informações:

Ibama, escritório no Crato
Pça. Joaquim Fernandes Teles, 10, bairro Pimenta
(88) 3521.1529

Prefeitura de Barbalha
(88) 3532.1708


ANTÔNIO VICELMO
Repórter



Gabinete de Leitura, em Barbalha, comemora 120 anos!

MAIS SOBRE A HISTÓRIA DE BARBALHA

Instituições são lembradas

Instituições que fazem parte da história do município de Barbalha estão recebendo comemorações


Barbalha - Instituições importantes na história da educação e da cultura do Cariri são lembradas em Barbalha. Os 92 anos da Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo e os 120 anos do Gabinete de Leitura mereceram uma programação de debates, exibições de filmes, e posse do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio de Barbalha. As comemorações foram realizadas, ontem, no município. A iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura traz à tona um reavivamento dos debates culturais e questões regionais e até a possível criação da Academia Barbalhense de Letras.

Segundo a professora doutora Zuleide Queiroz, uma das palestrantes da programação, Barbalha traz exemplos de pioneirismo. Ela cita o Gabinete de Leitura e as primeiras aulas noturnas para trabalhadores, com a Liga. Para a docente, essa trajetória da educação regional representa um marco importante em termos de avanços que o Cariri obtém ao longo dos anos e faz parte de uma luta antiga. O coordenador do evento, Hugo Rodrigues, destaca a comemoração como um simbolismo de luta, mas ressalta a importância de se reavivar as manifestações intelectuais.

A programação iniciou às 8 horas, com hasteamento das bandeiras na Prefeitura e apresentação da Filarmônica São José. Em seguida, houve Exposição Literária e apresentações culturais na Praça Filgueira Sampaio. À tarde, aconteceu um “city tour” ao Sítio Pinheiro, Balneário do Caldas, Terreiro do Mestre Joaquim Mulato, Palácio 03 de Outubro, Casarão Hotel, Exposição Literária, Ateliê da Festa de Santo Antônio e Engenho Tupinambá.

Na noite de ontem, foi a posse do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio de Barbalha e encontro literário com representantes do Instituto Cultural do Vale Caririense, Instituto Cultural do Cariri, Fórum de Cultura e Turismo do Cariri, Instituto de Educação e Cultura Martins Filho, Academia dos Cordelistas do Crato, Centro Pró-Memória Josafá Magalhães, Centro de Melhoramentos de Barbalha, Universidade Regional do Cariri, Escola de Artes Reitora Violeta Arraes, Associação das Primeiras Damas dos Municípios do Ceará, Comissão dos Cem Anos de Juazeiro do Norte, secretarias de Cultura e Turismo de Barbalha, Crato e Juazeiro, Gabinete de Leitura e Liga Barbalhense Contra o Analfabetismo.

A sessão literária teve as presenças da professora doutora Maria Juracy Maia, professora doutora Zuleide de Queiroz, doutor Napoleão Tavares Neves, professor Francisco Adávio de Sá Barreto e professora Darcy Libório Sampaio.

Mais informações:

Secretaria de Turismo e Cultura
Rua Pinto Madeira, 149
Barbalha - Ceará
(88) 3532.1708


Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=638420