quinta-feira, 9 de julho de 2009

BNDES desembolsa recorde de R$43 bi no 1o semestre

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou 43 bilhões de reais no primeiro semestre, valor recorde e alta de 11 por cento sobre igual intervalo do ano passado.

"O resultado mostra que o pior da crise já passou, os desembolsos se sustentaram", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a jornalistas. "Esperamos um segundo semestre mais forte e robusto."

As liberações para a indústria -- com destaque para os segmentos de extrativa, papel, celulose e metalurgia -- atingiram 17,3 bilhões de reais, enquanto a infraestrutura ficou com 16,4 bilhões de reais, com ênfase para energia elétrica e transportes.

De janeiro a junho, segundo o resultado do banco de fomento divulgado nesta quinta-feira, as consultas para novos investimentos cresceram 40 por cento sobre o mesmo período de 2008, totalizando 111,7 bilhões de reais.

As aprovações de crédito aumentaram 50 por cento na mesma base de comparação, alcançando 77,2 bilhões de reais, informou o banco.

"O resultado das consultas sinaliza a continuidade dos investimentos na economia brasileira, sobretudo nos setores voltados para o mercado doméstico", afirmou o BNDES em nota à imprensa.

As aprovações de financiamento no primeiro semestre para o setor de infraestrutura totalizaram 23,7 bilhões de reais. Desse total, 11,6 bilhões de reais são referentes a 26 projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aprovados no período pelo BNDES.

De acordo com o banco, a participação relativa dos projetos do PAC no total das aprovações em infraestrutura "cresceu significativamente de um ano para o outro".

Na indústria, as aprovações de 42,7 bilhões de reais representam 55 por cento do total de janeiro a junho.

Nos 12 meses até junho, segundo o BNDES, os desembolsos totalizaram 96,6 bilhões de reais, com alta de 23 por cento sobre igual período anterior. As aprovações foram de 147 bilhões de reais, valor 31 por cento superior.


Fonte: Yahoo! Notícias
http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/090709/manchetes/manchetes_bancos_bndes_resultado

Crédito da imagem: Nósda18 [GC e Inovação]
http://nosda18.wordpress.com/2009/05/21/o-bndes-e-os-ativos-intangiveis/

quarta-feira, 8 de julho de 2009

G8 diz que ainda existem perigos para economia global

Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá

Os líderes do G8 acreditam que a economia mundial ainda enfrenta "riscos significativos" e pode precisar de mais ajuda, de acordo com os esboços dos comunicados da cúpula do grupo, que mostram ainda um fracasso em se alcançar metas sobre mudança climática para 2050.

Os esboços, obtidos pela Reuters, dizem ainda que as estratégias de saída das políticas de estímulo ao crescimento podem ser feitas "uma vez que a recuperação esteja assegurada".

"Antes que haja alguma conversação de estímulo adicional, eu pediria que todos os líderes foquem antes em assegurar que o estímulo já anunciado ocorra", disse o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, antes do início da cúpula.

O Grupo dos 8 (G8) --formado por Estados Unidos, Alemanha, Japão, França, Grã-Bretanha, Itália, Canadá e Rússia-- iniciarão a cúpula com um debate sobre a crise econômica.

Mas poucas iniciativas são esperadas, já que o G20 --que engloba países desenvolvidos e em desenvolvimento-- tem a missão de formular uma resposta regulatória à crise e reúne-se em setembro.

DEBATE SOBRE DÓLAR DE LADO

Sem mencionar os pedidos da China sobre um debate sobre uma alternativa de longo prazo ao dólar como moeda internacional, os esboços dos comunicados disseram apenas que existem desequilíbrios globais.

"Um crescimento sustentável e estável de longo prazo irá requerer uma solução suave para os desequilíbrios existentes nas contas correntes", segundo os esboços.

A China reclama que a dependência do dólar exacerbou a crise global. Analistas disseram que a decisão do G8 em não mencionar câmbio diretamente pode desestabilizar os mercados de moedas.


Fonte: Yahoo! Finanças

Por Darren Ennis e Krittivas Mukherjee

L'AQUILA, Itália (Reuters)

http://br.news.finance.yahoo.com/08072009/5/economia-g8-diz-ainda-existem-perigos.html

terça-feira, 7 de julho de 2009

Carga tributária sobe a 35,8% do PIB em 2008 e bate recorde

Da Redação
Em São Paulo
07/07/2009 - 12h05


A Receita Federal divulgou nesta terça-feira (7) que a carga tributária brasileira atingiu o recorde de 35,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008, ante 34,72% no ano passado, considerando tributos federais, estaduais e municipais.

O volume de impostos arrecadados pelo setor público aumentou em 2008, devido, segundo o governo, ao crescimento econômico do país.

A carga tributária é a comparação da arrecadação de tributos nas três esferas de governo, que chegou a R$ 1,034 trilhão no ano passado, com o PIB, que foi de R$ 2,889 trilhões.

Em 2007, a arrecadação de tributos foi de R$ 901 bilhões, o que significa que ela aumentou 8,3% em 2008. Já a economia, descontada a inflação, cresceu 5,1% no ano passado.

"Essa variação (da carga entre 2007 e 2008) resultou da combinação dos crescimentos, em termos reais, de 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 8,3% da arrecadação tributária nos três níveis de governo", afirmou a Receita em nota.

"As mudanças legislativas de natureza tributária ocorreram no sentido de alívio da pressão fiscal, em especial no que se refere aos tributos de competência do governo federal. Portanto, o incremento deve ser explicado como resposta a um cenário econômico favorável, que alavancou o resultado das empresas e a renda das famílias."

No ano passado, a arrecadação tributária da União correspondeu a 69,6% do total, enquanto os Estados recolheram 25,8% dos tributos e os municípios, 4,6%.

(Com informações de Infomoney e Reuters)

Fonte: UOL Economia - http://economia.uol.com.br/ultnot/2009/07/07/ult4294u2750.jhtm

INTERCÂMBIO TÉCNICO

Professor do Crato ministra aula de campo no Timor Leste



Agricultura do Ceará é modelo no Timor Leste


O Timor Leste se reconstrói e escolhe o Ceará como referência no desenvolvimento das técnicas de agricultura


Juazeiro do Norte. Professores de escolas agrícolas e agrônomos do Timor Leste estarão ainda este ano no Brasil, para conhecer “in loco” técnicas agrícolas. Eles virão para o Cariri e Centro-Sul, de onde saíram professores para aplicar os conhecimentos teóricos nas áreas de agricultura e zootecnia. A vinda dos timorenses poderá ser programada para o mês do novembro, período em que o Brasil sedia o Fórum Mundial de Ensino Tecnológico, a ser realizado em Brasília.

Os módulos foram iniciados desde o ano passado, por meio de convênio entre a Agência Brasileira de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o governo do Timor Leste. O Diário do Nordeste, em matéria publicada no último dia 27 de outubro do ano passado, relatou o primeiro contato dos docentes brasileiros, com os alunos e professores do Timor durante o primeiro módulo aplicado.

São homens e mulheres de um país que tem como língua oficial o português, mas que nove dias após ter conquistado a sua independência, teve sua liberdade atropelada pelos indonésios, em 27 de dezembro de 1975 até o ano de 1999.

Totalmente destruído, o país se reconstrói e escolheu o Brasil como referência no desenvolvimento das técnicas de agricultura. Nas salas de aula, os professores brasileiros e timorenses se esforçam para se fazerem entender. A principal referência de linguagem do país é o indonésio.

Uma agricultura bastante rudimentar. Esta é classificação do professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFECT), Antônio Nustenil de Lima, que está realizando as aulas naquele país juntamente com o docente Expedito Danúsio de Souza, da área de zootecnia.

O professor Nustenil, residente em Crato, irá ministrar o seu terceiro módulo no dia 11 deste mês. Este será o terceiro, de 120 horas cada.

Todas as informações com referência à agricultura desenvolvida no Brasil são de interesse dos timorenses, diz o professor Nustenil. Ele afirma que desde culturas regionais e a fruticultura estão sendo repassadas técnicas de cultivo, já que o país se reconstrói de um longo período de batalhas. O Timor Leste teve as suas estruturas produtivas destruídas. Um país eminentemente rural que vem se soerguendo. As plantas são praticamente as mesmas cultivadas no Brasil. O clima tropical favorece o desenvolvimento da mandioca, café, arroz, mas ainda com técnicas rudimentares.

O arroz irrigado é uma das formas de cultivo que estão sendo aplicadas aos profissionais da agricultura e docentes do Timor Leste. “Estamos conciliando a prática conservacionista, mantendo o potencial produtivo do solo”, explica Nustenil. Acrescenta também a importância de seguir uma mobilização mundial em prol do desenvolvimento sustentável, dentro dos princípios do socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente correto. “Mostramos como todo o processo deve ser feito, se por acaso investirem nas queimadas, com certeza o farão sabendo dos resultados danosos ao meio ambiente”, diz.

O docente, com pós-doutorado em Engenharia Agrícola, destaca a boa técnica agrícola desenvolvida no Brasil, o que vem sendo motivo de admiração dos timorenses. “Eles vêem o Brasil com um potencial produtivo muito grande, tecnicamente”, afirma. A visita dos professores e agrônomos ao Brasil já faz parte do segundo momento das capacitações. Após dois momentos de contatos com os alunos timorenses, o professor Antônio Nustenil ressalta a importância desse trabalho, por ser um instrumento auxiliando no processo de reconstrução de uma nação.

Mais informações:
Instituto Federal de Educação e Tecnologia (IFECT), Professor Antônio Nustenil, Rua Mário Malzone, 430, Apto. 1702, Lagoa Seca, Juazeiro, (88) 3571.2289

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional. Fortaleza, 6 de julho de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=652270

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A hora de uma economia climática

Gerardo Honty*
03/07/2009 - 16:24:40



A América Latina enfrenta seus problemas de desenvolvimento, mudança climática e energia a partir de uma posição de dependência. Prevalece na região a idéia de que, para empreender ações que conduzam a um caminho de desenvolvimento com baixas emissões de carbono e de adaptação à mudança climática, é imprescindível que antes sejam desenvolvidos mecanismos de financiamento norte-sul que assegurem os recursos necessários para as transformações produtivas, tecnológicas e políticas, entre outras. Ou seja, que instrumentos como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o Fundo de Adaptação, a Transferência Tecnológica, etc, se fortaleçam e amadureçam. No entanto, até agora, esses instrumentos não demonstraram capacidade de financiar ou alavancar suficientemente os investimentos necessários e, a esta altura, pode-se supor que é muito difícil que o façam algum dia.

Até 2030, o mundo estará marcado por uma economia mundial com petróleo escasso, com restrições às emissões de gases de efeito estufa e com enormes demandas por investimentos para fazer frente aos impactos das mudanças climáticas. Enquanto os governos da região esperam a chegada dos grandes fluxos financeiros dos países desenvolvidos, o tempo para tomar decisões vai passando e os problemas se mostram cada vez mais próximos.

A demanda internacional por uma compensação pelos danos derivados do aquecimento global não deveria ser obstáculo para que a região empreendesse, de uma vez e com recursos próprios, a tarefa de traçar a nova trilha do desenvolvimento sustentável em um contexto de mudança climática. Os países latino-americanos necessitam de uma economia nacional orientada pela estratégia de reduzir as emissões e o consumo de combustíveis fósseis, preparando-se para os efeitos das alterações do clima nos setores produtivos do território. A essa economia dou o nome de Economia Climática.

Desenvolvidos x Em Desenvolvimento

A urgência de certas medidas e a exigência de um desenvolvimento mais eqüitativo e sustentável deveria ser motivo suficiente para empreender, o quanto antes, ações em busca de uma Economia Climática. Obviamente os países industrializados têm a obrigação, moral e jurídica, de transferir recursos, conhecimentos e tecnologia. São os maiores responsáveis pela mudança climática, têm disponibilidade de recursos e níveis de consumo e riqueza que deixam pouca margem para discussão. Diante disso, é claro que a América Latina - e os demais países de menor desenvolvimento - devem manter suas legítimas reivindicações.

Porém, enquanto os governos latino-americanos esperam os resultados das negociações no âmbito da Convenção de Mudança Climática, não aproveitam oportunidades atuais de iniciar um caminho auto-sustentável de desenvolvimento limpo e melhores perspectivas para o futuro. O aumento do uso de fontes renováveis, a eficiência energética e a introdução de tecnologias para um melhor aproveitamento dos recursos hídricos não são novidades surgidas com a mudança climática. São temas antigos na agenda latino-americana. A novidade é que o fenômeno do aquecimento global colocou tais questões em primeiro lugar na agenda internacional, o que facilita o acesso a essas tecnologias.

O que se segue neste artigo é uma reflexão acerca das vantagens econômicas, sociais e ambientais que os países latino-americanos poderiam obter caso tomassem decisões precoces ante ao previsível cenário que se avizinha.

Benefícios da estratégia de mitigação

A América Latina não tem uma contribuição pequena nos cenários das mudanças climáticas, se formos considerar suas emissões per capita ou por unidade de PIB. Com 8,5% da população e do PIB global, a região é responsável por 12% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) mundiais. Portanto, ainda que sua responsabilidade sobre o aquecimento do planeta seja menor - já que este é resultado da acumulação de gases produzidos sobretudo nos países desenvolvidos ao longo de várias décadas - o continente tem extrema importância em relação ao futuro da alteração do clima.

Até 2050, mesmo supondo que as nações industrializadas reduzissem suas emissões a zero, os países em vias de desenvolvimento deveriam reduzir em 28% suas emissões em relação ao ano 2000. Isto já seria uma razão poderosa para fazer o esforço de reduzir as emissões de GEE.

Entretanto, mesmo que aceitássemos a tese de que a responsabilidade maior é dos países desenvolvidos e, por conseqüência, também o esforço maior inicial deveria ser feito por eles, há várias razões importantes para que a América Latina encare uma Economia Climática. Isso em função dos benefícios econômicos, sociais e ambientais que uma estratégia deste tipo traria para os países da região.

Há uma série de medidas de mitigação que a maioria dos organismos internacionais públicos e privados recomendam. Tais medidas fazem parte das necessidades históricas dos países latino-americanos e atualmente têm muito mais possibilidades de serem satisfeitas do que no passado. Hoje elas estão sendo impulsionadas, sobretudo, por razões vinculadas à mudança climática, mas as nações da região deveriam aproveitar estas novas facilidades especialmente em função dos benefícios adicionais delas decorrentes.

Alguns exemplos:

1) Melhorias no sistema de transporte público

O transporte público é deficitário na maioria das cidades latino-americanas. Isso tem uma incidência decisiva na preferência dos usuários pelo transporte individual (automóveis e motocicletas), na medida que suas possibilidades econômicas permitem. O resultado é um sistema de transporte que em seu conjunto resulta ineficiente, com altas taxas de emissão de gases que contaminam o ar urbano, com alto consumo de petróleo, com congestionamentos (com perda de horas de trabalho), etc.

Investir em políticas e sistemas de transporte público mais eficientes e eficazes resulta em uma economia de divisas (no caso dos países importadores de petróleo ou derivados), uma redução da poluição local, descongestionamento do tráfego e - sobretudo - um melhor sistema de transporte para os cidadãos de baixa renda, que nunca poderiam ter acesso a um transporte individual próprio.

2) Melhorias em eficiência energética no consumo residencial

Medidas como a substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo, etiquetagem de eletrodomésticos e sistemas de certificação de eficiência térmica das edificações são algumas das recomendações para reduzir as emissões de GEE derivadas do consumo de energia em nível residencial. Esse tipo de medida tem implicações econômicas positivas para o país como um todo (redução de investimentos em infra-estrutura e abastecimento energético, economia de divisas por importação de energia, etc.) e para os próprios usuários, que verão reduzidas suas faturas de eletricidade, de gás ou de outras fontes de energia. Estas políticas também amparam os setores com menos recursos, que gastam boa parte de suas magras rendas nos serviços energéticos.

3) Melhorias em eficiência energética na indústria

Este tipo de medida tem grande impacto na economia nacional, em decorrência da economia em infra-estrutura e abastecimento de energia. Além do mais, o potencial de economia energética nos setores industriais da América Latina é suficientemente alto para que possa ser financiado pelas próprias empresas. Nesse sentido, a promoção das Empresas de Serviços Energéticos e políticas públicas que incentivem a eficiência energética podem gerar não só a redução das emissões de GEE, como também ajudar a reduzir os custos de produção, melhorando a competitividade das empresas.

Esses exemplos pretendem ilustrar os benefícios que os países da América Latina poderiam obter ao iniciar, em curto prazo - e aproveitando as oportunidades que a problemática da mudança climática oferece em matéria de facilidades para a incorporação de tecnologia - uma vertente econômica de baixo conteúdo de carbono. Todas elas, além do mais, têm a virtude de reduzir os riscos resultantes da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e, particularmente, da perspectiva de uma futura de escassez do produto.

Da mesma maneira que se pode tomar partido das estratégias de mitigação com grandes benefícios nacionais secundários, os países não deveriam se distrair com aquelas soluções que trazem benefícios apenas com respeito ao aquecimento global e pouco ou nenhum em plano nacional. Exemplo desta última estratégia são os projetos de redução de HFCs e CFCs, que na atualidade ocupam boa parte dos certificados de redução de emissões na pasta do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo latino-americano.

Restrições comerciais a produtos com alto conteúdo de carbono

Até 2030, os países, necessariamente, terão que pagar para emitir gases de efeito estufa na atmosfera, seja por meio de um sistema de limites e certificados negociáveis, de impostos sobre o carbono ou de outras formas que se adotem. As negociações internacionais sobre mudança climática e as perspectivas de aumento das emissões nos próximos anos fazem prever, com alto grau de certeza, que em um futuro próximo haverá limites para as emissões de GEE para todos - ou quase todos - os países. E não há dúvida que a maioria das nações latino-americanas estará entre eles.

Para além da discussão sobre quem tem maiores responsabilidades e como se financia a mudança tecnológica - que vem se arrastando desde as origens da Convenção de Mudança Climática - os limites vão existir. Como conseqüência disto, aqueles países que começarem mais tarde com suas políticas de “descarbonização” da economia terão maiores custos e menos oportunidades para realizar a transição.

Além disso, o mercado internacional começará a penalizar os produtos cujo ciclo de vida tenha produzido altos níveis de emissões. O comércio de bens e serviços com alto conteúdo de carbono se verá restrito no futuro por medidas não-tarifárias de proteção ambiental. Isto já está acontecendo com alguns produtos, como ocorre com os biocombustíveis que não demonstram uma real redução de emissões ao longo do ciclo de vida.

Portanto, da mesma maneira que hoje muitos de nossos produtos são submetidos a diversas formas de certificação no mercado internacional por razões distintas, é previsível que esta seja uma nova exigência a qual terão que se adequar. Nesse sentido, também, esperar que nas negociações da Convenção de Mudança Climática os países desenvolvidos assumam seus compromissos de transferência de recursos e tecnologia para a transição, trará muitos efeitos negativos para as economias latino-americanas.

Outra previsão à qual os países da América Latina devem estar atentos diz respeito à seleção do investimento estrangeiro a ser consolidado nacionalmente. Os governos latino-americanos são, em geral, propensos a aceitar todo tipo de aporte internacional direto com o entendimento de que isso gera benefícios econômicos evidentes para o país. Entretanto, a introdução de produção estrangeira com alto conteúdo de carbono pode resultar em um bumerangue no futuro, ao elevar os níveis nacionais de emissões de gases de efeito estufa. Isso será, inclusive, cada vez mais notório, à medida que as indústrias com altas emissões de carbono em seus processos produtivos se vejam motivadas a se deslocar dos países com limites ou penalização por emissões para aqueles países em desenvolvimento que não tenham estes tipos de restrições.

Da mesma forma, as nações latino-americanas deverão ser seletivas na hora de aplicar subsídios ou ajudas para a melhora da eficiência energética. Há indústrias energo-intensivas de alto uso de capital e pouca mão de obra (como as de aço, papel e cimento) que apresentam grandes oportunidades de ganho em eficiência. Os benefícios de uma política pública de eficiência energética deveriam estar orientados aos setores industriais de menor potencial econômico e com maior capacidade de distribuição da riqueza por meio do emprego da mão de obra. Para as empresas maiores e intensivas no uso de energia, o retorno a partir da economia gerada pelas medidas de eficiência energética já é rentável por si só.

O financiamento para a adaptação

Adequar os sistemas produtivos para uma economia descarbonizada pode também ser encarado como uma política de adaptação, quando por adaptação se entendam os “ajustes nos sistemas ecológicos, sociais ou econômicos para responder a estímulos climáticos presentes ou esperados e seus efeitos ou impactos” (Convenção de Mudança Climática).

Algo similar ao que ocorre com o atraso em implementar as medidas de mitigação acontece com a demora em iniciar a adaptação. Os países em desenvolvimento, em geral, e os da América Latina em particular, estão atrasando a aplicação destas medidas à espera da decisão dos países desenvolvidos sobre a transferência de fundos com tal fim.

Neste caso, não há dúvidas acerca da legitimidade dessa postura e da necessidade de manter a demanda a nível internacional. No entanto, a certeza acerca dos efeitos da mudança climática e dos custos que terá para os países latino-americanos é absoluta. Também está bastante claro quais são as vulnerabilidades principais em cada um dos países e as principais medidas que seria necessário tomar. A decisão principal, portanto, não é o “que”, nem o “como”, nem o “onde”, mas sim o “quando”.

Enquanto exigem o cumprimento dos compromissos quanto à transferência de recursos para adaptação acordados na Convenção, as nações latino-americanas deveriam ir tomando algumas medidas prioritárias com base nos recursos públicos (com o entendimento de que em médio prazo se compensarão com as economias em futuras medidas de reparação) e outras que deveriam ser internalizadas nos custos de produção da atividade privada.

Um caso típico é o dos riscos climáticos para a produção agropecuária. Da mesma maneira que em muitos países é obrigatória a contratação de seguros para circular com veículos pela via pública, deveria começar a se exigir seguros obrigatórios para a produção agropecuária. Tem-se vivido repetidamente, nos últimos tempos, neste setor, a conseqüência de perdas econômicas originadas em eventos climáticos, como a seca ou as inundações. Em muitos casos, a continuidade do empreendimento agropecuário se viu ameaçada por estas perdas, o que se traduziu em uma demanda de assistência por parte do Estado para garantir a permanência das unidades produtivas - algumas vezes efetivada e outras não.

Muitos dos países da região têm porcentagens significativas de seu PIB neste setor, cujos produtos formam parte importante de seus fluxos de exportações. É muito factível - quase ao grau de certeza - que estes eventos se vejam incrementados nos próximos anos e os custos da não-adaptação serão muito maiores que os de algumas medidas preventivas anteriores. A adaptação permite não só uma distribuição gradual dos custos no tempo, como também internalizar estes custos na economia antes que os fundos públicos o tenham que fazer. Implementar políticas e medidas antecipatórias, por meio da internacionalização dos custos de prevenção ou do investimento público, é parte substancial da sustentabilidade econômica dos países. Isso não deveria ser adiado à espera das resoluções que possam surgir das negociações internacionais da mudança climática.

O mesmo critério de obrigatoriedade dos seguros para a produção agropecuária pode ser ampliado às obras de infra-estrutura mais expostas à mudança climática, como tendem a ser os portos, as estradas, as urbanizações costeiras, etc.

Outros tipos de investimentos, que podem encontrar maiores oportunidades de financiamento na atualidade do que no passado, são os destinados aos sistemas de alerta preventivo e prognósticos do tempo. Estas medidas podem resultar menos custosas que compensar os danos por falta de previsão e podem ajudar a salvar vidas, domicílios e obras de infra-estrutura pública e privada que difíceis de repor depois.

O sentido da urgência

Poderia parecer que as nações em desenvolvimento se encontram imobilizadas, à espera dos resultados do debate internacional sobre a responsabilidade dos países industrializados e postergando suas opções de desenvolvimento, esperando obter recursos financeiros derivados do pagamento da “dívida ecológica”. Mas, como vimos, os recursos financeiros internacionais como o MDL, o Fundo de Adaptação e outros similares, são atualmente - e seguramente serão no futuro - insuficientes com relação às necessidades dos países latino-americanos.

Isto faz com que não haja razões poderosas para esperar por eles, mesmo que se mantenham as justas reivindicações. Em troca, se pode desde já aproveitar as oportunidades que o desenvolvimento dos novos mercados e produtos oferecem - somando-os aos benefícios econômicos, sociais e ambientais que estas mudanças propiciam - em prol da sociedade latino-americana.

* Gerardo Honty é pesquisador na área de Energia e Sustentabilidade do Centro Latino-americano de Ecologia Social (Claes), apoiado pela Fundação Mott.

(Envolverde/ANDI Mudanças Climáticas)

Fonte: Mercado Ético - http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/a-hora-de-uma-economia-climatica/

sábado, 4 de julho de 2009

Blog SEMIÁRIDO indicado ao Prêmio Top Blog Brasil


O blog SEMIÁRIDO, da profª Drª Suely Chacon, foi indicado para o Prêmio Top Blog Brasil na categoria Sustentabilidade. Para votar, basta acessar o endereço do Blog (http://nossosemiari do.blogspot. com/) e clicar no selo Top Blog.

O blog é uma ferramenta auxiliar na divulgação de notícias e idéias sobre o semiárido brasileiro, então aproveitem para se tornarem seguidores, cadastrando-se para receber as atualizações e comentários.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Plano Real: Os 15 anos de uma conquista


Que dona de casa brasileira não lembra – sem saudades – de um tempo em que, ao receber o salário, era preciso correr ao supermercado antes que o dinheiro do mês virasse pó, incinerado pelo dragão da inflação? Hoje, dia em que o Plano Real comemora seu 15º aniversário, festejamos um tempo de economia estável e com os juros em queda. Sabemos o que o nosso salário pode comprar, não sofremos com a escassez de produtos, nem precisamos estocar comida. Para este ano, a estimativa é que a inflação feche em 4,20%, um índice inimaginável para os anos tormentosos de hiperinflação, quando a taxa anual acumulada chegava a 1.863% (em 1989), por exemplo.

Além de colocar o Brasil no rol dos países que conseguiram adotar uma política monetária responsável, o Real inaugura um marco para o consumo no Brasil e um estímulo ao crescimento econômico. “A inflação distorcia o planejamento das empresas e do governo, além de penalizar a população mais pobre. O aumento constante dos preços era como um imposto corroendo diariamente o poder de compra do salário”, diz Jorge Jatobá, economista da Ceplan - Consultoria Econômica e Planejamento.

Com os preços estáveis e aumento da oferta de crédito, o brasileiro conseguiu comprar bens como TVs, geladeiras, lavadoras e celulares. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de geladeiras nos lares do País passou de 71,8% (em 1993) para 91,4% em 2007.

O vice-presidente da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes), Djalma Cintra Júnior, frisa que o Plano Real obrigou o varejo a aprender a operar sem inflação. “Nos tempos de inflação alta, o mais importante era comprar certo. Já com a moeda estável foi preciso pensar na gestão como um todo, incluindo RH, área comercial e administração”, observa. Os supermercados chegavam a fazer remarcações diárias de preços e as donas de casa pareciam estar na guerra, inclusive fazendo compras em atacado para estocar.

POLÍTICA

No campo da política, o Plano Real foi acusado pela oposição (liderada na época por Lula) de se tratar de um estelionato eleitoral. O PT combatia o plano, bradando que ele funcionaria como cabo eleitoral de Fernando Henrique Cardoso, captando votos para a sua primeira eleição presidencial, em 1998. O sociólogo tinha sido o quarto ministro da Fazenda do governo Itamar Franco e um dos pais da iniciativa. Os oposicionistas defendiam que após o processo eleitoral, o Real faria água e a inflação voltaria. “Os que apontaram o Real como um plano eleitoreiro tiveram que engolir a seco, porque ele cumpriu o seu objetivo de acabar com um longo período de hiperinflação depredadora do poder de compra da população”, diz Jorge Jatobá.

“O Real também foi responsável por colocar o Brasil no conjunto dos países que fazem política econômica de forma séria. Passamos a ter uma política fiscal e monetária responsável e isso foi um ganho importante para a nação”, destaca o professor do Departamento de Economia da UFPE, Gustavo Maia Gomes. O economista, que participou das discussões sobre a implantação do Real nos anos 90, avalia que o governo Lula tem sido responsável na condução da macroeconomia, mesmo tendo sido contrário ao plano. Durante a gestão petista na Presidência da República, a inflação tem se mantido na casa de um dígito.

No ano passado, o índice fechou em 5,90% e para este ano, as estimativas apontam para uma taxa de 4,20%. “Não temos uma inflação como a dos Estados Unidos, de 2,3%, mas estamos num patamar aceitável para um país em desenvolvimento e abaixo do índice de outras nações emergentes”, defende Jatobá. Desde a Proclamação da República, o Brasil teve nove moedas (veja arte). Ao longo dos 15 anos do Real, a inflação acumulada é de 244,86%. Que perdure a estabilidade econômica.


Fonte: Jornal do Commercio

Crédito da imagem: Yougol (http://yougol.wordpress.com/)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Governo perde R$ 9 bi em impostos

Em todo o ano de 2009, o governo federal vai abrir mão de aproximadamente R$ 9 bilhões com a isenção temporária da cobrança de tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, produtos da chamada linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) e material de construção, além do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a farinha de trigo e o pão francês, entre outros, de acordo com dados da Receita Federal.

O governo brasileiro terá de cortar gastos para conseguir ajustar suas contas depois do anúncio de mais um pacote de desonerações tributárias, que custarão mais R$ 3,3 bilhões ao longo do segundo semestre de 2009, avaliou o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria. Para o economista, a queda brusca da arrecadação e o sucessivo aumento das despesas, principalmente com gastos vinculados ao funcionalismo público, obrigam o governo a fazer um ajuste nas contas para atingir a meta de superávit primário (economia que o governo faz para o pagamento de juros da dívida) prevista para o ano. A meta estabelecida para 2009, para todo o setor público (o que inclui Estados, municípios e empresas estatais), é obter um superávit equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em maio, porém, como informou ontem o Banco Central (BC), o superávit acumulado em 12 meses foi de 2,28% do PIB.

"O governo terá de fazer um contingenciamento de gastos para comportar essa renúncia de imposto", disse o economista. "Não dá para cumprir meta de superávit com o atual nível de despesas. É necessário um planejamento dos gastos até o fim do ano para que as contas fiquem ajustadas." Apesar da necessidade de corte dos gastos, o economista frisou que a isenção de imposto tem papel relevante na retomada da atividade econômica. Entre as desonerações anunciadas ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, Salto destacou a isenção do IPI sobre bens de capital (máquinas e equipamentos) até o fim deste ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Fonte: Yahoo! Notícias

http://br.noticias.yahoo.com/s/30062009/25/economia-governo-perde-r-9-bi.html


Crédito da imagem: Jornal Brasil

http://www.jornalbrasil.com.br/index.php

sábado, 20 de junho de 2009

CENTENÁRIO DO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO DO NORTE - CE

Juazeiro define marco zero


Tudo começou com um sonho do Padre Cícero, no natal de 1871. Era a profecia da sua vinda para JuazeiroJuazeiro do Norte. Uma pequena Vila, onde existiam algumas casinhas, uma capela em louvor a Nossa Senhora das Dores, a casa do brigadeiro Leandro Bezerra e três pés de Juazeiro.


Assim começa a história de uma das cidades que mais cresce no Interior do Estado, que em 2011 comemora o seu centenário. O marco zero da cidade será a reprodução do Juazeiro primitivo, resgatado numa pintura da artista plástica e contemporânea do Padre Cícero, Assunção Gonçalves, hoje com mais de 90 anos.


Além da pequena vila, será construída a praça, um obelisco, como em Recife, explicando o marco zero, e a Rua do Centenário, possibilitando o contorno para quem desce pela Rua São Pedro e retorna pela Avenida Padre Cícero, entre o Centro de Apoio ao Romeiro e os arcos da Basílica de Nossa Senhora das Dores. O começo da obra, idéia inicial proposta pala Comissão do Centenário, ainda não se sabe, “mas o final sabemos”, afirma o integrante da Comissão, o escritor e pesquisador Daniel Walker.


No próximo dia 18 de julho, serão abertas as comemorações do centenário do município. O marco será os 100 anos do jornal “O Rebate”, veículo que marcou a luta pela conquista da independência política de Juazeiro do Crato. Mas vários outros projetos estão sendo trabalhados de forma paralela. A comissão tem se debruçado nas pesquisas históricas e feito propostas para o resgate de momentos importantes que se destacaram na história da cidade.


Outro aspecto importante será o resgate do local onde o Padre Cícero teve o sonho. Uma casa, próximo da imagem de “La Pietá”, à frente da Basílica. Tudo indica que foi nas proximidades e para encontrar as bases da casa, será necessário um trabalho de escavação. Segundo o pesquisador Daniel Walker, a casa pertencia a dona Albuína, já falecida. Há informação da presença de um sobrinho da proprietária da casa residindo em Juazeiro.


Caso a “sapata da casa” seja encontrada, a idéia, conforme Daniel Walker, é delimitar a área com correntes e colunas e será colocada uma tampa de vidro. A “casa do sonho” será instrumento de contemplação e resgate de uma história que em pouco tempo teve suas origens apagadas, o que tanto lamenta Assunção Gonçalves, ao observar em seu quadro o início já relatado por pessoas que viveram os momentos de construção da terra do “Padim”.


A Comissão tem se reunido mensalmente. O projeto para construção do marco zero está em fase de desenvolvimento, a cargo da arquiteta da Prefeitura de Juazeiro, Gisele Menezes. Cada passo buscará manter a fidedignidade à simplicidade da pequena vila. Em 15 de setembro de 1827 poderá ser estabelecida como a data do marco inicial da história do município, dia de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade. Marca também uma das maiores romarias da cidade.


Locais onde aconteceram fatos marcantes terão suas histórias registradas em placas. A casinha de taipa onde nasceu a beata Maria de Araújo era exatamente onde hoje se encontra o prédio dos Correios. Uma parceria do órgão com a Prefeitura irá identificar com placas esses locais de destaque em Juazeiro. Além dela, outra casa terá informações históricas afixadas em placa. No local, o “Padim” tomou posse como o primeiro prefeito da cidade.


Mais informações:
Secretaria de Turismo e Romaria
Praça do Cinqüentenário, S/N - Bairro do Socorro
Juazeiro do Norte
(88) 3511.4040


ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

“O crescimento não nos torna mais ricos, e sim mais pobres”

19/06/2009 - 16:04:17

O economista e cientista político alemão Elmar Altvater teme que na crise sejam escolhidas pelos governos, mas também por movimentos sociais, estratégias de salvação do capitalismo


Ainda repercutindo o debate levantado na IHU On-Line número 295, sobre a necessidade de pensarmos em uma economia mais compatível com a sustentabilidade do planeta, entrevistamos nesta semana, por e-mail, o economista alemão Elmar Altvater. Para ele, “na mais grave crise econômica da forma de produção capitalista desde sua origem, coloca-se de maneira dramática a alternativa entre a salvação do capitalismo e a passagem a uma forma de economia ecológica, ou seja, sustentável”. Ele aponta que “a sustentabilidade ecológica só é possível numa sociedade democrática e de distribuição equitativa de recursos”. No entanto, continua ele, esta sociedade “também é minada pela crise financeira e econômica”.


Elmar Altvater é professor de Ciência Política na Universidade Livre de Berlim. É autor de diversos livros e artigos nos quais estuda a evolução do capitalismo, a teoria do Estado, a política de desenvolvimento, a crise do endividamento e as relações entre economia e ecologia. Entre suas obras publicadas em português, citamos O preço da riqueza. Pilhagem ambiental e a nova (des)ordem mundial (São Paulo: Unesp, 1995).


Confira a entrevista.


IHU On-Line - Nesse momento de crise global da economia capitalista, quais são as possibilidades e os limites de se pensar uma economia que leve em conta a sustentabilidade da terra?

Elmar Altvater - Na mais grave crise econômica da forma de produção capitalista desde sua origem, coloca-se de maneira dramática a alternativa entre a salvação do capitalismo e a passagem a uma forma de economia ecológica, ou seja, sustentável. É de se temer que na crise sejam escolhidas pelos governos, mas também por movimentos sociais, estratégias de salvação do capitalismo. Na Alemanha, com uma absurda subvenção ao sucateamento de automóveis (”Prêmio pelo desmantelamento” [Abwrackprämie]), a manutenção da sociedade automobilística é prorrogada em direção ao futuro, quando, já devido ao “Peakoil” (pico do petróleo) e ao ameaçador colapso climático, ela não tem mais futuro e deve ser abandonada. Em outras nações podem ser encontrados exemplos semelhantes, que explicitam uma só coisa: precisamente na situação de crise é difícil forjar coalizões políticas para uma alternativa duradoura.


IHU On-Line - Pensando em uma economia mais ecológica, quais seriam seus princípios e qual seria sua função na sociedade?


Elmar Altvater - A longo prazo, a economia deve ser ecológica, ou seja, deve levar em conta as condições naturais de todas as transformações de matéria e energia. Caso contrário, a economia capitalista destruirá suas próprias bases. Isto já está acontecendo, porque o rasto ecológico é muito maior do que deveria ser, em vista dos limitados recursos e da capacidade produtiva do Planeta Terra. O princípio ecológico da sustentabilidade deve orientar-se segundo o fluxo de energia e a capacidade de absorção das esferas terrestres para materiais nocivos. Expresso fisicamente, o aumento de entropia deve ser mantido em zero.


IHU On-Line - É possível calcular o custo dos desgastes ambientais provocados pela economia clássica?


Elmar Altvater - Há muitos esforços para calcular os custos dos prejuízos ambientais. O resultado é geralmente assustador. Entrementes, se pode partir do fato de que os custos do acréscimo do produto social são 100 mais do que 100. Em outras palavras: o crescimento não nos torna mais ricos, mas sim mais pobres. Esta é possivelmente a razão para o aumento da pobreza no mundo, embora, nos objetivos de desenvolvimento do milênio, esteja planejada uma redução da pobreza em 50%. Em todo o caso, cálculos monetários dos prejuízos ambientais são mais do que problemáticos. Porque se pressupõe que a natureza possa ser expressa em valores monetários. Isso, por sua vez, exige propriamente um mercado no qual são constituídos preços, e no mercado só podem ser negociadas mercadorias, nas quais existem direitos de propriedade. Uma condição para o cálculo monetário é, por conseguinte: a natureza deve ser transformada em valor, para poder ser calculada monetariamente. Porém, qual é o valor de um peixe-boi, qual é a perda em valores monetários quando uma espécie é extinta? Quem calcularia os custos da perda do Dodô, uma ave de locomoção terrestre que, por ter sido tão lenta, foi abatida no século 18 até seu último exemplar? A avaliação monetária de danos ecológicos não tem nenhum sentido; no melhor dos casos, ela teria um valor pedagógico, de alarme.


IHU On-Line - Que relações podemos estabelecer entre o modo de vida urbano e o consumo desenfreado e não sustentável?


Elmar Altvater - Cidades já existem desde a revolução neolítica na história da humanidade. Elas são os lugares da comunicação, da formação, da ciência, mas também da dominação concentrada e da exploração da terra. Na modernidade, as cidades são expressão do deslocamento da vida econômica da sociedade e da natureza. Pressuposto para isto é a mobilidade moderna com o automóvel, cujo combustível é extraído de portadores fósseis de energia. As cidades modernas são construídas para os automóveis, com autoestradas urbanas e parques de estacionamento, shoppings, os artefatos da superação de distâncias entre locais de moradia, trabalho, recreação, tempo livre etc. Isto só pode ser modificado se for estabelecido outro conceito não-fóssil de mobilidade.


IHU On-Line - Como o senhor relaciona a questão da criação de necessidades, o consumo, o desperdício e o caos climático, considerando a contrariedade e o paradoxo disso com o momento de crise em que vivemos?


Elmar Altvater - Por causa da crise econômica, muitas pessoas são ou serão compelidas à condição de pobreza e já nem tem mais muitas possibilidades para um consumo intensivo de recursos. Por outro lado, o consumo de baixo custo do supermercado é muito intensivo de recursos, pelo menos nas nações industrializadas. Por isso, a pobreza não irá reduzir duradouramente o consumo de recursos. Isto aponta para o fato de que a sustentabilidade ecológica só é possível numa sociedade democrática e de distribuição equitativa de recursos. Mas esta também é minada pela crise financeira e econômica. As medidas econômicas para o estado de necessidade foram todas tomadas, nas nações industrializadas, ao largo dos legítimos órgãos de uma sociedade democrática.


IHU On-Line - Pensando numa sociedade ideal, quais poderiam ser apontadas como “justas” e “reais” necessidades humanas, que favorecessem a qualidade de vida e as condições ambientais? Uma mudança na economia seria aqui necessária?


Elmar Altvater - A pergunta sobre a “vida boa” já foi levantada por Aristóteles. Sua resposta foi: uma vida sem aspirar por aquisição de capital, portanto, sem lucro e juros. Esta resposta também hoje ainda é correta e ela aponta, de maneira diversa do que na época de Aristóteles, por que então, na velha Grécia do 4º século antes de Cristo, ainda não existia nenhum capitalismo, para a necessidade de uma superação do capitalismo e para uma revolução social e ecológica. Uma revolução política pode - como já muitas vezes na história (também são exemplos a revolução francesa e a russa) - ocorrer muito rapidamente como assunção do poder, mas uma revolução social e ecológica necessita muito tempo. Porque o sistema energético e uma forma de produção não podem ser modificados de hoje para amanhã, porém somente em décadas. Não obstante isso, trata-se de uma revolução e ela deve iniciar agora, se quisermos evitar o colapso climático.


IHU On-Line - O senhor acredita que a sociedade está hoje mais consciente em relação ao caos climático, a ponto de mudar seus hábitos e provocar mudanças nas grandes corporações? Não é o capital que ainda tem mais poder?


Elmar Altvater - A consciência da necessidade de frear a mudança climática está amplamente difundida. Mas os interesses econômicos no modo capitalista da agricultura e da indústria são muito fortes. Os consórcios transnacionais subscreveram em parte o compacto global do secretário geral da ONU, se obrigam voluntariamente à “corporate social responsiblity”, porém buscam apenas o princípio do lucro. Eles só podem realizá-lo se a economia cresce e para isso eles necessitam de apoio político. É tarefa dos movimentos sociais defenderem-se contra a dominação dos consórcios multinacionais, formularem seus próprios projetos, intervirem em favor de energias renováveis e formas solidárias de promoção da economia. A crise atual do capitalismo também é, por isso, uma possibilidade de dar passos em frente nessa direção.


Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-crescimento-nao-nos-torna-mais-ricos-e-sim-mais-pobres/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Dilma anuncia Plano de Desenvolvimento para Nordeste


Em tom de promessa eleitoral, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje, em Fortaleza, que o presidente Luís Inácio Lula da Silva pediu a ela que pensasse na elaboração de um plano de desenvolvimento para o Nordeste. De acordo com Dilma, o tema estará em discussão nos próximos meses, tornando-se "prioridade dos mais diversos ministérios". "Essa é uma grande preocupação do presidente Lula", garantiu a ministra, virtual candidata à Presidência da República em 2010. Sem dar maiores detalhes, ela garantiu ser esse plano estratégico para o Brasil.

O anúncio foi feito durante reunião de avaliação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no auditório da sede do Banco do Nordeste. Dilma passou o dia em Fortaleza. Além de avaliar o PAC, ela participou, na sede do governo cearense, ao lado do governador Cid Gomes (PSB), da assinatura de um convênio para a instalação de uma siderúrgica no Porto de Pecém; no início da noite, ao lado prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT). A ministra esteve na Favela Maravilha, cuja urbanização integra o PAC.

Dilma garantiu que a economia dá sinais de melhora e que voltará a crescer a partir de 2010. "Nós não somos responsáveis pela crise, mas a crise chegou ao Brasil. O PAC é uma vacina, um antídoto. Como era no passado? O Brasil quebrava e recorria ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Não foi isso que aconteceu desta vez", disse a ministra. "Nós não quebramos. Nós não temos nada a ver com aquele País de 2002, que quebrava. Nós não durávamos três dias no passado", completou. Ela também ressaltou o fato de o governo não ter feito cortes no PAC. Ao contrário, ampliou os recursos do programa de R$ 503,9 bilhões para R$ 646 bilhões (2007 a 2010) e de R$ 693 bilhões para R$ 1,148 trilhões (inclusive pós 2010).

"Dizem que PAC é uma obra de pirotecnia. Não é nada disso. É inclusão social e aumento de oportunidades. Um conjunto de obras que tentam que solucionar gargalos para que o Brasil cresça", defendeu Dilma.


Fonte: Yahoo! Notícias

http://br.noticias.yahoo.com/s/17062009/25/politica-dilma-anuncia-plano-desenvolvimento-nordeste.html

Crédito da foto: Blog Amazônia e Sociedade em Foco

http://blogs.universia.com.br/zaqueusouza/

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Carga tributária no Brasil chega a 38,45% do PIB no primeiro trimestre

SÃO PAULO - A carga tributária no Brasil, que é a relação entre arrecadação e o PIB (Produto Interno Bruto), chegou a 38,45% no primeiro trimestre deste ano, resultado de uma arrecadação de tributos federais, estudais e municipais na ordem de R$ 263,22 bilhões, de acordo com dados do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).

Divulgado nesta quarta-feira (17), o levantamento mostrou que a carga tributária do primeiro trimestre do ano passado foi de 38,95%, quando o pagamento de tributos nas três esferas somou R$ 259,22 bilhões.

Na comparação entre os dois períodos, os tributos federais apresentaram recuo de R$ 55 milhões em seu recolhimento, enquanto os estaduais e municipais cresceram R$ 4,24 bilhões e R$ 30 milhões, respectivamente.

Trimestres

"Tradicionalmente, é no primeiro trimestre de cada ano que a arrecadação atinge seu maior nível", afirmou o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.

Isso acontece, segundo explicou, porque é nesse momento que se cobra um grande número de tributos, como o Imposto de Renda, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). Além disso, também existe a cobrança de impostos referentes a dezembro do ano anterior, como o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).

Tributos

A Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) apresentou o maior recuo nominal entre os primeiros três meses de 2008 e 2009, de R$ 3,22 bilhões. O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) veio na sequência, com queda de R$ 1,87 bilhão. Por outro lado, contribuições para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tiveram o maior aumento nominal no período analisado, de R$ 4,70 bilhões.


Fonte: http://economia.uol.com.br/ultnot/infomoney/2009/06/17/ult4040u20043.jhtm

Concurso público em Juazeiro do Norte

A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte divulgou o Edital – Concurso Público do Município. Clique aqui para baixar. ou visite o site da prefeitura do Município de Juazeiro do Norte através deste endereço: http://www.juazeiro.ce.gov.br

Concurso público em juazeiro do Norte


A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte divulgou o Edital – Concurso Público do Município. Clique aqui para baixar. ou visite o site da prefeitura do Município de Juazeiro do Norte através deste endereço: http://www.juazeiro.ce.gov.br

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Critérios técnicos para as RMs

Para Clélia Lustosa, integração entre municípios é prioritária para constituição de regiões metropolitanas.

O projeto de indicação do deputado Idemar Citó (PSDB) para a criação de mais uma região metropolitana no Estado, a de Inhamuns, do ponto de vista geográfico, segundo a professora do curso de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Observatório das Metrópoles, Núcleo de Fortaleza, Clélia Lustosa, não é viável. A estudiosa argumenta que para a criação de uma região metropolitana é preciso levar em conta questões administrativas, organizacionais e geográficas.
Dentre os principais fatores que caracterizam uma região metropolitana, de acordo com Clélia Lustosa, é a integração entre os municípios, ou seja uma complementação de serviços entre as cidades no intuito de garantir a sustentação da região, tendo como conseqüência disso, o desenvolvimento e crescimento igualitário, o que aponta não ser o caso da Região dos Inhamuns.
Além disso é preciso levar em conta outro critério, o da conurbação que é um conjunto formado por cidades reunidas, que constituem uma seqüência, sem, contudo, se confundirem, como é o caso de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, municípios pertencentes a Região Metropolitana do Cariri (RMC). Segundo aponta a geógrafa, tal fenômeno não ocorre nos Inhamuns onde os municípios que a formam não tem limites tão próximos ao passo de quase fundir as cidades.
Gerenciamento
Clélia Lustosa também argumenta que além de observar o aspecto geográfico e organizacional da região, é preciso considerar a administração de bens e serviços básicos para uma região como gestão dos recursos hídricos, saneamento, transporte e outros.Citando exemplo da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) a geógrafa da UFC destaca fatores essenciais para identificar aspectos de uma região metropolitana.
Ela ressalta o exemplo citado acima, da integração, destacando que cada cidade dentro da RMF tem sua peculiaridade e contribui para o desenvolvimento comum dos municípios que formam a Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo aponta, o lixo é de responsabilidade de Caucaia, Maracanaú é o pólo industrial, Pecém contribui com o Porto e Fortaleza se destaca como o pólo criador de serviço e emprego, além das outras cidades.
Clélia Lustosa aponta que é necessário em uma região metropolitana ter pelo menos uma cidade pólo, mais desenvolvida que seja sustentável do ponto de vista de bens e serviços, o que a geógrafa afirma não perceber, entre as cidades que formam a Região do Inhamuns, tal característica.
Infundada
A justificativa apresentada pelo deputado Idemar Citó para transformar Inhamuns em uma região metropolitana, é de que ela é uma das regiões mais pobres do Estado e portanto, precisa de ferramentas para crescer e se desenvolver, porém Clélia Lustosa aponta que isso não a qualifica a tornar-se uma região metropolitana no Estado.
O advogado constitucionalista Valmir Pontes Filho alerta que não basta a intenção de tornar uma região do Estado em metropolitana, tem que haver condições geopolíticas, econômicas e sociais para isso, podendo serem constatadas através de uma avaliação técnica, ratificando o que foi dito pela geógrafa Clélia Lustosa.
Agência
Com a aprovação da mensagem criando a RMC, o Governo do Estado pretende enviar para a Assembléia Legislativa, proposta que cria a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Cariri. Segundo o líder do Governo naquela Casa, deputado Nelson Martins (PT), tal ato deve ocorrer assim que o Conselho Deliberativo da RMC, que foi criado junto com a mensagem, realizar sua primeira reunião.
O petista explicou que a Agência da RMC funcionará nos mesmos moldes da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), no intuito de executar políticas públicas para o Cariri, pois, segundo ele, o conselho tem a função restrita de somente planejar as ações a serem traçadas para aquela Região do Sul do Estado.



Fonte: Jornal Diário do nordeste - Caderno Política - Forlaleza, 15-06-09
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=646653