quarta-feira, 7 de julho de 2010

ARTIGO - A desigualdade não apenas diminui o crescimento econômico como também esgarça o tecido social de nossa sociedade



Pilhagem injusta
Não se trata de uma mera coincidência. Quando a maior parte dos ganhos do crescimento econômico fica com uma pequena fatia de cidadãos da elite, o resto não não tem o poder de compra para adquirir o que a economia é capaz de produzir. O salário médio dos EUA, ajustado à inflação, quase não mudou por décadas. Entre 2000 e 2007 ele na verdade despencou. Nessas circunstâncias, a única maneira da classe média manter seu poder de compra foi se endividando. A razão estrutural da Grande Depressão que ainda assombra os EUA é a explosão da desigualdade social. O artigo é de Robert Reich.
O banditismo de Wall Street é a causa próxima da Grande Recessão, não sua causa de fundo. Mesmo se a “Rua” for melhor controlada no futuro (e eu tenho lá minhas dúvidas de que isso ocorrerá), a razão estrutural da Grande Recessão é o que ainda assombra a América. Esta razão é explosão da desigualdade americana.

Considere-se o seguinte: em 1928 os 1% dos americanos mais ricos recebiam 23,9% do total da renda nacional. Depois disso, a partilha dos 1% mais ricos declinou fortemente. As reformas do New Deal, seguidas pela Segunda Guerra Mundial, o G.I.Bill e a Great Society expandiram o círculo da prosperidade. Em fins dos anos 1970 os 1% mais ricos representavam apenas 8 a 9% do total da renda anual da América. Mas depois disso a igualdade começou a aumentar de novo, e a renda reconcentrou-se acima. 

Por volta de 2007 os 1% mais ricos estavam de volta aonde estiveram em 1928 – com 23,5% do total. As duas maiores quebras econômicas da América ocorreram nos anos imediatamente subsequentes a esses pontos máximos – em 1929 e em 2008. Não se trata de uma mera coincidência. Quando a maior parte dos ganhos do crescimento econômico ficam com uma pequena fatia de estadunidenses da elite, o resto não não tem o poder de compra para adquirir o que a economia é capaz de produzir. O salário médio dos EUA, ajustado à inflação, quase não mudou por décadas. Entre 2000 e 2007 ele na verdade despencou. Nessas circunstâncias, a única maneira da classe média manter seu poder de compra foi se endividando, como o fez com gosto. Enquanto os preços das moradias aumentaram, os americanos transformaram seus lares em caixas eletrônicos. Mas esse tipo de empréstimo tem limites. Quando a bolha da dívida finalmente explodiu, um vasto número de pessoas não pôde pagar suas contas, e os bancos não puderam receber.

A China, a Alemanha e o Japão certamente contribuíram para o problema, ao não conseguirem comprar de nós tanto como nós compramos deles. Mas acreditar que a nossa crise econômica contínua deriva principalmente de nossa balança comercial – compramos demais e poupamos pouco, enquanto eles fazem o oposto – é deixar de lado o maior desequilíbrio de todos. O problema não é que os americanos típicos tem gastado além dos seus ganhos. É que seus ganhos foram congelados junto ao que o crescimento da economia poderia e deveria poder fornecer-lhes.

Um segundo paralelo liga 1929 a 2008: quando os ganhos acumulam no andar de cima, as pessoas da elite investem sua riqueza em qualquer ativo que provavelmente atraia outros grandes investidores. Isso aumenta o preço de alguns ativos – commodities, ações, dot-coms ou investimentos imobiliários – que se tornam altamente inflados. Bolhas especulativas como essas explodem em seguida, deixando para trás montanhas de garantias sem quase valor algum.

A quebra de 2008 não se tornou uma Grande Depressão porque o governo aprendeu a importância de alimentar o mercado com dinheiro, resgatando assim temporarialmente alguns consumidores encalhados e a maioria dos grandes bancos. Mas o resgate financeiro não mudou a estrutura de fundo da economia. A média dos salários continua seu declínio e a elite continua a mexer na parte da riqueza do leão. É por isso que as classes médias ainda não têm o poder de compra necessário para levantar a economia, e porque a auto-proclamada recuperação será tão tépida - talvez levando até a uma segunda queda. Também é por isso que a América estará ainda mais vulnerável a bolhas especulativas e a explosões mais profundas nos próximos anos.

O problema estrutural começou nos fins dos anos 1970, quando houve uma onda de novas tecnologias (o transporte aéreo de cargas, os navios containeres e terminais, comunicações via satélite e, mais tarde, internet) que reduziram radicalmente os custos do trabalho no exterior. Outras novas tecnologias (automação, computadores e aplicativos de software ainda mais sofisticados) tiraram muitos outros empregos (Lembram dos caixas de banco? Dos operadores de telefones? Dos atendentes em postos de gasolina?). Nos idos dos anos 80 qualquer emprego que exigisse atividade repetitiva foi desaparecendo – indo para o exterior ou se tornando um software. Enquanto isso, ao passo que o pagamento da maioria dos trabalhadores achatava ou despencava, o pagamento dos socialmente bem conectados graduados em escolas de prestígio e programas MBAs – os assim chamados “talentos” que alcançaram o ápice do poder em suites executivas e em Wall Street – decolaram.

O que intriga é por que tão pouco foi feito para reverter essas forças. O governo poderia ter dado aos empregados mais poder de barganha para aumentarem seus salários, especialmente em idústrias protegidas da competição global e que requerem serviço pessoal: o grande comércio varejista, cadeias de restaurantes e hotéis, e assistência à criança e ao idoso, por exemplo. Redes de proteção social poderiam ter sido alargadas para compensar a ansiedade crescente frente à perda de empregos: seguro-desemprego cobrindo meio turno de trabalho, seguro salário frente à perda de poder aquisitivo, assistência na transição para novos empregos em novos lugares, seguro para comunidades que tenham perdido um grande empregador para que possam disputar novos empregadores. Com os ganhos do crescimento econômico a nação poderia ter oferecido assistência médica a todos, escolas melhores, educação fundamental e creche para as crianças, mais acessibilidade para as universidades públicas, mais transporte público de longo alcance. E se mais dinheiro fosse necessário, os impostos sobre os ricos poderiam ter aumentado.

Grandes e rendáveis companhias poderiam ter sido proibidas de demitir grandes números de trabalhadores de uma só vez, e poderiam ter de pagar indenização pela demissão – digamos, o equivalente a um ano de salário – para cada um que mandasse embora. As corporações cujas pesquisas fossem subsidiadas pelo contribuinte poderiam ter sido convocadas a criar novos empregos nos Estados Unidos. O salário mínimo poderia ter sido indexado à inflação. E os parceiros comerciais dos EUA poderiam ter sido estimulados a estabelecerem salários mínimos fixados à metade dos salários da classe média em seus países – assegurando assim que todos os cidadãos partilhassem os ganhos do comércio e que fosse criada uma classe média global que poderia comprar mais nossas exportações.

Mas começando no fim dos 70 e com um aumento fervoroso ao longo das décadas seguintes, o governo fez justamente o oposto. Desregulou e privatizou. Aumentou o custo público da educação superior e cortou o transporte público. Rasgou as redes de proteção social. Cortou pela metade o imposto de renda da elite, dos 70-90% que prevaleceram durante os anos 50 e 60 para 28-40%. Isso permitiu que muitos dos ricos do país tratassem sua renda como ganhos de capital sujeitos a não mais que 15% de taxação e escapassem também dos impostos sobre herança. Ao mesmo tempo, tanto a folha de pagamento como o estímulo ao consumo nos EUA sofreram um desfalque maior em função da diminuição da participação da classe média e dos pobres, do que dos bem remunerados.

As companhias foram autorizadas a cortar empregos e salários, aposentadorias e a transferir os riscos aos empregados (do 'você pode contar com sua aposentadoria', do “boa cobertura de saúde' ao aumento dos seguros de vida e deduções de benefícios). Eles quebraram os sindicatos e ameaçaram os empregados que tentaram se organizar. As maiores companhias se tornaram globais com não mais lealdade ou conexão com os Estados Unidos do que um serviço de GPS. Washington desregulou Wall Street enquanto o protegeu de grandes perdas, tornando a finança – que até recentemente servia à indústria da América – no seu senhor, exigindo lucros de curto prazo em vez do crescimento de longo prazo e arrastando uma porção ainda maior dos lucros do país. E nada foi feito para impedir que os salários dos executivos disparassem para mais de 300 vezes do que o de um trabalhador médio (de trinta vezes durante a Grande Prosperidade dos anos 50 e 60), enquanto o pagamento de executivos do mercado financeiro e de negociantes subiram a níveis estratosféricos.

É fácil demais culpar Ronald Reagan e sua laia republicana. Os democratas têm sido quase tão relutantes em atacar a desigualdade ou mesmo em reconhecê-la como o problema econômico e social central de nossos tempos. (Como Secretário de Trabalho da gestão Bill Clinton eu poderia saber). A razão é simples. Enquanto o dinheiro está aumentando também o está o poder político. Os políticos são mais dependentes do que nunca do dinheiro grande de suas campanhas. Washington moderna está longe de se afastar da Era de Ouro quando, tem-se dito, os lacaios dos barões do roubo literalmente depositem sacos de dinheiro nas mesas de legisladores amigáveis. O dinheiro de hoje vem na forma ou mesmo no aumento de doações de campanha de executivos das corporações e de Wall Street, seus ainda maiores pelotões de lobistas e suas hordasa de relações públicas propagandistas.

A Grande Recessão poderia ter levado a uma outra era de reformas fundamentais, assim como após a Grande Depressão. Mas o resgate financeiro reduziu demandas imediatas para reformas mais amplas. Obama pode ainda ter conseguido traçar um quadro acuradamente. Ainda assim, ao assegurar às pessoas que a economia voltaria ao normal ele perdeu uma oportunidade chave de expor o flagelo do aumento da desigualdade e seus perigos. Conter a crise financeira imediata e então afirmar que a economia estava em recuperação deixa as pessoas com uma idéia difusa dos problemas econômicos que ficam parecendo não relacionados entre si e inexplicáveis, como se um incêndio na cidade fosse enfrentado principalmente com uma conflagração, ao se proteger os grandes edifícios de escritórios enquanto deixa o resto da cidade cozinhando em fogo brando: falências domésticas, perda de empregos, diminuição da renda, insegurança econômica, aumentando o pagamento em Wall Street e nas suítes executivas.

A legislação para melhorar o sistema da assistência em saúde dos EUA [Healthcare] ilustra o paradoxo. Inicialmente, a nação estava fortemente favorável. Mas o presidente e os líderes democratas fracassaram em relacionar a reforma na saúde a uma agenda maior de distribuição ampla da prosperidade. Dessa maneira, como o desempergo cresceu ao longo de 2009, a população compreensivelmente voltou sua atenção à perda de empregos e diminuição de salários, frente aos quais a assistência em saúde parecia um problema menor. Consequentemente, o país não se mobilizou ativamente por uma reforma como seria necessário para enfraquecer o poder das grandes empresas farmacêuticas e das seguradoras privadas de saúde, que exigiram que qualquer assim chamada reforma melhorasse os seus próprios ganhos. A legislação resultante é dispensável para a direita, porque não controlaria adequadamente os custos e demanda que os estadunidenses paguem mais pelo seguro-saúde do que o fariam se o projeto não tivesse sido aprovado. Basicamente a mesma coisa ocorreu com os esforços para reformar o sistema financeiro. 

A Casa Branca e os líderes democratas poderiam ter descrito o maior objetivo como sendo a reconstrução das instituições econômicas que oferecem maior recompensa para relativamente poucos enquanto impõem custos e riscos extraordinários para todos os outros. Em vez disso, eles definiram o objetivo estreitamente: reduzir riscos para o sistema financeiro causados pelas práticas particulares de Wall Street. A solução então se estreitou num conjunto de consertos voltados a como a “Rua” deveria conduzir seus negócios.

Até o desastre no Golfo do México poderia ter sido apresentado num quadro mais amplo, de como corporações gigantes usam sua influência para capturar os reguladores e impôr os riscos e os custos à população, no exterior e a importância fundamental da saúde pública e da segurança ambiental para espalhar a prosperidade. Mas aqui de novo a administração e os líderes democratas fracassaram em conectar ambas as coisas. O desastre se tornou uma questão técnica a respeito de como interromper o vazamento de petróleo e uma discussão política de como regular a perfuração em águas profundas.

Se nada mais for feito, a guinada para a ampla desigualdade das últimas três décadas dos EUA é um convite aberto para um demagogo futuro que desconecte as questões, culpe os imigrantes, os pobres, o governo, as nações estrangeiras, os “socialistas” ou as “elites intelectuais” pelo crescimento das frustrações da classe média. O maior problema da hora do dia na política americana não estará mais entre democratas e republicanos, liberais ou conservadores. Estará entre ser do “establishment” e a população cada vez mais enlouquecida, determinada a “tomar a América de volta” deles. Quando eles entenderem onde isso leva, os interesses poderosos que até agora resistiram às reformas podem vir a perceber que a alternativa é muito pior.

Um pêndulo virtual sustenta a política econômica americana. Nós vamos de eras em que os benefícios do crescimento econômico eram concentrados em poucas mãos para um período em que os ganhos são distribuídos mais amplamente, e então voltamos ao estado inicial. Estamos nos aproximando do fim de um ciclo desses e do começo de um novo. A questão não é se o pêndulo vai voltar ao estado anterior, mas como ele vai se mover – se com reformas que aumentem o círculo de prosperidade ou se com a demagogia que faz a América dar as costas para o resto do mundo, encolhendo a economia e pondo os americanos uns contra os outros.

Nenhum de nós pode se desenvolver numa nação dividida entre um pequeno número de pessoas recebendo uma quantidade ainda maior da renda e da riqueza da nação, enquanto todo o resto recebe uma parte cada vez menor. A desigualdade não apenas diminui o crescimento econômico como também esgarça o tecido social de nossa sociedade. Os mais afortunados dentre nós, que alcançaram o auge do poder econômico e do sucesso dependem de uma economia e de um sistema político estáveis. Essa estabilidade repousa na confiança pública de que o sistema opera no interesse de todos nós. Qualquer perda dessa confiança ameaça o bem estar de todos. Escolheremos a reforma, eu acredito, porque somos uma nação com sensibilidade, e a reforma é a única opção sensível que temos.

(*) Ex-Secretário do Trabalho do governo Bill Clinton e Professor de Políticas Públicas na Universidade da Califórnia, Berkeley

Tradução: Katarina Peixoto

Brasil - Deflação em junho de 2010

07/07/2010
INPC de junho também registra deflação, aponta o IBGE
Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou deflação de 0,11% em junho. O índice mede a variação de preços no consumo das famílias de baixa renda. No semestre, a taxa acumulada é de 3,38%, acima da taxa relativa a igual período de 2009 (2,75%).
No entanto, o resultado de junho ficou bem abaixo da variação de 0,43% registrada em maio. Nos últimos 12 meses, o índice situou-se em 4,76%, abaixo dos 5,31% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2009, o INPC variou 0,42%. A variação dos preços dos produtos alimentícios foi de -1,05%, enquanto nos não alimentícios a alta foi de 0,3%.
Das nove regiões metropolitanas pesquisadas, além das cidades de Goiânia e Brasília, Belém foi a que registrou maior variação (0,15%), com destaque para aumento no preço da polpa de açaí (6,41%). O menor índice ficou com Porto Alegre (-0,28%), principalmente devido aos preços mais baratos da batata-inglesa (-28,78%), do leite pasteurizado (-5,09%) e do açúcar refinado (-9,84%). O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979 para acompanhar a inflação na renda das famílias que ganham até seis salários mínimos.
Edição: Vinicius Doria

terça-feira, 6 de julho de 2010

Redução dos preços da Cesta Básica

05/07/2010 - 12h12

Preço da cesta básica cai em 16 de 17 capitais pesquisadas, aponta Dieese

Alex Rodrigues, da Agência Brasil
Puxada principalmente pela redução do preço da batata, a tendência de queda dos preços da cesta básica medidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) se confirmou em junho, quando o custo médio ficou abaixo do valor registrado em maio.
Segundo o Dieese, os preços do conjunto de itens essenciais caíram em 16 das 17 capitais pesquisadas. As maiores reduções ocorreram em Manaus (-5,1%), Rio de Janeiro (-5%) e Vitória (-4,8%). Somente em Goiânia foi registrado aumento de preços da cesta básica (+ 5,2%) em comparação ao mês anterior, resultado atribuído, sobretudo, à alta do feijão.
Em todas as cidades pesquisadas, os moradores pagaram mais em junho do que em janeiro pelos mesmos produtos. As maiores variações foram registradas em Recife (21,8%), Goiânia (16,8%), Natal (13,8%), João Pessoa (13,6%) e Salvador (13,4%).
As capitais onde a cesta básica custa mais caro são São Paulo (R$ 249,06), Porto Alegre (R$ 248,15) e Manaus (R$ 236,57). Já as cidades mais baratas são Fortaleza (R$ 181,92), Aracaju (R$ 184,17) e João Pessoa (R$ 193,94).
Considerando o maior custo registrado (R$ 249,06) e o preceito constitucional de que o salário mínimo deve ser suficiente para que um trabalhador supra as necessidades familiares com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima que o salário mínimo, em junho, deveria ser de R$ 2.092,36 (quatro vezes maior do que o valor atual, de R$ 510). Em maio, o departamento havia apontado a necessidade de o trabalhador receber R$ 2.157,88 ao mês.
Tomando mais uma vez São Paulo por base, os pesquisadores calcularam que o brasileiro teve que trabalhar, em média, 94 horas e 56 minutos para ganhar os R$ 249,06 necessários à aquisição dos itens considerados essenciais: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. Menos tempo, portanto, do que as 97 horas e 39 minutos registradas em maio deste ano. Mas ainda acima das 90 horas e 14 minutos que o trabalhador cumpria em junho de 2009 para adquirir os mesmos itens da cesta básica.

domingo, 4 de julho de 2010

Investimentos no Setor de Turismo no Ceará



DESTINO CONSOLIDADO

Governo investe no Interior

4/7/2010 Clique para Ampliar
Maia: "Temos a macro-estrutura desenhada, com obras somando R$ 1,3 bi 
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Duplicação de estradas, saneamento básico e implantação de aeroportos estão entre as medidas necessárias 
KIKO SILVA

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Nos pequenos hotéis e pousadas do Estado, o índice de ocupação deve girar em 86% - mesmo percentual de 2009. Já nos estabelecimentos maiores é projetada entre 75% e 79% 
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Setur expande turismo no Estado, facilitando o acesso a outras localidades e pontos de interesse fora da Capital

A previsão do Governo do Estado é otimista para as férias do meio deste ano. Segundo a Setur, a cadeia produtiva do setor deverá gerar uma renda de R$ 871 milhões nesta alta estação. A expectativa do órgão é de que 315 mil pessoas visitem o Estado neste mês via Fortaleza, um incremento de 11,1% frente ao mesmo período de 2009. De acordo com Bismarck Maia, titular da Setur, "a Capital será sempre o nosso portão de entrada. Mas, para que o Ceará se torne um destino consolidado e de porte internacional estamos investindo na interiorização, facilitando o acesso a outros pontos turísticos", explica.

Para isso, destaca, algumas medidas são necessárias: em termos de macro-estrutura, a implantação de aeroportos, do centros de eventos, a duplicação de estradas e saneamento básico. "É provado por estudos técnicos que um destino só se torna viável se estiver a no máximo a 100 quilômetros de um aeroporto. Rodovias bem estruturadas tornam a viagem mais tranquila e segura. Estamos criando essa boa ambiência para atrair o turista não só para Fortaleza, mas para outras áreas bonitas do Estado", ressalta Maia.

Prodetur expansão

Ainda nesse processo de interiorização, acrescenta o secretário, o Prodetur Expansão vai investir US$ 160 milhões, com contrapartida estadual de US$ 48 milhões.

O valor vai beneficiar 315 mil habitantes do Litoral Oeste e será utilizado para a duplicação em 53 quilômetros da CE 085, que liga Fortaleza a Paracuru; melhorias de infraestrutura em Cumbuco, Taíba, Paracuru, Lagoinha, Flecheiras, Mundaú, Acaraú, Jericoacoara, Camocim e Bitupitá (Barroquinha) e recuperação e tratamento de mananciais, dunas e lagoas.

Iluminação paisagística

Já os municípios de Flexeiras e Mundaú, em Trairi; Paracuru; Cumbuco, em Caucaia; Majorlândia, em Aracati; e Iguape, em Aquiraz, ganharão iluminação paisagística nas praias. "Temos a macro estrutura já desenhada, com obras que somam R$ 1,3 bilhão. Desde o Centro de Eventos e Acquario, até saneamento básico em praias, passando por estradas e recuperação do patrimônio histórico. Agora, vamos cuidar dos destinos, serviços, da qualidade de vida e desenvolvimento econômico sustentável das localidades, além da preservação do meio ambiente para tornar esses destinos mais interessantes", pontuou Bismarck. (IM)

MEIOS DE HOSPEDAGEM
Ocupação hoteleira pode ficar acima dos 80%

A alta estação de julho começa e as novas projeções para a rede hoteleira são mais otimistas, embora adiadas para depois da Copa. O último balanço da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) aponta para uma taxa de ocupação que varia de 75% a 79% - mais próxima, portanto, do resultado de 2009, que fechou em 80,17%. Nos pequenos hotéis e pousadas, o indicador deve girar em 86% - mesmo número do ano passado.

Segundo Régis Medeiros, presidente da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), "no último levantamento que fizemos, os empresários melhoraram as expectativas - saíram de índices que variavam entre 61% a 65% para um intervalo de 75% a 79%, um pouco abaixo do resultado da alta estação passada (80,17%)".

"Se chegarmos a essa taxa de ocupação, tendo em vista a realização da Copa Mundo, teremos uma temporada boa". "Esse porcentual de 80,17%, de julho de 2009, foi o melhor dos últimos cinco anos", acrescenta.

Como empresário do setor, Medeiros é mais conservador. "Acredito que vai ficar mais próximo de 75%, mas isso é meu ponto de vista. A maioria aposta numa expansão", menciona.

Para ele, "existem alguns bloqueios. O País está crescendo rápido, a economia aquecida e o turismo faz parte dessa evolução - está dentro do mercado mundial. Por outro lado, a Argentina é grande concorrente e esse ano não tem gripe suína. A Copa vai adiar o faturamento do setor turístico", afirma.

Pequenos hotéis e pousadas

Nos pequenos hotéis e pousadas, as perspectivas estão mantidas em 86% - mesma taxa de ocupação do ano passado. "O povo brasileiro está muito focado na Copa. A medida que o Brasil avança, as pessoas deixam as viagens para depois", comenta Luiz Antonio Frota, presidente da AMHT (Associação de Meios de Hospedagem e Turismo do Ceará).

Turismo corporativo

Segundo Frota, o turismo corporativo está aquecido, mas os dez primeiros dias de julho vão ficar aquém do esperado.

"Mesmo assim, as projeções são positivas, considerando que julho de 2009 foi muito bom - diferente dos anos de 2007 e de 2008, que não tivemos alta estação", lembrou.

Bacia do Araripe - Petróleo e Gás Natural

RECONHECIMENTO DE CAMPO

Equipe de pesquisa de petróleo chega ao Araripe

3/7/2010 Clique para Ampliar
Trabalhos de campo terão início efetivamente no dia 1º de agosto próximo, com duração prevista de dois meses 
THIAGO GASPAR

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Pontos em que serão colhidas amostras para pesquisa de petróleo e gás já estão definidos pelos técnicos da Ipex

A Bacia do Araripe recebe, no próximo dia 15, os primeiros técnicos que farão pesquisas na área para identificar a presença de petróleo e gás em condições comerciais para exploração. Em conjunto com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Ipex Co. - empresa vencedora da licitação da agência para fazer a pesquisa - já elaborou o mapa com os pontos de amostragem que serão utilizados para os estudos no Estado.

A equipe técnica é formada por profissionais da Ipex e da ANP. De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Ipex, Giovanni Toniatti, a equipe fará o reconhecimento de campo e a escolha das bases operacionais. "Eles ficarão uma semana lá. Então, no dia 1º de agosto, os trabalhos de campo, efetivamente, terão início", explica. A estimativa inicial era de que as pesquisas tivessem começado entre o fim de maio e início de abril, mas houve um atraso na questão de documentação necessária na ANP.

Amostras

Toniatti explica que os trabalhos de campo terão duração de dois ou três meses e, após isso, serão continuadas e concluídas as análises das amostras.

"Desde o primeiro mês de coleta, nós já temos as análises", informa. "O prazo de término do projeto, para as análises de laboratório, seguidas de interpretação e relatório final, é fevereiro de 2011", completa.

A Ipex, pertencente à HRT Participações, investirá R$ 3,8 milhões no projeto. Serão coletadas 2000 amostras de solo, com as quais serão feitas as análises laboratoriais e interpretação de dados geoquímicos.

A Bacia do Araripe engloba municípios do Cariri cearense, pernambucano, Piauí e Paraíba. "Este estudo visa à identificação de possíveis acumulações de hidrocarbonetos em superfície e a delimitação de áreas com maior atratividade exploratória", informa a ANP. No total, uma área de 7.500 quilômetros quadrados será estudada.

Atratividade define leilões

Caso, com os resultados apresentados em fevereiro, sejam identificadas áreas com atratividade comercial, os blocos podem ser selecionados para participaram dos próximos leilões da ANP, em que empresas disputam a concessão de exploração da bacia no Estado. Já há algum tempo acredita-se na presença de óleo na Bacia do Araripe. Um dos motivos é a possibilidade de ela estar integrada à bacia Rio do Peixe, na Paraíba, onde já é feita exploração comercial em 12 blocos. Estudos verificando esta possibilidade já vêm sendo feitos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com a Petrobras.

Bacia do Ceará

A Bacia do Araripe foi incluída no Plano Plurianual de Geologia e Geofísica da ANP. Assim como ela, também está no plano a Bacia do Ceará. Esta, já localizada no litoral, é explorada através de campos no município de Paracuru pela Petrobras. Entretanto, a região que envolve o litoral oeste cearense, chegando até o município de Barreirinhas, no Maranhão, ainda não foi estudada, não se sabe o potencial desta área.

Em licitação

Atualmente, a ANP está no processo licitatório da bacia. A Ipex Co. é uma das empresas participantes. A vencedora do certame chegou a ser apresentada, mas outras empresas entraram com recurso e o resultado final ainda não foi definido.

O levantamento abrangerá a extensão geográfica de 7,4 mil km², onde serão coletadas amostras de assoalho oceânico.

SÉRGIO DE SOUSA
REPÓRTER

Alta temporada de lucro para 54 atividades

Lojas, hotéis, barracas de praia e restaurantes são exemplos de quem se beneficia com o turismo crescente no Estado

A participação do Turismo no PIB (Produto Interno Bruto) do Ceará vem avançando nos últimos anos. Dados da Secretaria de Turismo (Setur) apontam que a cadeia turística já participa com 10% a 11% do total da riqueza gerada no Estado. O setor movimenta 54 atividades da economia, entre hotéis, restaurantes, barracas de praia, parques aquáticos, centros de artesanato, comércio, serviços, locadoras de veículos, transportes, dentre muitas outras.

Nesta alta estação, atípica por conta da Copa do Mundo, as expectativas de faturamento estão sendo adiadas para depois do mundial de futebol, que atrai o foco da atenção e das despesas dos consumidores. Movimento mesmo, só deve acontecer depois do dia 10, quando a Capital, as praias e serras começam a receber maior número de visitantes. Para Bismarck Maia, secretário de Turismo do Ceará, "o diferencial do setor é que toda a rede provoca retorno econômico imediato. Não tem que ser deduzido imposto e o dinheiro é movimentado no momento seguinte". "De forma que a cadeia turística gera um impacto entre 10% a 11% no PIB cearense", completa.


Setor perpassa outros


De acordo com Eloísa Bezerra, economista do Ipece (Instituto de Pesquisa do Ceará), "turismo e cultura são setores difíceis de especificar suas participações no PIB. São atividades que perpassam por quase todos os segmentos da economia pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em número de 36", explica. "O turismo é muito forte no Ceará, Mas por exemplo, um restaurante, uma barraca de praia, são frequentados por nativos e visitantes, não há como separar", diz. "A última pesquisa do IBGE, de 2007, aponta que somente os grupos de Alimentação e Alojamento respondem por 2,47% do PIB. Embora seja um indicativo do comportamento do setor, o porcentual do turismo sobre o indicador com certeza deva ser bem maior, porque tem outros setores envolvidos", destaca Eloísa.

O mais recente estudo do Ipece mostrou que no primeiro trimestre deste ano os grupos de Alojamento e Alimentação registraram expansão de 8,83%, em comparação a igual período do ano passado. Já o grupo Transportes avançou 10,47%. 



ISILDENE MUNIZ

REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Negócios

sexta-feira, 2 de julho de 2010

ARTIGO - Ecoeconomia

Ecoeconomia: apontamentos pertinentes de um debate, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira

julho 2, 2010

“Propor o crescimento econômico de forma exponencial, só pode ser coisa de um idiota, ou de um economista”. (Kenneth Boulding).
Introdução:
A relação entre a ciência econômica e a ecologia tem sido cada vez mais intensa por conta, basicamente, da prerrogativa do crescimento econômico. Essa relação é algo que intimamente não se desvincula facilmente e, em especial, essa necessidade de crescimento econômico, apregoada por alguns, é um dos pontos mais controversos dessa relação entre esses dois modos de pensar.
No entanto, essa relação, ao longo do tempo, não tem sido nada amistosa, separando, em lados opostos e conflituosos, duas maneiras antagônicas de atuar, no que toca, especialmente, à problemática do crescimento da economia versus exploração de recursos naturais. Visto por outro prisma, estamos nos referindo ao conflito entre as Leis da Economia versus as Leis na Natureza.
De um lado, há aqueles que defendem um crescimento a qualquer custo, vendo nisso a saída eficaz e rápida para os graves problemas sócio-econômicos que grande parcela das sociedades de hoje atravessam. De outro lado, há os que clamam pela interrupção imediata (propondo até crescimento zero) do crescimento que tem feito mais estragos, gerando passivos ambientais, que proporcionando benesses, propriamente dita.


O fato – inegável – é que a atividade econômica tem sido extremamente agressiva no que tange a extrair recursos, levar ao processo produtivo e, na hora do consumo final, ainda “soltar” seus resíduos, comprometendo, grosso modo, a capacidade do planeta Terra em lidar com essa situação.
Fora isso, aqueles que pensam que o consumo/produção precisa apresentar moderação, entendem que não há mais espaço físico – nem condições para isso – para taxas de “crescimentos exponenciais” visto que os recursos para tal são, por definição, finitos.
A biosfera é finita, limitada e hermeticamente fechada, diz com razão os que defendem a interrupção desse crescimento econômico sem limites, gerador e potencializador de passivos ambientais.
Conquanto, esse debate, além de interessante, é polêmico, visto tratar-se de abordagens muito conflitantes. Até mesmo porque existe o outro lado da história: há aqueles que entendem que a economia vive se “atualizando” e, certamente, dentro dessa atualização constante, encontrar-se-á, num belo dia, mecanismos para tratar os recursos naturais sobre a ótica da eterna renovação. Nem tudo, dizem aqueles que estão do outro lado desse assunto, é finito e está com os dias contados.
Para aguçarmos ainda mais esse debate, apresentamos neste artigo, em forma de apontamentos, algumas considerações sobre essa questão. Usaremos aqui, todavia, um termo já corrente sobre assunto, definido pela primeira vez por Lester Brown: Ecoeconomia.
Antes, cabe acrescentar uma indagação. Em que consiste tal termo? Trata-se, no bojo, da maneira específica de ver o sistema econômico e toda sua relação pertinente com o meio ambiente. É o ECO (de ecologia) em sua amplitude com o sistema econômico, tratando, especificamente, da maneira de lidar com os recursos naturais; com as energias naturais; com a finitude desses indispensáveis “combustíveis” que tanto faz uma economia crescer.
Vamos aos apontamentos visando englobar esse assunto numa temática mais ampla.
Apontamentos pertinentes
* Pelo menos desde o Neolítico (12.000 anos a.C.) todas as sociedades históricas consomem de forma crescente energias da natureza;
* É necessário conciliar a Economia com o Meio Ambiente, tendo em vista que tudo, absolutamente tudo, vem da natureza. Não é mais possível que os economistas (em especial os acadêmicos) continuem a ignorar essa realidade. A Economia precisa estar em fina sintonia com a Ecologia. Corrobora para esse argumento, o fato de que um dos primeiros formuladores do termo Ecologia, Ernst Haeckel (1834-1919), chegou a chamar a ecologia, em certo momento, de “a economia da natureza”;
* O fato mais grave, no entanto, é que a teoria econômica tradicional propõe o crescimento econômico sem limites, de forma exponencial e ininterrupto, a qualquer custo, e esquece, nesse pormenor, que a biosfera é finita, limitada e não aumentará de tamanho. Nesse sentido, é absolutamente ignorado pela Economia o pressuposto básico que aponta para um crescimento econômico capaz de produzir passivo ambiental. Essa questão é simples: não há espaço para todos; muito menos há recursos disponíveis (renováveis) capaz de oferecer o “Éden”, como querem alguns;
* Gandhi, um dos “Iluminados” que habitou o planeta Terra, a esse respeito, profetizava: “A Terra é suficiente para todos, mas não para os consumistas”;
* Conquanto, de forma estúpida, irracional e pouco inteligente – para dizer o mínimo -, a Economia não é mais entendida como gestão racional da escassez, mas sim como a ciência capaz de crescer exponencialmente, sendo que esse crescimento irá, na opinião dos “agentes econômicos agressores do meio ambiente”, curar todas as enfermidades do mundo;
Dessa forma, o quê temos pela frente?
* De um lado, temos então o “crescimento” das necessidades das pessoas; do outro, a cada ano, vemos que mais e mais habitantes que vão ocupando os mesmos espaços do planeta Terra (lembremos: a Terra não aumentará de tamanho). Descontadas as mortes, temos a cada dia, 200 mil novas almas no mundo. Ao ano, são mais de 70 milhões de novos habitantes no planeta Terra;
* No entanto, dizem os inconseqüentes (em especial os economistas acadêmicos pouco sensíveis aos problemas ambientais) que o mais importante é crescer, aumentando a produção para, assim, atender toda essa gente que está chegando ao planeta Terra.
(Para efeito de ilustração, cabe apontar que em apenas 50 anos, de 1950 a 2000, o PIB mundial saltou de 6 trilhões de dólares para 43 trilhões. Portanto, aumentou sete vezes de tamanho. E a população? Em 1900, havia 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Hoje, dividimos o mesmo espaço no planeta Terra com 6,7 bilhões de pessoas);
* É necessário, definitivamente, pôr fim à idéia do crescimento econômico infinito e exponencial, por dois singelos motivos: 1° Esse crescimento não eliminará todos os males do mundo; 2° Os limites para tal crescimento são dados pelos recursos finitos da natureza;
* Diante dessa realidade inelutável, é possível concluir que a Ciência Econômica, desde seu nascedouro, se encontra anos-luz (*) de distância e totalmente “desconectada” da realidade ambiental, e, além disso, a ciência econômica não percebe os riscos que a insistência num crescimento (quantidade ilimitada) sem respeito à biosfera está provocando;
(*) 1 ano-luz equivale a 10.000 bilhões de quilômetros.
* A Economia que aí está, praticada de forma livre, leve e solta pelas sociedades modernas e industrializadas, ainda não se deu conta que se trata apenas de um subsistema da natureza e que depende dessa natureza para tudo – absolutamente para tudo;
* Vejamos que até mesmo as estrelas são essenciais nessa história da relação entre Economia e Meio Ambiente, pois são as estrelas que convertem o hidrogênio em hélio e, da combinação deles, provém o oxigênio, o carbono, o fósforo e o potássio, sem os quais não haveria os aminoácidos nem as proteínas, elementos indispensáveis à vida;
* No entanto, os “limites” ao crescimento econômico continuam ignorados (em especial pelos acadêmicos não comprometidos com a relação ambiental). Para o crescimento de qualquer economia é necessário matéria e energia. Acontece que o animal-homem não pode criar nem matéria nem energia. A fórmula do professor Einstein, a esse respeito, é precisa: a obtenção de mais energia somente é possível pela obtenção de mais massa. É necessário, portanto, mais matéria e energia para produzir mais matéria e energia;
* É assim que se movimenta, grosso modo, toda e qualquer economia – com massa e energia. Todo o maquinário (bens de capital) são produzidos com minérios e movimentado com combustíveis fósseis;
* Entretanto, infelizmente, o sistema econômico sempre viu a natureza e seus recursos como um mero objeto para ser transformado, explorado e sugado. Nunca, em momento algum, esse sistema que “regula” as atividades da economia, que conduz, por sua vez, a busca por taxas de crescimento econômico imperfeitos, falhos e destruidores, olhou para a natureza como algo a ser cuidado e protegido. A lógica que prevalece é a de sempre: a exploração;
* Diante disso, é possível afirmar que enquanto as leis da Economia continuar ignorando, por completo, as leis da Natureza, o futuro (o nosso futuro) estará, a cada segundo que passa, mais e mais comprometido, expondo, por conseqüência, todos nós em sério risco;
* Lembremos, outra vez: não é a Terra que entrará em extinção, com o desajuste entre a atividade produtiva e o sistema ambiental; somos nós. Quem então está condenado? A Terra? Não, nós – a nossa espécie;
* Urge entendermos, com isso, que é necessário trocar o crescimento (quantidade) por desenvolvimento (qualidade);
* Somente quando o colapso ambiental se fizer evidente para todos, talvez lembraremos, no momento da catástrofe final, das sábias palavras do cacique Seattle:
“Quando a última árvore for abatida, quando o último rio for envenenado, quando o último peixe for capturado, somente então nos daremos conta de que não se pode comer dinheiro”.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário. Articulista do “Portal EcoDebate” e do site “O Economista”. Mestre pela USP em Integração da América Latina, especialista em Política Internacional, com curso pela Universidade de La Habana (Cuba). Autor dos livros “Conversando sobre Economia” e “Pensando como um Economista”.


Contato: prof.marcuseduardo{at}bol.com.br


EcoDebate, 02/07/2010

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Setur espera 315 mil turistas

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O fluxo de turistas no Ceará, nesta alta estação, deve crescer 11,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo projeção da Secretaria de Turismo do Estado (Setur), chegando a 315.000 visitantes, via Fortaleza, ante os 283.436 registrados em julho de 2009. Só para a Capital, são esperados 280.000 turistas, número 10% acima dos 254.598 verificados no mesmo mês do ano passado.

A expectativa da Setur excede, assim, a quantidade inicialmente projetada pelo titular da pasta, Bismarck Maia, em maio deste ano, ao afirmar que o governo estadual trabalhava com uma projeção conservadora para o número de turistas que viriam aproveitar os destinos de sol e mar do Estado, devendo pelo menos repetir a quantidade de visitantes do ano anterior. "Os novos números estão baseados nas previsões das operadoras de turismo, que agora estão mais concretas, pois muita gente decide de em cima da hora", justifica o secretário.

A nova projeção se apoia, também, na forte promoção do Ceará como destino turístico no cenário doméstico e internacional, que vem sendo realizada pela Setur ao longo de 2010. "Nós não deixamos de participar de nenhuma feira. No Salão do Turismo, por exemplo, estávamos presentes com o maior estande. Até então, só vínhamos marcando presença com um estande institucional. Abrimos espaço, agora, para um foco mais comercial, recebendo o trade, empresários, e operadores. Além da publicidade que intensificamos ao longo do ano", destacou Maia.

Nessa conta, expõe a Setur, a grande maioria de visitantes deverá ser de brasileiros, alcançando 294.525 turistas, 11,9% acima do número que esteve no Ceará em 2009. Já a quantidade de estrangeiros visitando o Estado em julho deste ano deverá permanecer estável, 20.475 contra 20.124 na alta estação do meio do ano passado. "Continuamos fazendo o dever de casa e os resultados estão sempre sendo favoráveis. A cada mês os números demonstram um crescimento do turismo em relação aos anos anteriores", reforça Maia.

Demanda hoteleira

Na esteira do crescimento do fluxo de turistas no Ceará no mês de julho, a Setur prevê que a demanda hoteleira em Fortaleza deverá aumentar em 12,2%, saindo de 133.664 usuários, em 2009, para aproximadamente 150.000, em julho deste ano.

Segundo levantamento realizado com os meios de hospedagem de Fortaleza sobre a expectativa para o período, a taxa de ocupação média será de 79,8%, com a maior parte da procura recaindo sobre o grandes hotéis e flats, que deverão registrar taxas de 81,1% e 83,4%, respectivamente. Já para as pousadas estima-se ocupação de 68,3% em julho deste ano.

Ao mesmo tempo, a oferta hoteleira para esta temporada cresceu 4,1%, passando para 26.200 unidades em todo o Estado, ante 25.159 contabilizadas no mesmo período do ano passado. O maior crescimento foi verificado nos hotéis do Interior, que aumentaram em 6,2% a oferta de quartos, saindo de 14.685 para 15.600 unidades.

Renda gerada

Com todo o avanço previsto, a renda gerada pelo turismo na cadeia produtiva nesta alta estação está projetada em R$ 871 milhões, 12,4% superior àquela que os turistas deixaram no Ceará em julho do ano passado. A projeção aponta ainda para um gasto per capita de R$ 1.580,00, 1,1% acima do valor verificado no ano passado (R$ 1.562,38) e para uma receita turística de R$ 497,7 milhões, cifra 12,4% acima dos R$ 442,8 milhões apurados na alta estação do meio do ano passado.


ANCHIETA DANTAS JR.
REPÓRTER


Fonte: Diário do Nordeste - Caderno Negócios