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sábado, 10 de abril de 2010

Bolivianos bloqueiam fronteira com Brasil para exigir projeto de mineração

As autoridades e a população do município boliviano de Puerto Suárez bloquearam neste sábado (10) a estrada fronteiriça com o Brasil para pressionar o governo de Evo Morales a tomar decisões para o avanço de um projeto de mineração, confirmou a imprensa local.

A mobilização aconteceu porque a Empresa Siderúrgica Mutún (ESM), estatal boliviana, ainda não tomou uma decisão sobre como resolver um conflito com a mineradora indiana Jindal, que tem um contrato assinado desde 2007 para explorar o ferro da jazida de Mutún, nas proximidades de Puerto Suárez.

Por um lado, a empresa estatal anunciou que o Estado está pronto para iniciar a exploração da metade da jazida de ferro, uma área que o governo reservou para um projeto próprio, paralelo à concessão outorgada à Jindal por 40 anos para explorar a outra metade.

Por outro lado, a empresa indiana tem seu cronograma de investimentos atrasado. Por isso, o governo advertiu que cobrará dela uma garantia de US$ 18 milhões, que em um período de oito anos deve somar US$ 2,1 bilhões.

Embora o governo boliviano não acredite que o contrato com a empresa indiana esteja em risco, essa cobrança abriria a possibilidade de uma possível rescisão do acordo, o que complicaria o projeto de exploração de Mutún.

Os manifestantes ocuparam o aeroporto local e bloquearam a ferrovia e a estrada entre o departamento de Santa Cruz (leste) e a fronteira com o Brasil. Além disso, ameaçaram iniciar na segunda-feira (12) uma greve em Puerto Suárez, segundo várias redes de televisão.

Participaram do protesto trabalhadores da empresa indiana, que temem que o projeto fique paralisado por causa das controvérsias com o Executivo.

O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, disse hoje que não entende o motivo do bloqueio pois o governo "vai cumprir a lei", enquanto o ministro de Mineração, José Pimentel, ressaltou que o governo está disposto a garantir o desdobramento da exploração das jazidas de ferro de Mutún.

O presidente da ESM, Sergio Alandia, disse recentemente que em poucas semanas começarão as atividades, com a possibilidade de que o Estado comece a produção de aço antes de 2015.


Fonte: Portal G1 de Notícias - Economia e Negócios

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

China vai consultar Brasil sobre taxa a minério

A China quer convocar reuniões com o Brasil para tratar da ideia do governo em Brasília de impor uma sobretaxa de 5% nas exportações de minérios do País. Na prática, a medida encareceria a compra da matéria-prima pelos chineses, um dos maiores compradores hoje do País. “Teremos de tratar desse tema bilateralmente com o Brasil”, confirmou o embaixador da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), Sun Zhenyu. Ele ainda indica que essas consultas ocorrerão “discretamente” para tentar não manchar a ideia de uma aproximação política entre Brasília e Pequim.

A China seria um dos países afetados pela taxa à exportação no Brasil que o governo estuda. Mas Pequim vive uma situação única. O próprio governo chinês aplica sobretaxas às exportações de seus minérios e tanto a União Europeia como os Estados Unidos levaram Pequim há dois meses aos tribunais da OMC. “Essa questão da taxa às exportações se tornou uma faca de dois gumes para nós”, admitiu o embaixador Sun.

Bruxelas e Washington acusaram a China na OMC de ter imposto sobretaxas sobre magnésio, zinco e outros minérios. A queixa é de que, com a taxa, Pequim concede vantagens às indústrias nacionais. Isso porque o preço interno da matéria-prima cai, tornando as indústrias chinesas ainda mais competitivas. “As políticas chinesas para matérias-primas distorcem o mercado”, acusou há um mês o representante de Comércio da Casa Branca, Ron Kirk. A queixa nos tribunais da OMC foi a primeira do presidente Barack Obama contra a China. A lista de produtos taxados na exportação ainda incluem bauxita e outros metais.


Fonte: caderno Internacional - Diário do Nordeste

http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=273447&modulo=965