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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Morte por Davos
26 de fevereiro de 2013 | 15h11
Paul Krugman
É assim que o euro termina: não com os bancos, mas com bunga-bunga.
OK, o euro não está condenado – ainda. Mas a eleição italiana sinaliza que os eurocratas, que jamais perdem uma oportunidade de perder uma oportunidade, estão chegando muito perto da borda.
O fato fundamental é que uma política de austeridade para todos – austeridade incrivelmente dura em nações devedoras, mas um pouco de austeridade também no núcleo europeu, e nenhum indício de uma política expansiva em lugar algum – é um completo fracasso. Nenhuma nação sob a austeridade imposta por Bruxelas/Berlim mostrou um indício sequer de recuperação econômica; o desemprego alcançou níveis de destruir sociedades.
Esse fracasso chegou perto de destruir o euro por duas vezes, no fim de 2011 e, de novo, em meados do ano passado, quando nações devedoras ameaçaram entrar num parafuso de quedas de preços de bônus e falências bancárias. Em cada ocasião dessas, Mario Draghi e o Banco Central Europeu (BCE) entraram em cena para conter os danos, primeiro emprestando aos bancos que estavam comprando dívida soberana (Operação de Refinanciamento de Longo Prazo, ou LTRO na sigla em inglês), depois anunciando a disposição de comprar dívida soberana diretamente (Transações Monetárias Diretas, ou OMT); mas em vez de tomar a experiência quase mortal como uma advertência, os austeros da Europa tomaram a tranquilização dos mercados arquitetada pelo BCE como um sinal de que a austeridade estava funcionando.
Bem, os sofridos eleitores da Europa não concordaram.
Como eles puderam não perceber o que estava a caminho? Bem, na Europa ainda mais que nos Estados Unidos, as Pessoas Muito Sérias (PMS) vivem numa bolha de consideração pela própria seriedade, e imaginam que o público em geral seguirá o seu comando – vamos minha gente, é a única coisa responsável a fazer. Wolfgang Münchau fez uma ótima introdução em sua coluna hoje (terça-feira), que capta a essência:
“Houve um momento simbólico nas eleições italianas quando eu soube que o jogo tinha terminado para Mario Monti, o primeiro-ministro derrotado. Foi quando no meio da campanha – no meio de uma insurgência contra o establishment – ele foi a Davos para estar com seus amigos da política e das finanças internacionais. Sei que sua visita à elite que se reunia nas montanhas suíças não foi explorada na campanha, mas ela sinalizou para mim uma falta quase cômica de realismo político”
O que as PMS não percebem é que a percepção pública de seu direito de liderar depende de elas alcançarem ao menos alguns resultados reais. O que elas realmente produziram, contudo, foram anos de um sofrimento incrível acompanhado por promessas repetidas de que a recuperação estava muito próxima – e depois se admiram de que muitos eleitores já não confiam no seu julgamento, e se voltam para algum outro, qualquer outro, que oferece uma alternativa.
Gostaria de acreditar que a eleição italiana serviria como um despertador – uma razão para, por exemplo, dar ao BCE sinal verde para mais expansão, uma razão para a Alemanha executar algum estímulo e para a França recuar do seu desnecessário aperto de cinto. Minha suspeita, porém, é que elas simplesmente farão mais palestras aos italianos e a todos os demais sobre como elas estão se esforçando.
E pode haver figuras piores que Beppe Grillo à espreita no futuro da Europa.
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2013/02/26/morte-por-davos/
Tradução: Celso Paciornik
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domingo, 7 de agosto de 2011
Crise na Europa
BC Europeu anuncia intervenção na crise das dívidas
O Banco Central Europeu (BCE) comunicou na noite deste domingo que intervirá “activamente” na crise das dívidas de diversos países europeus. O BCE afirmou que vai "implementar ativamente" um programa de compra de títulos de países da zona do euro, para evitar mais uma segunda-feira turbulenta no mercado financeiro. Embora não tenha citado nomes de países, o comunicado divulgado após a reunião deste domingo é endereçado claramente à Espanha e à Itália.
Público.pt
No ponto 5 de um comunicado emitido domingo à noite, o Banco Central Europeu considerou “fundamental que os governos estejam preparados para ativar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira no mercado secundário, com base numa análise do BCE que reconheça a existência de circunstâncias e riscos excepcionais para a estabilidade financeira nos mercados financeiros, uma vez que o Fundo esteja operacional”.
Imediatamente a seguir, no ponto 6, o BCE indica que irá “implementar ativamente o seu programa para o mercado de valores mobiliários”. “Este programa foi criado para ajudar a restaurar uma melhor transmissão das nossas decisões de política monetária - tendo em consideração os segmentos de mercado disfuncionais - e assim assegurar a estabilidade de preços na Zona Euro”.
A instituição monetária com sede em Frankfurt começa o comunicado por saudar os esforços dos governos italiano e espanhol “no que toca às novas medidas e reformas nos domínios das políticas orçamentárias e estruturais”.
O Conselho do BCE considera “essencial” uma “implementação decisiva e rápida” de medidas de “competitividade e de flexibilidade” em Itália e Espanha a fim de que ambos os países possam reduzir os seus déficits públicos.
O Conselho do BCE sublinha ainda a importância do cumprimento, por parte de todos os chefes de Estado e de Governo, das metas orçamentárias acordadas e reafirmadas na cúpula de 21 de Julho de 2011. “Outro elemento-chave é o aumento do potencial de crescimento da economia”, indica a instituição.
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