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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Censo 2010 - Tipo de empregos gerados no Brasil


63% das vagas pagam até 2 salários mínimos
Expansão do setor de serviços ampliou contratação de trabalhadores de baixa renda

MARIANA SCHREIBER
ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO

A maior parte dos postos de trabalho gerados pelo crescimento da economia brasileira na última década foi preenchida por trabalhadores de baixa renda e com pouca qualificação.

A maioria das vagas criadas desde 2000 foi ocupada por trabalhadores com remuneração de até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 1.244 a partir de janeiro.

Segundo dados preliminares do Censo divulgados pelo IBGE recentemente, a proporção de trabalhadores dessa faixa de remuneração na força de trabalho foi de 49% em 2000 para 63% em 2010.

Números do Ministério do Trabalho mostram que essa tendência continua em 2011. Até outubro, só houve geração de vagas com carteira assinada para quem aceitasse ganhar até dois mínimos.

Os trabalhadores desse grupo param menos tempo no emprego do que os de outros estratos de renda, de acordo com levantamento realizado pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) da Presidência da República.

Em 2010, de cada dez trabalhadores desligados de seus empregos, oito recebiam até dois mínimos e saíram da empresa porque foram mandados embora ou porque decidiram pedir demissão.

"A economia brasileira foi capaz de gerar empregos para pessoas de baixa qualificação e por isso reduzimos tanto a pobreza e a desigualdade", diz o economista Ricardo de Barros, da SAE. "Mas a alta rotatividade é ruim."

SETOR DE SERVIÇOS

De acordo com analistas, o aumento da proporção dos que ganham até dois salários mínimos está ligado à expansão do setor de serviços, que paga salários mais baixos.

Segundo o economista Samuel Pessoa, da FGV, o crescimento da renda da população elevou a demanda por profissionais como cabeleireiros, garçons e faxineiras.

A forte expansão do setor de construção civil, que paga salários mais baixos do que a indústria, também contribuiu para a tendência, diz o economista José Camargo, da Opus Investimentos.

O economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper, observa que nos últimos anos o piso nacional subiu num ritmo mais acelerado que o dos salários maiores.

Isso tornou a distribuição de renda menos desigual, mas também gerou um efeito estatístico que contribuiu para aumentar a participação de trabalhadores de baixa renda na força de trabalho.

Um trabalhador que recebesse R$ 400 ganhava mais de dois salários mínimos em 2000. Se sua renda tiver dobrado na última década, hoje ele receberia menos de dois salários mínimos.

"Mas houve um aumento efetivo da demanda por pessoas de baixa qualificação, além desse efeito estatístico," ressalta Menezes Filho.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Análise dos resultados do Censo 2010

Síntese dos primeiros resultados definitivos do Censo 2010

Publicado em maio 2, 2011 por HC
O Brasil tem 190.755.799 habitantes. É o que constata a Sinopse do Censo Demográfico 2010, que contém os primeiros resultados definitivos do XII Recenseamento Geral do Brasil. A publicação oferece uma série de informações, desde o primeiro Censo, realizado em 1872, sobre a evolução demográfica do País, dados populacionais por sexo e grupos de idade, média de moradores em domicílios particulares ocupados e número de domicílios recenseados, segundo a espécie (ocupados, vagos, fechados, uso ocasional, coletivos) e situação urbana e rural. A publicação impressa é acompanhada por um CD-ROM onde as informações estão em níveis geográficos mais detalhados: Unidades da Federação, municípios, distritos e Regiões Metropolitanas. Também contém 21 tabelas com alguns resultados preliminares do Conjunto Universo do Censo 2010 para as Grandes Regiões e Unidades da Federação, com a população por cor ou raça, pessoas responsáveis pelos domicílios particulares, cônjuges das pessoas responsáveis pelos domicílios particulares, existência de compartilhamento da responsabilidade pelo domicílio, pessoas com registro de nascimento em cartório, alfabetização, rendimento domiciliar, mortalidade e algumas características dos domicílios particulares permanentes.
Nos próximos meses, o IBGE divulgará novos dados do Censo de 2010 sobre a estrutura territorial do País, a malha dos setores censitários e novas informações sociais, econômicas, demográficas e domiciliares referentes aos dados do universo, conforme pode ser conferido no calendário de divulgações:www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/calendario.shtm
A publicação completa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/default_sinopse.shtm. O hotsite www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse disponibiliza tabelas e gráficos variados até o nível de município. Por fim, no link www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice há uma ferramenta de consulta dos resultados que pode ser implementada em qualquer site.
A seguir alguns destaques da Sinopse do Censo Demográfico 2010.
Censo visitou 67,5 milhões de domicílios em 5.565 municípios
O Censo Demográfico é a mais complexa operação estatística realizada por um país, sobretudo quando ele tem dimensões continentais como o Brasil, com 8.515.692,27 km², distribuídos em um território heterogêneo, muitas vezes de difícil acesso, composto por 27 Unidades da Federação e 5.565 municípios. Trabalharam nessa operação 230 mil pessoas, sendo 191 mil recenseadores. Foram investidos R$ 1,2 bilhão durante o ano de 2010, o equivalente a quatro dólares por habitante.
Os recenseadores visitaram 67,5 milhões de domicílios no período de 1º de agosto a 31 de outubro de 2010 e ao menos um morador forneceu informações sobre todos os moradores de cada residência. Os primeiros resultados sobre a população dos municípios foram divulgados no Diário Oficial da União de 4 de novembro de 2010, e as prefeituras tiveram 20 dias para apresentar suas avaliações sobre os números divulgados. O IBGE realizou nesse mesmo período um trabalho de supervisão e controle de qualidade de todo material coletado, em conjunto com as Comissões Censitárias Estaduais (CCE) e as Comissões Municipais de Geografia e Estatística (CMGE), que funcionaram como um canal de comunicação entre o IBGE e a sociedade e participaram de todo o processo de realização do Censo.
Em 29 de novembro de 2010, o IBGE divulgou as populações dos municípios, que indicavam uma população de 190.732.694, 23.105 pessoas a menos que o resultado definitivo agora divulgado. Isso ocorre porque esses resultados eram provenientes de um banco de dados resumo e receberam um tratamento de validação para verificar eventuais omissões e duplicidades na transmissão das informações. Além disso, municípios com áreas indígenas como, por exemplo, São Gabriel da Cachoeira (AM) e Boca do Acre (AM), de difícil acesso e onde a transmissão dos dados é mais complexa, registraram acréscimo de população depois do fim da coleta.
Para alcançar os melhores padrões de qualidade no Censo 2010, o IBGE introduziu várias inovações gerenciais, metodológicas e tecnológicas, com destaque para a atualização da base territorial digital, a adoção do computador de mão equipado com GPS para a coleta dos dados, e a internet como alternativa para preenchimento do questionário. As inovações tecnológicas usadas no Censo 2010, o primeiro no mundo a ser feito de forma totalmente digital, levaram o IBGE a ser um dos dez premiados, em fevereiro de 2011, pela Unesco e a Netexplorateur, ONG francesa pelo desenvolvimento da sociedade digital.
899 mil domicílios tiveram sua população estimada em 2010
Do total dos 67,5 milhões de domicílios recenseados, foram realizadas entrevistas em 56,5 milhões de domicílios (83,7%). Foram classificados como fechados 899 mil domicílios (1,3%), nos quais não foi possível realizar as entrevistas, mas havia evidências de que existiam moradores. Nesses casos, após terminar a coleta e as supervisões de campo, o IBGE utilizou uma metodologia para estimar o número de pessoas residentes nos domicílios fechados. Esta prática é adotada por vários Institutos Oficiais de Estatística de países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, México e Reino Unido, e já havia sido utilizada na Contagem da População 2007 realizada pelo IBGE.
A metodologia para estimar o número de pessoas residentes nos domicílios fechados consiste em atribuir a cada domicílio fechado o número de moradores de outro domicílio, que havia sido inicialmente considerado fechado e depois foi recenseado. A escolha é aleatória, levando em conta a Unidade da Federação, o tamanho da população do município e a situação urbana ou rural. A população total estimada no Censo 2010 por esse procedimento é de 2.795.533 pessoas.
Ao se realizar comparações dos dados populacionais de 2010 com os anos anteriores, será necessário observar que no Censo 2010, pela primeira vez, foi utilizada a estimação dos moradores de domicílios fechados.
O Censo Demográfico 2010 também encontrou 6,1 milhões (9,0%) de domicílios vagos, ou seja, domicílios que não tinham morador na data de referência (noite de 31 de julho para 1º de agosto de 2010), mesmo que, posteriormente, tivessem sido ocupados. Prédios construídos mas não habitados, casas colocadas à venda ou para aluguel são exemplos de domicílios vagos.
Os domicílios de uso ocasional, que somaram 3,9 milhões (5,8%), são aqueles que servem ocasionalmente de moradia, usados para descanso de fins de semana, férias ou outra finalidade.
Já o número de domicílios coletivos (hotéis, pensões, presídios, quartéis, postos militares, asilos, orfanatos, conventos, alojamento de trabalhadores etc.) foi de 110 mil (0,1%).
Em 2000, do total de 54,3 milhões de domicílios, 45 milhões eram ocupados, 528 mil fechados, 6 milhões vagos e 2,7 milhões de uso ocasional.
População brasileira cresce quase 20 vezes desde 1872
A população do Brasil alcançou a marca de 190.755.799 habitantes na data de referência do Censo Demográfico 2010 (noite de 31 de julho para 1º de agosto de 2010). A série de censos brasileiros mostra que a população experimentou sucessivos aumentos em seu contingente, tendo crescido quase vinte vezes desde o primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1872, quando tinha 9.930.478 habitantes.
Até a década de 1940, predominavam altos níveis de fecundidade e mortalidade no País. Com a diminuição desta última em meados dos anos 1940 e a manutenção dos altos níveis de fecundidade, o ritmo do crescimento populacional brasileiro evoluiu para quase 3,0% ao ano na década de 1950. No começo dos anos 60, os níveis de fecundidade começaram lentamente a declinar, queda que se acentuou na década seguinte. Esse fato fez com que as taxas médias geométricas de crescimento anual da população subsequentes também caíssem. Em comparação com o Censo 2000, a população do Brasil apresentou um crescimento relativo de 12,3%, o que resulta em um crescimento médio geométrico anual de 1,17%, a menor taxa observada na série em análise:
Regiões Norte e Centro-Oeste apresentam maior crescimento populacional
Entre 2000 e 2010, o crescimento populacional não se deu de maneira uniforme entre as Grandes Regiões e Unidades da Federação. As maiores taxas médias geométricas de crescimento anual foram observadas nas regiões Norte (2,09%) e Centro-Oeste (1,91%), onde a componente migratória e a maior fecundidade contribuiram para o crescimento diferencial. As dez Unidades da Federação que mais aumentaram suas populações em termos relativos se encontram nessas duas regiões, com destaque para Amapá e Roraima, que apresentaram um crescimento médio anual de 3,45% e 3,34%, respectivamente. As regiões Nordeste (1,07%) e Sudeste (1,05%) apresentaram um crescimento populacional semelhante. A região Sul (0,87%), que desde o Censo de 1970 vinha apresentando crescimento anual de cerca de 1,4%, foi a que menos cresceu, influenciada pelas baixas taxas observadas no Rio Grande do Sul (0,49%) e no Paraná (0,89%).
Por deter o maior contingente populacional, o Sudeste foi responsável pela maior parcela do incremento populacional em termos absolutos, tendo absorvido 37,9% do crescimento total do País entre os dois últimos censos. O segundo lugar em importância correspondeu ao Nordeste, cujo peso no incremento populacional entre 2000 e 2010 alcançou 25,5%. Essas duas regiões detiveram 63,4% (13,3 milhões de pessoas) do total do incremento da população na última década. As Unidades da Federação com maior participação absoluta no crescimento populacional do País na década passada foram São Paulo (20,2% do incremento populacional, ou 4,2 milhões de pessoas), Minas Gerais (8,1%, ou 1,7 milhão), Rio de Janeiro (7,6%, ou 1,6 milhão), Pará (6,6%, ou 1,4 milhão) e Ceará (4,9%, ou 1,0 milhão). Estas duas últimas assumiram os postos que na década anterior eram de Bahia e Paraná.
As regiões mais populosas foram a Sudeste (com 42,1% da população brasileira), Nordeste (27,8%) e Sul (14,4%). Norte (8,3%) e Centro-Oeste (7,4%) continuam aumentando a representatividade no crescimento populacional, enquanto as demais regiões mantêm a tendência histórica de declínio em sua participação nacional.
Os estados mais populosos do Brasil – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná – concentram, em conjunto, 58,7% da população total do País. São Paulo é o estado com a maior concentração municipal de população, onde os 32 maiores municípios (5,0%) concentram quase 60,0% dos moradores do estado. A menor concentração acontece no Maranhão, onde a população dos 11 maiores municípios, que também representam cerca de 5,0%, corresponde a 35,4% do total do estado.
Na década de 2000, foram criados 58 novos municípios
No Censo Demográfico 2010 foram pesquisados 5.565 municípios, que tiveram sua participação relativa nas regiões Nordeste (32,2%), Sudeste (30,0%) e Norte (8,1%) inferior àquela calculada com os 5.507 municípios existentes no Censo Demográfico 2000. As Regiões Sul (21,3%) e Centro-Oeste (8,4%) aumentaram suas participações no número de municípios do País, já que na última década foram justamente essas regiões as mais contempladas com novos municípios. A Região Sul teve um incremento de 29 municípios (todos eles no Rio Grande do Sul), enquanto no Centro-Oeste surgiram 20 novos municípios no período de 2000 a 2010, sendo 15 deles no Mato Grosso.
Entre os municípios mais populosos, 15 apresentaram população superior a 1 milhão de habitantes, contra 13 em 2000. Somente este grupo reunia 40,2 milhões de pessoas em 2010, o que corresponde a 21,1% da população total do País. Os três municípios mais populosos continuaram sendo São Paulo (11.253.503 habitantes), Rio de Janeiro (6.320.446) e Salvador (2.675.656). Belo Horizonte (2.375.151) passou a ser o sexto mais populoso em 2010, sendo superado por Brasília (2.570.160) e Fortaleza (2.452.185).
Entre os 15 municípios com mais de 1 milhão de habitantes, os que mais cresceram em dez anos foram Manaus (1.802.014 pessoas em 2010), que com uma taxa de 2,51% ao ano, passou de nono para sétimo mais populoso; e Brasília (2.570.160), que passou de sexto para quarto, com um crescimento médio anual de 2,28%. Porto Alegre (1.409.351 pessoas) foi o município que menos cresceu nesse grupo, com incremento anual de apenas 0,35% ao ano.
As capitais das regiões Norte e Nordeste cresceram mais que os demais municípios de suas respectivas Unidades da Federação, com exceção do Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A maior diferença entre as taxas médias geométricas de crescimento anual foi observada no Tocantins, onde Palmas – a capital que mais cresceu no Brasil – apresentou uma taxa de 5,21%, enquanto os demais municípios do estado cresceram 1,25% ao ano. Na Região Sul, Curitiba e Florianópolis cresceram mais que o conjunto dos demais municípios de seus estados, enquanto Porto Alegre – capital com o menor crescimento populacional, de 0,35% ao ano – cresceu menos que os outros municípios do Rio Grande do Sul (também o menor crescimento entre o grupo dos demais municípios, de 0,51%). Na Região Centro-Oeste, com exceção do Mato Grosso do Sul, o crescimento dos municípios das capitais foi menor que o dos demais municípios, ocorrendo o mesmo em todos os estados do Sudeste.
Maranhão, Piauí e Pará apresentam os menores graus de urbanização
O acréscimo de quase 23 milhões de habitantes urbanos resultou no aumento do grau de urbanização, que passou de 81,2% em 2000, para 84,4% em 2010. Esse incremento foi causado pelo próprio crescimento vegetativo nas áreas urbanas, além das migrações com destino urbano.
Os critérios adotados para subdividir o espaço territorial brasileiro em áreas urbanas e rurais são baseados nas legislações de cada município brasileiro. As áreas urbanas são áreas internas ao perímetro urbano de uma cidade ou vila, sendo este perímetro definido por lei municipal. As áreas rurais são as áreas externas aos perímetros urbanos, que também são definidas po lei municipal.
Dentro de um perímetro urbano definido em lei municipal, podem existir áreas urbanizadas, áreas não urbanizadas e até mesmo áreas urbanas isoladas. Estas últimas são caracterizadas por serem separadas da sede municipal, ou distrital, por uma área rural ou por outro limite legal. Da mesma forma, as áreas rurais podem ser classificadas como aglomerados rurais de extensão urbana, povoados, núcleos ou outros aglomerados, todos eles também definidos por legislação municipal.
A região Sudeste continua sendo a mais urbanizada do Brasil, apresentando um grau de urbanização de 92,9%, seguida pelas regiões Centro-Oeste (88,8%) e Sul (84,9%), enquanto as regiões Norte (73,5%) e Nordeste (73,1%) têm mais de 1/4 dos seus habitantes vivendo em áreas rurais. Rio de Janeiro (96,7%), Distrito Federal (96,6%) e São Paulo (95,9%) são as Unidades da Federação com maiores graus de urbanização. Os estados que possuem os menores percentuais de população vivendo em áreas urbanas estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste, sendo que Maranhão (63,1%), Piauí (65,8%) e Pará (68,5%) apresentam os índices abaixo de 70%.
País tem 96 homens para cada 100 mulheres
Segundo o Censo Demográfico 2010, há no Brasil uma relação de 96,0 homens para cada 100 mulheres, como resultado de um excedente de 3.941.819 mulheres em relação ao número total de homens. Com este resultado, acentuou-se a tendência histórica de predominância feminina na população do Brasil, já que em 2000 o indicador era de 96,9 homens para cada 100 mulheres.
A região Norte é a única que apresenta o número de homens superior ao de mulheres (relação de 101,8 para cada 100), sendo que todos os seus estados apresentam também razão de sexo superior a 100%. Nas demais regiões, as razões de sexos são as seguintes:Centro-Oeste, 98,6 homens para cada 100 mulheres; Sul, 96,3 homens para cada 100 mulheres; Nordeste, 95,3 homens para cada 100 mulheres respectivamente; e Sudeste, 94,6 homens para cada 100 mulheres.
Entre os estados, a maior razão de sexo está em Mato Grosso, com 104,3 homens para cada 100 mulheres. A Unidade da Federação que apresenta a menor razão de sexo é o Rio de Janeiro: 91,2 homens para cada 100 mulheres. Com exceção do Amazonas, todas as Unidades da Federação apresentam queda na razão de sexos entre 2000 e 2010.
Embora no conjunto da população do Brasil haja o predomínio feminino, em mais de 60,0% dos municípios observa-se um superávit masculino, fato decorrente das correntes migratórias. Entretanto tal predominância ocorre em municípios menos populosos. Cerca de 80,0% dos municípios com menos de 5.000 habitantes possuem mais homens do que mulheres em suas populações, ao passo que em todos os municípios com mais de 500 mil habitantes o número de mulheres é superior ao de homens.
Diminui a proporção de jovens e aumenta a de idosos
A representatividade dos grupos etários no total da população em 2010 é menor que a observada em 2000 para todas as faixas com idade até 25 anos, ao passo que os demais grupos etários aumentaram suas participações na última década. O grupo de crianças dezero a quatro anos do sexo masculino, por exemplo, representava 5,7% da população total em 1991, enquanto o feminino representava 5,5%. Em 2000, estes percentuais caíram para 4,9% e 4,7%, chegando a 3,7% e 3,6% em 2010. Simultaneamente, o alargamento do topo da pirâmide etária pode ser observado pelo crescimento da participação relativa da população com 65 anos ou mais, que era de 4,8% em 1991, passando a 5,9% em 2000 e chegando a 7,4% em 2010.
Os grupos etários de menores de 20 anos já apresentam uma diminuição absoluta no seu contingente. O crescimento absoluto da população do Brasil nestes últimos dez anos se deu principalmente em função do crescimento da população adulta, com destaque também para o aumento da participação da população idosa.
A região Norte, apesar do contínuo envelhecimento observado nas duas últimas décadas, ainda apresenta uma estrutura bastante jovem, devido aos altos níveis de fecundidade no passado. Nessa região, a população de crianças menores de 5 anos, que era de 14,3% em 1991, caiu para 12,7% em 2000, chegando a 9,8% em 2010. Já a proporção de idosos de 65 anos ou mais passou de 3,0% em 1991 e 3,6% em 2000 para 4,6% em 2010. A regiãoNordeste ainda tem, igualmente, características de uma população jovem. As crianças menores de 5 anos em 1991 correspondiam a 12,8% da população; em 2000 esse valor caiu para 10,6%, chegando a 8,0% em 2010. Já a proporção de idosos passou de 5,1% em 1991 a 5,8% em 2000 e 7,2% em 2010.
Sudeste e Sul apresentam evolução semelhante da estrutura etária, mantendo-se como as duas regiões mais envelhecidas do País. As duas tinham em 2010 8,1% da população formada por idosos com 65 anos ou mais, enquanto a proporção de crianças menores de 5 anos era, respectivamente, de 6,5% e 6,4%.
A região Centro-Oeste apresenta uma estrutura etária e uma evolução semelhantes às do conjunto da população do Brasil. O percentual de crianças menores de 5 anos em 2010 chegou a 7,6%, valor que era de 11,5% em 1991 e 9,8% em 2000. A população de idosos teve um crescimento, passando de 3,3% em 1991, para 4,3% em 2000 e 5,8% em 2010.
Média de moradores por domicílio cai para 3,3
No Brasil, a densidade domiciliar, relação entre as pessoas moradoras nos domicílios particulares ocupados e o número de domicílios particulares ocupados, apresentou um declínio de 13,2% no último período censitário, mais acentuado que os 9,6% observados entre os Censos de 1991 e 2000, passando de 3,8, em 2000, para 3,3, em 2010. Esse comportamento persistiu tanto na área urbana quanto na área rural.
A região Norte tem a maior densidade domiciliar, enquanto a Sul apresenta a menor, sendo que a tendência de declínio é uma característica geral e está diretamente relacionada à redução da fecundidade. Das cinco regiões, apenas a Norte apresenta média de moradores por domicílio igual a 4,0. Nas demais, esse valor já se situa entre os 3,1 da região Sul e os 3,5 do Nordeste. No contexto estadual, as médias oscilam entre 3,0, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, e 4,3, nos estados do Amazonas e Amapá.
Fonte: IBGE
EcoDebate, 02/05/2011
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domingo, 1 de maio de 2011

Resultados no Censo 2010 no Ceará

censo demográfico 2010

População do Ceará é na sua maioria formada por mulheres

Publicado em 30 de abril de 2011 

Mais uma vez, a Capital cearense conquista o quinto lugar entre as cidades mais populosas do País

Dados apresentados no Censo Demográfico 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a população do Ceará é na sua maioria formada por mulheres. Dos 8.452.381 habitantes, 4.332.293 são do público feminino. Os homens somam apenas 4.120.088 no Estado. A supremacia feminina foi registrada em praticamente todo o País. Dos mais de 190 milhões de habitantes no Brasil, 97.348.809 são mulheres, enquanto que os homens contabilizam um número de 93.406.990.

Em Fortaleza, a tendência também pode ser comprovada. Dos seus 2.452.185 indivíduos, 1.304.267 são mulheres, enquanto que o público masculino é formado por 1.147.918. Contudo, diferente da Capital, em diversos municípios cearenses os homens é que são maioria, como no caso de Acopiara, Acaraú e Fortim.

O levantamento do IBGE também demonstrou que a população do Ceará não é mais exclusivamente jovem, encaminhando-se, desta forma, para um Estado composto por pessoas mais velhas. Conforme a pesquisa, a população de indivíduos a partir de 60 anos somam 909.475, representando 10,7% do total. Aquelas pessoas com 65 anos ou mais contabilizam 641.556, ou seja, 7,6%. Enquanto isso, a população com menos de um ano de idade é formada por apenas 126.35, representando 1,49% dos habitantes do Ceará.

Contingente populacional

Em apenas dez anos, Fortaleza teve um aumento de 14,51% no número de pessoas residentes em seu espaço. Mais uma vez, a Capital cearense conquista o quinto lugar entre as cidades mais populosas do Brasil, com 2.452.185 indivíduos, ficando atrás apenas de São Paulo (11.253.503), Rio de Janeiro (6.320.446), Salvador (2.675.656) e Brasília (2.570.160).

A partir das informações obtidas pelo IBGE, Fortaleza passa a ser considerada a segunda maior cidade do Nordeste, que hoje possui um total de 53.081.950 habitantes.

No País, a região Nordeste perde, em número de habitantes, somente para o Sudeste, que tem 80.364.410. No total, diz o Censo, o Brasil possui uma população de 190.755.799 de pessoas. Os recenseadores do órgão federal visitaram 67,5 milhões de domicílios no período de 1º de agosto a 31 de outubro de 2010, tendo sido realizadas entrevistas em mais de 56 milhões de domicílios (83,7%).

Ceará

Acompanhando o ritmo da Capital e das demais cidades brasileiras, a população do Ceará também cresceu. No ano 2000, haviam 7.418.476 pessoas no Estado. Dez anos depois, este número passou para 8.452.381. A estatística deixa o Ceará na oitava posição entre os estados com relação ao contingente populacional, atrás de São Paulo (41.262.199), Minas Gerais (19.597.330), Rio de Janeiro (15.989.929), Bahia (14.016.906), Rio Grande do Sul (10.693.929), Paraná (10.444.526) e Pernambuco (8.796. 448).

Entre os municípios cearenses, depois de Fortaleza, em segundo lugar, apresentando 325.441 habitantes, está Caucaia, seguido de Juazeiro do Norte, com 249.939, Maracanaú, com 209.057, e Sobral, com 188.233. A cidade com o menor contingente populacional é Guaramiranga, composta por apenas 4.164 pessoas.

Apesar do evidente aumento na quantidade de pessoas residentes tanto em Fortaleza como no Ceará, ao longo dos anos, a taxa média geométrica de crescimento anual vem decrescendo.

De acordo com Francisco José de Moreira Lopes, chefe da unidade estadual do IBGE, essa diminuição já é observada em todo o território nacional desde a década de 1980, quando teve início o planejamento familiar e, consequentemente, um maior controle de natalidade.

"A população continua crescendo, porém em um ritmo mais lento. De 1980 a 1991 a taxa de crescimento populacional era de 2,78%, de 1991 a 2000, 2,17%, e de 2000 a 2010, 1,36%. Isso demonstra bem o que está acontecendo no país", explica Francisco Lopes.

Desigualdades

Para a professora e coordenadora do Laboratório de Estudos da População da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Adelita Carleial, Fortaleza não está preparada para receber esta grande quantidade de habitantes. Segundo a socióloga, à medida que se aumenta a população as desigualdades sociais também aumentam, já que não há na Cidade a efetivação de políticas públicas estruturais para lidar com problemas que surgem com este crescimento populacional.

"É preciso que se estude e se observe a cidade de uma outra maneira com projetos sociais importantes e pontuais, em especial, na área de emprego e educação para que assim estas desigualdades diminuam e as oportunidades estejam ao alcance de todos", comenta.

Casais homossexuais

Pela primeira vez, o IBGE contabilizou o número de casais homossexuais que residem em um único domicílio. Segundo os resultados obtidos com o levantamento, o Brasil possui 60.002 casais gays.

No Ceará, este número é de 2.620, dado que o coloca em segundo lugar entre os estados do Nordeste que possuem a maior quantidade de casais homossexuais morando juntos, ficando atrás da Bahia (3.029). São Paulo é o estado com o maior número, 16.872.

JÉSSICA PETRUCCI
REPÓRTER


http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=973246

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Censo 2010 - resultados para o Ceará

29 DE NOVEMBRO DE 2010 ÀS 14:50

A população do Ceará cresceu 13,69% em dez anos e agora tem mais de 8,4 milhões de habitantes


Fortaleza se manteve como a 5ª cidade mais populosa do Brasil. Na capital cearense tem 2.447.409 habitantes

O Brasil tem uma população de 190.732.694 habitantes. O número foi divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2010. O Ceará manteve a terceira colocação de Estado mais populoso da Região Nordeste e Fortaleza continua sendo a 5ª com mais pessoas no País.
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O Ceará teve um crescimento de 13,69% de 2000 para 2010. A população cearense aumentou de 7.430.661 para 8.448.055 habitantes. Já a cidade de Fortaleza cresceu nesse mesmo período 14,26% e passou de 2.141.402 para 2.447.409 moradores.
Além de ser a maior cidade do Ceará, Fortaleza também é a primeira em porcentagem de mulheres. A Capital tem uma população composta por 53.2% do sexo feminino e 46.8% do masculino, o que corresponde 155.811 mil mulheres a mais do que homens. Já o município de Amontada tem a maior porcentagem de homens – 51,9% contra 48,1% da população feminina.
Segundo o IBGE, dos 190.732.694 milhões de habitantes do Brasil, 84,3% vivem em zonas urbanas e 15.7% estão em zonas rurais. O Censo 2010 revelou ainda que existem 3.951.630 milhões de mulheres a mais no País. A população brasileira cresceu 12,33% em dez anos e é formada por 49% de homens e 51% de mulheres.